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PROFESSOR, PROFISSÃO DESVALORIZADA

OPERAÇÃO PROFESSORRecentemente recebi um Edital do Processo Seletivo para Professores 2016 de uma instituição governamental. Lendo o edital, descobri que para uma carga horária de 20hs semanais, portanto 80hs mensais, um Professor Especialista, portanto graduado e pós-graduado, irá receber um salário-base de R$865,65. Como o Estado é “bomzinho”, concede uma gratificação e Incentivo à Docência no valor de R$177,13 e uma Gratificação de Desempenho de Professor de Nível Superior no valor de R$335,79. Com isto o Professor, ao final do mês, depois de trabalhar 05 dias por semana, de 18hs às 22hs, de segunda a sexta-feira, fora os trabalhos adicionais em casa, recebe um total de R$1.398,57 por mês. Pois bem, fiz uns cálculos multiplicando este valor por 12 para ver o ganho anual e cheguei ao montante de R$16.782,80, o que representa em dólares o equivalente a US$4.184,20. Surpreso e indignado com este valor, liguei para a área responsável pelo Processo Seletivo questionando e um dos representantes da instituição, meio constrangido, reconhecendo o absurdo, confirmou o resultado.
Em busca de parâmetros para melhor avaliar, fiz uma pesquisa identificando os 10 países do mundo onde os professores são mais bem pagos e encontrei os seguintes resultados:
1-Luxemburgo: US$ 101 mil
2-Suíça: US$ 65 mil
3-Alemanha: US$ 60 mil
4-Holanda: US$ 55 mil
5-Espanha: US$ 49 mil
6-Irlanda: US$ 49 mil
7-Coreia do Sul: US$ 48 mil
8-Canadá: US$ 48 mil
9-Dinamarca: US$ 47 mil
10-Áustria: US$ 46 mil
(Fonte:http://lista10.org/diversos/os-10-paises-onde-professores-sao-mais-bem-pagos/)
É fácil de observar que o último país da lista, a Áustria paga o equivalente a quase 11 vezes mais que o valor divulgado! Minha indignação aumentou, que triste realidade!
Aprofundando minha pesquisa, fui buscar mais informações, comparando com os salários dos políticos brasileiros e cheguei aos novos resultados:
1-Senador e Deputado Federal: R$33.763,00/mês – US$101.011,22/ano
(Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/salarios-de-politicos-em-2015.html
2-Deputado Estadual MG: R$ 17.165,33 – US$51.354,76/ano
(Fonte:http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/02/com-salario-de-r-17-mil-deputados-de-mg-aprovam-auxilio-moradia.html)
3-Vereador BH: R$13.629,46 – US$40.776,25/ano
(Fonte: http://www.cmbh.mg.gov.br/portal-da-transparencia/pessoal/estruturaremuneratoria/vereador)
Os valores citados são básicos, sem considerar os benefícios e os (gordos) adicionais que são pagos.
Da mesma forma, podemos observar que um Vereador, o menos remunerado da lista, às vezes sem nem concluir o ensino médio e sem nenhuma carga horária de trabalho efetivamente registrada, ganha o equivalente a quase 10 vezes mais que o professor do Edital divulgado! Novamente, me deparo com esta outra triste realidade!
Creio firmemente que a solução para o progresso começa, passa e termina com a educação, mas uma educação de qualidade, onde o elemento mais importante, o professor seja realmente reconhecido e valorizado. Afinal, todos os outros profissionais saem dos bancos escolares. Dizem que no Japão o único profissional que não precisa se curvar para o imperador é o professor, pois segundo os japoneses em uma terra onde não há professores não pode haver imperador. No Brasil, pelo que parece, os professores acabam tendo que viver permanentemente curvados, subjugados por uma sobrevivência apertada.
Infelizmente os fatos e os dados, como visto acima, demonstram que estamos muito longe de alcançar um patamar onde a educação e os professores sejam realmente valorizados. É triste observar que a tão sonhada Pátria Educadora fica somente nos discursos e muito distante da prática!

O DIA DO TRABALHADOR

Dia-do-trabalhadorNo dia 1º de maio comemora-se o Dia do Trabalhador e não do trabalho, como muitos pensam. A data foi escolhida porque no dia 1º de maio de 1886 milhares de operários saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, para protestar contra as condições desumanas de trabalho agravadas com a revolução industrial. Nesta época, surgiu uma greve generalizada que reivindicava, entre outras melhorias, a redução na jornada de trabalho de quatorze para oito horas diárias e melhores condições de trabalho e salários. A paralisação durou dias e culminou na morte de vários operários.
CLTAlgumas questões importantes e provocativas merecem reflexão nesta marcante data. Talvez a mais urgente delas seja a questão relacionada à legislação trabalhista. A Consolidação das Leis do Trabalho CLT, que rege as relações de trabalho no Brasil, foi aprovada por Decreto em 1° de maio de 1943 por Getúlio Vargas e foi fortemente inspirada pela Carta del Lavoro do governo fascista de Benito Mussolini. Possui 944 artigos que legislam de forma rigorosamente detalhada sobre os mais variados temas, versando sobre identificação profissional, jornada do trabalho, salário mínimo, férias anuais, segurança e medicina do trabalho, proteção ao trabalho da mulher e do menor, previdência social e regulamentações de sindicatos das classes trabalhadoras e greves, entre outros. Creio que temos aí um sério problema a resolver.É impossível admitir que os princípios que regiam a relação capital-trabalho a 70 anos atrás continuem integralmente sendo válidos para os dias de hoje. O mundo mudou e muito; novas e profundas transformações tecnológicas surgiram, impactando fortemente as relações de trabalho. Inúmeras profissões desapareceram e outras surgiram, exigindo uma nova forma de regulamentação. O nível de instrução e conhecimento dos trabalhadores aumentou, adquirindo condições e abrindo espaço para reivindicar seus próprios direitos no ambiente de trabalho. A mídia, as ONG’s, os órgãos reguladores e a própria sociedade exercem uma pressão sobre o capital exigindo um tratamento mais humano e respeitável. Motivados pelo aumento da lucratividade ou mesmo por questões humanitárias, os empresários e grandes executivos repensam estrategicamente suas formas de administrar, optando por uma gestão mais participativa.
O fato é que, diante da obsolescência de certos regulamentos, muitas das vezes os empresários não tem como se furtar e acabam prejudicando o próprio trabalhador em nome da lei. A nossa legislação trabalhista é uma das mais rígidas do mundo! Alguns personagens do mundo do trabalho, preocupados com um retrocesso nos direitos conquistados pelos trabalhadores, em uma atitude conservadorista, defendem veementemente a manutenção da legislação como está. Nossos parlamentares, pelo que se apresenta, receosos de verem sua popularidade manchada discutindo tão polêmico assunto, preferem não encarar de frente a questão e vão protelando uma solução para o problema. E assim caminha a humanidade.
As leis foram feitas para tornar a convivência em sociedade mais harmoniosa para os homens, coerentemente com a realidade de cada época em que vivem. Quando perdem esta característica e começam até mesmo a dificultar, é sinal de que precisam ser mudadas. Reforma trabalhista não pode ser confundida com perda de direitos do trabalhador, mas sim entendida como adequação às realidades do mundo contemporâneo. Que a vetusta CLT não seja ignorada de forma radical e disruptiva, mas analisada de forma consciente e ajustada à modernidade, contribuindo de forma efetiva para a paz no mundo do trabalho. Este, de fato, seria um bom presente para o trabalhador!
No mais, parabéns a todos nossos trabalhadores que, de sol a sol, heroicamente dão sua contribuição para o progresso do nosso País.
PARABÉNS DIA DO TRABALHADOR

A COPA DO MUNDO E AS MANIFESTAÇÕES POPULARES

COPASuponha que alguém apanhou seu dinheiro (e muito dinheiro) sem te pedir licença e resolva dar uma grande festa na casa dele com este dinheiro. Para a animar a festa, ele emprega artistas famosos pagando salários milionários, inimagináveis pelo trabalhador comum. Você está precisando muito deste dinheiro e, lógico, não concorda com a forma que ele será aplicado. Além de não ter tido opção de escolher se dava ou não o dinheiro, você tem uma série de necessidades urgentes a serem atendidas com ele. No entanto, indiferentemente às suas necessidades e aflições, este alguém divulga a festa de forma estrondosa na mídia e, descaradamente, convida você, outros prejudicados com o confisco do dinheiro e mais um monte de gente de fora para participar da festa. Sentindo-se lesado e sacaneado, você protesta, convoca pela internet outros prejudicados, faz manifestações nas ruas, bloqueia o trânsito, grita, usa faixas e alto-falantes com frases de efeito, incomoda os vizinhos e um monte de gente que não tem nada a ver com isto, mas os preparativos para a festa continuam, como se nada estivesse acontecendo. Passados alguns dias, iludido pelas propagandas ufanistas divulgadas pelos responsáveis pelo evento, você (é você mesmo), resignado e obnubilado, esquece de tudo, levanta de madrugada e se encaminha para alguns poucos guichês espalhados pela cidade,  enfrentando filas quilométricas para comprar ingressos caros para ir à grande festa promovida pelo dito cujo. No dia da grande festa, você, todo alegre, sorridente e entusiasmado, veste um uniforme de gala e, com uma bandeira na mão, vai para o evento!…

Sou brasileiro, amo meu País, não tenho nada essencialmente contra o futebol e os campeonatos mundiais, sou radicalmente contra manifestações violentas e depredações e acho mesmo que devemos receber bem quem vem de fora para nos visitar nestas ocasiões. No entanto, penso que o povo brasileiro precisa exercer de fato a sua cidadania e ser mais consciente e maduro na sua forma de protestar. Não adianta xingar o ladrão e depois curtir a festa feita por ele com o fruto do roubo, como se nada estivesse acontecendo. Quem tem ouvidos que ouça…

AS MELHORES EMPRESAS PARA SE TRABALHAR NO BRASIL

MELHORES 2013Todo ano a Revista Você S/A divulga a relação das 150 Melhores Empresas para se trabalhar no Brasil. Em 2013, o Google foi classificado em primeiríssimo lugar. O resultado faz jus às elevadas práticas de gestão de pessoas da empresa. Para comprovar, basta conferir a extensa e arrojada lista de benefícios que a empresa concede para seus empregados:

-Vai malhar? Reembolso de R$180,00 por mês.

-Teve filhos? Os novos pais recebem R$600,00 para as despesas com alimentação nos primeiros 90 dias do bebê e os homens ganham 04 semanas de licença paternidade.

-É novato? O empregado recebe R$100,00 só para decorar a mesa de trabalho.

-Vai usar internet? O empregado tem R$112,00 de reembolso.

-Indicou um colega e ele foi contratado? Recebe R$5.000,00 pela indicação.

-Quer estudar? Recebe até R$16.000,00/ano para despesas com educação.

-Presente de final de ano? Um smartphone para todos os empregados.GOOGLE

Isso tudo sem contar que os salários são 23% superior à média de mercado, além de horário de trabalho flexível, ambientes confortáveis e customizados com salas de jogos e entretenimentos, cantos com poltronas, pufes e redes para um rápido cochilo e estúdio com instrumentos musicais para os aspirantes a músico.

VOLVOMas os destaques não param por aí. A Volvo, classificada com a melhor do setor auto indústria e desde 2005 fazendo parte da lista, apresenta um Índice de Felicidade no Trabalho (IFT) de 89,5, em uma escala de “0” a “100” pontos. Em 2012 todos os empregados receberam um piso de R$21.397,90 em função das metas alcançadas. Em 2013, a previsão é de R$30.000,00! Ao lado da fábrica, há uma associação dos empregados com 134.000 metros quadrados, aberta também aos familiares. Além de quadras esportivas, salão de festas, bar e restaurante, há academia com aulas de ioga e trilhas para caminhada e corrida! Cada empregado recebe mais de 40 horas de treinamento por ano e seu quadro de pessoal exibe uma elite intelectual rara de se encontrar nas empresas brasileiras, com um número considerável de graduados, mestres e doutores.

Vem a pergunta que não que se calar: quem não gostaria de trabalhar em empresas como essas?

O problema é que no Brasil, de uma maneira geral, existe uma mentalidade retrógrada de que gestão de pessoas está na relação dos custos e não dos investimentos. O lucro desmesurado está acima de tudo: o fim justifica os meios. Raciocínios desumanizantes e totalmente equivocados! O que se perde com contratações mal feitas, práticas autoritárias, assédio moral, “turnovers” elevados, falta de treinamento, empregados não capacitados, desestruturação salarial, clima organizacional “infernalizado” entre outros, representam quantias incomensuráveis que se perdem pelo ralo. Não é à toa que o Google e as 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil apresentam uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 10 pontos percentuais acima das 500 maiores empresas do País. Os dados falam por si só, não são necessários maiores comentários. Ambiente de trabalho humanizado é uma premissa para elevação da produtividade. Bom seria que as lideranças empresariais voltassem aos bancos das faculdades e revissem (se é que já viram) o quanto as Teorias Motivacionais de Maslow e Herzberg aplicadas na prática estão diretamente relacionadas ao aumento da rentabilidade e compreendessem que realmente investir em pessoas dá bons resultados! Se você quiser se aprofundar sobre o assunto, é só nos contatar.

CULTURA ORGANIZACIONAL: BEM-VINDO AO INFERNO!

O ano era 2005 e eu acabava de assumir uma Gerência Corporativa de Recursos Humanos em uma empresa familiar na grande São Paulo. Logo que cheguei à cidade, fiquei hospedado em uma residência de propriedade da organização em um condomínio de luxo e, no outro dia cedo, o motorista foi me buscar. Tão logo ele chegou e estacionou o veículo ao lado da pomposa residência, entrei e desejei-lhe um bom dia, estendendo-lhe a mão, sorridente e animado.

O motorista olhou para mim com um certo olhar de desprezo, tocou minha mão estendida com um toque desvivificado e, friamente, respondeu-me: -Bom dia! Bem-vindo ao inferno! Por um breve momento senti-me como se estivesse levado uma pancada. Tentei ainda conservar meu sorriso, mas ele foi desaparecendo de maneira pausada. Recolhi minha mão gelada que tinha sido por ele tocada. Tentei organizar minhas idéias e, nesta tentativa, perguntei-lhe, de forma meio desconcertada:-Como assim, “bem-vindo ao inferno”! Ele, secamente, respondeu-me:-Rapidinho o senhor vai saber! Logo, logo o senhor me fala…O trajeto era curto e ele não comentou mais nada. Chegamos à empresa, passei pela portaria e entrei no “inferno”. Para minha infelicidade, o motorista falara a verdade…

A narrativa acima poderia ser de um filme de terror ou de uma estória dramática, mas infelizmente trata-se de uma realidade! Uma dura e traumática realidade! Pobre dos trabalhadores que precisam sobreviver em empresas como esta, totalmente desprovidas de ética e de civilidade! E o pior é que elas existem, e são muitas por aí espalhadas!…

Gustavo Boog, em seu livro “O Desafio da Competência” desenvolve, de uma maneira muito acertada, uma belíssima abordagem sobre cultura organizacional e, entre os vários tipos de cultura citados, descreve um que denomina de “Inferno Organizacional”. É o tipo característico da empresa em que a busca pelo lucro maquiavélico impera de forma intransigente e desenfreada! Não existe respeito pelas pessoas nem pelas leis e o investimento em tecnologia e processos é inexistente ou escasso. O autoritarismo e o medo são práticas desveladas, tornando a mão-de-obra cada vez mais escravizada.  Os salários são baixos e as condições de trabalho ruim, evidentemente com exceções para algumas classes privilegiadas. O índice de acidente de trabalho é elevado e as punições de caráter extremado: advertências, suspensões e justas-causas são mecanismos altamente utilizados. O critério de seleção e de promoção dos empregados é subjetivo, normalmente ligado a questões pessoais e, por que não dizer, sexuais. São empresas que não possuem organogramas, mas “orgasmogramas”, jargão utilizado de maneira pernóstica e velada por alguns membros de uma cúpula depravada.  Neste contexto, algumas figuras femininas dotadas de atributos físicos excepcionais e desprovidas de competências profissionais, são facilmente encontradas ocupando cargos de direção, com salários em patamares elevados.

Em ocasiões especiais, o poderoso chefão se traveste de “pai-dos-pobres” e promove o “pão e o circo” para a alegria da galera obinubilada. São festas regadas a cerveja e churrasco, onde ele senta-se em uma mesa rodeada de puxa-sacos, distribuindo brindes para a peãozada. No final da festa, tudo se transforma em um verdadeiro carnaval e na segunda-feira, com uma baita ressaca e preocupado com os exageros praticados, volta o trabalhador inseguro ao trabalho, temeroso do que o aguarda!…

A princípio pode parecer muito surrealista este quadro, mas, com certeza, vários leitores que já passaram ou passam por esta infernal etapa compreendem exatamente o que estou falando e sabem do que se trata.

Surge então no ar uma pergunta que não quer se calar: até quando organizações deste tipo vão continuar???

Boog cita ainda no seu livro, um tipo de cultura que denomina de “Nirvana” ou “Paraíso Organizacional”. São tipos de empresas que investem de maneira séria, respeitosa e sistemática na valorização e desenvolvimento de seus empregados, tanto quanto investe na melhoria de seus processos e na obtenção de resultados, não só de curto, mas também de médio e longo prazo. Estas empresas estabelecem a primazia do ser humano sobre o capital. Renomados estudiosos sobre o assunto, entre eles o Peter Drucker, considerado “O Pai da Administração” e o próprio Boog, não tem dúvidas em afirmar que o sucesso de qualquer empresa está relacionado a uma gestão ética, participativa e socialmente responsável e, além disto, ao respeito, ao reconhecimento e à motivação dos empregados. Empresas que não agem assim, com certeza, estão fadadas ao fracasso!

Enfim, Nirvana ou Inferno Organizacional? Vale à pena refletir: Como empresário, em qual tipo de empresa a sua se enquadra? Tem certeza? O que diriam seus empregados se pudessem livremente se expressar?

Como empregado, em qual tipo de empresa você trabalha? Já se perguntou qual o seu papel nisto tudo e o que você está fazendo para reverter ou contribuir para este quadro, se for o caso?

A VALE E A POLÊMICA DA REATIVAÇÃO DA MINAS DEL REY EM MARIANA

Recentemente recebi um e-mail proveniente de um jovem universitário, estudante de direito, com um abaixo-assinado conclamando a população marianense  a se manifestar contra a possível reabertura pela Vale, de uma mina de minério de ferro nas redondezas de Mariana, no local onde funcionava a antiga Minas Del Rey. Numa atitude ufanista, alega o jovem que a abertura da nova mina representaria uma agressão à cidade de Mariana, em função da poluição aérea, sonora e visual, além de outros problemas que não conseguiu elencar. De certa maneira, entendo a preocupação do futuro rábula, mas existem algumas questões que merecem ser consideradas, com o risco de, caso contrário, perdermos o bonde do progresso.

É um fato indiscutível que a atividade minerária gera impactos econômicos, sociais e ambientais no meio onde está inserida. A questão fundamental é, aprendendo com os erros do passado, ter consciência e certeza de como estes impactos vão ser trabalhados de forma a mitigar seus efeitos e trazer ganhos significativos e concretos para a comunidade. Sendo assim, creio que seria muito mais acertado e produtivo, ao invés de ficarmos ranhetando contra a chegada irrefutável do progresso, assumir uma postura mais assertiva  e, unindo as forças das diversas lideranças, garantir os inúmeros ganhos que a chegada de uma nova frente de trabalho, com certeza, pode trazer para a cidade. Mecanismos legais para amenizar os impactos, sem nenhuma dúvida, existem; é só fazer pressão para que sejam utilizados de maneira eficaz. Aos fundamentalistas menos avisados, antes de sair se manifestando como defensores da terra e do povo, sugiro primeiro procurar entender o que é o EIA/RIMA (Estudo de Impactos Ambientais/Relatório de Impactos no Meio-Ambiente) e como funcionam os órgãos fiscalizadores municipais, estaduais e federais e então pressioná-los para funcionar de fato. Privar a população de novas oportunidades de emprego e à municipalidade do recolhimento de novos e polpudos impostos com protestos infundados, com certeza não é uma atitude recomendável.

Conheci Mariana bem antes da chegada das mineradoras na região e posso falar com muita propriedade dos efeitos positivos que elas trouxeram, mesmo descontados os problemas acarretados. Quem tiver dúvidas, é só verificar o enorme valor em royalties repassados à administração pública ou olhar para as fotos da cidade na década de 70 e as fotos de agora ou ainda ver a quantidade enorme de famílias que são sustentadas pelos salários ganhos pelo inúmeros trabalhadores empregados nestas empresas. Grande parte dos cidadãos e de seus fihos que constituíram família, construíram suas casas e desfilam com seus carrões pela cidade, têm sua fonte de renda dentro destas mesmas empresas, que às vezes injustamente são vilipendiadas.

É de extrema importância entender que desenvolvimento sustentável prevê o investimento consciente, não só no aumento do poderio econômico mas, indiscutivelmente,  também em responsabilidade social e ambiental, com o risco, caso contrário, de pagar muito caro por este esquecimento. É o famoso princípio do “Triple Botton Line”, tão acertadamente divulgado pelo estudiosos John Elkington, a maior autoridade mundial em responsabilidade corporativa sustentável dos últimos tempos. Uma comunidade, qualquer que seja ela, não pode, de maneira retrógrada se fechar em si mesma, renegando este desenvolvimento e privando seus cidadãos dos benefícios provenientes do progresso. Aos representantes do capital, especificamente a Vale, no caso em questão, compete garantir esta sustentabilidade, mostrando para a população o verdadeiro sentido de sua missão, estampada na mídia de maneira eloqüente e bem estruturada:

“Transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável”… Faça-se e cumpra-se! Assim VALE a pena!…

AFINAL, O QUE É MOTIVAÇÃO???

Em qualquer discussão sobre resultados, trabalho em equipe, superação e mudanças na empresa, a motivação aparece como base que sustenta os objetivos. As empresas ainda cometem muitos erros nas estratégias motivacionais. Às vezes, elas representam apenas uma perda de tempo e de recursos. Para manter os funcionários motivados e produtivos, é preciso boa intenção e algumas ações criativas. A motivação é um processo interno dinâmico, como explica o consultor e especialista em gestão de pessoas, Júlio César Vasconcelos:

Motivação, como o próprio nome indica, significa ter um “motivo para ação”. E aí, vem a pergunta que não quer se calar: como motivar um empregado? A resposta é clara: imagine uma empresa que paga salários bem acima da média de mercado, possui um programa de benefícios arrojado, o clima organizacional é saudável, as lideranças são participativas e os empregados têm liberdade total de expressão, existe oportunidade de crescimento para todos, investe de maneira sistemática e permanente no desenvolvimento de seus empregados e as condições de trabalho são perfeitas. Certamente, com toda certeza, os empregados desta empresa estão motivados, têm “motivos para ação” em prol do aumento de produtividade e lucratividade desta empresa. Esta empresa é uma empresa de sucesso! Agora imagine o contrário: a empresa paga salários bem abaixo da média de mercado, não disponibiliza nenhum benefício, o clima organizacional é ruim, os líderes são autoritários e os empregados têm medo de se manifestar, não existe oportunidade de crescimento e as condições de trabalho são péssimas. Certamente, de forma contrária à anterior, com toda certeza os empregados desta empresa não estão motivados, não “têm motivos para a ação” em prol do aumento de produtividade e lucratividade. Esta não é uma empresa de sucesso e a médio longo prazo está fadada ao fracasso! Portanto, a conclusão é lógica: a motivação é a chave do sucesso de qualquer organização! E você, em qual empresa está inserido? Qual o seu nível de motivação? Se você está ou possui uma empresa semelhante a segunda empresa citada, está na hora de mudar! É bom lembrar que só prêmios em dinheiro não têm efeito motivacional. Elogios, desafios de acordo com a capacidade das pessoas e um bom ambiente de trabalho são fatores motivacionais básicos e não custam muito.

Este comentário foi postado na Rádio CBN/BH no Programa da Tereza Goulart,  Vida Executiva  http://busca.globo.com/Busca/cbn/?query=VIDA%20EXECUTIVA . Se você ou sua empresa deseja se aprofundar sobre o assunto, entre em contato com a Caesarius www.caesarius.com.br.