Posts Tagged ‘ Deus ’

A VOCAÇÃO LITERÁRIA DE FREI BETTO

Transmito na íntegra a Entrevista concedida por Frei Beto ao Jornalista e Crítico Literário Manuel da Costa Pinto da Revista Cult, falando sobre literatura, religião, contexto político, atuação do Lula e do PT. Altíssimo nível! Vale a pena conferir!

Conhecido por sua atuação política contra o regime militar, o autor de “Batismo de sangue” fala de literatura, política e critica os desvios de rota do PT

Manuel da Costa Pinto

FREI BETOPrestes a completar 71 anos e com sessenta livros publicados, Frei Betto descobriu o amor pela escrita muito cedo, quando suas redações escolares (ou composições, como se dizia à época) fizeram os professores identificarem seu talento – mas só se tornou um autor “graças aos generais brasileiros”.
Integrante da Ação Católica, grupo que se opunha ao regime militar, Carlos Alberto Libânio Christo foi preso duas vezes: em 1964 e no período 1969-1973, quando estava no Rio Grande do Sul e participava de uma rede clandestina formada pelos dominicanos para apoiar os insurgentes.
Dessa segunda experiência, resultaram dois livros de cartas, atualmente reunidas num único volume intitulado Cartas da prisão. Começava a se desenhar aí o perfil do religioso e militante que publicou vários títulos de caráter memorialístico – entre eles, Batismo de sangue, que narra os episódios que levaram ao assassinato do ativista Carlos Marighella e que daria origem ao filme homônimo de Helvécio Ratton.
O cruzamento de atuação política com religião aproximaram Frei Betto do cristianismo progressista dos dominicanos e da teologia da libertação, mas jamais sufocaram sua verdadeira vocação – a literatura. Vocação que foi alimentada pela mãe, Maria Stella Libânio Christo, cristã progressista e autora de livros sobre culinária (entre eles, o clássico Fogão de lenha), e pelo pai, Antônio Carlos Vieira Christo, advogado, cronista e ferrenho anticlerical, que chorou copiosamente quando soube que o filho ia ingressar na ordem dos dominicanos, mas que mais tarde se tornaria “fã da teologia da libertação, de D. Pedro Casaldáliga”, segundo Frei Betto.
Na entrevista a seguir, concedida no convento dos dominicanos, no bairro paulistano de Perdizes, o autor de Minas do ouro fala da preocupação de dissociar a ficção das questões ideológicas – que continuaram presentes em suas intervenções públicas, levando-o a participar do programa Fome Zero, durante o governo Lula, mas não o impedindo de ser um crítico dos desvios de rota do PT e da timidez da esquerda.

CULT – Quando a literatura e a escrita aparecem na sua vida?
FREI BETTO Comecei a escrever muito cedo. Sempre conto que, aos oito anos, quando estava no grupo escolar, minha professora, Dercy Passos, entrou na sala com um maço de composições (belo nome que se usava então para as redações) e, ao fazer a correção, deixou a minha por último. No fim, disse à classe: “Vocês deveriam fazer como Carlos Alberto; ele escreve as próprias composições, não pede para os pais fazerem por ele”. Aí meu ego bateu lá em cima… E mais tarde, no primeiro ano de ginásio, no Colégio Marista, meu professor de português me chamou e disse: “Você só não será escritor se não quiser”. Só que, para mim, ser escritor era coisa de outro mundo, para gente muito erudita. Foi daí que me meti no jornalismo. Comecei, em 1966, por onde muitos almejavam concluir carreira: a revistaRealidade.
Mas só me tornei autor graças aos generais brasileiros, ao escrever Cartas da prisão – que foram publicadas primeiramente no exterior [com outros títulos e em volumes separados], primeiro na Itália, em 1971, em seguida na França e em outros países. Depois, em 1977, saíram no Brasil.

CULT A experiência política marcou muito sua literatura. Em que momento surge uma ficção “pura”, sem essa preocupação?
FREI BETTO A militância me dificultou muito na ficção, que é o que mais gosto de fazer. Tive de lutar para me desfazer dessa camisa de força. Meu primeiro romance foi O dia de Ângelo, onde ainda havia essa camisa de força, tinha um pouco das minhas experiências em celas solitárias. Depois vieram Hotel Brasil e Minas do ouro – em que me soltei mais.

CULT Essa mudança coincide com o período posterior à queda do muro de Berlim, quando as grandes questões ideológicas declinam. É só depois disso, por exemplo, que você escreve Hotel Brasil, um romance policial. Há alguma relação?
FREI BETTO Até onde consigo enxergar conscientemente, queria enfrentar o desafio de fazer um policial – duplo desafio de criar a ficção e o mistério, conduzir o leitor até o fim sem que ele descubra quem é o assassino. Foi isso que passou na minha cabeça. Não tive a consciência de que, com a crise das ideologias, iria fazer literatura “pura”.
Reservo 120 dias do ano só para escrever. Não são dias seguidos, mas são sagrados. E muitas vezes estou fazendo ficção e fico árido; daí, inevitavelmente, leio Machado de Assis. Ele me reaquece, provoca minha inventividade. Fui um leitor voraz de Jorge Amado e Erico Verissimo, de quem era amigo e que me ajudou a montar uma biblioteca na penitenciária em que estive preso – e fui muito marcado pela literatura francesa, Camus, o Sartre do teatro e de A náusea.

CULT Falando em Jorge Amado e Sartre, que eram escritores muito engajados, como você avalia a esquerda de hoje?
FREI BETTO A esquerda hoje é uma raridade. Conheci muito intimamente o mundo socialista, na Nicarágua, depois em Cuba, onde durante dez anos, entre 1981 e 1991, fiz um trabalho institucional de reaproximação entre Igreja e Estado. Com a queda do muro de Berlim, a esquerda acadêmica, que nunca teve um trabalho popular, foi cooptada pelo neoliberalismo, a ponto de hoje acontecer uma enorme crise econômica na Europa Ocidental e não haver qualquer proposta de esquerda.
O principal problema filosófico hoje é a desistoricização do tempo. Isso se reflete na esquerda mundial, que está perdendo o horizonte histórico (não tem utopia, não tem projeto), e também no plano pessoal – a dificuldade de se ter projeto pessoal na vida profissional, artística, afetiva (todos ficam vulneráveis a qualquer dificuldade na relação conjugal).
Isso está nos levando à falta de esperança, e faz com que a discussão política desça do racional ao emocional. Sempre participei de discussões políticas e nunca vi nível de animosidade tão forte como agora, porque se apagou o horizonte histórico.
Não é fácil ser de esquerda em um mundo tão sedutor quanto o do capitalismo neoliberal. Daí o problema do PT, que foi perdendo o horizonte histórico de um projeto Brasil e trocando-o pelo horizonte imediato de um projeto de poder.

CULT Quando percebeu que o PT abandonou seu projeto inicial?
FREI BETTO Isso desaparece na campanha de 2002, quando o PT faz a opção de assegurar a governabilidade pelo mercado e pelo Congresso – daí as alianças e a “Carta aos Brasileiros”, que na verdade é a “carta aos banqueiros”. Ali, o PT abandona sua matéria-prima, que são os movimentos sociais pelos quais deveria ter assegurado a governabilidade, como fez Evo Morales na Bolívia, que não tinha apoio no congresso, se apoiou nos movimentos sociais e, através deles, conseguiu mudar o perfil do congresso. Hoje, ele tem apoio dos dois, é o presidente mais consolidado de toda essa safra progressista. O PT optou pelo mercado e pelo Congresso. Agora, está refém dos dois e pagando um preço muito alto. Tanto que chamou um homem do mercado para ver se melhora a economia e entregou a parte política para o PMDB.

CULT Se você já havia se decepcionado desde a “Carta aos Brasileiros”, por que participou do programa Fome Zero, do governo Lula?
FREI BETTO Achei que a “Carta aos Brasileiros” fosse uma coisa tática, que, uma vez eleito, o PT faria reformas estruturais, tributária, agrária, algum tipo de reforma. Estava altamente entusiasmado. Sempre fui convidado para trabalhar em administração, mas nunca quis trabalhar nem para a iniciativa privada nem para governos. Gosto dessa vida cigana, solta. Quando Lula foi eleito e me convidou para o Fome Zero, achei que trabalhar com os mais pobres entre os pobres – os famintos – se enquadrava em minha perspectiva pastoral e tive todo apoio de meus superiores dominicanos e até de Roma.
Fiquei dois anos e, de repente, o governo matou o Fome Zero para substituí-lo pelo Bolsa Família. Tive então a certeza de que essa opção contrariava a tudo aquilo que o PT vinha pregando desde a fundação. O Fome Zero era um programa emancipador, o Bolsa Família é compensatório. O Fome Zero ia mexer na estrutura do país e por isso foi boicotado pelos prefeitos. Era coordenado por comitês gestores municipais, não passava pelos prefeitos, não havia como usar os recursos para fazer jogo eleitoreiro, então os prefeitos se rebelaram, pressionaram a Casa Civil, que pressionou Lula. No fim, Lula cedeu e eu caí fora.

CULT Você chegou a escrever que o PT faz “populismo cosmético”.
FREI BETTO O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais. Aqui, não. Você vai a uma favela e as pessoas têm TV a cores, fogão, geladeira, microondas (graças à desoneração da linha branca), celular, computador e até um carrinho no pé do morro, mas estão morando na favela, não têm saneamento, educação de qualidade. É um governo que fez a inclusão econômica na base do consumismo e não fez inclusão política. As pessoas estavam consumindo, o dinheiro rolando e a inflação sob controle, mas não se criou sustentabilidade para isso. Agora a farra acabou, está na hora de pagar a conta e chama-se o Joaquim Levy [ministro da Fazenda].

CULT Os católicos de esquerda foram preteridos pelo PT por conta dos compromissos com os evangélicos?
FREI BETTO Lula sempre reconheceu que as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) tiveram mais importância na capilaridade do PT pelo território brasileiro do que o sindicalismo. Nos anos 80, havia núcleos do PT no fundo do Maranhão ou do Amazonas graças a essas comunidades. Enquanto foram atuantes, não havia evasão de fiéis para as igrejas pentecostais. Foi o fato de o Pontificado de João Paulo 2º reprimir as CEBs que fez com que os bispos já não as patrocinassem e que muitas pessoas bandeassem para as igrejas evangélicas.
Nas CEBs, o pobre se sente à vontade. Mas numa igreja, não. Você vai à paróquia e só tem classe média, tem a patroa, tudo é centrado no padre – não há convivência como numa comunidade. Ainda existem as CEBs, mas não com aquela força de antes.
As CEBs produziram muitos militantes, como Erundina, Vicentinho, Chico Alencar. As figuras éticas [do PT] têm uma tradição de igreja. O PT é formado por três segmentos: o pessoal da Igreja, o do sindicalismo e o da esquerda – remanescentes da esquerda da época da ditadura (Zé Dirceu, Paulo Vannuchi etc.). O pessoal das CEBs, por formação pessoal, nunca teve muita gana de poder. Aos poucos, ficaram em segundo plano.
Por outro lado, os evangélicos estão armando uma grande estratégia de domínio da política brasileira, que se resume ao seguinte: “Nossos princípios religiosos exigem determinadas atitudes morais e nós só podemos impor isso de duas maneiras: convertendo toda a nação (o que é impossível) ou tendo o poder de fazer a lei civil obrigar as pessoas a agirem como nós queremos (já que a lei é universal)”. Se você tem a caneta, você transforma seu princípio religioso em lei.

CULT Você vê sinceridade religiosa nessas posturas ou é manipulação de sentimentos reativos dos fiéis?
FREI BETTO As duas coisas. Há os fundamentalistas e há os que são meramente oportunistas. Estes perceberam que aquilo é um manancial de votos. O pastor diz claramente: “o candidato é esse”. Isso não acontece na Igreja Católica – aconteceu lá nos anos 30, com a LEC (Liga Eleitoral Católica), em que o bispo dizia “isso sim, isso não”. Nas igrejas evangélicas, há hoje um direcionamento muito explícito. Muitos políticos estão ali por fundamentalismo, muitos por oportunismo.

CULT Qual sua posição sobre a liberação do aborto?
FREI BETTO Defendo o modelo francês. Tudo deve ser feito pelo Estado para convencer a mulher a não abortar, mas a decisão final é dela. Esse modelo, em primeiro lugar, fez com que acabasse o aborto clandestino e, portanto, diminuísse o índice de mortes. Em segundo lugar, o fato de o médico e o ministro da confissão religiosa da mulher induzirem-na a não abortar aumentou o índice de mulheres que foram à procura do aborto, mas decidiram assumir o filho. Eu mesmo tenho experiência pessoal disso. Já recebi vários adolescentes nessa situação e sempre disse o seguinte: “Tenha o filho e deixe aqui que eu crio, pode deixar na porta do convento”. Nunca ninguém trouxe e hoje tenho uma porção de apadrinhados… Tenho uma posição aberta, acho que aborto em última instância é um direito da mulher e não pode ser criminalizado de jeito nenhum.

CULT Mas isso não vai contra os dogmas da Igreja?
FREI BETTO Não é dogma. Se fosse, a Igreja também teria de ser contra a guerra, não haveria capelão militar e, nos EUA, seria contra pena de morte. Na verdade, há uma ambiguidade na teologia. São Tomás de Aquino aceitava o aborto até quarenta dias após a fecundação, porque ainda não haveria ali, propriamente, uma pessoa – e ele é a doutrina oficial da Igreja. A discussão teológica não está fechada. Tanto que escrevi um texto sobre isso em 1988, que circulou na CNBB, e nunca recebi advertência. Aliás, nesse texto digo que “se homem parisse, aborto seria um sacramento”…

CULT E em relação ao casamento homossexual?
FREI BETTO O fundamento da relação de qualquer ser humano é o amor – e, se há amor, há Deus. O tema da sexualidade e da família está congelado na Igreja Católica desde o século 16. Tentou-se várias vezes abrir esse tema nos concílios, mas ele foi podado. Acho que o papa Francisco, muito inteligentemente, está conseguindo quebrar esse preconceito. Em vez de falar “vamos aceitar o casamento homoafetivo”, ele fala “esses casais têm filhos, as crianças não têm direito à catequese?”. Com isso, já abriu o caminho. Ele acaba de receber no Vaticano um transexual espanhol que foi discriminado pelos bispos e que agora vai casar. Foi um escândalo na Espanha, tanto que dizem que a direita de lá reza assim para o papa: “Senhor, iluminai-o ou eliminai-o”.

CULT Outro tema atual que divide a opinião pública é a redução da maioridade penal. Qual sua posição?
FREI BETTO Criminalizar a juventude é uma maneira cômoda de se omitir naquilo que deveria ser feito para evitar a criminalidade juvenil: dar educação. É o caso das UPPs do Rio: a polícia sobe à favela, mas não sobem escola, teatro, cinema, esporte, música – e o traficante não quer que seu filho seja bandido, quer que ele seja doutor. Uma geração já poderia ter sido salva no Rio se os equipamentos sociais também tivessem subido às favelas.

CULT Como militante e ex-preso político, como vê o clamor pelo impeachment da presidente e pela volta da ditadura?
FREI BETTO Não me preocupam ameaças de impeachment ou golpe. Não há caldo de cultura. Os militares nem saem de farda na rua. Militar, no Brasil, antes andava orgulhosamente de farda, até para arrumar namorada…
O que me preocupa é a despolitização da juventude brasileira. Os segmentos de esquerda deveriam estar preocupados com a politização, como houve imensamente nos anos 70 e 80. Não há mais formação de consciência crítica – e aí o pessoal vai no emocional, no oba-oba da volta dos militares, sem ter ideia do que foi a ditadura, que pode parecer que foi tranquila, mas é porque havia uma censura brutal. Estamos voltando a esse nível de desinformação, a esse horror à política.

Manuel da Costa Pinto é jornalista e crítico literário

Fonte : http://revistacult.uol.com.br/home/2015/05/a-vocacao-literaria-de-frei-betto/

Anúncios

JE NE SUIS PAS CHARLIE, JE SUIS JÉSUS

DIÁRIO DE LISBOA XIVHoje é sexta-feira, um novo final de semana se aproxima e minha programação já está definida: je suis etudiant! Vou mergulhar fundo nos livros e cadernos do mestrado e não sei quando volto à tona. E por falar em “je suis etudiant”, a notícia do atentado em Paris tem tomado conta dos debates por aqui, aliás pelo que parece, no mundo inteiro.
Como todos sabemos, três homens mascarados dispararam contra o a sede do Semanário Charlie Hebdo, matando 12 pessoas, entre os quais 02 policiais e 04 cartunistas, em protesto contra a divulgação de charges com alusões consideradas ofensivas ao Profeta Maomé.
Alguns aspectos têm me chamado a atenção com relação ao que se tem divulgado.
Primeiro, o grito do terrorista logo após a dar friamente um tiro na cabeça de uma das vítimas caída no chão:
-“Deus é maior, vingamos o profeta Maomé!”
Fico me perguntando que Deus é este? Se Deus é a essência infinita do amor e da bondade, como é possível conceber vingança e assassinato em seu nome?
Segundo: Absolutamente, de nenhuma forma, podemos entender ou justificar o uso da força bruta e do terrorismo para protestar contra o abuso da liberdade de expressão, quer seja por racismo, discriminação ou qualquer outro tipo de insulto de maior ou menor intensidade. Os próprios mulçumanos condenaram veementemente o atentado e se irmanaram com o resto do mundo. Os verdadeiro islamismo prega a paz e não o terror, como muitos dos seus líderes categoricamente tem afirmado.
Terceiro: Rigorosamente respeitadas as considerações acima, creio no entanto, que outro ponto merece ser considerado. Apesar das inúmeras manifestações de solidariedade ao Charlie Hebdo, das quais compartilhamos, há que se ponderar também que, muito além das paixões envolvidas, ter liberdade de expressão não significa ter o direito de ridicularizar, caluniar e desrespeitar de forma afrontosa as crenças e valores de qualquer ser humano, raça ou religião, mesmo que discordemos dela. Liberdade de expressão implica em respeito e maturidade. Uma caneta mal utilizada pode sim se transformar em uma perigosa arma! Vale considerar que não é a primeira vez que este Semanário se envolve em questões semelhantes. Além disso, não se sabe até que ponto ele está aproveitando desta tragédia irreparável para, com um intuito maquiavélico, elevar seu faturamento com o aumento disparado das próximas tiragens, abordando da mesma forma e tom o tema gerador da tragédia. Os seus dirigentes já divulgaram que vão aumentar a próxima tiragem para 5 milhões de exemplares, número mais de 80 vezes maior que a circulação normal de 60 mil! Com certeza, esta atitude só vai insuflar ainda mais os já exaltados ânimos.
Fico me perguntando, que mundo é este que estamos vivendo e onde vamos parar?
Absolutamente “Je ne suis pas fondamentalist”, mas deste jeito também, ”Je ne suis pas Charlie”. Eu prefiro propagar, num trocadilho sem qualquer resquício de pieguismo: “Je suis Jésus”, com muita paz e amor para compartilhar! E que venha o sábado com muitos estudos para completar!

RECRUCIFICAÇÃO: MÃE DE FAMÍLIA INOCENTE É MORTA A PAULADAS EM GUARUJÁ

protestoNão consigo conter meu enorme espanto, indignação e revolta com a ação dos trogloditas que mataram a pauladas uma mãe de família inocente em Guarujá no último sábado, dia 03/05/14. As cenas apresentadas na mídia são fortíssimas, traumáticas, difíceis de acreditar que são reais, principalmente em um País que se diz o maior país católico do mundo! A grande maioria destes animais que praticaram esta chacina provavelmente se dizem cristãos, frequentam as igrejas e batem a mão no peito se dizendo tementes a Deus. Depois de 2.000 anos, a crucificação do Cristo se repete ao vivo e a cores para quem quiser ver e ouvir e comentar! Meu Deus, deste jeito onde vamos parar! Imaginem a dor dos familiares! Manifesto aqui meu mais alto grau de repúdio ao ato e meu luto solidário aos familiares. Que os culpados sejam imediatamente encarcerados!

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E TRAGÉDIAS URBANAS NO TRÂNSITO

onibus_rio_texO jovem universitário disse que não agrediu o motorista do ônibus. O motorista do ônibus disse que não se lembra do que aconteceu. Uma passageira, também jovem  e universitária, que presenciou a ocorrência sentada em uma cadeira na parte dianteira do ônibus, disse que os dois se agrediram, o motorista e o jovem, um verbalmente e outro fisicamente, chutando o rosto do motorista. O fato trágico é que  o ônibus acabou se despencando de cima de um viaduto de 10 metros de altura no dia 02/04/13, no Rio de Janeiro, matando 08 e ferindo dez.

PM’s de folga são baleados após briga de trânsito, em Curitiba (23/03/13), médico mata homem após briga de trânsito em São Bento – MA (09/04/13), homem morre atropelado depois de briga de trânsito em Mogi das Cruzes (21/04/13). Infelizmente notícias como esta são comuns no dia a dia da vida urbana nos grandes centros.

INTELIGÊNCIA EMOCIONALO motivo, evidentemente além das questões relacionadas à falta de Deus na vida das pessoas, está ligado à questão da inteligência emocional. Com toda certeza, se estes indivíduos utilizassem o lado esquerdo do cérebro certamente não fariam o que fizeram. O problema é que quando as emoções descontroladas oriundas do lado direito do cérebro tomam conta do indivíduo no momento e de forma errados, o caminho para a desgraça está formado. Dificilmente um cidadão comum em sã consciência, fazendo uso da razão irá agredir ou mesmo  matar seu semelhante por que o ônibus não parou no ponto, por causa de uma fechada e/ou de um para-choque ou para-lamas amassados. Até quando vamos continuar matando nossos semelhantes por não saber controlar nosso atos??? Pensar em Deus, respirar fundo e contar até dez antes de fazer besteira, com certeza, é um bom começo!

 

O COACH E A ÁRVORE DA VIDA

O Coach é uma metodologia poderosa que vem ocupando espaço de maneira significativa no mercado de trabalho, contribuindo para o aprofundamento do autoconhecimento das pessoas e para o alcance de objetivos pessoais e profissionais. Utiliza dos mais variados conhecimentos das áreas de administração, psicologia, recursos humanos, neuro-linguistica, e gestão estratégica da qualidade, entre outros. Uma das ferramentas mais interessantes das quais utiliza é a Árvore ou Teia da Vida, que tem por objetivo identificar o Centro de Vida das pessoas. O Centro de Vida pode ser entendido como o conjunto de valores que norteiam a vida de um ser humano e podem ser agrupados em 11 tipos fundamentais: família, cônjuge, trabalho, dinheiro, bens, religião, espiritualidade, social, prazer, inimigo e saúde. Vejamos como isto afeta a vida das pessoas. 

Centro de Vida Família: aqui estão centradas as pessoas que têm a família como seu principal valor e não abrem mão disto por motivo nenhum. A família é o centro do seu universo; todas as suas decisões são tomadas tendo como premissa fundamental o bem estar familiar.

Centro de Vida Cônjuge: neste modelo, o outro ou a outra é que ditam todas as normas de sua conduta, é o verdadeiro “camisolão”. “Vô não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não”… A letra deste conhecido forró exemplifica bem este caso. Já vivenciei situações em que profissionais perdem excelentes oportunidades de trabalho e crescimento profissional por que a esposa simplesmente, sem maiores justificativas, não quis abrir mão de morar em um grande centro para morar em uma pequena cidade do interior.

Centro de Vida Trabalho: aqui está o “workaholic”, o smartphone e mais recentemente o “tablet” é seu companheiro inseparável. O trabalho é tudo para ele, desconectado da empresa ele não é nada! Trabalha de 12 a 16 horas todos os dias, dorme conectado e nos finais de semana ainda dá uma passada na empresa para ver como está. Conheci um profissional que trabalhou mais de quarenta anos dentro de uma mesma empresa, em um mesmo cargo. Estava em vias de se aposentar e entrou em crise, por que não sabia mais viver fora da empresa…

Centro de Vida Dinheiro: este é o Tio Patinhas, o dinheiro está sempre em primeiro lugar. Para conseguir aumentar seu capital, ele negocia até a mãe. As oscilações da bolsa de valores e a queda da conta bancária o deixa desesperado, levando em casos extremos até ao suicídio.

Centro de Vida Bens: para este indivíduo, o que importa realmente é possuir bens. Todo ano ele quer trocar de carro e aparecer sempre com o último modelo, todo polido e lustrado, para desfilar pela praça. Se o vizinho compra uma TV de LCD de 36”, ele imediatamente compra uma de 72”, e assim vai. Detalhe é que às vezes nem tem dinheiro para fazer o que faz…

Centro de Vida Religião: de uma maneira extremada, aqui estão os beatos e as beatas “papa-hóstias” e os fanáticos religiosos. Para eles, o ritual é tudo; no seu farisaísmo exacerbado, esquecem até de Deus! Sendo católico, se perder uma missa do domingo, já pensa que vai para o inferno, se o Padre ou o Pastor falou, vira lei irrefutável, por pior que seja a bobagem…

Centro de Vida Espiritualidade: aqui estão os eremitas, os monges e monjas que vivem reclusos e outros que estabelecem como princípio de vida sua relação direta com Deus e dedicam-se à eterna oração e contemplação. Embora este centro de vida possa ser confundido com o Centro de Vida Religião, ele vai bem mais a fundo, os rituais já não são mais tão importantes.

Centro de Vida Social: para este tipo o mais importante na vida é estar inserido na “society” e aparecer nas colunas sociais. Sempre bem vestido, está em todas as festas e gosta de ficar sempre ao lado de pessoas importantes. Quando aparece um fotógrafo, acha sempre um jeitinho de aparecer na foto com um sorriso largo. O importante é a imagem que ele passa e acaba sofrendo muito por causa da opinião dos outros.

Centro de Vida Prazer: aqui o negócio é curtir a vida, é o verdadeiro “bon-vivant”. O universo é sinestésico! Adora comer bem e beber bem (às vezes até extrapola, passando ao vício), dormir bem, passear, enfim divertir-se! O mundo é um grande salão de festas!

Centro de Vida no Inimigo: para estas pessoas, o mundo é mal e uma eterna ameaça. Como dizia Thomas Hobbes “o homem é lobo do homem”, portanto é preciso sempre estar preparado. O livro máximo é “A arte da guerra”, o melhor pensamento “A melhor defesa, é o ataque!”.

Centro de Vida Saúde: aqui podemos enquadrar dois tipos de indivíduos. No primeiro tipo estão os aficionados com o corpo e com a beleza: “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”. “Barrigas de tanquinho” que vivem nas academias, top-models, vegetarianos fanáticos são um bom exemplo. No segundo tipo, estão aqueles que, infelizmente, por força do destino, são vítimas de doenças crônicas ou degenerativas e são obrigados a viver na dependência de tratamentos médicos e medicamentos.

Não existe Centro de Vida bom ou ruim, as pessoas são o que são. O risco maior são os extremos, o fanatismo descontrolado. De uma maneira geral, ninguém está cem por cento enquadrado em qualquer um destes Centros de Vida, na verdade todo ser humano tem um pouco de cada um e, na maioria das vezes, um deles se sobressai como predominante. O Coach nos leva a uma profunda reflexão interna e induz as seguintes perguntas: Qual o meu Centro de Vida predominante? Como eu me sinto com relação a isto? Será que preciso ou gostaria de mudar? Em qual destes Centros de Vida eu devo atuar no momento para alavancar o alcance do meu objetivo? Este é um dos caminhos do Coach; se você quiser se aprofundar, é só nos contatar. Vai em frente…

SALVEM SAKINEH!!!

Custa-me acreditar que em pleno Século 21 ainda tenhamos que conviver com tamanha barbaridade! Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido e foi condenada à morte por apedrejamento. Observem que a condenação foi por manter relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido”. Afinal, os mortos também podem ser traídos???…

A morte por apedrejamento mais parece um ritual satânico. As mulheres são enterradas até o pescoço e um grupo de pessoas da comunidade, geralmente homens, se reunem em círculo (e eu diria do ódio) ao redor da vítima. As pedras usadas devem ser médias: nem muito grandes para não causar a morte imediata e nem muito pequenas que não provoquem dor. De uma maneira geral quem dá início ao ritual é o juiz, seguido pelos jurados e pelo público. A morte é extremamente dolorosa e a vítima demora no mínimo uma hora para morrer. Por um minuto apenas, tentem visualizar a cena…

Surgem-me de maneira rompante algumas perguntas que não querem se calar:

-Onde estão os dois homens que mantiveram relação com a condenada??? Será que também vão ser apedrejados??? 

-Onde estão os nossos grandes líderes humanitários e religiosos? Não seria justo, necessário e urgente se manifestarem?

O Presidente Lula, depois de andar abraçando o seu “amigo” Ahmadinejad, “por quem tem carinho e amizade” e dizer que não pode interferir nas leis de um  país, fez uma manifestação pífia dizendo que “receberia esta mulher no Brasil, se ela é um incômodo para o Irã”. Incômodo! Uau! Acorda Lula! Como se já não bastasse dizer que “se Jesus Cristo viesse para o Brasil e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Ele teria de chamar Judas para fazer coalizão“…

Surge-me ainda mais uma pergunta que também não quer se calar:

-Podemos inputar como o mandante supremo desta cena dantesca o Deus Supremo, O Alah?

Meus princípios evangélicos e cristãos respondem de maneira convicta e imediata:

-Não! Não e Não!!! Deus é amor e não condenação! 

Há dois mil anos atrás, os Evangelhos nos contam que Jesus deparando-se com a cena de uma mulher adúltera (alguns dizem ser Madalena, que depois virou Santa) na iminência de ser apedrejada pelos religiosos da época, foi questionado pelos algozes sobre o que ele achava sobre o cumprimento da lei. A resposta todo mundo sabe: “Que atire a primeira pedra quem nunca tiver pecado”…

NATAL E ANO NOVO! E SE…?

E se o Menino-Deus realmente renascesse no coração de todos homens, como pregam as religiões cristãs?…

E se a riqueza de todas as grandes religiões da Terra fosse toda revertida de maneira eficaz para eliminação da pobreza e da miséria do mundo?…

E se os fundamentalistas não pregassem a morte e a destruição em nome de Aláh?…

E se o Lula passasse a entender que Jesus Cristo nunca se aliaria a Judas em busca da aclamação popular?… 

E se os corruptos do Planalto deixassem de existir e os velhos de Brasília não fossem eternos?…

E se o Obama, premiado com o Nobel da Paz, encarnasse radicalmente os ensinamentos do Ghandi?…

 E se o Capitalismo deixasse de ser selvagem e revertesse de fato seus lucros em busca do bem estar social, ambiental e econômico de todos os habitantes do Planeta Terra?…

E se eu conseguisse colocar em prática, pelo menos no espaço que me cerca, meus sonhos idealistas para construção de um mundo melhor?…

E se…? E se… ?E se…?

Que neste Novo Ano que se inicia, Deus ilumine nossos passos e possamos cada um de nós, no nosso lar, na nossa comunidade e nosso trabalho fazer com que nossos “e se…?” se tornem realidade! Depende de nós..