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A FALÊNCIA DO SISTEMA DE ENSINO-APRENDIZAGEM BRASILEIRO E A TEORIA DA REPRODUÇÃO – VIOLÊNCIA SIMBÓLICA

enem-iiSegundo Gustavo Ioschpe no seu livro “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, o último levantamento do INAF (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Isto significa que três quartos da nossa população não seriam capazes de ler e compreender um texto como este. Na Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo INAF, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Recentemente, os resultados demonstraram que 6,1 milhões de inscritos no ENEM, apenas 77 conseguiram nota máxima na Redação e 300 mil tiraram nota zero!

Sem dúvidas, os resultados são assustadores! Surge então uma pergunta que não quer se calar: onde está o problema?

Meus estudos e reflexões, influenciados pela minha Tese de Mestrado em Ciências da Educação em desenvolvimento, me levam a concluir que, longe de única e simplesmente, de forma imediatista, depositar a culpa nos nossos jovens, a causa fundamental do problema está relacionada a dois fatores fundamentais: a qualidade do ensino e os sistemas de avaliação de aprendizagem vigentes.

Comprovadamente a qualidade do nosso sistema de ensino, de uma forma geral, é ruim, evidentemente, sem considerar as ilhas reservadas aos filhos das elites, que frequentam as melhores escolas, sustentadas por mensalidades polpudas! Da infraestrutura à qualidade da mão-de-obra e à metodologia, temos muito que melhorar. É um número muito grande de escolas sem o mínimo de condições físicas para funcionar: faltam sistemas adequados de transporte, mesas, carteiras, refeitórios, alimentação adequada, banheiros, materiais didáticos e, em algumas delas, até mesmo teto. Sem contar as condições de segurança, com os alunos vivendo em meio à criminalidade e tiroteios cerrados. O investimento no desenvolvimento de nossos professores é mínimo e o reconhecimento, tanto em forma de remuneração como de valorização do trabalho, é o mais baixo de todos em relação às profissões consideradas nobres. Como se não bastasse, o sistema de ensino-aprendizagem segue a metodologia da “educaçãopaulo-freire-ii
bancária”, tão fortemente combatida por Paulo Freire, considerado o Pai da educação brasileira, onde os alunos, de forma passiva, são meros depositários das verdades absolutas ditas pelos professores em sala de aula. Vale lembrar aqui um dos seus preciosos ensinamentos: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Depois de passar por esta “via crucis”, no final do grande ciclo (ou “circo”) vem o ENEM, com a adoção de um sistema de avaliação somativo, aterrorizante, eliminatório e excludente, onde sempre os filhos das elites são os melhores classificados e aprovados com as melhores notas e os demais, pertencentes às classes oprimidas, são descartados. As estatísticas demonstram claramente este fato.

pierre-bourdieuPierre Bourdieu, (1930-2002), um famoso estudioso francês da da área de educação, a este fenômeno denominava de “Teoria da Reprodução”, onde, através da educação, o sistema reproduz o sistema de castas. É o que ele chamava de violência simbólica. Aos privilegiados, as melhores escolas, os melhores cursos, as melhores profissões, os melhores salários e, consequentemente, as melhores condições sociais, aos demais, as piores escolas, os piores cursos, quando conseguem frequentar, as piores profissões, quando encontram trabalho, o subemprego e a marginalidade. E assim o ciclo se reproduz indefinidamente.

Os resultados negativos do ENEM nada mais são do que a formalização de um certificado da falência do sistema de ensino-aprendizagem institucionalizado. Os pobres alunos expostos à humilhação pública são muito mais vítimas do que culpados. O controle do processo  com um sistema de avaliação ao final da linha só serve de mero instrumento para a constatação óbvia de uma série de derrotas cultivadas ao longo da vida estudantil dos reprovados, condenados à vala dos derrotados. Recordando Bourdieu: Nada é mais adequado que o exame para inspirar o reconhecimento dos vereditos escolares e das hierarquias sociais que eles legitimam”.

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O ENEM, O SISU E A TEORIA DA REPRODUÇÃO DE PIERRE BOURDIER

EDUCAÇÃOO Sistema de Ensino Brasileiro tem uma cultura predominantemente focada em preparar o jovem, desde a infância até a conclusão do ensino médio, de forma exaustiva, maquiavélica e discriminatória, para ser aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM e, na sequência, batalhar por uma vaga em uma Universidade através do Sistema de Seleção Unificado – SISU. Do antigo vestibular para o sistema atual, sinceramente não consigo ver grandes evoluções. Em vez de terem que se deslocar para se submeterem ao terrorismo do Exame em terras distantes, nossos jovens passaram a ter o “privilégio” de sofrer mais próximo do local de origem. Neste Sistema, o ensino é utilizado como uma mera ferramenta para aprovação no Exame no final da linha e para a manutenção do status quo da pirâmide e não como um instrumento de formação do ser humano como agente de transformação social. O conhecimento é difundido cada vez mais através de uma série de macetes, fórmulas decoradas, decorebas e “tirocetes” (tirocínio + macetes) onde os maiores e melhores são sempre aqueles nascidos em berço de ouro e que tiram as notas mais altas. Alguns poucos, verdadeiros heróis pertencentes às classes menos privilegiadas conseguem quebrar o ciclo e evoluir socialmente. Desta forma, ganham cada vez mais o capitalismo dos cursinhos preparatórios e o sistema discriminatório de manutenção das castas sociais.

Os resultados do ENEM 2015 demonstraram que os alunos que obtiveram as melhores classificações e foram para as melhores universidades foram justamente os alunos pertencentes às classes mais altas e que frequentaram as melhores escolas particulares e os melhores cursinhos preparatórios, evidentemente inaccessíveis aos demais jovens. Em contrapartida, estes demais jovens que obtiveram as piores classificações foram justamente aqueles pertencentes às classes pobres, que frequentaram as escolas públicas e não tiveram condição de pagar os cursinhos preparatórios.

Pierre Bourdier (1930-2002), um famoso estudioso francês da área de educação, desenvolveu uma teoria chamada Teoria da Reprodução, onde afirma que os sistemas tradicionais de ensino nada mais fazem que reproduzir os sistemas de castas sociais, ou seja, normalmente os jovens que são provenientes de famílias com maior poder aquisitivo, são os que frequentam as melhores faculdades e, consequentemente, conseguem se formar nas profissões mais rentáveis. Pelo contrário, aqueles que são provenientes de famílias de menor poder aquisitivo, são os que frequentam as piores faculdades (quando frequentam) e acabam se formando em profissões menos rentáveis (quando se formam). E assim o sistema se reproduz indefinidamente.

Se tivéssemos de fato um ensino básico de qualidade para todos, conforme rezam as novas metas do milênio, com certeza nossos jovens não precisariam passar por este martírio e as oportunidades seriam equalitárias.Creio que a nossa chamada “Pátria Educadora” para o ser de fato e de direito precisaria de rever de forma drástica a estrutura de ensino vigente, com menos discriminação e menos desigualdades, através de mudanças basilares onde as oportunidades sejam iguais para todos independentemente das origens ou classes sociais. Infelizmente parece que Paulo Freire tinha razão quando afirmava: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA: ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA

DILMA 2Em seu discurso de posse em 1º de janeiro de 2015, a presidente Dilma lançou o slogan para o seu segundo mandato: Brasil, pátria educadora, comprometendo-se a dar mais importância à educação e nos trazer um País mais feliz, justo e equalitário. Confesso que me senti um pouco mais confortado quando ouvi a sua fala. Quem sabe algo de bom poderia surgir, amenizando a frustração generalizada. Infelizmente, parece que a luz não surgiu, o discurso não se traduziu em prática. Vejamos os fatos.
Por Decreto Presidencial, o orçamento de 2015 para a área de educação sofreu um corte de 587 milhões de reais, cerca de 49 milhões mês, caindo de 1,761 milhões para 1,174 milhões, uma redução de 33% do total. A educação foi a pasta mais afetada com o corte das verbas que seriam disponibilizadas. Enquanto isto, pipocam na mídia as notícias de greves de professores pelos Estados e salários atrasados, falta de transporte escolar, escolas em condições precárias, sem teto, sem banheiros e até sem cadeiras para os alunos estudarem sentados.
Como se isto não bastasse, outras medidas preocupantes ainda foram tomadas.
Os alunos do FIES/PROUNI sofrem com as novas regras implantadas. Pelos menos 530 mil vão ficar fora do sistema, sem contar aqueles que não vão conseguir os 450 pontos mínimos requeridos nas provas do ENEM a serem aplicadas. Provavelmente estes alunos excluídos do sistema são justamente aqueles que pertencem às classes menos favorecidas que não têm condições de frequentar as escolas de melhor qualidade, privilégio das classes mais abastadas.FIES
As Universidades Federais tiveram um terço dos seus recursos financeiros bloqueados. Falta dinheiro para pagamento dos serviços terceirizados e para os programas estudantis implantados. Aqui em Minas Gerais, a UFMG teve que suspender o pagamento de água e luz por causa do corte das verbas disponibilizadas. Servidores federais já ameaçam entrar em greve, paralisando os serviços essenciais.
O maior problema é que a educação não é a única a ser atingida, de forma isolada. Outros problemas graves rondam a nossa casa. A corrupção parece se alastrar de forma descontrolada; até os Presidentes do Congresso Nacional são acusados. Os impostos e o óleo diesel aumentam de preço, greve caminhoneirosos caminhoneiros fazem greve e bloqueiam as estradas. As tarifas de transporte público aumentam o preço e o povão fica ainda mais sacrificado. O desemprego começa a subir, a recessão dá sinais de ser acordada, os jornais divulgam notícias de demissões em massa. DEMISSÃO MONTADORAS
Em meio a tanta confusão, a mídia monopolizante, novelesca e elitista e os ativistas aproveitam para colocar mais lenha na fogueira e tomar atitudes exaltadas. O “Fora Dilma”, alavancado pelos Big Brothers da Globo e seus associados, convoca o povão para uma manifestação pública que até já tem data marcada, o dia 15 de março. O grito das ruas ameaça voltar e transformar o País numa anarquia generalizada.
Penso que precisamos ser prudentes para não tomarmos atitudes precipitadas. No dia 15 de novembro passado, 54 milhões de brasileiros, de forma livre e democrática, decidiram que a Presidente Dilma tinha sido escolhida para dar continuidade ao seu mandato. É um número muito significativo e não pode ser desprezado. Assim funciona a democracia e temos que aguentar. Possivelmente, aqueles que votaram nela continuam acreditando nela e vão usar com força desta crença para manter o status. Além disto, a queda da Presidente, até que as coisas se organizem de novo, vai gerar um imenso vácuo, sem contar que o novo ocupante do cargo deverá ser o vice Temer (temer?!, qualquer semelhança é mera coincidência…), um pemedebista da mesma linhagem do Sarney e do Calheiros, que já anda sonhando com o cargo e, com certeza, não fará as coisas melhorarem.
Ruim com a Dilma, pior sem ela! Minha esperança é que um dia os brasileiros aprendam a votar…

ENEM E INCLUSÃO SOCIAL

DIÁRIO DE LISBOA XIDepois de um longo tempo distante dos bancos escolares, confesso que esta vida de estudante me deixa meio enfastiado. Mochila nas costas, caminhada, sala de aula, almoço, sala de aula, caminhada de novo, lanche, estudo e cama. Lembra-me a música do Chico Buarque: “todo dia ele faz tudo sempre igual”… Já estou contando as horas que faltam para fechar mais este ciclo. Mas, plagiando novamente Fernando Pessoa, tudo vale a pena se a gente se engrena…
Hoje tivemos aula de uma disciplina que se chama Inclusão Social e Educativa. Por coincidência, trouxe comigo do Brasil um recorte de jornal com o resultado do ENEM Brasil 2013. A matéria traz o ranking das dez melhores escolas classificadas em termos de pontuação e, como não poderia deixar de ser, todas elas são particulares, evidentemente frequentadas por alunos oriundos de famílias de alto pode aquisitivo. Primeiro lugar: Colégio Objetivo Integrado (São Paulo), segundo lugar: Colégio Bernoulli (Belo Horizonte), terceiro lugar: Colégio e Curso Ponto de Ensino (Rio de Janeiro) e assim por diante, todas as escolas situadas em capitais, exceto uma de Ipatinga, o Colégio Elite Vale do Aço (o próprio nome já diz tudo!). Nem precisa dizer que as escolas públicas ficaram em último lugar e os alunos, coitados, Deus sabe onde vão parar!
Recentemente, a Presidente Dilma Roussef, em seu discurso de posse, disse que o novo lema do seu governo será “Brasil, Pátria Educadora”. Uau, que belíssimo lema! Será que teremos realmente mudanças radicais na educação que vão de fato transformar a nossa realidade?
Enquanto isso, vamos em frente que os livros me esperam para uma nova jornada.

DIÁRIO DE LISBOA III: RESULTADOS DO ENEM, PIERRE BOURDIER E PAULO FREIRE

DIÁRIO DE LISBOA IIIMeu relógio biológico, influenciado pelo impacto do fuso horário, levou-me acordar ontem após o horário programado. Tive que me arrumar às pressas e pegar um taxi para chegar à Universidade. Mesmo assim ainda consegui chegar no horário.
A primeira Disciplina do cronograma foi Teorias da Mudança Social e a Mudança Educativa. A professora já começou a aula abrindo um debate sobre o tema e eu mergulhei de ponta cabeça no assunto. Trouxe nos meus alfarrábios um recorte de jornal com uma estatística do resultado do ENEM 2015. A matéria afirmava que os alunos melhores classificados foram justamente os de classe alta e que frequentavam as melhores escolas particulares do Brasil, evidentemente as mais caras e inaccessíveis aos jovens das classes menos abastadas.
Pierre Bourdier, um famoso estudioso francês da área de educação, desenvolveu uma teoria chamada Teoria da Reprodução, onde afirma que os sistemas tradicionais de ensino nada mais fazem que reproduzir os sistemas de castas sociais, ou seja, normalmente os jovens que são provenientes de famílias com maior poder aquisitivo, são os que tiram as melhores notas, são melhores classificados, frequentam as melhores faculdades e conseguem se formar nas profissões mais rentáveis. Pelo contrário, aqueles que são provenientes de famílias de menor poder aquisitivo, são os que não conseguem tirar as melhores notas, não são bem classificados, frequentam faculdades menos qualificadas (quando frequentam) e acabam se formando em profissões menos rentáveis (quando se formam). E assim o sistema se reproduz indefinidamente. ENEM…
Paulo Freire, reconhecido com um dos maiores educadores que passaram pelas terras brasileiras, apresenta a solução, trazendo o conceito de educação libertadora, onde o estudante, independentemente da classe social a que pertença, passa a ser o protagonista da sua história em um sistema educacional participativo, politicamente engajado, emancipador e libertador, muito diferente do sistema classificatório e excludente que infelizmente temos na nossa realidade. Falando sobre mudanças, ele afirma:
“O discurso da impossibilidade de mudar o mundo é o discurso de quem, por diferentes razões aceitou a acomodação, inclusive por lucrar com ela. A acomodação é a desistência da luta pela mudança. Falta a quem se acomoda, ou em quem se acomoda e fraqueja, a capacidade de resistir”.
Quem tem ouvidos, que ouça…

O TERRORISMO DO ENEM

Por mais que eu tente, não consigo entender a lógica que permeia a implantação do ENEM. Sempre fui contra a pressão e o desgaste a que são submetidos nossos jovens com o vestibular. Chega a ser desumana, desrespeitosa a situação a que são submetidos. Sem contar a massificação e a deturpação do ensino com a indústria mercenária dos cursinhos pré-vesibular…

 Entendo que o acesso à Universidade tem que ser um processo natural para todos os concluintes do segundo grau que queiram continuar seus estudos, independentemente da classe social, do nível de conhecimento ou da instituição que estudaram. Se o nínel de conhecimento não é suficiente, o problema não é dos alunos e sim dos responsávesi pelo sistema de ensino que para eles foi disponibilizado. Minha expectativa era que realmente houvesse uma evolução. No entanto, a impressão é que simplesmente mudaram de nome, em vez de Vestibular, passou para ENEM. E, pelo visto, de uma maneira muito mais cruel! O “imbroglio” deste final de semana passado foi assustador. O pior é que a novela foi a mesma do ano passado! Pobres dos nosso estudantes!

Caos no trânsito, com alunos chegando atrasados e desesperados dando com os portões fechados na cara, tumulto, empurrões e tapas na entrada, gabaritos errados, cadernos de questões com numeração trocada,  falta de energia com alunos presos durante horas em sala de aula e por aí vai…Até o exército foi acionado! Sem contar os detalhismos absurdos com a exigência da utilização de caneta esferográficade tinta preta, proibição de uso de relógio e outras pérolas mais. Certamente, se nossos burocratas de Brasília responsáveis pelo processo fossem submetidos aos mesmos critérios de nota a que foram submetidos os alunos, eles seriam reprovados…

OLIMPÍADAS 2016 E AMNÉSIA GERAL

OLIMPÍADASNão tenho dúvidas com relação aos benefícios que possam trazer para o Brasil a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, mas o que realmente me chama a atenção é a amnésia geral que toma conta do nosso País. Parece que todos os nosso problemas desaparecem como num passe de mágica! O boçal do Zelaya com seu chapelão de capataz e a bagunça na embaixada de Honduras foram deletados, os impactos da crise deixaram de existir, desemprego não é mais problema, a carga tributária aviltante também, a criminalidade no Rio de Janeiro é somente coisa de cinema, a recente palhaçada do ENEM já foi esquecida (R$30 milhões de prejuízo!) e  até os corruptos do Planalto despareceram (viva Sarney!)! O Jornal Nacional e até a CBN, um dos maiores expoentes midiáticos do País entraram na ciranda, não se fala em mais nada! Será que Olimpíadas virou sinônimo de panacéia geral???!!!