Posts Tagged ‘ Valores ’

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

Vejo pelas ruas do nosso País uma multidão carregando faixas com a frase “Fora Temer”. Ok, assim funciona a democracia, mas me veio à lembrança um antigo texto atribuído ao saudoso João Ubaldo “Precisa-se de matéria-prima para construir um País”, escrito pelos idos de 2005, mas que parece-me bastante atual.

Por mais que os críticos insistam que a linha de raciocínio do texto é absurda por que atribui toda a culpa pelos problemas que estamos vivendo exclusivamente ao povo brasileiro, infelizmente, acredito que o seu conteúdo faz todo sentido. Evidentemente, que a abordagem não tem, absolutamente, por intuito inocentar os políticos corruptos, mas sim levar à uma reflexão profunda sobre o papel e a atitude de cada cidadão brasileiro no meio deste contexto deturpado. Será que a culpa está sempre do lado de lá? A culpa é sempre do outro? E eu, como estão minhas atitudes no dia a dia? Venda de votos a troco de um emprego na máquina pública ou de alguns sacos de cimento, compra de CD’s/DVD’s piratas, “gatos” de luz e TV a Cabo, saques de cargas nas estradas, estacionamentos em local proibido, “fezinha” no Jogo do Bicho, Nota Fiscal adulterada ou “fria”, etc., etc…É sempre bom, nestes momentos lembrar um pensamento atribuído à Platão: “Tente mover o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”…

Vamos ao texto:

PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.

O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as “EMPRESAS PRIVADAS” são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos… e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem “gatos” para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser “comprados”, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos  um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem “molhei” a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como “Matéria Prima” de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa “ESPERTEZA BRASILEIRA” congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte… Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa “outra coisa” não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados….igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda… Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa? MEDITE!!

 

 

Anúncios

MESA REDONDA: O RH EM 2016, CRISE OU OPORTUNIDADE?

O ser humano, sem dúvida, é o maior patrimônio de uma organização. Investir no capital humano sempre foi o melhor investimento. Organizações maduras trazem este lema de forma permanente nos seus princípios e valores e o colocam em prática, principalmente nos momentos de crise.

O RH em 2016, crise ou oportunidade: este é o tema da “Mesa Redonda” que será realizada no Núcleo de Pós-Graduação do SENAC da Guajajaras em BH no dia 17/12/15, quinta-feira.Uma excelente oportunidade para refletir sobre as perspectivas para 2016 e os caminhos que podem ser traçadas com foco na gestão com pessoas.

Evento gratuito! Inscrições antecipadas! Participe! Contatos: 0800 724 4440

MESA REDONDA SENAC

VALORES E ÉTICA: EM BUSCA DE UM NOVO CONCEITO DE COMPETÊNCIA PROFISSIONAL

CHAVE IIINa década de 80 e início dos anos 90, foi disseminado nas organizações o conceito de competência, sendo entendido como o conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes necessário para o exercício de uma função, o famoso CHA. Nos dias atuais, em meio à enorme crise ética que estamos vivendo, onde diretores de grandes organizações, além de vários políticos, estão sendo acusados e presos por problemas relacionados ao pagamento de propinas, lavagem de dinheiro e corrupção, tornou-se necessário uma visão mais ampla a respeito deste conceito. Não basta mais ter somente Conhecimento, Habilidade e Atitude, o mercado começa a buscar profissionais que tenham, além destes atributos, Valores e Ética. O CHA vem sendo substituído pelo CHAVE, o novo conceito de competência que vem batendo forte nas portas das organizações. Os executivos das grandes empresas que estão envolvidos na Operação Lava-Jato da Polícia Federal e outras paralelas, com certeza, possuíam um elevado nível de Conhecimento, de Habilidades e de Atitudes para o exercício de suas funções, eram considerados altamente competentes. No entanto, o que pode ser observado é que não era bem assim; faltaram Valores e Ética e o nível de incompetência levou-os à derrocada. Caíram na tentação, pensando que nunca seriam descobertos e apanhados e entraram em um ciclo vicioso, onde o dinheiro fácil, farto e ilícito foi falando cada vez mais alto, afundando-os sucessivamente em um mar de corrupção. Como pode ser visto, enganaram-se redondamente e estão pagando caro por isto.
Profissionais íntegros que possuem CHAVE, não vacilam diante de propostas supostamente escusas. Por mais tentadoras que sejam as quantias e as circunstâncias envolvidas, os valores e a ética falam sempre muito mais alto.
Quando penso nestes aspectos, vem-me à memória uma notícia divulgada pela mídia há alguns anos atrás, sobre um fato ocorrido com um Servidor Público de Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais. Ao passar por uma agência bancária para sacar R$2,00 no caixa eletrônico, o sistema disparou e liberou para ele uma quantia em torno de R$6.000,00. Não tinha ninguém por perto, mas ele não hesitou, mesmo com muitas dívidas, seus Valores e a Ética falaram-lhe mais forte. Imediatamente, apanhou a quantia e procurou o gerente da agência para devolver o dinheiro. Por mais incrível que possa parecer, o gerente não quis receber, afirmando que não havia detectado nenhum erro nas máquinas ou na câmera de segurança. Pois bem, o nosso protagonista pegou o dinheiro, levou para casa e guardou-o no guarda-roupa do seu quarto de dormir. Pensou consigo mesmo, conforme afirmou mais tarde à imprensa, que se o dinheiro não era dele, ele não tinha o direito de gastá-lo. Após três dias, a instituição entrou em contato com ele perguntando sobre o saque e ele então apanhou o dinheiro e devolveu-o na sua totalidade, apesar das dificuldades financeiras que passava. O Servidor morava com os pais e o irmão mais velho em um bairro da periferia. A renda da família se resumia à pensão da aposentadoria do pai e ao salário mínimo do Servidor, que somavam cerca de R$700,00 na época. Certamente e infelizmente algumas pessoas dirão que ele foi um idiota, principalmente considerando o fato de que o gerente não quis receber o dinheiro de volta. Para estes e tantos outros corruptos camuflados que circulam por aí nas organizações e na sociedade, a frase proferida pelo Servidor quando entrevistado deveria servir de exemplo e mais vergonha na cara: “Não há dinheiro que pague uma consciência tranquila. Espero estar passando uma boa lição de vida para meu filho”. .
A honestidade e a integridade que resultam da falta de oportunidade para ser desonesto, não é virtude, é acaso ou oportunismo. O Servidor, na sua simplicidade, veio nos mostrar que, mesmo em situações difíceis e tentadoras, ainda existem pessoas cujos Valores e Ética falam sempre mais alto, não importa qual seja o nível de instrução do envolvido, a circunstância e a oferta. Quiçá esta lição não ficasse somente para o seu filho, mas fosse aprendida por todos aqueles que andam enlameando nosso País com uma onda crescente de vergonha e corrupção! Que a “CHAVE” predomine nas nossas organizações e na nossa sociedade abrindo cada vez mais o caminho para a construção de uma nação mais limpa, honesta e transparente.

EVOLUÇÃO MORAL NAS EMPRESAS

KOHLBERGLawrence Kohlberg (Nova York, 1927-1987), um famoso americano estudioso do comportamento humano, classificou o desenvolvimento moral dos seres humanos em seis grandes estágios, variando em uma escala de valores de “1” a “6”, sendo o primeiro estágio o menos evoluído e o sexto o mais evoluído. Sua teoria pode ser perfeitamente observada na rotina do dia a dia das empresas.
Segundo Kohlberg, no primeiro estágio estão as pessoas que pautam suas ações especificamente com foco na punição. O critério para agir ou não de determinada maneira se baseia na possibilidade de ser ou não punido e, se punido, no nível dessa punição.
No segundo estágio, impera o hedonismo. A preocupação fundamental é com os ganhos pessoais, mesmo que, para conseguir esse ganho, seja necessário participar de atos ilícitos.
No terceiro estágio estão os chamados “bons-garotos”. Nesse estágio as pessoas justificam seus atos ilícitos ou eticamente questionáveis, em função do contexto. Têm consciência das consequências de suas atitudes, mas entendem que, diante do contexto, é a melhor opção.
O quarto estágio é o estágio do chamado da lei e da ordem. Nesse estágio a pessoa se move com base na obediência à autoridade e à ordem social. O correto é cumprir seu dever na sociedade e preservar a ordem. Há uma obrigação e um dever em manter leis e regras.
No quinto estágio, o bem estar social é a máxima que rege o comportamento das pessoas. As leis são consideradas como contratos sociais em vez de um mandamento rígido. Aquelas que não promovem o bem-estar geral devem ser modificadas quando necessário para adequar-se ao bem máximo para o maior número de pessoas.
O sexto e último estágio é o da Consciência Universal. Os princípios em questão são os da igualdade dos seres humanos e o respeito profundo por sua dignidade como indivíduos, considerados como fins e não enquanto meios. Existe uma capacidade profunda de colocar-se no lugar do outro.16 O ponto de vista é da fraternidade universal, transcendendo grupos e sociedades particulares e se baseia numa ética válida para todos, da qual derivam arranjos e instituições concretas. É a ética dos grandes idealistas, heróis e mártires. Segundo Kohlberg, um número muito reduzido de pessoas se enquadra nesse estágio e, normalmente, têm vida curta. “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”…
ÉTICAVejamos um exemplo hipotético de como esses princípios se aplicam na prática. Vamos trabalhar um caso que, infelizmente, tem se tornado muito comum dentro das empresas. Suponhamos que você seja assediado para receber propina no ambiente de trabalho. Se aceitar ou não aceitar simplesmente se pautando no fato de ser ou não punido ou no nível da punição que poderá receber, você poderá ser enquadrado no primeiro estágio. A pergunta a ser respondida aqui é “qual o risco que eu corro de ser punido e, se eu for punido, qual a intensidade da pena?”…
Se você tiver como critério de julgamento o quanto você irá ganhar com esse ato ilícito, poderá ser classificado no segundo nível. O critério aqui é responder à pergunta: “O quanto eu vou ganhar se eu aceitar a propina?”, não importando o nível da punição ou que com isso você esteja prejudicando os outros. Na verdade aqui “uma mão lava a outra”, ganham os dois, corrupto e corruptor.
Suponhamos que você esteja passando por um momento de dificuldade financeira e o fato de estar vivendo esse momento difícil justifique sua atitude de aceitar a propina. É o comportamento típico do terceiro estágio. “Normalmente eu não aceitaria propina, mas como eu estou passando por um momento muito difícil”…
No quarto estágio, você não aceitaria de maneira nenhuma, simplesmente por que isso é contra a lei: “Eu não aceito propina por que a lei não permite que eu faça isso”.
De forma diferente, você pensaria se estivesse enquadrado no quinto estágio. Nesse estágio o pensamento é: “eu não aceito propina de forma alguma, pois muito além da lei, meus valores não permitem que eu aceite. Se existem leis injustas, eu me movimento, busco adeptos do meu pensamento e luto veementemente contra elas”.
Finalmente, chegamos ao sexto e último estágio. Propina aqui não passa de forma alguma, nem em pensamento, pela sua forma de viver, agir e pensar. “Eu acredito profundamente na força da espiritualidade, da paz e do amor entre os homens e, incondicionalmente, vivo por isso e para isso. Se necessário for, dou minha vida por essa causa”.
Afinal, em qual nível de desenvolvimento moral você se enquadra? Em qual nível você acha que se enquadra a maioria do nosso povo brasileiro? Vale a pena refletir…
Se você quiser se aprofundar no assunto, faça contato conosco.

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA EM AÇÃO

Tivemos mais uma reunião ontem, 21/10/14, do Grupo da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas ADCE – VIVA (Valores, Integração, Vivência e Ação) na Sede da Suporte Postos em Belo Horizonte. Foi um belíssimo momento de profunda reflexão sobre o meio empresarial à luz da Doutrina Social da Igreja. Estiveram presentes (da esquerda para a direita) Wladmir Costa, Suporte Postos/Sucesso Participações, Ascendino Barcelos, da Táticas Consultoria, Joaquim, Antunes da Masterfoods, Gustavo Barcelos, também daTáticas, Valdomiro Mendes da Valmep e eu, Júlio c. Vasconcelos, da Cesarius Gestão de Pessoas. No sistema capitalista selvagem em que vivemos, onde impera a filosofia maquiavélica do fim justificando os meios e o ser humano é uma mera peça descartável no meio produtivo, é muito bom encontrar amigos que comungam de ideias espiritualistas em elevado nível. Grande abraço aos colegas participantes.
REUNIÃO 20-10-14

ELEIÇÕES: SOMOS TODOS CORRUPTOS?

CORRUPÇÃO IIUma frase em destaque da Presidente Dilma (e não Presidenta, como ela exige erradamente ser chamada) durante o último debate na TV Globo e replicada no Jornal Estado de Minas de 03/10/14 deixou-me assustado e merece ser fortemente questionada: “Não tem ninguém acima da corrupção. Todo mundo pode cometer, as instituições é que devem investigar”.
Será realmente que todos nós temos um preço? Todos somos corruptos? A honestidade e a integridade de qualquer um de nós podem ser compradas? É assim mesmo, vamos engulir a política do vale tudo como normal? Até mesmo abraçar o Maluf, condenado pela justiça e procurado como criminoso pela Interpol, para conseguir vencer a eleição em mais um estado? Pelo visto, parece que é nisso que a Presidente e seu criador acreditam…Afinal, onde fica a ética moral? Onde ficam aquelas nossas crenças e aqueles nossos valores arraigados, aprendidos no berço e tidos como inegociáveis?…
LULA - MALUF
Que, como seres humanos, somos todos sujeitos a erros, isso é um fato, mas daí a julgar que não tem ninguém acima da corrupção, chega realmente a assustar. Julgar que a ética imoral, onde impera o princípio maquiavélico do fim justificando os meios, deve ser encarada com uma prática normal, parece-me uma lógica perversa e inaceitável.
Para a Presidente e para aqueles que compartilham desses pensamentos, deixo aqui a letra e o link do vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=cE1VuxpOshI) de um poema da poetiza Eliza Lucinda, interpretado pela Ana Carolina, denominado Poema da Ética – Só de sacanagem!:
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
” – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
“- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

Quem tem ouvidos, que ouça…