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OS MENDIGOS E A CARIDADE: MUHAMMAD YUNUS

Confesso que fiquei bastante incomodado com a fala de Muhammad Yunus, sobre a questão de dar esmola ayunus quem nos pede, extraído do livro “O banqueiro dos Pobres” – Editora Ática, 2000. É como dizia Padre Vieira, religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus que viveu no Brasil no século XVII: “O bom sermão não é aquele em que as pessoas saem felizes com o pregador, mas aquele onde as pessoas saem infelizes consigo mesmos” . Retransmito a fala do Yunus na íntegra abaixo.  Com todo o respeito, espero que vocês se sintam “infelizes”…

“…somos atacados por todos os lados por mendigos profissionais. Nossa primeira reação é dar-lhes uma esmola. Por que não? Por alguns tostões podemos aplacar nossa consciência. Quando somos abordados por um leproso com os dedos e as mãos devoradas pela doença, ficamos tão chocados que imediatamente levamos a mãos ao bolso e entregamos ao infeliz uma nota que para nós não é nada, mas representa uma fortuna para quem a recebe. Isso é útil? Não, e na maioria das vezes é até danoso.

Aquele que dá fica com a impressão de ter feito alguma coisa, mas não fez absolutamente nada.

Dar dinheiro dispensa-nos tranquilamente de encaramos o verdadeiro problema. Oferecendo uma soma irrisória, ficamos com a consciência limpa. Mas, na verdade, limitamo-nos a nos livrar provisoriamente do problema. Mas por quanto tempo?

A caridade não é uma solução, nem a longo nem no curto prazo. O mendigo passará para o outro carro seguinte e recomeçará e acabará por voltar a ver seu “benfeitor”, de quem agora precisa para viver. Se queremos sinceramente resolver o problema, precisamos nos envolver e dar início a um processo. Se o doador abrisse a porta do carro para perguntar ao mendigo qual é o seu problema, como se chama, que idade tem, se solicitou assistência médica, qual é a sua formação, então poderia talvez prestar-lhe um serviço. Mas entregar-lhe uma nota é implicitamente convidá-lo a sumir de vista para nos deixar em paz.  

Não condeno o dever moral da ajuda, nem o impulso que nos leva a ajudar os necessitados, condeno apenas a forma de que se reveste sua ajuda.

Do ponto de vista do beneficiário, a caridade pode ter efeitos desastrosos. Em muitos casos, ela desmotiva o mendigo a sair de sua situação. Quanto ao doente, ele nem sequer tenta se tratar, pois a cura significaria a perda dessa fonte de dinheiro. Há até mesmo casos, alardeados pela imprensa, de bandos de mendigos que punham recém-nascidos em potes para eles nascerem deformados; assim os mendigos profissionais poderiam transformá-los em instrumentos destinados a amolecer o coração dos passantes.

Em todos estes casos, a mendicância priva o homem de sua dignidade, dispensando-o de prover suas necessidades. Ela o incita à passividade. Não é suficiente ficar sentado e estender a mão para ganhar a vida?

Quando vejo uma criança mendigando, resisto ao impulso natural de dar. Preciso admitir que às vezes me acontece de dar a esmola, sobretudo quando a miséria é tão terrível – um doente, uma mãe cujo filho está à beira da morte – que não posso evitar levar a mão ao meu bolso e dar alguma coisa. Mas sempre que é possível, reprimo este impulso”. Muhammad Yunus – O Banqueiro dos Pobres – 2000

Parece que ele e Aristóteles andaram conversando sobre o assunto…

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A TRISTE E INCRÍVEL HISTÓRIA DO SAPO BARBUDO QUE VIROU PRÍNCIPE E SUA TRÁGICA DERROCADA

SAPOHá muito tempo atrás, em uma terra distante, tórrida e torrada pelo calor do sol escaldante, vivia à beira de uma lagoa que raramente tinha água, um jovem sapo, sonhador e cheio de ideias.
Ficava observando seus companheiros esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados e sonhava com uma vida melhor, mais digna e respeitosa para todos da sua comunidade. Já na sua tenra idade, conseguia enxergar que existiam sapos e príncipes e ficava pensando o que ele deveria fazer para um dia ser príncipe como alguns poucos que existiam por lá.
Um dia sua mãe resolveu partir daquelas terras em busca de uma vida melhor levando-o e a seus irmãos para “navegar em outros mares”. Com lágrimas nos olhos, partiram deixando os companheiros e a terra amada para trás. A viagem foi dura, cansativa e distante, mas enfim conseguiram chegar.
Chegando à terra prometida, o sonho de uma vida melhor não chegou tão facilmente como esperavam. Lá também, da mesma forma, existiam muitos sapos esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados, só que com mais príncipes, sentados em seus tronos dourados.
O tempo foi passando e ele crescendo e se desenvolvendo. Para conseguir o seu sustento e o sustento dos seus familiares, muito cedo teve que começar a batalhar. A vida ali não era igual à vida que ele tinha no lugar que anteriormente morava, onde a lagoa e a terra, apesar das dificuldades, supriam suas necessidades. Neste novo mundo, ele tinha que andar muito e se juntar a vários outros companheiros em uma fábrica para trabalhar e conseguir se sustentar. Os dias foram passando e ele começou a perceber que a vida ali era tão dura quanto a vida que tinha por lá. Percebeu também que, depois do trabalho, alguns companheiros se juntavam em um lugar fora da fábrica para discutir seus problemas e tentar solucioná-los. Curioso como era, ele um dia resolveu juntar-se a eles para ver como aquilo funcionava, quem sabe achava um caminho para sua vida melhorar.
No primeiro dia, manteve-se em um canto, só observando, meio desconfiado. No entanto, gostou muito do que viu e ouviu e decidiu que iria voltar. Nestas alturas ele já era grande e uma barba espessa tomava conta da sua cara. Pouco a pouco foi se entrosando com os novos companheiros e foi aprendendo a se manifestar. Naquele lugar tinha o canal que estava precisando para suas insatisfações desabafar. Com o tempo, aprendeu a colocar suas ideias em ordem e com uma eloquência incrível a expressá-las, reivindicando de forma entusiasmada uma vida mais digna para ele e para seus e seus companheiros de batalha. O tempo foi passando e seu discurso tornou-se contagiante, carismático; aprendeu a subir nos palanques e a falar em altos brados para a multidão que, em êxtase, o exaltava!
Ele foi crescendo, crescendo e cada dia mais sapos apareciam para vê-lo falar e juntos seus direitos reivindicar! Ele então criou um movimento estrondoso que fez muitos príncipes tremerem nas bases. Assustados com a repercussão do movimento criado, mandaram prendê-lo, mas algum tempo depois foi solto e, para desespero dos príncipes, foi aí que cresceu ainda mais! E o sapo barbudo foi crescendo tanto que de sapo foi se transformando em príncipe e com os príncipes começou a legislar, levando vários de seus companheiros para ajudá-lo. No princípio somente sentavam-se com os príncipes para negociar, mas depois foram se deixando contaminar. Alguns companheiros, fiéis aos princípios originais e assustados com o desenrolar dos fatos, discordaram e, no meio do conflito, começaram ase se debandar.
E o sapo barbudo foi se tornando cada vez maior, mais brilhante até chegar ao trono máximo do principado. Sua barba já não era tão grande e ele já se confundia perfeitamente com os demais príncipes do reinado. Ficou famoso e sua fama extrapolou os limites do reino, tornando-se um líder carismático. Vários companheiros que continuaram fieis a ele, foram também alçados ao patamar do trono, ao seu lado.
Infelizmente, nesta altura dos acontecimentos, um triste e chocante fenômeno já estava tomando conta do cenário. O dinheiro, a vaidade e a paixão pelo poder começaram a deixar o sapo-príncipe a seus companheiros obnubilados, esquecendo os princípios nobres do passado. Propinas e conluios tornaram-se comuns e passaram a fazer parte da estratégia deles para governar. No meio desta trama, alguns companheiros foram flagrados cometendo crimes inafiançáveis. Vários foram presos e perderem os seus cargos. O sapo-príncipe, de forma inacreditável, conseguiu escapar e seu principado continuar, mas sua imagem foi ficando cada vez mais contaminada.
Passaram-se os anos e o sapo-príncipe teve seus dias de principado expirados. Era o momento, aproveitando a oportunidade, de partir para uma aposentadoria e curtir os louros do passado, mas a vaidade e a fome de poder, como um visgo, não o deixaram. Arrumou, como que do nada, uma companheira de partido e forçou sua entrada para ocupar o lugar que tinha deixado. Criou una criatura e colocou-a no trono mas, no fundo, o que ele queria mesmo era continuar a governar. Os desencontros foram aumentando e a coisa foi tornando-se cada vez mais complicada e daí para frente, sua carreira foi caindo em derrocada. A companheira sentada no trono transformou-se em um verdadeiro desastre! Faltava-lhe tudo: competência, carisma e experiência para ocupar o trono máximo do principado. O sapo-príncipe tentou ajudá-la, mas era impossível, ele não tinha mais nenhuma credibilidade e nem força para transformá-la. Os podres do passado foram despontando e a fedentina começou a se espalhar por todos os lados. Um turbilhão de dinheiro desviado e surrupiado, formando como um furacão foi destruindo todo o reinado. Criador e criatura caíram em um abismo profundo provocando descontentamento e perdas de valores incalculáveis. Um certo dia, um juiz intimorato enviou alguns homens de negro e distintivo no peito para buscá-lo em sua casa. A criatura, do alto de seu trono, revoltou-se e quis ajudá-lo, tentando levá-lo para o seu lado, mas já não tinha força para tal fato. A incompetência e a corrupção tinham contaminado todo o seu principado. O poder foi caindo-lhe entre os dedos de forma irrecuperável. Num último momento, os príncipes poderosos se reuniram e arrancam-na a fórceps do trono, colocando fim ao seu reinado. Em meio a gritos de golpe, criador e criatura desceram a rampa e ainda não se sabe que rumo irão tomar.
O final da história ainda está para se contar. Só se sabe que a crença anfíbia em um mito salvador da pátria evaporou-se e perdeu-se pelo espaço. Um monte de sapos tristes ficou pelos caminhos esperando desesperançados que um dia um sapo-príncipe apareça de novo para salvá-los…

ELEIÇÕES: SOMOS TODOS CORRUPTOS?

CORRUPÇÃO IIUma frase em destaque da Presidente Dilma (e não Presidenta, como ela exige erradamente ser chamada) durante o último debate na TV Globo e replicada no Jornal Estado de Minas de 03/10/14 deixou-me assustado e merece ser fortemente questionada: “Não tem ninguém acima da corrupção. Todo mundo pode cometer, as instituições é que devem investigar”.
Será realmente que todos nós temos um preço? Todos somos corruptos? A honestidade e a integridade de qualquer um de nós podem ser compradas? É assim mesmo, vamos engulir a política do vale tudo como normal? Até mesmo abraçar o Maluf, condenado pela justiça e procurado como criminoso pela Interpol, para conseguir vencer a eleição em mais um estado? Pelo visto, parece que é nisso que a Presidente e seu criador acreditam…Afinal, onde fica a ética moral? Onde ficam aquelas nossas crenças e aqueles nossos valores arraigados, aprendidos no berço e tidos como inegociáveis?…
LULA - MALUF
Que, como seres humanos, somos todos sujeitos a erros, isso é um fato, mas daí a julgar que não tem ninguém acima da corrupção, chega realmente a assustar. Julgar que a ética imoral, onde impera o princípio maquiavélico do fim justificando os meios, deve ser encarada com uma prática normal, parece-me uma lógica perversa e inaceitável.
Para a Presidente e para aqueles que compartilham desses pensamentos, deixo aqui a letra e o link do vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=cE1VuxpOshI) de um poema da poetiza Eliza Lucinda, interpretado pela Ana Carolina, denominado Poema da Ética – Só de sacanagem!:
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
” – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
“- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

Quem tem ouvidos, que ouça…

RESSACA DA COPA

COPAAlém de ver seu dinheiro indevidamente utilizado para gastos espúrios, parar o País para ver a bola rolar nos gramados, dormir em filas quilométricas e pagar caro para ver de perto uma festa da qual dizia não concordar, o brasileiro incônscio ainda tem que pagar pela vergonha de uma derrota desastrosa, estampada pelas mídias no mundo inteiro. Os problemas nacionais (que nunca se foram), voltam aos jornais de maneira ainda mais intensa e os candidatos às eleições que se aproximam, além de criticar seus colegas de exercício, prometem mundos e fundos como se tivessem uma varinha mágica cujo toque irá resolver todos os nossos problemas. E a massa incônscia que idolatra e logo depois demoniza os seus cesares do futebol, acha que o Jornal Nacional divulga verdades absolutas, adora a novela, o Caldeirão e Faustão acredita…

A COPA DO MUNDO E AS MANIFESTAÇÕES POPULARES

COPASuponha que alguém apanhou seu dinheiro (e muito dinheiro) sem te pedir licença e resolva dar uma grande festa na casa dele com este dinheiro. Para a animar a festa, ele emprega artistas famosos pagando salários milionários, inimagináveis pelo trabalhador comum. Você está precisando muito deste dinheiro e, lógico, não concorda com a forma que ele será aplicado. Além de não ter tido opção de escolher se dava ou não o dinheiro, você tem uma série de necessidades urgentes a serem atendidas com ele. No entanto, indiferentemente às suas necessidades e aflições, este alguém divulga a festa de forma estrondosa na mídia e, descaradamente, convida você, outros prejudicados com o confisco do dinheiro e mais um monte de gente de fora para participar da festa. Sentindo-se lesado e sacaneado, você protesta, convoca pela internet outros prejudicados, faz manifestações nas ruas, bloqueia o trânsito, grita, usa faixas e alto-falantes com frases de efeito, incomoda os vizinhos e um monte de gente que não tem nada a ver com isto, mas os preparativos para a festa continuam, como se nada estivesse acontecendo. Passados alguns dias, iludido pelas propagandas ufanistas divulgadas pelos responsáveis pelo evento, você (é você mesmo), resignado e obnubilado, esquece de tudo, levanta de madrugada e se encaminha para alguns poucos guichês espalhados pela cidade,  enfrentando filas quilométricas para comprar ingressos caros para ir à grande festa promovida pelo dito cujo. No dia da grande festa, você, todo alegre, sorridente e entusiasmado, veste um uniforme de gala e, com uma bandeira na mão, vai para o evento!…

Sou brasileiro, amo meu País, não tenho nada essencialmente contra o futebol e os campeonatos mundiais, sou radicalmente contra manifestações violentas e depredações e acho mesmo que devemos receber bem quem vem de fora para nos visitar nestas ocasiões. No entanto, penso que o povo brasileiro precisa exercer de fato a sua cidadania e ser mais consciente e maduro na sua forma de protestar. Não adianta xingar o ladrão e depois curtir a festa feita por ele com o fruto do roubo, como se nada estivesse acontecendo. Quem tem ouvidos que ouça…

O COACH E A ÁRVORE DA VIDA

O Coach é uma metodologia poderosa que vem ocupando espaço de maneira significativa no mercado de trabalho, contribuindo para o aprofundamento do autoconhecimento das pessoas e para o alcance de objetivos pessoais e profissionais. Utiliza dos mais variados conhecimentos das áreas de administração, psicologia, recursos humanos, neuro-linguistica, e gestão estratégica da qualidade, entre outros. Uma das ferramentas mais interessantes das quais utiliza é a Árvore ou Teia da Vida, que tem por objetivo identificar o Centro de Vida das pessoas. O Centro de Vida pode ser entendido como o conjunto de valores que norteiam a vida de um ser humano e podem ser agrupados em 11 tipos fundamentais: família, cônjuge, trabalho, dinheiro, bens, religião, espiritualidade, social, prazer, inimigo e saúde. Vejamos como isto afeta a vida das pessoas. 

Centro de Vida Família: aqui estão centradas as pessoas que têm a família como seu principal valor e não abrem mão disto por motivo nenhum. A família é o centro do seu universo; todas as suas decisões são tomadas tendo como premissa fundamental o bem estar familiar.

Centro de Vida Cônjuge: neste modelo, o outro ou a outra é que ditam todas as normas de sua conduta, é o verdadeiro “camisolão”. “Vô não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não”… A letra deste conhecido forró exemplifica bem este caso. Já vivenciei situações em que profissionais perdem excelentes oportunidades de trabalho e crescimento profissional por que a esposa simplesmente, sem maiores justificativas, não quis abrir mão de morar em um grande centro para morar em uma pequena cidade do interior.

Centro de Vida Trabalho: aqui está o “workaholic”, o smartphone e mais recentemente o “tablet” é seu companheiro inseparável. O trabalho é tudo para ele, desconectado da empresa ele não é nada! Trabalha de 12 a 16 horas todos os dias, dorme conectado e nos finais de semana ainda dá uma passada na empresa para ver como está. Conheci um profissional que trabalhou mais de quarenta anos dentro de uma mesma empresa, em um mesmo cargo. Estava em vias de se aposentar e entrou em crise, por que não sabia mais viver fora da empresa…

Centro de Vida Dinheiro: este é o Tio Patinhas, o dinheiro está sempre em primeiro lugar. Para conseguir aumentar seu capital, ele negocia até a mãe. As oscilações da bolsa de valores e a queda da conta bancária o deixa desesperado, levando em casos extremos até ao suicídio.

Centro de Vida Bens: para este indivíduo, o que importa realmente é possuir bens. Todo ano ele quer trocar de carro e aparecer sempre com o último modelo, todo polido e lustrado, para desfilar pela praça. Se o vizinho compra uma TV de LCD de 36”, ele imediatamente compra uma de 72”, e assim vai. Detalhe é que às vezes nem tem dinheiro para fazer o que faz…

Centro de Vida Religião: de uma maneira extremada, aqui estão os beatos e as beatas “papa-hóstias” e os fanáticos religiosos. Para eles, o ritual é tudo; no seu farisaísmo exacerbado, esquecem até de Deus! Sendo católico, se perder uma missa do domingo, já pensa que vai para o inferno, se o Padre ou o Pastor falou, vira lei irrefutável, por pior que seja a bobagem…

Centro de Vida Espiritualidade: aqui estão os eremitas, os monges e monjas que vivem reclusos e outros que estabelecem como princípio de vida sua relação direta com Deus e dedicam-se à eterna oração e contemplação. Embora este centro de vida possa ser confundido com o Centro de Vida Religião, ele vai bem mais a fundo, os rituais já não são mais tão importantes.

Centro de Vida Social: para este tipo o mais importante na vida é estar inserido na “society” e aparecer nas colunas sociais. Sempre bem vestido, está em todas as festas e gosta de ficar sempre ao lado de pessoas importantes. Quando aparece um fotógrafo, acha sempre um jeitinho de aparecer na foto com um sorriso largo. O importante é a imagem que ele passa e acaba sofrendo muito por causa da opinião dos outros.

Centro de Vida Prazer: aqui o negócio é curtir a vida, é o verdadeiro “bon-vivant”. O universo é sinestésico! Adora comer bem e beber bem (às vezes até extrapola, passando ao vício), dormir bem, passear, enfim divertir-se! O mundo é um grande salão de festas!

Centro de Vida no Inimigo: para estas pessoas, o mundo é mal e uma eterna ameaça. Como dizia Thomas Hobbes “o homem é lobo do homem”, portanto é preciso sempre estar preparado. O livro máximo é “A arte da guerra”, o melhor pensamento “A melhor defesa, é o ataque!”.

Centro de Vida Saúde: aqui podemos enquadrar dois tipos de indivíduos. No primeiro tipo estão os aficionados com o corpo e com a beleza: “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”. “Barrigas de tanquinho” que vivem nas academias, top-models, vegetarianos fanáticos são um bom exemplo. No segundo tipo, estão aqueles que, infelizmente, por força do destino, são vítimas de doenças crônicas ou degenerativas e são obrigados a viver na dependência de tratamentos médicos e medicamentos.

Não existe Centro de Vida bom ou ruim, as pessoas são o que são. O risco maior são os extremos, o fanatismo descontrolado. De uma maneira geral, ninguém está cem por cento enquadrado em qualquer um destes Centros de Vida, na verdade todo ser humano tem um pouco de cada um e, na maioria das vezes, um deles se sobressai como predominante. O Coach nos leva a uma profunda reflexão interna e induz as seguintes perguntas: Qual o meu Centro de Vida predominante? Como eu me sinto com relação a isto? Será que preciso ou gostaria de mudar? Em qual destes Centros de Vida eu devo atuar no momento para alavancar o alcance do meu objetivo? Este é um dos caminhos do Coach; se você quiser se aprofundar, é só nos contatar. Vai em frente…

ENSINO GRATUITO NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

Recentemente, durante um bate-papo em família, participei de um debate acalorado sobre a questão da gratuidade do ensino superior nas Universidades Federais brasileiras. O assunto, apesar de já culturalmente admitido como normal pela maior parte da população menos esclarecida, traz algumas aspectos significativos que merecem ser questionados. Vejo que o sistema apresenta fortes distorções e precisa ser revisado. Enquanto estudantes de classe média/baixa, sem condições de pagar uma universidade privada, lutam desesperadamente por uma vaguinha em uma Universidade Federal, filhinhos de papai e com uma conta poupuda no banco, por questões lógicas de maior facilidade, passam nos vestibulares  e desfilam com seus carrões último modelo pelos Campi, esnobando superioridade. Muitas das vezes levam o dobro do tempo para se formar, desperdiçando o dinheiro público e ocupando vagas de quem realmente quer e precisa estudar. A argumentação de que estas figuras tem direito, pois seus pais pagam os impostos, é irrelevante, pois os pais dos menos favorecidos também pagam e, no entanto, seus filhos não têm oportunidade de usufruir deste mesmo direito. 

Sou a favor da socialização do ensino, não através de programas de governo que dão bolsas de estudo para alunos enchendo os cofres de instituições particulares cada vez mais milionárias e com  menos conteúdo em termos de qualidade de ensino, mas de uma mudança sistemática e cultural, onde quem tem mais paga para quem tem menos, abrindo oportunidades para os jovens de classes menos favorecidas. Que os filhinhos de papais tenham contas poupudas, estudem e andem de carrão, sem nenhum problema, mas, já que têm largas condições financeiras, que paguem para estudar nas Federais! Abaixo o ensino gratuito irrestrito nas Universidades Federais!