Posts Tagged ‘ Missão ’

SAMARCO EM XEQUE: A ÉTICA, A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O ROMPIMENTO DAS BARRAGENS

BARRAGEMA notícia do rompimento das barragens da Samarco tomou conta, de forma trágica e alarmante, nos últimos dias, do noticiário nacional. A catástrofe atingiu proporções incomensuráveis, deixando um rastro de destruição e terror por todos os locais onde a lama proveniente do rompimento passa, contaminando rios e matas e atravessando dois Estados, até chegar ao mar. Os impactos profundos não se restringiram apenas aos aspectos ambientais, mas também aos econômicos, políticos e sociais. O povoado de Bento Rodrigues, o mais próximo das barragens e traumaticamente o mais impactado, sumiu do mapa. A população foi surpreendida com um dilúvio de lama sem ter tempo para escapar. Várias pessoas morreram enlameadas e os remanescentes, em desespero, perderam tudo que tinham e ficaram sem lugar para morar. No meio disto tudo, a empresa agoniza, sendo energicamente atacada por todos os lados. Alguns já dizem que dificilmente ela irá sobreviver e voltar a operar, tamanho o desafio que terá de enfrentar.
No meio deste turbilhão, uma das questões que chama a atenção nisto tudo é o fato de a Samarco durante longos anos ter sido considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no País. Em 2015 foi eleita pela quinta vez – sendo o terceiro ano consecutivo – a melhor mineradora do Brasil pelo anuário “Melhores e Maiores” da Revista Exame. Suas crenças e valores foram proclamadas em destaque. Vale a pena abrir aqui um espaço para transcrever na íntegra o que consta em seu site, falando em termos de Missão, Visão e Valores Organizacionais. Tomei a iniciativa de incluir alguns negritos para dar mais ênfase aso aspectos fundamentais.

A Samarco acredita e pratica a mineração responsável, por meio de seus pilares de gestão: Excelência, para fazer sempre mais e melhor; Crescimento, visando gerar e compartilhar valor com solidez e competência; e Conformidade, para nos manter sempre em sintonia com as diretrizes, normas e leis. Temos em nosso DNA a participação no desenvolvimento das comunidades vizinhas, a construção de relação de confiança com nossos parceiros, e, acima de tudo, o respeito à vida. Esses conceitos sintetizam os objetivos traçados em nossa Missão, Visão e Valores organizacionais, garantindo que o desenvolvimento da Samarco se reflita também nas regiões onde atuamos e com os públicos com os quais nos relacionamos.

Missão:
Produzir e fornecer pelotas de minério de ferro, aplicando tecnologia de forma intensiva para otimizar o uso de recursos naturais e gerando desenvolvimento econômico e social, com respeito ao meio ambiente.
Visão 2022:
Dobrar o valor da empresa e ser reconhecida por empregados, clientes e sociedade como a melhor do setor.
Valores:
Respeito às pessoas
Prezamos pela vida acima de quaisquer resultados e bens materiais. Respeitamos o direito à individualidade, sem discriminação de qualquer natureza, e honramos, com nossa responsabilidade, o bem-estar das pessoas e da sociedade, assim como o cuidado com o meio ambiente, por meio da utilização correta dos recursos necessários às nossas atividades.
Acreditamos em nosso papel influenciador e contributivo para o desenvolvimento social e econômico do País, visando ao futuro das próximas gerações.
Integridade
Atuamos com seriedade no cumprimento às leis e respeito aos princípios morais, primando pela dignidade e ética nas relações. Adotamos uma postura honesta e transparente com todas as partes envolvidas em nosso negócio.
Mobilização para resultados
Gostamos de superar os objetivos e metas estabelecidos e temos perseverança em fazer melhor a cada dia, com criatividade, cooperação e simplicidade, buscando constantemente o conhecimento e a geração de ideias inovadoras, para o atingimento de resultados diferenciados e duradouros.

Uau! Não são necessário maiores comentários sobre a magnitude e a profundidade do descrito em termos de valorização e respeito aos seus empregados, às pessoas, às comunidades, à legislação, à vida e ao meio-ambiente, além da propagada “Competência e Excelência, para fazer sempre mais e melhor”.

Mediante tudo isto, fica no ar uma pergunta que não quer se calar: se isto tudo dito acima é verdade, o que aconteceu com a Samarco?

As teorias em termos de gestão de responsabilidade social afirmam que as empresas podem ser enquadradadas em quatro grandes grupos:

High-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto e divulgam o que fazem.

Low-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto, mas não divulgam o que fazem.

No-Profile: são empresas que não estão preocupadas com o aspecto socioambiental, não investem neste aspecto, mas também não divulgam que fazem.

False-Profile ou Green-Washing: são empresas que somente aparentam estar preocupadas com o aspecto socioambiental, mas verdadeiramente não investem e não estão preocupadas com este aspecto, no entanto divulgam em altos brados que acreditam e fazem. No fundo estão realmente preocupadas com o lucro obsessivo e imediato. Travestem-se de “verde” para manter as aparências e maximizar cada vez mais os lucros de acionistas insanos e insensatos.

A questão que a Samarco tem a responder neste momento é em qual destes grupos ela verdadeiramente se enquadra. Apesar da tragédia e da colossal falha em vias de ser comprovada, se ela conseguir transformar seu belo discurso em ações efetivas, rápidas e práticas e provar que é de fato uma “high-profile”, poderá sobreviver e sair deste furacão mais fortalecida e preparada. A seu favor, alguns empregados e membros das comunidades envolvidas, preocupados com o futuro ainda pior caso a empresa seja destivada, já estão se movimentando em sua defesa, de forma espontânea e bem embasada.

Vejamos e aprendamos com o desenrolar dos fatos.

Que Deus dê esperança e conforto a todas as vítimas da tragédia e ilumine o caminho dos líderes e das autoridades responsáveis para encontrar o melhor caminho para mitigar os efeitos de tamanha calamidade.

EMPRESAS FEITAS PARA DURAR

FEITAS PARA DURARRecentemente, conclui a leitura de um clássico atual de James C. Collins e Jerry I. Porras – “FEITAS para DURAR”, relacionado ao tema empresas e gestão. Excelente abordagem! O livro desenvolve um estudo ao longo de vários anos, a partir de 1812, identificando as empresas longevas de sucesso e suas características marcantes, que se sobressaem com relação às demais. Entre os principais pontos destacados está uma crença e um comprometimento profundo de todos os empregados na missão da empresa, vivenciada integralmente na prática pelos seus diretores, missão esta que não está primordialmente focada na obtenção de lucros, mas sim na sua contribuição para a sociedade como um todo. Esta missão constitui um núcleo central inegociável que se transmite através das gerações. Alguns exemplos destacados: Motorola – “A empresa existe para servir à comunidade de forma honorável, fornecendo produtos e serviços de qualidade superior por um preço justo”; Merk – “Nosso negócio é preservar e melhorar a vida do ser humano. Todas as nossas ações têm que ser medidas pelo nosso êxito com respeito a esta meta”; Johnson & Johnson – “Nossa empresa existe para aliviar a dor e a doença”. Os autores citam exemplos práticos onde essas crenças se sobressaíram mesmo em momento difíceis, onde o lucro ficou em segundo plano. O mais interessante é que eles demonstram com fatos e dados que, coincidentemente, estas são as empresas cujas ações na Bolsa mais se valorizaram ao longo dos tempos. Os gráficos abaixo comprovam os resultados. Vale a pena conferir e refletir: afinal, por mais que queiram os capitalistas selvagens e os administradores financeiros, será que realmente, na sua essência, o objetivo primeiro e fundamental de uma empresa é a obtenção de lucros ou o bem estar social??? E ainda, qual dos dois gera mais resultados sustentáveis em termos econômicos, sociais e ambientais?
AÇÕES - FEITAS PARA DURAR
AÇÕES - FEITAS PARA DURAR II

CARTA ABERTA A BHTRANS

ESTA CARTA FOI ENCAMINHADA AO DIRETOR DA BHTRANS ATRAVÉS DO SITE DA ENTIDADE E DISTRIBUÍDA AOS USUÁRIOS NO PONTO DE ÔNIBUS DA AVENIDA PRUDENTE DE MORAES. PEÇO GENTILEZA A TODOS QUE TIVEREM ACESSO REPASSAR PARA AS REDES DE CONTATOS.

LOTADO-charge bruno

Exmo. Sr. Ramon Victor César
Diretor-Presidente da BHTrans
Sou um assíduo usuário das linhas de ônibus da região central de Belo Horizonte e venho por meio desta tornar público meu protesto com relação à qualidade do transporte de passageiros desta cidade, especificamente com relação ao seguinte aspecto:
 Superlotação dos ônibus das Linhas 1170, 4106, 8103, 8101, 9101 principalmente nos horários de pico, colocando em risco a vida dos usuários.
 Ônibus circulando vazios no sentido bairro-centro nestes mesmos horários, com os letreiros escritos “Garagem”, enquanto os pontos permanecem superlotados.

Resido no Bairro Coração de Jesus e posso afirmar que o problema é recorrente diuturnamente. Alerto que várias reclamações já foram formalmente encaminhadas à BHTrans por diversas vezes e por diversos usuários e, infelizmente, o problema persiste sem nenhuma ação efetiva, o que caracteriza, sem dúvida, um forte desrespeito aos usuários. Vale ressaltar que os próprios Motoristas e Agentes de Viagem, que acabam injustamente servindo de barreira para as reclamações, se colocam claramente em concordância com as reclamações manifestadas.
Vale lembrar que o site da BHTrans estampa como Missão da instituição “Assegurar a mobilidade urbana orientada para a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento sustentável de Belo Horizonte, contribuindo para a integração metropolitana”. Infelizmente sou obrigado a afirmar que, mediante estes e outros inúmeros fatos correlatos, o divulgado na Missão está muito aquém do esperado: qualidade de vida dos usuários passa muito longe da nossa realidade! Caso exista alguma dúvida de vossa parte, se me permite, sugiro, em um destes horários de pico, juntar-se a nós usuários. Tenho certeza que irá sentir na carne a razão das nossas reclamações.
Na expectativa de vossa atuação efetiva, subscrevo-me,
Júlio César Vasconcelos
Consultor Organizacional, Professor Universitário.

Belo Horizonte, Abril de 2014

 

ÉTICA E VALORES ORGANIZACIONAIS

 

ÉTICAHá algum tempo atrás atuei como professor de uma disciplina denominada Estratégia Executiva em um curso de Pós-Graduação de uma faculdade da região metropolitana de Belo Horizonte. Durante uma das aulas, minha proposta foi estudar o conceito de Missão e Valores Organizacionais e estabelecer uma visão crítica em cima dos enunciados de algumas organizações, tendo em vista os aspectos éticos, relacionados à coerência entre o discurso e a prática. Stephen Covey, com o seu pensamento “suas atitudes me falam tão alto que não me deixam ouvir o que você está falando”, foi uma de nossas fontes de inspiração,

 

Durante o estudo, como forma de dinâmica, solicitei aos alunos que se reunissem em grupo e elaborassem a Missão de uma empresa pertencente a um dos componentes. A empresa era uma Academia de Ginástica localizada na região metroploitana. Motivados pelo entendimento do conceito e pela reflexão sobre o assunto, arregaçaram as mangas e partiram para o trabalho.

 

Depois de algumas horas de discussão, o trabalho foi concluído e se dispuseram a apresentar o resultado para minha avaliação e da turma. O resultado, em um primeiro momento, foi glorioso; um belíssimo enunciado foi apresentado nos seguintes termos: “Promover a melhoria da qualidade de vida dos nossos clientes através do investimento permanente na elevação da performance física, trabalhando em um clima ético e transparente”.Este resultado, apresentado em letras garrafais em telão através do projetor data-show, causou um efeito fantástico; os alunos sentiram-se felizes e realizados com o trabalho.

 

O problema surgiu, quando comecei a questioná-los com um teste simulado, conforme descrevo a seguir. Disse a eles que eu era um alto representante de uma grande organização e que tinha uma proposta milionária a ser negociada com a empresa deles. Tratava-se de um contrato de um ano de duração, envolvendo o valor de R$1.200.000,00 para desenvolver um trabalho de melhoria da performance física dos funcionários da organização, trabalho este perfeitamente compatível com a capacidade do negócio deles.

 

Era uma proposta fantástica tratando-se de uma pequena empresa e, imediatamente, sem nenhuma forma de vacilo, aceitaram-na.

 

Dando sequência ao teste simulado, eu manifestei junto a eles um “porém”: eles teriam que me emitir uma nota fiscal no valor de R$1.200.000,00 pelo trabalho e me repassar em espécie, após receberem o pagamento, o valor de R$200.000,00, sem nenhum comprovante ou recibo de entrega do dinheiro. Portanto, no final da transação, eles ficariam com R$1.000.000,00 e eu com os R$200.000,00, como forma de “compensação extra” pelo meu trabalho. Garanti que eles não teriam nenhum problema com a transação, visto que este procedimento já era bastante comum no nosso meio. O sigilo era absoluto e poderiam ficar tranquilos com relação à possibilidade de vazamentos.

 

Voltando ao papel de professor, pedi que eles refletissem novamente sobre a aceitação da proposta, tendo em vista a Missão que tinham traçado, com o foco nos aspectos da ética e da transparência. Por um bom tempo discutiram acaloradamente entre si, olhando várias vezes indecisos para mim e para a Missão no telão e depois, finalmente, se manifestaram:

 

-Professor, nós vamos rever a nossa Missão, retirar o trecho referente à ética e transparência e aceitar a sua proposta… 

 

O “Case” citado, embora simulado, traz em pauta uma discussão importantíssima a ser tratada, principalmente tendo em vista o contexto atual. Até que ponto os enunciados belíssimos de Missão e Valores estampados em sites, cartazes e outdoors das empresas correspondem realmente o que é colocado em prática? Se estes enunciados são de fato verdadeiros, por que são tão comuns nestas mesmas empresas os problemas relacionados à criação de empresas fantasmas, propinas, desvios de verbas, fisiologismos e favoritismos, entre outros divulgados pela mídia e estatisticamente comprovados?

 

A Lei Anti-Corrupção 12.846/2013 que já está em vigor a partir de 29/01/14 visa responsabilizar e punir rigorosamente as empresas, e não só seus dirigentes, que se envolverem em questões como as citadas acima, inclusive com multas pesadíssimas e hipótese de fechamento.

 

Sua empresa possui um sistema de Compliance bem estruturado? Está preparada para enfrentar este novo contexto? Vale a pena refletir sobre a questão e tomar as providências necessárias, antes que seja tarde. Fale conosco, caso queira se aprofundar sobre o assunto.

 

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,”sans-serif”;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

 

 

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,”sans-serif”;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

 

Normal
0

21

false
false
false

PT-BR
X-NONE
X-NONE

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:”Calibri”,”sans-serif”;
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;
mso-bidi-font-family:”Times New Roman”;
mso-bidi-theme-font:minor-bidi;
mso-fareast-language:EN-US;}

AS MANIFESTAÇÕES POPULARES E AS LIÇÕES PARA AS ORGANIZAÇÕES

MANIFESTAÇÃOO povo brasileiro está indo às ruas nas diversas regiões do País em um manifesto claro de repúdio contra a precariedade da saúde pública e da educação, a corrupção, a elevada taxa de impostos e a incompetência dos governantes em tomar atitudes efetivas que resolvam os inúmeros problemas sociais. O preço das passagens de ônibus, pelo que parece, foi apenas o estopim para a eclosão do movimento. Num misto de atitudes truculentas e de apoio, as forças policiais lutam para manter sobre controle as manifestações das massas. Algumas ações pontuais para atender aos manifestantes já estão sendo tomadas pelos governantes e existem indícios que no final algo será mudado.

Assim nas ruas como nas organizações; o movimento pode servir de lições para o mundo do trabalho. Manifestações de massa não ocorrem em um rompante por um simples acaso. Os indícios de insatisfação vão surgindo de maneira gradativa e só os maus gestores, codinomeados  “chefes” e não líderes, não percebem ou fingem não perceber o fato, deixando que a situação se agrave. As pequenas insatisfações como problemas relacionados a pagamentos de salários e adicionais, benefícios, alimentação, transporte, moradia, condições de trabalho e relacionamento com a chefia, entre outros vão se acumulando até que um dia a explosão se manifesta de maneira traumática no calor das massas. E os estragos, muitas das vezes, podem ser irrecuperáveis.

Trabalhar de maneira participativa e ouvir os empregados é uma forma eficaz de evitar manifestações traumáticas de massa e, além de tudo, obter excelentes resultados. Estudos recentes desenvolvidos junto a organizações de sucesso demonstram que aquelas que apresentam maior rentabilidade são justamente as que ouvem e investem de maneira estratégica nos seus empregados. Em contrapartida, as empresas onde o ser humano é escravizado de maneira velada ou declarada estão perdendo seu espaço. As notícias calamitosas nos jornais e os termômetros das Bolsas de Valores estão aí para comprovar.

O movimento das ruas apresenta algumas lições básicas que necessariamente precisam ser aprendidas e colocadas em prática por organizações que pretendem trabalhar com sustentabilidade:

1-As organizações independentemente de serem públicas ou privadas, na sua essência, existem para atender às necessidades sociais. Se esta missão não for cumprida, mais cedo ou mais tarde vão pagar muito caro pelo ato falho;

2-Os conflitos traumáticos não são fenômenos isolados; nascem de pequenas insatisfações não resolvidas que se acumulam no dia a dia até explodirem em manifestações de massa;

3-Atuar preventivamente é uma necessidade imperiosa na arte de gerenciar. Os maus gestores são aqueles que esperam “a bomba explodir” para tardiamente agir de maneira não estratégica e atrasada;

4-Lideranças participativas e capacitadas formam a mais eficaz estratégia para estabelecer um ambiente produtivo de trabalho. Empregados satisfeitos abraçam a causa da organização e não se amotinam em movimentos de massa.

Vale a pena refletir sobre o assunto! Será que a sua empresa vem colocando estas premissas estratégicas em prática?

 

O CORPO HUMANO E AS ORGANIZAÇÕES: UMA ABORDAGEM PAULINA

Cultura Organizacional 2 O conceito de organização traz em sua essência a comparação com o corpo humano que, composto de vários órgãos e trabalhando em perfeita sintonia entre si, garante a vida do ser humano. Todos os membros indistintamente, da cabeça ao dedão do pé, têm uma missão a cumprir e desempenham esta missão com precisão e harmonia.  A dor sentida por um membro é sentida por todos os demais membros, da mesma forma, a sensação de prazer experimentada por um membro também se reflete por todos os demais. Afinal, como se sente seu corpo depois de receber uma pisada no dedão do pé ou de receber um carinhoso cafuné…

Assim no corpo como na empresa. A Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, com uma pequena adaptação e uma boa dose de criatividade, poderia nos ensinar como deveriam funcionar as organizações para se tornarem competitivas no mercado.

Primeira Carta de Paulo aos Empregados

Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece nas empresas. De fato, todos os empregados, foram contratados com um único espírito, para formarem um único corpo, e todos com um mesmo objetivo. Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. Se o pé disser: “Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. E se o ouvido disser: “Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? De fato, o Criador dispôs os membros, e cada um deles no corpo, como quis. Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo? Há muitos membros e, no entanto, um só corpo. O olho não pode, pois, dizer à mão: “Não preciso de ti”. Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vós”. Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.

Vós, todos juntos, formam o corpo da empresa e, individualmente, sois membros desse corpo. Na empresa, em posição estratégica foram colocados os ocupantes de cargos de liderança e depois todos os demais, com as mais variadas atribuições a saber: produzir, dar manutenção, comercializar, comunicar, recrutar e selecionar, contratar e desligar, treinar, pagar, receber, contabilizar, avaliar, recompensar e motivar, entre outros. Acaso só os ocupantes de cargos de liderança são importantes?   Acaso existe um setor mais importante que o outro? Portanto, cada um em sua especialidade, dê o melhor de si, e todos serão recompensados.

É evidente que trata-se de uma adaptação e esta Carta não foi escrita pelo Apóstolo, mas poderia. É fato que um dos maiores problemas enfrentados pelas organizações contemporâneas está relacionado à falta do espírito de equipe e disputa pelo poder, tanto entre indivíduos, quanto entre áreas, comprometendo fortemente seus resultados. E você, como se relaciona com seus colegas de trabalho? E na sua empresa, existe espírito de equipe a exemplo do corpo citado pela Carta? As áreas da sua empresa funcionam de maneira harmônica e com foco em um mesmo objetivo? Vale a pena refletir sobre a questão.

A VALE E A POLÊMICA DA REATIVAÇÃO DA MINAS DEL REY EM MARIANA

Recentemente recebi um e-mail proveniente de um jovem universitário, estudante de direito, com um abaixo-assinado conclamando a população marianense  a se manifestar contra a possível reabertura pela Vale, de uma mina de minério de ferro nas redondezas de Mariana, no local onde funcionava a antiga Minas Del Rey. Numa atitude ufanista, alega o jovem que a abertura da nova mina representaria uma agressão à cidade de Mariana, em função da poluição aérea, sonora e visual, além de outros problemas que não conseguiu elencar. De certa maneira, entendo a preocupação do futuro rábula, mas existem algumas questões que merecem ser consideradas, com o risco de, caso contrário, perdermos o bonde do progresso.

É um fato indiscutível que a atividade minerária gera impactos econômicos, sociais e ambientais no meio onde está inserida. A questão fundamental é, aprendendo com os erros do passado, ter consciência e certeza de como estes impactos vão ser trabalhados de forma a mitigar seus efeitos e trazer ganhos significativos e concretos para a comunidade. Sendo assim, creio que seria muito mais acertado e produtivo, ao invés de ficarmos ranhetando contra a chegada irrefutável do progresso, assumir uma postura mais assertiva  e, unindo as forças das diversas lideranças, garantir os inúmeros ganhos que a chegada de uma nova frente de trabalho, com certeza, pode trazer para a cidade. Mecanismos legais para amenizar os impactos, sem nenhuma dúvida, existem; é só fazer pressão para que sejam utilizados de maneira eficaz. Aos fundamentalistas menos avisados, antes de sair se manifestando como defensores da terra e do povo, sugiro primeiro procurar entender o que é o EIA/RIMA (Estudo de Impactos Ambientais/Relatório de Impactos no Meio-Ambiente) e como funcionam os órgãos fiscalizadores municipais, estaduais e federais e então pressioná-los para funcionar de fato. Privar a população de novas oportunidades de emprego e à municipalidade do recolhimento de novos e polpudos impostos com protestos infundados, com certeza não é uma atitude recomendável.

Conheci Mariana bem antes da chegada das mineradoras na região e posso falar com muita propriedade dos efeitos positivos que elas trouxeram, mesmo descontados os problemas acarretados. Quem tiver dúvidas, é só verificar o enorme valor em royalties repassados à administração pública ou olhar para as fotos da cidade na década de 70 e as fotos de agora ou ainda ver a quantidade enorme de famílias que são sustentadas pelos salários ganhos pelo inúmeros trabalhadores empregados nestas empresas. Grande parte dos cidadãos e de seus fihos que constituíram família, construíram suas casas e desfilam com seus carrões pela cidade, têm sua fonte de renda dentro destas mesmas empresas, que às vezes injustamente são vilipendiadas.

É de extrema importância entender que desenvolvimento sustentável prevê o investimento consciente, não só no aumento do poderio econômico mas, indiscutivelmente,  também em responsabilidade social e ambiental, com o risco, caso contrário, de pagar muito caro por este esquecimento. É o famoso princípio do “Triple Botton Line”, tão acertadamente divulgado pelo estudiosos John Elkington, a maior autoridade mundial em responsabilidade corporativa sustentável dos últimos tempos. Uma comunidade, qualquer que seja ela, não pode, de maneira retrógrada se fechar em si mesma, renegando este desenvolvimento e privando seus cidadãos dos benefícios provenientes do progresso. Aos representantes do capital, especificamente a Vale, no caso em questão, compete garantir esta sustentabilidade, mostrando para a população o verdadeiro sentido de sua missão, estampada na mídia de maneira eloqüente e bem estruturada:

“Transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável”… Faça-se e cumpra-se! Assim VALE a pena!…