AUTORITARISMO E DELEGAÇÃO

“O chefe manda, impõe e tem subordinados; o líder dialoga, inspira e tem seguidores”. (Vasconcelos, 2020)

Nos últimos tempos tem tomado conta da mídia os diversos conflitos ocorridos entre o Presidente da República e alguns de seus Ministros, com a saída de quatro deles do quadro governamental em um curto período de tempo: dois do Ministério da Saúde, um do Ministério da Justiça e, mais recentemente, uma da Secretaria Especial de Cultura.

Algumas lições em termos de gestão podem ser aprendidas com o desenrolar do problema envolvido e vale a pena serem observadas.

A primeira delas está relacionada com a questão da estrutura organizacional. Estrutura organizacional é a forma pela qual as atividades desenvolvidas por uma organização são divididas, organizadas e coordenadas, incluindo a descrição dos cargos, com todas as suas atribuições e níveis de responsabilidades. Toda organização, quer seja pública, quer seja privada é gerida por uma estrutura organizacional, com seus diversos níveis hierárquicos e as boas práticas recomendam que estes níveis hierárquicos devem criteriosamente ser respeitados. Algumas destas organizações são bem estruturadas, outras mal estruturadas e outras ainda são totalmente desestruturadas. O papel do líder máximo na implantação e respeito à esta estrutura é de fundamental importância para uma boa gestão estratégica do negócio.

Um dos maiores e mais frequentes problemas relacionados à estrutura organizacional é o famoso “by-pass”. O termo foi herdado da língua inglesa e significa passar por cima de alguém, desrespeitando o seu cargo e sua autoridade. Ocorre quando líder passa por cima de seu liderado, tomando decisões ou dando ordens que seriam específicas da responsabilidade deste liderado. Muitas vezes este liderado fica sabendo do fato através de outras fontes de informação internas à organização ou, pior ainda, externas e não através do seu líder. Isso gera um desconforto enorme, por que o “by-passado” sente-se traído e desrespeitado no exercício da sua função e, por sua vez, os seus liderados sentem-se desorientados, não sabendo qual caminho seguir. O resultado disto tudo é um clima de revolta, desmotivação, confusão e muitas vezes, demissão ou desligamento da organização.

O problema também está relacionado com questão de delegação. Delegação é a transferência de poder, por meio da qual um indivíduo concede a outro a tarefa de representá-lo e agir em seu nome dentro de uma organização. Quem delega não pode absolutamente passar por cima do “delegado”. Caso o líder sinta necessidade de alguma intervenção na área do seu liderado, é estritamente necessário que o procure e discuta com ele essa intervenção, buscando um consenso e solicitando a ele que implante a medida proposta na sua área de trabalho. Caso ele entenda que a medida a ser implantada é altamente relevante e não haja consenso, pelo contrário haja forte discordância, pode ser necessária a substituição do liderado, de forma respeitosa e estruturada.

Gestores com perfil centralizador e autoritário tem fortes tendências a ter problemas de by-pass e delegação, gerando sérios problemas para as organizações onde estão inseridos. Quanto mais estratégicos os cargos envolvidos, maiores os estragos. “Quem manda aqui sou eu” e “manda quem pode, obedece quem tem juízo” são suas máximas preferidas. O mais interessante é que, comprovadamente, este estilo de liderança encontra-se há muito tempo ultrapassado, principalmente em se tratando de equipes altamente estratégicas. As modernas estratégias de gestão recomendam o modelo participativo, explorando amplamente e respeitando as competências existentes na organização. As decisões são tomadas de forma conjunta e respeitosa, ouvindo os liderados e ponderando quais as alternativas mais viáveis para o bem da geral organização, sem a influência de qualquer tipo de sectarismo, partidarismo ou interesses particulares envolvidos.

Gestão estratégica, quer seja nas organizações públicas quer seja nas organizações privadas, não pode estar na mão de amadores. O tempo dos capatazes já ficou para trás. Os riscos envolvidos podem trazer consequências severas, muitas das vezes irreparáveis para todos os envolvidos.

Quem tem ouvidos que ouça!

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DICA CULTURAL – FILME “GUERRA INTERIOR”

INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE: CASES DE SUCESSO DURANTE A CRISE DO CORONA VÍRUS

“A necessidade é a mãe da inovação” (Platão)

Nos últimos dias, em meio à crise do Corona Vírus, tenho acompanhado o desespero plenamente justificado de vários empresários, principalmente os comerciantes, tendo em vista o enorme problema que estão enfrentando com a determinação de fechamento de seus estabelecimentos.

Como fazer o pagamentos do salários dos empregados, como quitar as dívidas, como pagar as contas e, enfim, como obter o próprio sustento se os meios de geração de renda foram suspensos e, ainda por cima, não se tem previsão de retorno a um mínimo de normalidade?

É realmente um desafio de proporções enormes. No entanto, a inovação e a criatividade podem ser um excelente parceiro no meio deste turbilhão. Alguns exemplos inspiradores que trazem boas soluções merecem ser compartilhados. É como dizia um velho ditado mineiro: se te derem um limão, faça uma limonada ou, para quem gosta, uma boa caipirinha. Então, vejamos.

Em poucos dias, a Fintech Cora criou um novo negócio, o “Compre dos Pequenos” https://compredospequenos.cora.com.br/. É uma plataforma onde você cadastra gratuitamente seu negócio e os consumidores podem comprar vouchers de seus produtos e serviços disponibilizados para serem usados depois do fim da pandemia. Com a antecipação de receitas, os empreendedores podem manter pagamentos fixos, como salários de funcionários, aluguel e contas. A nova plataforma, com 2.000 empresas cadastradas, já tem uma adesão maior do que o negócio original, o banco digital, que tem 120 clientes.

Nesta Mesma linha, o Google lançou o “Google Meu Negócio”, uma ferramenta que pode ajudar potenciais clientes a terem um acesso mais completo sobre as informações de sua empresa. Vale a pena conferir: https://www.google.com/intl/pt-BR_br/business/

A Eats 4 You viu um aumento no número de cozinheiros cadastrados na sua plataforma de 25% após o surgimento da crise, com a adoção de entregas nas casas das pessoas, em vez de entregar somente em escritórios e condomínios comerciais. Vale considerar que a ABF – Associação Brasileira de Franchising prevê uma perspectiva de crescimento do setor franchising de alimentação para este ano entre 8% e 10% e que haja um incremento de 5% na geração de empregos.

A Dobra, fabricante de produtos com um material semelhante a papel, mudou completamente seu modelo de negócios em um dia. Passou a oferecer conteúdo e cursos para empresários, empreendedores e funcionários, como dicas para criar um negócio de impacto, economia colaborativa e capitalismo consciente. Cerca de 10 mil pessoas já se inscreveram para acessar o material.

Recentemente, aqui pelas terras marianenses, um pequeno caso me chamou a atenção. Precisei de cortar cabelo e as barbearias estavam todas fechadas. Consegui o contato de um profissional que me atendeu na minha casa, de acordo com a minha disponibilidade e de forma bastante personalizada. Fiquei feliz com o atendimento e ele com a conquista de mais um cliente e dinheiro no bolso. Este profissional, segundo seus comentários, estava com a sua agenda lotada, obtendo um faturamento até acima do anterior, sem contar a redução de custos com a manutenção do estabelecimento.

Muitos outros exemplos estão surgindo por aí e me trazem à memória uma cena que vivenciei há alguns anos, quando ainda morava em BH.

Era um show do violinista, cantor, tecladista e compositor Marcus Viana, na Praça da Liberdade e uma multidão de pessoas rodeava o palco. Mal o artista começou a tocar suas belas melodias, uma forte chuva começou a cair. A confusão foi geral, com as pessoas se evadindo rapidamente do local. No meio da confusão, apareceu um vendedor com um sacolão cheio de capas de chuva chinesas, vendendo sua mercadoria a um valor três vezes superior ao valor de mercado. Em poucos minutos, sem ninguém reclamar, todo seu estoque tinha se acabado…  

Fica aí mais bom exemplo de que, onde uma multidão vê um grave problema, alguém, com criatividade e iniciativa e muita força de vontade, vê uma grande oportunidade!

Quem tem ouvidos que ouça!

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LITERATURA EM PAUTA

Literatura em pauta

💬 Papo com o escritor Júlio Vasconcelos – Dia 21/05 – às 9h

⚜️ As inscrições estão sendo realizadas no http://www.even3.com.br/viiiead

⚜️ Para participar ao vivo, acesse o link: https://meet.google.com/xjn-emmy-hqc

DICA DE FILME: A FILHA DO PATRÃO

AINDA FALANDO SOBRE A DITADURA

“Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até o fim o seu direito de dizê-lo”. (Voltaire)

Recebi várias críticas e comentários na minha página do Facebook, alguns de amigos que tenho apreço, sobre meu último Artigo a respeito da Ditatura e do Ato Institucional N° 5, comentários estes defendendo de maneira veemente a atuação do governo militar instaurado no Brasil a partir de 1964 e extinto na década de 80. A todos, com respeito, dedico mais esta reflexão.

Antes de qualquer conjetura, considero importante esclarecer que não defendo aqui qualquer ideologia, quer seja comunista, capitalista, de centro, de direita ou de esquerda. Defendo a democracia, a liberdade de expressão e, sobretudo, a valorização e o respeito à vida e à dignidade do ser humano. Então, vamos aos fatos.

É um fato historicamente indiscutível que em 1964 os militares, apoiados pelos Estados Unidos, tementes da vinda do comunismo para o Brasil, derrubaram João Goulart da Presidência da República e assumiram o poder.

É também é um fato historicamente indiscutível que o Governo Militar assumiu o poder com o propósito de fazer uma transição para um novo governo democrático e permaneceu por 21 anos. Nesse período, segundo a Comissão Nacional da Verdade, cerca de 20 mil pessoas opositoras do sistema foram torturadas e outras 362 morreram ou simplesmente desapareceram nas mãos dos militares.

Indiscutivelmente, todos nós brasileiros queremos um Estado onde “os poderes vigentes exercessem seu papel de forma responsável, coerente, isenta e com justiça, objetivando o bem do País”, conforme comentou nosso amigo José Maria Alvarenga em uma de suas postagens. No entanto, é preciso entender que não podemos, em hipótese alguma, trocar nossa liberdade de expressão e concordar com a tortura e o assassinato em nome de uma mudança que não irá acontecer.

Pode parecer sádico, mas os relatos traumáticos de alguns dissidentes, vítimas de tortura retirados do site Diálogos do Sul, citados abaixo, estão aí para demonstrar as cenas de terror em que foram envolvidos e que eram comuns naquela época.

Perdoem-me se deixo alguns leitores chocados, mas quem sabe a realidade nua e crua possa falar mais alto para aqueles que ainda continuam insistindo na adoção de práticas ditatoriais e desumanas. Vejamos então alguns relatos.  

“Aí começa a sessão de horror. Colocavam toco de cigarro nas mãos deles até fazer bolha, beliscavam o corpo deles com pontas de faca, eles ficaram todos feridos. Os rostos ficaram só hematomas. Quebraram o nariz do Ribeiro com soco, arrastaram pelos pés e penduraram em uma árvore de cabeça para baixo, o sangue pelo nariz escorrendo. Se eu não falasse o que eles queriam ouvir, eles iriam matar o Ribeiro enforcado. Eu desmaiei, quando acordei estava molhada de pinga e vomitando.”. (Dirce Machado da Silva, Agricultora – presa e torturada, juntamente com o marido em 1967).

“Nessa noite, lá em casa, eles prenderam também meu sogro e minha sogra, já idosos, e meu sogro ficou algemado a uma árvore, minha sogra ficou na sala, também algemada, e aí nós fomos torturados, um em frente ao outro, eles tinham uma máquina de choque, que eles chamavam de “maricota”, aí batiam na gente com toalhas molhadas, tinha um alicate, beliscavam a gente no corpo, e meu marido, eles levaram, jogaram ele no córrego que tinha ao lado de casa, deram choques elétricos, dentro do córrego, ele ficou com traumas o resto da vida, ele teve problemas urinários, ele teve que tratar a vida toda”. (Izabel Fávero – Professora, também presa e torturada juntamente com o marido na mesma época).

“Eu fui para a cadeira do dragão, em que os caras jogaram água e me deram um choque na vagina, no seio, o pior foi na orelha, porque a impressão que dá é que jogaram o cérebro da gente no liquidificador, sabe?” (Robeni Batista da Costa – Estudante secundarista na época do governo militar e ex sub-prefeita de Campinas).

Muitos outros exemplos terríveis, concretos e incontestáveis poderiam ser citados, mas prefiro ficar por aqui para não tornar ainda mais assustadora a experiência dos leitores.

Por mais que alguém abomine o comunismo ou qualquer outra ideologia, é muito difícil entender que algum cristão, em sã consciência, defenda um governo que utilizou de práticas tão monstruosas como as descritas.

Ficar discutindo quem começou primeiro ou quem está com a razão, se foram os de direita ou os de esquerda não pode justificar nunca a ocorrência de tanta violência. Olho por olho, dente por dente, no final todos ficam cegos…

Alegar que o País viveu um momento de ordem e progresso naquele período, se é que isto é uma verdade, é concordar que o fim justifica os meios e que a vida de seres humanos não tem valor para se chegar a este estágio, o que é um absurdo.

Pode ser possível que a maior parte da população não tenha sofrido qualquer tipo de coerção naquela época, como afirmam alguns defensores do sistema ditatorial. No entanto, é bom lembrar que esta parcela da população se enquadrava em três grandes grupos: os conformistas, que concordaram com os métodos maquiavélicos utilizados pelo sistema, os medrosos que ficaram com medo dos fuzis e das metralhadoras e os omissos que entenderam que não tinha nada a ver como o que estava acontecendo, apesar de todos os pesares. Aqueles que usam este argumento, é só escolher em qual grupo se enquadraram ou enquadrariam.

Quem tem ouvidos que ouça!

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GESTÃO COM PESSOAS E PRODUTIVIDADE NAS ORGANIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

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