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FUNDO DO POÇO! ACORDA CARATINGA!

vereador-presidiarioInfelizmente, a cidade de Caratinga deu um péssimo exemplo de como anda a política o nosso País. No dia 03/01/17, tomou posse como Vereador Ronilson Marcílio Alves, presidiário acusado de crimes de extorsão e formação de quadrilha. O figurão apareceu, escoltado por policiais e vestido com uniforme prisional, perante o Juíz para tomar posse, ironicamente, proferindo o juramento: “Prometo cumprir dignamente o mandato que me foi confiado, respeitar a Constituição Federal e a Constituição do Estado e a Lei Orgânica Municipal e observar as leis, trabalhando pelo engrandecimento do município e o bem-estar de sua população”. Logo após foi reconduzido à prisão. Detalhe: o vereador do PTB foi reeleito com 854 votos e vai receber em janeiro e fevereiro o subsídio mensal de R$ 9.015 como parlamentar, mesmo estando preso na Penitenciária! Acorda Caratinga! Será que estamos chegando ao fundo do poço?…

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A VOCAÇÃO LITERÁRIA DE FREI BETTO

Transmito na íntegra a Entrevista concedida por Frei Beto ao Jornalista e Crítico Literário Manuel da Costa Pinto da Revista Cult, falando sobre literatura, religião, contexto político, atuação do Lula e do PT. Altíssimo nível! Vale a pena conferir!

Conhecido por sua atuação política contra o regime militar, o autor de “Batismo de sangue” fala de literatura, política e critica os desvios de rota do PT

Manuel da Costa Pinto

FREI BETOPrestes a completar 71 anos e com sessenta livros publicados, Frei Betto descobriu o amor pela escrita muito cedo, quando suas redações escolares (ou composições, como se dizia à época) fizeram os professores identificarem seu talento – mas só se tornou um autor “graças aos generais brasileiros”.
Integrante da Ação Católica, grupo que se opunha ao regime militar, Carlos Alberto Libânio Christo foi preso duas vezes: em 1964 e no período 1969-1973, quando estava no Rio Grande do Sul e participava de uma rede clandestina formada pelos dominicanos para apoiar os insurgentes.
Dessa segunda experiência, resultaram dois livros de cartas, atualmente reunidas num único volume intitulado Cartas da prisão. Começava a se desenhar aí o perfil do religioso e militante que publicou vários títulos de caráter memorialístico – entre eles, Batismo de sangue, que narra os episódios que levaram ao assassinato do ativista Carlos Marighella e que daria origem ao filme homônimo de Helvécio Ratton.
O cruzamento de atuação política com religião aproximaram Frei Betto do cristianismo progressista dos dominicanos e da teologia da libertação, mas jamais sufocaram sua verdadeira vocação – a literatura. Vocação que foi alimentada pela mãe, Maria Stella Libânio Christo, cristã progressista e autora de livros sobre culinária (entre eles, o clássico Fogão de lenha), e pelo pai, Antônio Carlos Vieira Christo, advogado, cronista e ferrenho anticlerical, que chorou copiosamente quando soube que o filho ia ingressar na ordem dos dominicanos, mas que mais tarde se tornaria “fã da teologia da libertação, de D. Pedro Casaldáliga”, segundo Frei Betto.
Na entrevista a seguir, concedida no convento dos dominicanos, no bairro paulistano de Perdizes, o autor de Minas do ouro fala da preocupação de dissociar a ficção das questões ideológicas – que continuaram presentes em suas intervenções públicas, levando-o a participar do programa Fome Zero, durante o governo Lula, mas não o impedindo de ser um crítico dos desvios de rota do PT e da timidez da esquerda.

CULT – Quando a literatura e a escrita aparecem na sua vida?
FREI BETTO Comecei a escrever muito cedo. Sempre conto que, aos oito anos, quando estava no grupo escolar, minha professora, Dercy Passos, entrou na sala com um maço de composições (belo nome que se usava então para as redações) e, ao fazer a correção, deixou a minha por último. No fim, disse à classe: “Vocês deveriam fazer como Carlos Alberto; ele escreve as próprias composições, não pede para os pais fazerem por ele”. Aí meu ego bateu lá em cima… E mais tarde, no primeiro ano de ginásio, no Colégio Marista, meu professor de português me chamou e disse: “Você só não será escritor se não quiser”. Só que, para mim, ser escritor era coisa de outro mundo, para gente muito erudita. Foi daí que me meti no jornalismo. Comecei, em 1966, por onde muitos almejavam concluir carreira: a revistaRealidade.
Mas só me tornei autor graças aos generais brasileiros, ao escrever Cartas da prisão – que foram publicadas primeiramente no exterior [com outros títulos e em volumes separados], primeiro na Itália, em 1971, em seguida na França e em outros países. Depois, em 1977, saíram no Brasil.

CULT A experiência política marcou muito sua literatura. Em que momento surge uma ficção “pura”, sem essa preocupação?
FREI BETTO A militância me dificultou muito na ficção, que é o que mais gosto de fazer. Tive de lutar para me desfazer dessa camisa de força. Meu primeiro romance foi O dia de Ângelo, onde ainda havia essa camisa de força, tinha um pouco das minhas experiências em celas solitárias. Depois vieram Hotel Brasil e Minas do ouro – em que me soltei mais.

CULT Essa mudança coincide com o período posterior à queda do muro de Berlim, quando as grandes questões ideológicas declinam. É só depois disso, por exemplo, que você escreve Hotel Brasil, um romance policial. Há alguma relação?
FREI BETTO Até onde consigo enxergar conscientemente, queria enfrentar o desafio de fazer um policial – duplo desafio de criar a ficção e o mistério, conduzir o leitor até o fim sem que ele descubra quem é o assassino. Foi isso que passou na minha cabeça. Não tive a consciência de que, com a crise das ideologias, iria fazer literatura “pura”.
Reservo 120 dias do ano só para escrever. Não são dias seguidos, mas são sagrados. E muitas vezes estou fazendo ficção e fico árido; daí, inevitavelmente, leio Machado de Assis. Ele me reaquece, provoca minha inventividade. Fui um leitor voraz de Jorge Amado e Erico Verissimo, de quem era amigo e que me ajudou a montar uma biblioteca na penitenciária em que estive preso – e fui muito marcado pela literatura francesa, Camus, o Sartre do teatro e de A náusea.

CULT Falando em Jorge Amado e Sartre, que eram escritores muito engajados, como você avalia a esquerda de hoje?
FREI BETTO A esquerda hoje é uma raridade. Conheci muito intimamente o mundo socialista, na Nicarágua, depois em Cuba, onde durante dez anos, entre 1981 e 1991, fiz um trabalho institucional de reaproximação entre Igreja e Estado. Com a queda do muro de Berlim, a esquerda acadêmica, que nunca teve um trabalho popular, foi cooptada pelo neoliberalismo, a ponto de hoje acontecer uma enorme crise econômica na Europa Ocidental e não haver qualquer proposta de esquerda.
O principal problema filosófico hoje é a desistoricização do tempo. Isso se reflete na esquerda mundial, que está perdendo o horizonte histórico (não tem utopia, não tem projeto), e também no plano pessoal – a dificuldade de se ter projeto pessoal na vida profissional, artística, afetiva (todos ficam vulneráveis a qualquer dificuldade na relação conjugal).
Isso está nos levando à falta de esperança, e faz com que a discussão política desça do racional ao emocional. Sempre participei de discussões políticas e nunca vi nível de animosidade tão forte como agora, porque se apagou o horizonte histórico.
Não é fácil ser de esquerda em um mundo tão sedutor quanto o do capitalismo neoliberal. Daí o problema do PT, que foi perdendo o horizonte histórico de um projeto Brasil e trocando-o pelo horizonte imediato de um projeto de poder.

CULT Quando percebeu que o PT abandonou seu projeto inicial?
FREI BETTO Isso desaparece na campanha de 2002, quando o PT faz a opção de assegurar a governabilidade pelo mercado e pelo Congresso – daí as alianças e a “Carta aos Brasileiros”, que na verdade é a “carta aos banqueiros”. Ali, o PT abandona sua matéria-prima, que são os movimentos sociais pelos quais deveria ter assegurado a governabilidade, como fez Evo Morales na Bolívia, que não tinha apoio no congresso, se apoiou nos movimentos sociais e, através deles, conseguiu mudar o perfil do congresso. Hoje, ele tem apoio dos dois, é o presidente mais consolidado de toda essa safra progressista. O PT optou pelo mercado e pelo Congresso. Agora, está refém dos dois e pagando um preço muito alto. Tanto que chamou um homem do mercado para ver se melhora a economia e entregou a parte política para o PMDB.

CULT Se você já havia se decepcionado desde a “Carta aos Brasileiros”, por que participou do programa Fome Zero, do governo Lula?
FREI BETTO Achei que a “Carta aos Brasileiros” fosse uma coisa tática, que, uma vez eleito, o PT faria reformas estruturais, tributária, agrária, algum tipo de reforma. Estava altamente entusiasmado. Sempre fui convidado para trabalhar em administração, mas nunca quis trabalhar nem para a iniciativa privada nem para governos. Gosto dessa vida cigana, solta. Quando Lula foi eleito e me convidou para o Fome Zero, achei que trabalhar com os mais pobres entre os pobres – os famintos – se enquadrava em minha perspectiva pastoral e tive todo apoio de meus superiores dominicanos e até de Roma.
Fiquei dois anos e, de repente, o governo matou o Fome Zero para substituí-lo pelo Bolsa Família. Tive então a certeza de que essa opção contrariava a tudo aquilo que o PT vinha pregando desde a fundação. O Fome Zero era um programa emancipador, o Bolsa Família é compensatório. O Fome Zero ia mexer na estrutura do país e por isso foi boicotado pelos prefeitos. Era coordenado por comitês gestores municipais, não passava pelos prefeitos, não havia como usar os recursos para fazer jogo eleitoreiro, então os prefeitos se rebelaram, pressionaram a Casa Civil, que pressionou Lula. No fim, Lula cedeu e eu caí fora.

CULT Você chegou a escrever que o PT faz “populismo cosmético”.
FREI BETTO O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade. É um governo que fez a inclusão econômica na base do consumismo e não fez inclusão política. As pessoas estavam consumindo, o dinheiro rolando e a inflação sob controle, mas não se criou sustentabilidade para isso. Agora a farra acabou, está na hora de pagar a conta e chama-se o Joaquim Levy [ministro da Fazenda].

CULT Os católicos de esquerda foram preteridos pelo PT por conta dos compromissos com os evangélicos?
FREI BETTO Lula sempre reconheceu que as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) tiveram mais importância na capilaridade do PT pelo território brasileiro do que o sindicalismo. Nos anos 80, havia núcleos do PT no fundo do Maranhão ou do Amazonas graças a essas comunidades. Enquanto foram atuantes, não havia evasão de fiéis para as igrejas pentecostais. Foi o fato de o Pontificado de João Paulo 2º reprimir as CEBs que fez com que os bispos já não as patrocinassem e que muitas pessoas bandeassem para as igrejas evangélicas.
Nas CEBs, o pobre se sente à vontade. Mas numa igreja, não. Você vai à paróquia e só tem classe média, tem a patroa, tudo é centrado no padre – não há convivência como numa comunidade. Ainda existem as CEBs, mas não com aquela força de antes.
As CEBs produziram muitos militantes, como Erundina, Vicentinho, Chico Alencar. As figuras éticas [do PT] têm uma tradição de igreja. O PT é formado por três segmentos: o pessoal da Igreja, o do sindicalismo e o da esquerda – remanescentes da esquerda da época da ditadura (Zé Dirceu, Paulo Vannuchi etc.). O pessoal das CEBs, por formação pessoal, nunca teve muita gana de poder. Aos poucos, ficaram em segundo plano.
Por outro lado, os evangélicos estão armando uma grande estratégia de domínio da política brasileira, que se resume ao seguinte: “Nossos princípios religiosos exigem determinadas atitudes morais e nós só podemos impor isso de duas maneiras: convertendo toda a nação (o que é impossível) ou tendo o poder de fazer a lei civil obrigar as pessoas a agirem como nós queremos (já que a lei é universal)”. Se você tem a caneta, você transforma seu princípio religioso em lei.

CULT Você vê sinceridade religiosa nessas posturas ou é manipulação de sentimentos reativos dos fiéis?
FREI BETTO As duas coisas. Há os fundamentalistas e há os que são meramente oportunistas. Estes perceberam que aquilo é um manancial de votos. O pastor diz claramente: “o candidato é esse”. Isso não acontece na Igreja Católica – aconteceu lá nos anos 30, com a LEC (Liga Eleitoral Católica), em que o bispo dizia “isso sim, isso não”. Nas igrejas evangélicas, há hoje um direcionamento muito explícito. Muitos políticos estão ali por fundamentalismo, muitos por oportunismo.

CULT Qual sua posição sobre a liberação do aborto?
FREI BETTO Defendo o modelo francês. Tudo deve ser feito pelo Estado para convencer a mulher a não abortar, mas a decisão final é dela. Esse modelo, em primeiro lugar, fez com que acabasse o aborto clandestino e, portanto, diminuísse o índice de mortes. Em segundo lugar, o fato de o médico e o ministro da confissão religiosa da mulher induzirem-na a não abortar aumentou o índice de mulheres que foram à procura do aborto, mas decidiram assumir o filho. Eu mesmo tenho experiência pessoal disso. Já recebi vários adolescentes nessa situação e sempre disse o seguinte: “Tenha o filho e deixe aqui que eu crio, pode deixar na porta do convento”. Nunca ninguém trouxe e hoje tenho uma porção de apadrinhados… Tenho uma posição aberta, acho que aborto em última instância é um direito da mulher e não pode ser criminalizado de jeito nenhum.

CULT Mas isso não vai contra os dogmas da Igreja?
FREI BETTO Não é dogma. Se fosse, a Igreja também teria de ser contra a guerra, não haveria capelão militar e, nos EUA, seria contra pena de morte. Na verdade, há uma ambiguidade na teologia. São Tomás de Aquino aceitava o aborto até quarenta dias após a fecundação, porque ainda não haveria ali, propriamente, uma pessoa – e ele é a doutrina oficial da Igreja. A discussão teológica não está fechada. Tanto que escrevi um texto sobre isso em 1988, que circulou na CNBB, e nunca recebi advertência. Aliás, nesse texto digo que “se homem parisse, aborto seria um sacramento”…

CULT E em relação ao casamento homossexual?
FREI BETTO O fundamento da relação de qualquer ser humano é o amor – e, se há amor, há Deus. O tema da sexualidade e da família está congelado na Igreja Católica desde o século 16. Tentou-se várias vezes abrir esse tema nos concílios, mas ele foi podado. Acho que o papa Francisco, muito inteligentemente, está conseguindo quebrar esse preconceito. Em vez de falar “vamos aceitar o casamento homoafetivo”, ele fala “esses casais têm filhos, as crianças não têm direito à catequese?”. Com isso, já abriu o caminho. Ele acaba de receber no Vaticano um transexual espanhol que foi discriminado pelos bispos e que agora vai casar. Foi um escândalo na Espanha, tanto que dizem que a direita de lá reza assim para o papa: “Senhor, iluminai-o ou eliminai-o”.

CULT Outro tema atual que divide a opinião pública é a redução da maioridade penal. Qual sua posição?
FREI BETTO Criminalizar a juventude é uma maneira cômoda de se omitir naquilo que deveria ser feito para evitar a criminalidade juvenil: dar educação. É o caso das UPPs do Rio: a polícia sobe à favela, mas não sobem escola, teatro, cinema, esporte, música – e o traficante não quer que seu filho seja bandido, quer que ele seja doutor. Uma geração já poderia ter sido salva no Rio se os equipamentos sociais também tivessem subido às favelas.

CULT Como militante e ex-preso político, como vê o clamor pelo impeachment da presidente e pela volta da ditadura?
FREI BETTO Não me preocupam ameaças de impeachment ou golpe. Não há caldo de cultura. Os militares nem saem de farda na rua. Militar, no Brasil, antes andava orgulhosamente de farda, até para arrumar namorada…
O que me preocupa é a despolitização da juventude brasileira. Os segmentos de esquerda deveriam estar preocupados com a politização, como houve imensamente nos anos 70 e 80. Não há mais formação de consciência crítica – e aí o pessoal vai no emocional, no oba-oba da volta dos militares, sem ter ideia do que foi a ditadura, que pode parecer que foi tranquila, mas é porque havia uma censura brutal. Estamos voltando a esse nível de desinformação, a esse horror à política.

Manuel da Costa Pinto é jornalista e crítico literário

Fonte : http://revistacult.uol.com.br/home/2015/05/a-vocacao-literaria-de-frei-betto/

O PAPA SUBVERSIVO

PAPA FRANCISCO“Por que a Igreja católica não ordena mulheres para o execício do sacerdócio?”
“Eu também sou um pecador”.
“Não é nada ecológico, nem religiosamente correto nos reproduzirmos como coelhos”.
“Que mal há em admitirmos o fim natural de uma união matrimonial que não deu certo, nem acrescenta mais?”
“O capitalismo atual que destrói tanto a natureza quanto a vida humana, aumentando o abismo entre os ricos e os pobres é uma sutil ditadura”.
“Se Deus nos deu a vida, esse jardim do Éden, que é a terra, este planeta maravilhoso, nós também temos o dever de preservá-lo”.
“Uma advertência para toda a Igreja. Para que se volte à radicalidade do Evangelho. Este não é o tempo de uma Igreja que busque na comodidade dos salões a sua própria vantagem, uma Igreja que renuncie ao Espírito em nome do poder ou da conveniência política”.
“O episcopado não é uma honorificência, é um serviço. Jesus quis que fosse assim. Não deve haver lugar na Igreja para a mentalidade mundana que diz assim: ‘Este homem fez a carreira eclesiástica e tornou-se bispo’. Não, não, na Igreja não deve haver lugar para esta mentalidade, o episcopado é um serviço, não uma distinção para vangloriar-se. É triste quando se vê um homem que procura este cargo e faz tantas coisas para lá chegar. Quando ali chega, não serve, pavoneia-se, vive apenas para a sua vaidade”.
“Os escândalos na Igreja acontecem porque não há uma relação viva com Deus e com sua Palavra. Assim, os sacerdotes corruptos, em vez de dar o pão da vida, dão um pasto envenenado ao santo Povo de Deus.”
“A corrupção é a gangrena do povo”.
“É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta”.
“Vamos dizer sem medo: queremos uma mudança. Este sistema capitalista já não se aguenta. Os trabalhadores, as comunidades e os povos não aguentam. Nem a terra aguenta!”

Estas palavras que mais parecem originárias de um católico qualquer revoltado com os rumos que a Igreja Católica vem tomando nos últimos tempos ou de um ativista extremado, na verdade foram provenientes da boca do Papa Francisco, como afirma uma reportagem da Revista Ecológico em sua última edição de 31/07/15. A Revista insinua que o Papa é subversivo, numa alusão positiva sobre seu discurso e sobre as ações que ele vem tomando à frente da Igreja Católica. A reportagem traz, de maneira bastante elucidativa, uma síntese da Encíclica “Laudato Si” (Louvado Seja) divulgada pelo Papa no mês passado.

Subversivas ou não, o fato é que o Papa Francisco vem incomodando um monte de gente com suas atitudes e afirmações, inclusive alguns reverendíssimos representantes dentro do próprio clero. Quiçá suas santas palavras ecoem pelos ares e sejam ouvidas por todos nós, servindo de semente para o surgimento de uma nova era com mais integridade, paz, justiça, solidariedade e consciência ecológica. Que Deus ilumine seu caminho!

Para queles que se interessarem a conhecer a Encíclica “Ludato Si” em sua íntegra é só acessar o link http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html.
É uma boa sugestão de leitura em vez de ficar se “emburrecendo” vendo a novela das oito…

O BURRO POLÍTICO

BURRO POLÍTICOBertolt Brecht escreveu uma belíssima reflexão sobre o Analfabeto Político que vale a pena ser lembrado messe momento conflituoso de eleições:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Acrescento ainda aqui uma pequena reflexão sobre alguns debates acalorados que tenho acompanhado entre algumas  pessoas sobre os candidatos à Presidência da República, expondo a si e aos outros publicamente, de forma maléfica. Recentemente, vi dois grandes amigos quase rompendo um relacionamento de longos anos por causa de manifestações desrespeitosas de um deles com o outro, no facebook.

O fato é que, além do analfabeto político, existe o burro político. O burro político é aquele que se acha sempre o dono da verdade e da verdade absoluta. O candidato dele, mesmo havendo evidências irrefutáveis de desvio de conduta ou de problemas de gestão, é perfeito e intocável. Demoniza o candidato dos outros e vislumbra fenômenos catastróficos, caso ele, o candidato adversário ganhe a eleição. Esquece-se que, como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, e que divergências de idéias e liberdade de expressão são os maiores atributos da democracia. Numa crise maniqueísta, incentiva a luta de classes e divide o mundo em duas grandes alas, os do bem e os do mal,  os certos e os errados e, travestido de juiz, condena qualquer um que discorde dele. Recusa-se radicalmente a enxergar qualquer tipo de questionamento com relação ao seu candidato e, o pior de tudo, passa para ataques pessoais, acusando de burros, ignorantes, cegos e outros predicados mais, aqueles que não concordam com ele. Torna-se chata e agressiva, desrespeitando as pessoas e até as grandes amizades.

As eleições passam e as pessoas ficam e o tempo irá nos mostrar a verdade. É certo que precisamos exercer nossa cidadania e estarmos conscientes, buscando o que é melhor para o nosso País, mas, sobretudo, precisamos cultivar a sabedoria, sabendo ouvir, respeitando as pessoas com fraternidade e compostura. “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: quem tem ouvidos que ouça…

ELEIÇÕES: SOMOS TODOS CORRUPTOS?

CORRUPÇÃO IIUma frase em destaque da Presidente Dilma (e não Presidenta, como ela exige erradamente ser chamada) durante o último debate na TV Globo e replicada no Jornal Estado de Minas de 03/10/14 deixou-me assustado e merece ser fortemente questionada: “Não tem ninguém acima da corrupção. Todo mundo pode cometer, as instituições é que devem investigar”.
Será realmente que todos nós temos um preço? Todos somos corruptos? A honestidade e a integridade de qualquer um de nós podem ser compradas? É assim mesmo, vamos engulir a política do vale tudo como normal? Até mesmo abraçar o Maluf, condenado pela justiça e procurado como criminoso pela Interpol, para conseguir vencer a eleição em mais um estado? Pelo visto, parece que é nisso que a Presidente e seu criador acreditam…Afinal, onde fica a ética moral? Onde ficam aquelas nossas crenças e aqueles nossos valores arraigados, aprendidos no berço e tidos como inegociáveis?…
LULA - MALUF
Que, como seres humanos, somos todos sujeitos a erros, isso é um fato, mas daí a julgar que não tem ninguém acima da corrupção, chega realmente a assustar. Julgar que a ética imoral, onde impera o princípio maquiavélico do fim justificando os meios, deve ser encarada com uma prática normal, parece-me uma lógica perversa e inaceitável.
Para a Presidente e para aqueles que compartilham desses pensamentos, deixo aqui a letra e o link do vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=cE1VuxpOshI) de um poema da poetiza Eliza Lucinda, interpretado pela Ana Carolina, denominado Poema da Ética – Só de sacanagem!:
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
” – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
“- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

Quem tem ouvidos, que ouça…

LUIZ ANTÔNIO REGUFFE, UM POLÍTICO FICHA LIMPA

Outro dia, navegando pela internet em busca de informações sobre o Projeto Ficha Limpa, deparei-me com uma notícia que me chamou muito a atenção: em meio a tanta corrupção e roubalheira nas esferas políticas, eis que surge um político digno de ser mencionado em altos brados pela mídia – Luiz Antônio Reguffe! Guardem este nome! O cara tem 38 anos, é economista, eleito deputado federal pelo PDT do Distrito Federal. Obteve a maior votação proporcional do País – 18,95% dos votos válidos (266.465 mil). Caiu no gosto do eleitorado graças às posturas éticas adotadas como deputado distrital. Seus futuros colegas na Câmara dos Deputados que se preparem. Na Câmara Legislativa de Brasília, o político desagradou aos próprios pares ao abrir mão dos salários extras, de 14 dos 23 assessores e da verba indenizatória, economizando cerca de R$ 3 milhões em quatro anos. Reguffe, mesmo ciente de que seu exemplo saneador vai contrariar a maioria dos 513 deputados federais, promete não usar um único centavo da cota de passagens, dispensar o 14º e 15º salários, o auxílio-moradia e reduzir de R$ 13 mil para R$ 10 mil a cota de gabinete. “O mau político vai me odiar. Eu sei que é difícil trabalhar num lugar onde a maioria o odeia, mas quero provar que é possível exercer o mandato parlamentar com ética e dignidade”, afirmou. Parabéns para o povo brasiliense que, felizmente diferente dos demais eleitorado brasileiro, soube escolher com maestria um de seus representantes. Depois da eleição do Tiririca, esta é uma boa prova de que ainda existe uma luz no fim do túnel… Esperemos que o bom exemplo do nosso jovem parlamentar continue forte e permanente e contamine positivamente os nossos políticos, contribuindo para o fim da corrupção no nosso País!

ACORDA MARIANA!!!

Apesar de ser de naturalidade manhuaçuense, considero-me um marianense de coração. Cheguei em Mariana na minha tenra adolescência, conclui meus estudos por lá, por lá fiz grandes amigos, meus familiares lá residem e, mesmo à distância, preocupo-me com os rumos que tomam a comunidade.

Recentemente, em visita à cidade, tive oportunidade de tomar conhecimento do catástrofe política que de lá se aproxima, com a cassação do mandato do atual Prefeito, Sr. Roque Camelo.

Buscando notícias sobre o fato na internet, deparei-me com o Blog do renomado Nilmário Miranda, Ex-Ministro da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Lula, onde ele se manifesta de maneira sábia sobre o fato, seguido por inúmeras outras figuras importantes e por diversos marianenses.

Não resisti à tentação e inseri-me no rol de comentaristas, manifestando meu ponto de vista sobre a questão. Reescrevo na integra, meu comentário abaixo.

 Prezado Sr. Nilmário,

Bom saber que figuras ilustres do cenário nacional como o senhor e o renomado escritor Fernando Moraes, além de muitos sábios marianenses, se manifestam em favor de Mariana, contra a banalização da gestão pública.

Apesar de considerar uma perda enorme para Mariana a cassação do mandato do atual Prefeito Sr. Roque Camelo, vejo que o maior problema não é este com o qual nos deparamos no momento, mas sim a catástrofe e o retrocesso que ainda está por vir.

Mariana demorou muito tempo para sair do coronelismo, onde administração pública era confundida com favoritismo e troca de benesses, onde se entendia que administrar uma Prefeitura de tamanha importância era a mesma coisa que administrar fazenda de gados ou posto de gasolina. Pelo visto, infelizmente, o retorno ao passado está iminente!

Pergunto-me: Será que Mariana está vivendo um estado de miopia generalizada, confundindo habilidades domésticas e conjugais com competências profissionais e gestão pública??? Será que alguns saudosistas testas-de-ferro mal intencionados estão aproveitando da dor e da inocência de uma pobre viúva para mamar nas tetas do poder?

Muito boa a lembrança do escritor Fernando Moraes sobre a memorável atuação de Pedro Aleixo nos idos da ditadura militar. Iluminados por este pensamento, neste momento, o que se espera da ala dos sábios marianenses é que se manifestem, fazendo um  mutirão público, renegando de forma radical junto à Justiça, aos órgãos competentes e a quem mais for necessário, o retrocesso e a volta ao passado, em defesa da modernidade, do profissionalismo e da competência na administração pública.

Cada povo tem o governo que merece…Acorda Mariana!!!