DICAS DE LEITURA

A 4ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada em 2016 identificou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro! É um dado assustador! Com o objetivo de estimular a boa leitura, contribuindo para reverter esta situação, a partir de então, estaremos divulgando semanalmente uma “Dica de Leitura” no nosso Blog. Curtam, divulguem, compartilhem e façam bom proveito! Segue a primeira.

ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA: O DESAFIO DO MILÊNIO

OPERAÇÃO LAVA-RATOS NO PAÍS DOS RATOS

Era uma vez um país dominado por ratos, um dos maiores do mundo. Neste país, os ratos se dividiam em várias classes, cada uma enclausurada em seu nicho, correndo atrás do próprio rabo. Existia a classe dos ratos desempregados que crescia a cada dia de forma triste e descontrolada. Outra classe era a dos ratos trabalhadores que viviam com um eterno medo de perderem seus empregos e entrarem para a classe dos ratos desempregados. Tinha também a classe dos ratos aposentados, cuja luta era sobreviver com a manutenção dos parcos benefícios alcançados, em contraposição a uma subclasse seleta estatutária que vivia nadando em mordomias corporativamente conquistadas. Em seguida surgia a classe dos ratos da caserna, enclausurados nos seus quartéis, sem querer se meter na confusão, com medo de caírem nos mesmos erros do passado. Ainda na sequência vinha a classe dos Ratos Juízes, dos Ratos Procuradores e dos Ratos Policiais Federais, que começavam a vestir as camisas de paladinos da justiça e defensores da moralidade. No topo, aparecia a classe dos ratos empresários, detentores do capital, que viviam reclamando dos impostos pesados e acabaram se aliando à outra classe, a dos políticos que, para desespero dos demais ratos, em sua grande maioria, fingia que trabalhava e vivia se locupletando à custa das burras do erário.

Neste país dos ratos, a classe dos ratos políticos era eleita diretamente pelos demais ratos, o país era um país democrático. Para conquistar os votos dos demais ratos e se elegerem para seus cobiçados cargos com polpudos salários, eles precisavam de muito, mas muito dinheiro para desenvolver suas campanhas milionárias. Para conseguir este dinheiro, se mancomunavam com alguns grandes ratos empresários.

Por sua vez, os grandes ratos empresários, para inflar facilmente ainda mais os seus já inchados caixas, precisavam dos políticos para serem contratados para execução das obras do Estado. Diante de tal contexto, as duas classes faziam uma barganha nada recomendável: os grandes ratos empresários, ora assediados pelos ratos políticos, ora por inciativa própria, repassavam enormes quantias em dinheiro para os ratos políticos e estes, por sua vez, os recompensavam com as obras milionárias, muitas das vezes, superfaturadas. Além disto, os grandes ratos empresários, quando conseguiam ser contratados, repassavam para os ratos políticos, um polpudo percentual das verbas recebidas, como forma de “reconhecimento” pelo trabalho prestado. Tudo isto acontecia de forma sorrateira, corrupta e ilegal. O grande problema é que, no país dos ratos, durante um longo tempo isto acontecia e ninguém falava nada! A maracutaia corria livre e solta, sem que ninguém se importasse.

Um certo dia, um eminente Rato Juiz, capitaneando um bando de ratos policiais, resolveu firmemente botar ordem na casa: arrumou uma Operação denominada de Operação Lava-Ratos. Era preciso “lavar” de vez todos os ratos corruptos das classes políticas e empresariais. Uma grande quantidade de grandes ratos empresários foi presa e, pressionados, estes ratos começaram a “abrir o bico”, pensando em serem perdoados pelos “pecados” praticados. Surgiu, assim, a chamada delação premiada. Foi um verdadeiro “Deus nos acuda” de norte a sul no país dos ratos! Listas enormes de ratos políticos e empresários envolvidos na situação, agora tida como escandalosa, começaram a ser divulgadas. Ratos políticos e grandes empresários sendo conduzidos algemados para o xadrez passaram a ser as imagens preferidas dos noticiários. Os ratos policiais, sôfregos por mostrar trabalho, sempre à frente com os uniformes pretos e distintivos brilhantes no peito, passaram a ser o destaque. O Rato Juiz transformou-se no paladino da justiça e passou a ser idolatrado! A coisa ficou tão feia que até os quatro últimos ratos ocupantes da presidência do país foram denunciados, inclusive o ocupante do cargo. Um monte de ratos envolvido passou a não conseguir dormir direito de noite, apavorado, com medo de ser preso a qualquer momento, na frente da esposa e dos filhos e dentro da própria casa, o que já vinha acontecendo com vários colegas de colegiado.

No meio da confusão formada, um rato policial se transformou em rato político e, com um discurso extremado, passou a se autoproclamar o salvador da moralidade da pátria. Vestindo uma falsa farda de integridade, começou publicamente a defender com veemência, para a solução do problema, a tortura e os torturadores do passado. Pregava abertamente a volta da ditadura, travestindo-a com o codinome de “democracia militar”!  Surpreendentemente, alguns ratos menos avisados e até bem intencionados acharam isto bonito e começaram a aplaudir seu discurso extremado.

E a situação foi se complicando cada vez mais no país dos ratos. A corrupção era tanta que já não se sabia mais que rato deveria ou não ser lavado. Dos pequenos desempregados, passando por todas as classes de ratos, até os ratos da alta cúpula do estado, já não era mais possível saber quem estava livre de ser condenado. Os pequenos pecados passaram a ser visíveis em todos os lugares, partindo de dentro das igrejas até os pequenos mercados. Até um destacado rato policial, de olhos apertados, sempre presente às operações conduzindo ratos algemados, também foi preso, acusado de envolvimento em transações ilegais.

Pelo que até então se sabe, no país dos ratos, a Operação Lava-Ratos continua de forma acelerada. Ninguém sabe onde, quando ou como ela vai parar. O grande medo é que pela existência de tantos ratos sujos, um dia não tenha mais ratos para lavar e o país dos ratos desapareça do mapa…

MENSAGEM DE PAZ

Em meio a um mundo dilacerado por guerras, com tantos Assads, Trumps, Putins, Kim Jongs, Maduros e outros mais soltos por aí, o Papa Francisco dá o seu recado. Pena que poucos conseguem ouvir… Um final de semana de muita paz para todos nós!

ENFRAQUECIMENTO MORAL

Operações Lava-Jato, Cui Bono, Eficiência,Mascate, Leviatã, Blackout, Tolypeutes, Satélites, Paralelo, O Quinto do Ouro, Antiquários, Vórtex, Crisol, Cosa Nostra, Fogo de Palha, Carne Fraca, só em 2017 já foram 16 as operações da Polícia Federal. Deste jeito, aonde vamos parar? Vale a pena refletir! Um excelente final de semana para todos!

NEW PETS BENEFITS: HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE DE TRABALHO OU INVERSÃO DE VALORES?

A Revista Melhor, editada pela ABRH Brasil, na sua edição de outubro de 2016, divulgou uma matéria no mínimo questionável. A matéria afirma que algumas empresas estão investindo em um ambiente mais “humano”, com políticas de benefícios envolvendo os empregados que possuem bichos de estimação, os pets. Cita o exemplo da CA Technologies, uma empresa americana de tecnologia, onde os empregados que adotam um gato ou cachorro têm direito a três dias de licença remunerada para estreitar os laços com seu bichinho e em caso de morte do pet, até três dias de licença, para curtir o luto. A Gol Linhas Aéreas parece estar indo para o mesmo caminho. Nada contra os bichinhos de estimação, muito pelo contrário, os animais merecem todo nosso respeito, mas será que não está havendo uma enorme inversão de valores? Com tanta criança morrendo de fome neste mundão de Deus, não seria muito mais humano que estas empresas investissem em programas de adoção de crianças?…

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

Vejo pelas ruas do nosso País uma multidão carregando faixas com a frase “Fora Temer”. Ok, assim funciona a democracia, mas me veio à lembrança um antigo texto atribuído ao saudoso João Ubaldo “Precisa-se de matéria-prima para construir um País”, escrito pelos idos de 2005, mas que parece-me bastante atual.

Por mais que os críticos insistam que a linha de raciocínio do texto é absurda por que atribui toda a culpa pelos problemas que estamos vivendo exclusivamente ao povo brasileiro, infelizmente, acredito que o seu conteúdo faz todo sentido. Evidentemente, que a abordagem não tem, absolutamente, por intuito inocentar os políticos corruptos, mas sim levar à uma reflexão profunda sobre o papel e a atitude de cada cidadão brasileiro no meio deste contexto deturpado. Será que a culpa está sempre do lado de lá? A culpa é sempre do outro? E eu, como estão minhas atitudes no dia a dia? Venda de votos a troco de um emprego na máquina pública ou de alguns sacos de cimento, compra de CD’s/DVD’s piratas, “gatos” de luz e TV a Cabo, saques de cargas nas estradas, estacionamentos em local proibido, “fezinha” no Jogo do Bicho, Nota Fiscal adulterada ou “fria”, etc., etc…É sempre bom, nestes momentos lembrar um pensamento atribuído à Platão: “Tente mover o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”…

Vamos ao texto:

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.

O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as “EMPRESAS PRIVADAS” são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos… e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem “gatos” para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “comprados”, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos  um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem “molhei” a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como “Matéria Prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte… Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda… Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa? MEDITE!!