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OPERAÇÃO LAVA-RATOS NO PAÍS DOS RATOS

Era uma vez um país dominado por ratos, um dos maiores do mundo. Neste país, os ratos se dividiam em várias classes, cada uma enclausurada em seu nicho, correndo atrás do próprio rabo. Existia a classe dos ratos desempregados que crescia a cada dia de forma triste e descontrolada. Outra classe era a dos ratos trabalhadores que viviam com um eterno medo de perderem seus empregos e entrarem para a classe dos ratos desempregados. Tinha também a classe dos ratos aposentados, cuja luta era sobreviver com a manutenção dos parcos benefícios alcançados, em contraposição a uma subclasse seleta estatutária que vivia nadando em mordomias corporativamente conquistadas. Em seguida surgia a classe dos ratos da caserna, enclausurados nos seus quartéis, sem querer se meter na confusão, com medo de caírem nos mesmos erros do passado. Ainda na sequência vinha a classe dos Ratos Juízes, dos Ratos Procuradores e dos Ratos Policiais Federais, que começavam a vestir as camisas de paladinos da justiça e defensores da moralidade. No topo, aparecia a classe dos ratos empresários, detentores do capital, que viviam reclamando dos impostos pesados e acabaram se aliando à outra classe, a dos políticos que, para desespero dos demais ratos, em sua grande maioria, fingia que trabalhava e vivia se locupletando à custa das burras do erário.

Neste país dos ratos, a classe dos ratos políticos era eleita diretamente pelos demais ratos, o país era um país democrático. Para conquistar os votos dos demais ratos e se elegerem para seus cobiçados cargos com polpudos salários, eles precisavam de muito, mas muito dinheiro para desenvolver suas campanhas milionárias. Para conseguir este dinheiro, se mancomunavam com alguns grandes ratos empresários.

Por sua vez, os grandes ratos empresários, para inflar facilmente ainda mais os seus já inchados caixas, precisavam dos políticos para serem contratados para execução das obras do Estado. Diante de tal contexto, as duas classes faziam uma barganha nada recomendável: os grandes ratos empresários, ora assediados pelos ratos políticos, ora por inciativa própria, repassavam enormes quantias em dinheiro para os ratos políticos e estes, por sua vez, os recompensavam com as obras milionárias, muitas das vezes, superfaturadas. Além disto, os grandes ratos empresários, quando conseguiam ser contratados, repassavam para os ratos políticos, um polpudo percentual das verbas recebidas, como forma de “reconhecimento” pelo trabalho prestado. Tudo isto acontecia de forma sorrateira, corrupta e ilegal. O grande problema é que, no país dos ratos, durante um longo tempo isto acontecia e ninguém falava nada! A maracutaia corria livre e solta, sem que ninguém se importasse.

Um certo dia, um eminente Rato Juiz, capitaneando um bando de ratos policiais, resolveu firmemente botar ordem na casa: arrumou uma Operação denominada de Operação Lava-Ratos. Era preciso “lavar” de vez todos os ratos corruptos das classes políticas e empresariais. Uma grande quantidade de grandes ratos empresários foi presa e, pressionados, estes ratos começaram a “abrir o bico”, pensando em serem perdoados pelos “pecados” praticados. Surgiu, assim, a chamada delação premiada. Foi um verdadeiro “Deus nos acuda” de norte a sul no país dos ratos! Listas enormes de ratos políticos e empresários envolvidos na situação, agora tida como escandalosa, começaram a ser divulgadas. Ratos políticos e grandes empresários sendo conduzidos algemados para o xadrez passaram a ser as imagens preferidas dos noticiários. Os ratos policiais, sôfregos por mostrar trabalho, sempre à frente com os uniformes pretos e distintivos brilhantes no peito, passaram a ser o destaque. O Rato Juiz transformou-se no paladino da justiça e passou a ser idolatrado! A coisa ficou tão feia que até os quatro últimos ratos ocupantes da presidência do país foram denunciados, inclusive o ocupante do cargo. Um monte de ratos envolvido passou a não conseguir dormir direito de noite, apavorado, com medo de ser preso a qualquer momento, na frente da esposa e dos filhos e dentro da própria casa, o que já vinha acontecendo com vários colegas de colegiado.

No meio da confusão formada, um rato policial se transformou em rato político e, com um discurso extremado, passou a se autoproclamar o salvador da moralidade da pátria. Vestindo uma falsa farda de integridade, começou publicamente a defender com veemência, para a solução do problema, a tortura e os torturadores do passado. Pregava abertamente a volta da ditadura, travestindo-a com o codinome de “democracia militar”!  Surpreendentemente, alguns ratos menos avisados e até bem intencionados acharam isto bonito e começaram a aplaudir seu discurso extremado.

E a situação foi se complicando cada vez mais no país dos ratos. A corrupção era tanta que já não se sabia mais que rato deveria ou não ser lavado. Dos pequenos desempregados, passando por todas as classes de ratos, até os ratos da alta cúpula do estado, já não era mais possível saber quem estava livre de ser condenado. Os pequenos pecados passaram a ser visíveis em todos os lugares, partindo de dentro das igrejas até os pequenos mercados. Até um destacado rato policial, de olhos apertados, sempre presente às operações conduzindo ratos algemados, também foi preso, acusado de envolvimento em transações ilegais.

Pelo que até então se sabe, no país dos ratos, a Operação Lava-Ratos continua de forma acelerada. Ninguém sabe onde, quando ou como ela vai parar. O grande medo é que pela existência de tantos ratos sujos, um dia não tenha mais ratos para lavar e o país dos ratos desapareça do mapa…

O BURRO POLÍTICO

BURRO POLÍTICOBertolt Brecht escreveu uma belíssima reflexão sobre o Analfabeto Político que vale a pena ser lembrado messe momento conflituoso de eleições:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Acrescento ainda aqui uma pequena reflexão sobre alguns debates acalorados que tenho acompanhado entre algumas  pessoas sobre os candidatos à Presidência da República, expondo a si e aos outros publicamente, de forma maléfica. Recentemente, vi dois grandes amigos quase rompendo um relacionamento de longos anos por causa de manifestações desrespeitosas de um deles com o outro, no facebook.

O fato é que, além do analfabeto político, existe o burro político. O burro político é aquele que se acha sempre o dono da verdade e da verdade absoluta. O candidato dele, mesmo havendo evidências irrefutáveis de desvio de conduta ou de problemas de gestão, é perfeito e intocável. Demoniza o candidato dos outros e vislumbra fenômenos catastróficos, caso ele, o candidato adversário ganhe a eleição. Esquece-se que, como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, e que divergências de idéias e liberdade de expressão são os maiores atributos da democracia. Numa crise maniqueísta, incentiva a luta de classes e divide o mundo em duas grandes alas, os do bem e os do mal,  os certos e os errados e, travestido de juiz, condena qualquer um que discorde dele. Recusa-se radicalmente a enxergar qualquer tipo de questionamento com relação ao seu candidato e, o pior de tudo, passa para ataques pessoais, acusando de burros, ignorantes, cegos e outros predicados mais, aqueles que não concordam com ele. Torna-se chata e agressiva, desrespeitando as pessoas e até as grandes amizades.

As eleições passam e as pessoas ficam e o tempo irá nos mostrar a verdade. É certo que precisamos exercer nossa cidadania e estarmos conscientes, buscando o que é melhor para o nosso País, mas, sobretudo, precisamos cultivar a sabedoria, sabendo ouvir, respeitando as pessoas com fraternidade e compostura. “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: quem tem ouvidos que ouça…

RESSACA DA COPA

COPAAlém de ver seu dinheiro indevidamente utilizado para gastos espúrios, parar o País para ver a bola rolar nos gramados, dormir em filas quilométricas e pagar caro para ver de perto uma festa da qual dizia não concordar, o brasileiro incônscio ainda tem que pagar pela vergonha de uma derrota desastrosa, estampada pelas mídias no mundo inteiro. Os problemas nacionais (que nunca se foram), voltam aos jornais de maneira ainda mais intensa e os candidatos às eleições que se aproximam, além de criticar seus colegas de exercício, prometem mundos e fundos como se tivessem uma varinha mágica cujo toque irá resolver todos os nossos problemas. E a massa incônscia que idolatra e logo depois demoniza os seus cesares do futebol, acha que o Jornal Nacional divulga verdades absolutas, adora a novela, o Caldeirão e Faustão acredita…

A COPA DO MUNDO E AS MANIFESTAÇÕES POPULARES

COPASuponha que alguém apanhou seu dinheiro (e muito dinheiro) sem te pedir licença e resolva dar uma grande festa na casa dele com este dinheiro. Para a animar a festa, ele emprega artistas famosos pagando salários milionários, inimagináveis pelo trabalhador comum. Você está precisando muito deste dinheiro e, lógico, não concorda com a forma que ele será aplicado. Além de não ter tido opção de escolher se dava ou não o dinheiro, você tem uma série de necessidades urgentes a serem atendidas com ele. No entanto, indiferentemente às suas necessidades e aflições, este alguém divulga a festa de forma estrondosa na mídia e, descaradamente, convida você, outros prejudicados com o confisco do dinheiro e mais um monte de gente de fora para participar da festa. Sentindo-se lesado e sacaneado, você protesta, convoca pela internet outros prejudicados, faz manifestações nas ruas, bloqueia o trânsito, grita, usa faixas e alto-falantes com frases de efeito, incomoda os vizinhos e um monte de gente que não tem nada a ver com isto, mas os preparativos para a festa continuam, como se nada estivesse acontecendo. Passados alguns dias, iludido pelas propagandas ufanistas divulgadas pelos responsáveis pelo evento, você (é você mesmo), resignado e obnubilado, esquece de tudo, levanta de madrugada e se encaminha para alguns poucos guichês espalhados pela cidade,  enfrentando filas quilométricas para comprar ingressos caros para ir à grande festa promovida pelo dito cujo. No dia da grande festa, você, todo alegre, sorridente e entusiasmado, veste um uniforme de gala e, com uma bandeira na mão, vai para o evento!…

Sou brasileiro, amo meu País, não tenho nada essencialmente contra o futebol e os campeonatos mundiais, sou radicalmente contra manifestações violentas e depredações e acho mesmo que devemos receber bem quem vem de fora para nos visitar nestas ocasiões. No entanto, penso que o povo brasileiro precisa exercer de fato a sua cidadania e ser mais consciente e maduro na sua forma de protestar. Não adianta xingar o ladrão e depois curtir a festa feita por ele com o fruto do roubo, como se nada estivesse acontecendo. Quem tem ouvidos que ouça…

MULHERES EM DESTAQUE

CORONEL CLÁUDIASemana passada, dia 24/04, tive oportunidade de participar de um belíssimo evento promovido pelo Conselho da Mulher Empreendedora da ACMinas. A convidada foi a Coronel Cláudia Romualdo, Chefe do Comando de Policiamento da Capital, primeira mulher em 236 anos da Polícia Militar de Minas Gerais a ocupar este cargo. O acerto não teria como ser maior: a Comandante é um fenômeno! Deu um show de apresentação em termos de simpatia, competência, liderança, respeito ao ser humano e espiritualidade, aspectos aparentemente incompatíveis no meio militar. Pena que daqui a três anos vai para a reserva…Parabéns à Comandante!  No meio de tanta corrupção e abuso de poder, é de profissionais como ela que o nosso País precisa!

“A mulher do Lula” e as contas de campanha

dilma_beija_lulaNotável o esforço do Presidente Lula para popularizar a imagem da Ministra Dilma Roussef,  “a mulher do Lula”  como o povão vem dizendo, com vistas a conquistar a Presidência da República. O problema é que, além de deixar o exercício da presidência em segundo plano, ainda por cima o dinheiro público vem sendo utilizado descaradamente para fazer campanha política! As viagens de norte a sul do País para subir nos palanques custa dinheiro e muito dinheiro e somos nós que pagamos a conta!…

Absurdo este sistema! Primeiro, por questões éticas, o Presidente da República deveria se abster de se envolver em campanhas eleitoreiras; afinal ele foi eleito para presidenciar e não para utilizar indevidamente o cargo em benefício de outrem. Segundo, deveria existir uma lei que obrigasse os candidatos ou pré-candidatos a se afastarem do cargo imediatamente após deciderem concorrer a uma vaga eleitoral, evitando este tipo de desvio de dinheiro público mal difarçado com a inauguração de obras eleitoreiras pelo País. Vale esta observação para todos os demais políticos que pleiteiam novos cargos públicos: senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores.

Infelizmente, enquanto não muda esta cultura exploratória, além dos pesados impostos que somos vítimas, vamos ter que continuar pagando as contas destes “ilustríssimos” representantes do povo!