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PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

Vejo pelas ruas do nosso País uma multidão carregando faixas com a frase “Fora Temer”. Ok, assim funciona a democracia, mas me veio à lembrança um antigo texto atribuído ao saudoso João Ubaldo “Precisa-se de matéria-prima para construir um País”, escrito pelos idos de 2005, mas que parece-me bastante atual.

Por mais que os críticos insistam que a linha de raciocínio do texto é absurda por que atribui toda a culpa pelos problemas que estamos vivendo exclusivamente ao povo brasileiro, infelizmente, acredito que o seu conteúdo faz todo sentido. Evidentemente, que a abordagem não tem, absolutamente, por intuito inocentar os políticos corruptos, mas sim levar à uma reflexão profunda sobre o papel e a atitude de cada cidadão brasileiro no meio deste contexto deturpado. Será que a culpa está sempre do lado de lá? A culpa é sempre do outro? E eu, como estão minhas atitudes no dia a dia? Venda de votos a troco de um emprego na máquina pública ou de alguns sacos de cimento, compra de CD’s/DVD’s piratas, “gatos” de luz e TV a Cabo, saques de cargas nas estradas, estacionamentos em local proibido, “fezinha” no Jogo do Bicho, Nota Fiscal adulterada ou “fria”, etc., etc…É sempre bom, nestes momentos lembrar um pensamento atribuído à Platão: “Tente mover o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”…

Vamos ao texto:

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.

O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as “EMPRESAS PRIVADAS” são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos… e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem “gatos” para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “comprados”, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos  um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem “molhei” a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como “Matéria Prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte… Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda… Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa? MEDITE!!

 

 

O “X” DA QUESTÃO

o-x-da-questaoAs notícias na mídia informam que a Operação Lava-Jato decretou a prisão de Eike Batista e ele está foragido da justiça, acusado de lavagem de dinheiro, ocultando US$100 milhões no exterior. Por uma triste coincidência, tenho em minhas mãos, neste momento, um exemplar do livro “O X da questão – A trajetória do maior empreendedor do Brasil”, da Editora Sextante de 2011. No capítulo 34 intitulado “A Cartilha da Ética”, Eike Batista afirma categoricamente: “Há empresários que operam 100% dentro da cartilha da ética. Sou um deles e faço questão de me manter assim. Há alguns anos, assinei um dos cheques de valor mais alto do mundo a título de pagamento de imposto já honrado por uma pessoa física. Foi recolhido ao Tesouro Nacional valor equivalente a US$450 milhões por conta do que recebi na operação da MMX com a Anglo American. Nem sequer havia no Rio de Janeiro caixa registradora que computasse todos os zeros do cheque. Parece brincadeira, mas fui obrigado a me dirigir a São Paulo para que o cheque fosse liberado. Foram mais de R$700 milhões quando se de a conversão para reais. Espero que esse tipo de comportamento inspire as pessoas a devolver à sociedade o que esta mesma sociedade proporciona no dia a dia de sues negócios. Quem age com correção acaba recompensado de uma forma ou de outra”. Se este é o maior empreendedor do Brasil e reza estritamente pela Cartilha da Ética servindo de exemplo, como ele mesmo disse, o que dizer dos demais? É realmente catastrófico ver isto tudo acontecendo! Do jeito que as coisas estão indo, onde vamos parar? Que Deus nos acuda!

EIKE BATISTA EM DOIS TEMPOS: RETRATOS DE UM PAÍS EM DECADÊNCIA

eike-i“Há empresários que operam 100% dentro da cartilha correta. Sou um deles e faço questão de me manter assim…Espero que esse tipo de comportamento inspire as pessoas a devolver à sociedade o que esta mesma sociedade proporciona no dia a dia de seus negócios. Quem age com correção acaba recompensado de uma forma ou de outra” (Eike Batista – Livro “O X da Questão” publicado em 2011. Capítulo 34: A Cartilha da Ética).
“O empresário Eike Batista disse em depoimento ter pago US$ 2,35 milhões ao PT a pedido eike-iido ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). À época, a quantia era equivalente a cerca de R$ 4,7 milhões. Para operacionalizar o repasse da quantia, o executivo da OSX foi procurado e firmou contrato ideologicamente falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na Operação Lava Jato por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de dinheiro oriundo de crimes. Após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em 19/04/2013 foi realizada transferência de US$ 2.350.000,00, no exterior, entre contas de Eike Batista e dos publicitários”, (globo.com – G1 – 22/09/16 – 09h44).
É deprimente e lamentável ver o que está acontecendo no Brasil. Está muito difícil saber em quem acreditar!…

CURSO: ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA – O DESAFIO DO MILÊNIO

CSR - JUN16

FLAGRANTES DA VIDA REAL: ÉTICA NA PRÁTICA

ÉTICA IIAs notícias sobre a corrupção no País tomam conta dos noticiários. A Presidente da República deposta do cargo, acusada de mentir de forma deslavada e cometer crime de responsabilidade por maquiar as contas públicas através de operações fiscais irregulares sai gritando pelo País que o impeachment é golpe, com todos os benefícios do cargo e às custas das burras do Estado.
O Ex-Presidente Lula, seu criador e antecessor, é acusado de corrupção, recebimento de vantagens indevidas e enriquecimento ilícito, envolvendo a ele e seus familiares.
O Vice-Presidente da República Michel Temer, que a substituiu, é citado por vários executivos acusados de corrupção e em processo de delação premiada na Operação Lava Jato, como receptador de propina e de desvios de dinheiro na Petrobras, além disto, responde no Tribunal Superior Eleitoral a ações que podem cassar seu mandato.
O Presidente do Senado Renan Calheiros é investigado por corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato.
O Senador Aécio Neves, Presidente do PSDB e ex-candidato e Presidência da República é acusado pelo Ex-Senador Delcídio do Amaral, de receber propinas de Furnas e da Eletrobrás. Por sua vez, Delcídio do Amaral foi deposto e preso acusado de tráfico de influência e tentativa de obstrução da Operação Lava Jato.
O Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha é deposto do cargo por falta de decoro parlamentar, manter contas secretas na Suiça e por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás. O Presidente em exercício Waldir Maranhão, que o substituiu, é acusado de ter embolsado uma quantia volumosa em dinheiro em um emprego fantasma, como professor na Universidade Federal do Maranhão.
O Governador de Minas Gerais Fernando Pimentel é acusado de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Enfim, se fôssemos citar todos os figurões envolvidos em escândalos de corrupção no País precisaríamos de uma coleção de páginas. Diante de tanta falta de vergonha na cara, fico me perguntado, qual a origem disto tudo.
A resposta parece que veio de forma fria e trágica. Outro dia, caminhando pela Avenida Prudente de Morais, uma das mais movimentadas de BH, parei e comecei a observar as pessoas e os fatos que se desenrolavam ao meu redor.
Em uma rua lateral divisei uma fila de carros estacionados exatamente debaixo de uma placa de estacionamento proibido. Pela Avenida, surgiu em disparada um motorista dirigindo e falando ao celular. Seu colega que veio atrás avançou em disparada o sinal vermelho do semáforo. Um menino montado em uma bicicleta pegava carona agarrado na traseira de um ônibus superlotado que seguia em alta velocidade. Na calçada passou por mim um morador de rua empurrando um carrinho de supermercado roubado, cheio de badulaques. Em um canto, um vendedor de CD’s piratas vendia tranquilamente seu produto para alguns cidadãos e logo à frente enxerguei um cômodo com uma plaqueta na porta anunciando o resultado do jogo do bicho. Um cidadão que passou por mim deu um último trago em seu cigarro e jogou a bituca acesa no chão. Um homem em trajes imundos lançou uma cusparada na base da parede de um prédio ao seu lado. Um jovem saiu da lanchonete e jogou o papel que envolvia a bala que acabara de comprar sobre a tampa do bueiro ao lado da calçada. Como um jogo dos mil erros, a cena estava montada. Possivelmente, um bom observador ainda iria descobrir inúmeros outros fatos.
O pior de tudo é pensar que a cena se desenrolou em um curto espaço de tempo e que se repete indefinidamente ali e em várias outras localidades, dentro da mais perfeita normalidade.
Teriam estes fatos observados por mim alguma relação com os escândalos citados acima?
A degradação de uma sociedade ocorre quando seus cidadãos obnubilados começam a achar que o normal é a anormalidade.
Se queremos mudar de fato este nosso País, urge que comecemos por nós mesmos. É com dizia Platão há cerca de 300 anos antes de Cristo: “Tente mover o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”.

RH EM 2016: CRISE OU OPORTUNIDADE

DSC04135Dia 17/12/15, quinta-feira, participei da realização de uma “Mesa Redonda” no Núcleo de Pós-Graduação do SENAC-MG em BH, com o tema “O RH em 2016: crise ou oportunidade”. O Professor Edson Moura, Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação do SENAC, atuou como moderador do trabalho, eu e as Professoras Bianka Pereira e Hélvia Barcelos, atuamos como participantes da mesa.
O evento foi de altíssimo nível, com uma notável contribuição tanto dos membros da Mesa como dos participantes, de uma maneira geral. Trago aqui uma síntese da minha fala durante o evento.
“A Revista Exame de edição de outubro de 2015 nos trás uma visão realista do momento que estamos vivendo:
Nos primeiros oito meses deste ano, cerca de 600.00 brasileiros foram demitidos. São 07 demissões por minuto de janeiro a agosto, a previsão é que aumente para 14 demissões por minuto, 840 por hora, 20.160 por dia!
3,6 milhões de pessoas deverão ser impactadas de janeiro de 2015 até o fim de 2016.
2 milhões de empregos deverão ser eliminados ao final de dois anos.
A taxa de desemprego atingiu 8,9% no terceiro trimestre de 2015, 18,0% entre os jovens de 18 a 24 anos.
Diante dos fatos, não podemos olvidar que estamos diante de uma enorme crise, mas também diante de grandes oportunidades. O Mestre Veríssimo, em uma das suas famosas reflexões afirma: ‘Quando os ventos das mudanças sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento’, a questão é saber de que lado estamos…
Diante deste contexto, uma questão fundamental a se observar é a empregabilidade. Podemos afirmar que empregabilidade é a capacidade de o profissional se tornar atrativo para o mercado de trabalho. Um dos principais fatores para o alcance da empregabilidade é investir de maneira sistemática no autodesenvolvimento, na melhoria do relacionamento interpessoal e da performance com foco em resultados sustentáveis, na formação de uma robusta rede de contatos e no desenvolvimento de uma postura exemplar. A pergunta a se responder é: ‘Quem é responsável pela minha empregabilidade”? Para os líderes, vale lembrar a questão da ética e da coerência. Relembrando Stephen Covey: ‘As tuas atitudes me falam tão alto que não consigo ouvir o que você está falando’…
Por sua vez, as empresa precisam entender que, em momentos de crise, cortar cabeças de forma irresponsável e indiscriminada é o caminho mais rápido e fácil, no entanto, com certeza, não é a melhor solução. Talvez seja o momento de eliminar as ‘as maçãs podres’ que, infelizmente, toda empresa tem, mas também e com muito mais ênfase, com certeza, investir nos talentos internos. É imprescindível entender que o desembolso com o desenvolvimento dos empregados é investimento, não custo! Em vez de se perguntar qual é o valor do investimento, seria recomendável perguntar-se qual o custo do não investimento. Se investir e ‘perder o empregado’ para o concorrente, é importante se perguntar, se o investimento está sendo feito de maneira adequada.
Importante considerar que as crises passam e os vitoriosos são aqueles que a encaram de frente e enxergam no momento conturbado oportunidades para reflexão e madurecimento. Apesar das previsões preocupantes, que em 2016 possamos enxergar com maturidade as oportunidades de crescimento! Que possamos construir ‘moinhos de vento’…

SAMARCO EM XEQUE: A ÉTICA, A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O ROMPIMENTO DAS BARRAGENS

BARRAGEMA notícia do rompimento das barragens da Samarco tomou conta, de forma trágica e alarmante, nos últimos dias, do noticiário nacional. A catástrofe atingiu proporções incomensuráveis, deixando um rastro de destruição e terror por todos os locais onde a lama proveniente do rompimento passa, contaminando rios e matas e atravessando dois Estados, até chegar ao mar. Os impactos profundos não se restringiram apenas aos aspectos ambientais, mas também aos econômicos, políticos e sociais. O povoado de Bento Rodrigues, o mais próximo das barragens e traumaticamente o mais impactado, sumiu do mapa. A população foi surpreendida com um dilúvio de lama sem ter tempo para escapar. Várias pessoas morreram enlameadas e os remanescentes, em desespero, perderam tudo que tinham e ficaram sem lugar para morar. No meio disto tudo, a empresa agoniza, sendo energicamente atacada por todos os lados. Alguns já dizem que dificilmente ela irá sobreviver e voltar a operar, tamanho o desafio que terá de enfrentar.
No meio deste turbilhão, uma das questões que chama a atenção nisto tudo é o fato de a Samarco durante longos anos ter sido considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no País. Em 2015 foi eleita pela quinta vez – sendo o terceiro ano consecutivo – a melhor mineradora do Brasil pelo anuário “Melhores e Maiores” da Revista Exame. Suas crenças e valores foram proclamadas em destaque. Vale a pena abrir aqui um espaço para transcrever na íntegra o que consta em seu site, falando em termos de Missão, Visão e Valores Organizacionais. Tomei a iniciativa de incluir alguns negritos para dar mais ênfase aso aspectos fundamentais.

A Samarco acredita e pratica a mineração responsável, por meio de seus pilares de gestão: Excelência, para fazer sempre mais e melhor; Crescimento, visando gerar e compartilhar valor com solidez e competência; e Conformidade, para nos manter sempre em sintonia com as diretrizes, normas e leis. Temos em nosso DNA a participação no desenvolvimento das comunidades vizinhas, a construção de relação de confiança com nossos parceiros, e, acima de tudo, o respeito à vida. Esses conceitos sintetizam os objetivos traçados em nossa Missão, Visão e Valores organizacionais, garantindo que o desenvolvimento da Samarco se reflita também nas regiões onde atuamos e com os públicos com os quais nos relacionamos.

Missão:
Produzir e fornecer pelotas de minério de ferro, aplicando tecnologia de forma intensiva para otimizar o uso de recursos naturais e gerando desenvolvimento econômico e social, com respeito ao meio ambiente.
Visão 2022:
Dobrar o valor da empresa e ser reconhecida por empregados, clientes e sociedade como a melhor do setor.
Valores:
Respeito às pessoas
Prezamos pela vida acima de quaisquer resultados e bens materiais. Respeitamos o direito à individualidade, sem discriminação de qualquer natureza, e honramos, com nossa responsabilidade, o bem-estar das pessoas e da sociedade, assim como o cuidado com o meio ambiente, por meio da utilização correta dos recursos necessários às nossas atividades.
Acreditamos em nosso papel influenciador e contributivo para o desenvolvimento social e econômico do País, visando ao futuro das próximas gerações.
Integridade
Atuamos com seriedade no cumprimento às leis e respeito aos princípios morais, primando pela dignidade e ética nas relações. Adotamos uma postura honesta e transparente com todas as partes envolvidas em nosso negócio.
Mobilização para resultados
Gostamos de superar os objetivos e metas estabelecidos e temos perseverança em fazer melhor a cada dia, com criatividade, cooperação e simplicidade, buscando constantemente o conhecimento e a geração de ideias inovadoras, para o atingimento de resultados diferenciados e duradouros.

Uau! Não são necessário maiores comentários sobre a magnitude e a profundidade do descrito em termos de valorização e respeito aos seus empregados, às pessoas, às comunidades, à legislação, à vida e ao meio-ambiente, além da propagada “Competência e Excelência, para fazer sempre mais e melhor”.

Mediante tudo isto, fica no ar uma pergunta que não quer se calar: se isto tudo dito acima é verdade, o que aconteceu com a Samarco?

As teorias em termos de gestão de responsabilidade social afirmam que as empresas podem ser enquadradadas em quatro grandes grupos:

High-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto e divulgam o que fazem.

Low-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto, mas não divulgam o que fazem.

No-Profile: são empresas que não estão preocupadas com o aspecto socioambiental, não investem neste aspecto, mas também não divulgam que fazem.

False-Profile ou Green-Washing: são empresas que somente aparentam estar preocupadas com o aspecto socioambiental, mas verdadeiramente não investem e não estão preocupadas com este aspecto, no entanto divulgam em altos brados que acreditam e fazem. No fundo estão realmente preocupadas com o lucro obsessivo e imediato. Travestem-se de “verde” para manter as aparências e maximizar cada vez mais os lucros de acionistas insanos e insensatos.

A questão que a Samarco tem a responder neste momento é em qual destes grupos ela verdadeiramente se enquadra. Apesar da tragédia e da colossal falha em vias de ser comprovada, se ela conseguir transformar seu belo discurso em ações efetivas, rápidas e práticas e provar que é de fato uma “high-profile”, poderá sobreviver e sair deste furacão mais fortalecida e preparada. A seu favor, alguns empregados e membros das comunidades envolvidas, preocupados com o futuro ainda pior caso a empresa seja destivada, já estão se movimentando em sua defesa, de forma espontânea e bem embasada.

Vejamos e aprendamos com o desenrolar dos fatos.

Que Deus dê esperança e conforto a todas as vítimas da tragédia e ilumine o caminho dos líderes e das autoridades responsáveis para encontrar o melhor caminho para mitigar os efeitos de tamanha calamidade.

VALORES E ÉTICA: EM BUSCA DE UM NOVO CONCEITO DE COMPETÊNCIA PROFISSIONAL

CHAVE IIINa década de 80 e início dos anos 90, foi disseminado nas organizações o conceito de competência, sendo entendido como o conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes necessário para o exercício de uma função, o famoso CHA. Nos dias atuais, em meio à enorme crise ética que estamos vivendo, onde diretores de grandes organizações, além de vários políticos, estão sendo acusados e presos por problemas relacionados ao pagamento de propinas, lavagem de dinheiro e corrupção, tornou-se necessário uma visão mais ampla a respeito deste conceito. Não basta mais ter somente Conhecimento, Habilidade e Atitude, o mercado começa a buscar profissionais que tenham, além destes atributos, Valores e Ética. O CHA vem sendo substituído pelo CHAVE, o novo conceito de competência que vem batendo forte nas portas das organizações. Os executivos das grandes empresas que estão envolvidos na Operação Lava-Jato da Polícia Federal e outras paralelas, com certeza, possuíam um elevado nível de Conhecimento, de Habilidades e de Atitudes para o exercício de suas funções, eram considerados altamente competentes. No entanto, o que pode ser observado é que não era bem assim; faltaram Valores e Ética e o nível de incompetência levou-os à derrocada. Caíram na tentação, pensando que nunca seriam descobertos e apanhados e entraram em um ciclo vicioso, onde o dinheiro fácil, farto e ilícito foi falando cada vez mais alto, afundando-os sucessivamente em um mar de corrupção. Como pode ser visto, enganaram-se redondamente e estão pagando caro por isto.
Profissionais íntegros que possuem CHAVE, não vacilam diante de propostas supostamente escusas. Por mais tentadoras que sejam as quantias e as circunstâncias envolvidas, os valores e a ética falam sempre muito mais alto.
Quando penso nestes aspectos, vem-me à memória uma notícia divulgada pela mídia há alguns anos atrás, sobre um fato ocorrido com um Servidor Público de Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais. Ao passar por uma agência bancária para sacar R$2,00 no caixa eletrônico, o sistema disparou e liberou para ele uma quantia em torno de R$6.000,00. Não tinha ninguém por perto, mas ele não hesitou, mesmo com muitas dívidas, seus Valores e a Ética falaram-lhe mais forte. Imediatamente, apanhou a quantia e procurou o gerente da agência para devolver o dinheiro. Por mais incrível que possa parecer, o gerente não quis receber, afirmando que não havia detectado nenhum erro nas máquinas ou na câmera de segurança. Pois bem, o nosso protagonista pegou o dinheiro, levou para casa e guardou-o no guarda-roupa do seu quarto de dormir. Pensou consigo mesmo, conforme afirmou mais tarde à imprensa, que se o dinheiro não era dele, ele não tinha o direito de gastá-lo. Após três dias, a instituição entrou em contato com ele perguntando sobre o saque e ele então apanhou o dinheiro e devolveu-o na sua totalidade, apesar das dificuldades financeiras que passava. O Servidor morava com os pais e o irmão mais velho em um bairro da periferia. A renda da família se resumia à pensão da aposentadoria do pai e ao salário mínimo do Servidor, que somavam cerca de R$700,00 na época. Certamente e infelizmente algumas pessoas dirão que ele foi um idiota, principalmente considerando o fato de que o gerente não quis receber o dinheiro de volta. Para estes e tantos outros corruptos camuflados que circulam por aí nas organizações e na sociedade, a frase proferida pelo Servidor quando entrevistado deveria servir de exemplo e mais vergonha na cara: “Não há dinheiro que pague uma consciência tranquila. Espero estar passando uma boa lição de vida para meu filho”. .
A honestidade e a integridade que resultam da falta de oportunidade para ser desonesto, não é virtude, é acaso ou oportunismo. O Servidor, na sua simplicidade, veio nos mostrar que, mesmo em situações difíceis e tentadoras, ainda existem pessoas cujos Valores e Ética falam sempre mais alto, não importa qual seja o nível de instrução do envolvido, a circunstância e a oferta. Quiçá esta lição não ficasse somente para o seu filho, mas fosse aprendida por todos aqueles que andam enlameando nosso País com uma onda crescente de vergonha e corrupção! Que a “CHAVE” predomine nas nossas organizações e na nossa sociedade abrindo cada vez mais o caminho para a construção de uma nação mais limpa, honesta e transparente.

EVOLUÇÃO MORAL NAS EMPRESAS

KOHLBERGLawrence Kohlberg (Nova York, 1927-1987), um famoso americano estudioso do comportamento humano, classificou o desenvolvimento moral dos seres humanos em seis grandes estágios, variando em uma escala de valores de “1” a “6”, sendo o primeiro estágio o menos evoluído e o sexto o mais evoluído. Sua teoria pode ser perfeitamente observada na rotina do dia a dia das empresas.
Segundo Kohlberg, no primeiro estágio estão as pessoas que pautam suas ações especificamente com foco na punição. O critério para agir ou não de determinada maneira se baseia na possibilidade de ser ou não punido e, se punido, no nível dessa punição.
No segundo estágio, impera o hedonismo. A preocupação fundamental é com os ganhos pessoais, mesmo que, para conseguir esse ganho, seja necessário participar de atos ilícitos.
No terceiro estágio estão os chamados “bons-garotos”. Nesse estágio as pessoas justificam seus atos ilícitos ou eticamente questionáveis, em função do contexto. Têm consciência das consequências de suas atitudes, mas entendem que, diante do contexto, é a melhor opção.
O quarto estágio é o estágio do chamado da lei e da ordem. Nesse estágio a pessoa se move com base na obediência à autoridade e à ordem social. O correto é cumprir seu dever na sociedade e preservar a ordem. Há uma obrigação e um dever em manter leis e regras.
No quinto estágio, o bem estar social é a máxima que rege o comportamento das pessoas. As leis são consideradas como contratos sociais em vez de um mandamento rígido. Aquelas que não promovem o bem-estar geral devem ser modificadas quando necessário para adequar-se ao bem máximo para o maior número de pessoas.
O sexto e último estágio é o da Consciência Universal. Os princípios em questão são os da igualdade dos seres humanos e o respeito profundo por sua dignidade como indivíduos, considerados como fins e não enquanto meios. Existe uma capacidade profunda de colocar-se no lugar do outro.16 O ponto de vista é da fraternidade universal, transcendendo grupos e sociedades particulares e se baseia numa ética válida para todos, da qual derivam arranjos e instituições concretas. É a ética dos grandes idealistas, heróis e mártires. Segundo Kohlberg, um número muito reduzido de pessoas se enquadra nesse estágio e, normalmente, têm vida curta. “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”…
ÉTICAVejamos um exemplo hipotético de como esses princípios se aplicam na prática. Vamos trabalhar um caso que, infelizmente, tem se tornado muito comum dentro das empresas. Suponhamos que você seja assediado para receber propina no ambiente de trabalho. Se aceitar ou não aceitar simplesmente se pautando no fato de ser ou não punido ou no nível da punição que poderá receber, você poderá ser enquadrado no primeiro estágio. A pergunta a ser respondida aqui é “qual o risco que eu corro de ser punido e, se eu for punido, qual a intensidade da pena?”…
Se você tiver como critério de julgamento o quanto você irá ganhar com esse ato ilícito, poderá ser classificado no segundo nível. O critério aqui é responder à pergunta: “O quanto eu vou ganhar se eu aceitar a propina?”, não importando o nível da punição ou que com isso você esteja prejudicando os outros. Na verdade aqui “uma mão lava a outra”, ganham os dois, corrupto e corruptor.
Suponhamos que você esteja passando por um momento de dificuldade financeira e o fato de estar vivendo esse momento difícil justifique sua atitude de aceitar a propina. É o comportamento típico do terceiro estágio. “Normalmente eu não aceitaria propina, mas como eu estou passando por um momento muito difícil”…
No quarto estágio, você não aceitaria de maneira nenhuma, simplesmente por que isso é contra a lei: “Eu não aceito propina por que a lei não permite que eu faça isso”.
De forma diferente, você pensaria se estivesse enquadrado no quinto estágio. Nesse estágio o pensamento é: “eu não aceito propina de forma alguma, pois muito além da lei, meus valores não permitem que eu aceite. Se existem leis injustas, eu me movimento, busco adeptos do meu pensamento e luto veementemente contra elas”.
Finalmente, chegamos ao sexto e último estágio. Propina aqui não passa de forma alguma, nem em pensamento, pela sua forma de viver, agir e pensar. “Eu acredito profundamente na força da espiritualidade, da paz e do amor entre os homens e, incondicionalmente, vivo por isso e para isso. Se necessário for, dou minha vida por essa causa”.
Afinal, em qual nível de desenvolvimento moral você se enquadra? Em qual nível você acha que se enquadra a maioria do nosso povo brasileiro? Vale a pena refletir…
Se você quiser se aprofundar no assunto, faça contato conosco.

EMPRESAS COM VALORES

EMPRESAS COM VALORESNa sua essência, qual o verdadeiro objetivo de uma organização, qualquer que seja esta organização? Como especialista em Gestão de Pessoas e Professor de Cursos de Pós-Graduação, a experiência, infelizmente, tem me demonstrado que nove entre dez dos entrevistados sobre a questão, dos mais variados cargos e níveis, incluídos empresários que se dizem socialmente responsáveis, não hesitam em responder prontamente: o lucro!
Esta resposta segue embasada na teoria do Capitalismo Liberal, influenciado pelo filósofo Thomas Hobbes: O objetivo principal de uma empresa, o que mais lhe interessa é o lucro, o lucro máximo. Os valores éticos tradicionais como honestidade, justiça e solidariedade são aceitos, desde que não ameacem este lucro ou contribuam de alguma forma para ele.
Contrariamente a este princípio, o conceito de Capitalismo Social, influenciado pela doutrina social da igreja e pelas encíclicas papais, preconiza que os resultados financeiros, embora absolutamente necessários para a sobrevivência do negócio, são apenas uma consequência do objetivo principal e não sua razão de existência. Sendo assim as indústrias, os comércios, as instituições ligadas ao ensino, à saúde ou a qualquer atividade de negócio, têm como razão primeira a geração de um bem para a sociedade. O lucro, conforme citado, é uma consequência do negócio e, merece destaque, uma consequência estritamente necessária, mas não sua razão primeira.
ADCERecentemente a Associação de Dirigentes Cristãos Empresariais – ADCE-MG, em parceria com a CNBB, iniciou o desenvolvimento de um Projeto denominado Empresa com Valores. O objetivo consiste em propiciar um amadurecimento dos participantes fazendo com que valores como a ética, a solidariedade, a justiça e a primazia do ser humano sobre o trabalho provoquem uma reflexão profunda nas empresas, gerando assim fortes impactos positivos nos meios organizacionais e na sociedade. A proposta inclui fazer com que o líder empresarial comprometa-se de maneira responsável com o sucesso da empresa à luz dos princípios da dignidade humana e do bem comum e que suas ações passem a ser sustentadas pelo tripé básico ver, julgar e agir. Ver e julgar segundo conceitos radicalmente humanitários e cristãos e agir de forma consciente, entendendo que sua vocação deve ser motivada por princípios sustentáveis, muito além especificamente do sucesso financeiro.
john_mackeyÉ bom observar que, apesar do entendimento de muitos descrentes, este conceito já vem sendo assimilado por alguns grandes empresários. Recentemente, John Mackey, presidente de uma das maiores redes de supermercados americanas, a Whole Foods, afirmou claramente na mídia: “não há nada de errado em lucrar, mas essa não é a função primordial de um negócio e sim sua consequência”. Na mesma linha, Dominic Barton, Diretor geral da Consultoria McKinsey, uma das maiores consultorias mundiais em termos de estratégia organizacional, afirmou: “para o capitalismo prosperar, as empresas precisam urgentemente abandonar o foco exclusivo nos acionistas para servir consumidores e funcionários”.
Estes senhores não estão sozinhos; Peter Drucker, considerado o Pai da Administração nos tempos modernos,PETER DRUCKER sabiamente afirma: “uma organização que visa o lucro é, não apenas falsa, mas também irrelevante. O lucro não é a causa da empresa, mas sua validação. Se quisermos saber o que é uma empresa, devemos partir de sua finalidade, que será encontrada fora da própria empresa”.
DOM HELDERÉ fato que os céticos e capitalistas selvagens irão ironicamente afirmar que isto tudo não passa de um sonho muito distante da realidade. A eles eu diria, recordando D. Helder Câmara: “nada de sonhar pequeno! Gosto de pássaros que se apaixonam pelas estrelas e voam em sua direção até cair de cansaço”… Quem tem ouvidos, que ouça!