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A FALÊNCIA DO SISTEMA DE ENSINO-APRENDIZAGEM BRASILEIRO E A TEORIA DA REPRODUÇÃO – VIOLÊNCIA SIMBÓLICA

enem-iiSegundo Gustavo Ioschpe no seu livro “O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer?”, o último levantamento do INAF (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional realizado pelo Instituto Paulo Montenegro) mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. Isto significa que três quartos da nossa população não seriam capazes de ler e compreender um texto como este. Na Matemática, a situação é igualmente desoladora: só 23%, segundo o mesmo INAF, consegue resolver um problema matemático que envolva mais de uma operação, e apenas esse mesmo grupo tem capacidade para entender gráficos e tabelas.

Recentemente, os resultados demonstraram que 6,1 milhões de inscritos no ENEM, apenas 77 conseguiram nota máxima na Redação e 300 mil tiraram nota zero!

Sem dúvidas, os resultados são assustadores! Surge então uma pergunta que não quer se calar: onde está o problema?

Meus estudos e reflexões, influenciados pela minha Tese de Mestrado em Ciências da Educação em desenvolvimento, me levam a concluir que, longe de única e simplesmente, de forma imediatista, depositar a culpa nos nossos jovens, a causa fundamental do problema está relacionada a dois fatores fundamentais: a qualidade do ensino e os sistemas de avaliação de aprendizagem vigentes.

Comprovadamente a qualidade do nosso sistema de ensino, de uma forma geral, é ruim, evidentemente, sem considerar as ilhas reservadas aos filhos das elites, que frequentam as melhores escolas, sustentadas por mensalidades polpudas! Da infraestrutura à qualidade da mão-de-obra e à metodologia, temos muito que melhorar. É um número muito grande de escolas sem o mínimo de condições físicas para funcionar: faltam sistemas adequados de transporte, mesas, carteiras, refeitórios, alimentação adequada, banheiros, materiais didáticos e, em algumas delas, até mesmo teto. Sem contar as condições de segurança, com os alunos vivendo em meio à criminalidade e tiroteios cerrados. O investimento no desenvolvimento de nossos professores é mínimo e o reconhecimento, tanto em forma de remuneração como de valorização do trabalho, é o mais baixo de todos em relação às profissões consideradas nobres. Como se não bastasse, o sistema de ensino-aprendizagem segue a metodologia da “educaçãopaulo-freire-ii
bancária”, tão fortemente combatida por Paulo Freire, considerado o Pai da educação brasileira, onde os alunos, de forma passiva, são meros depositários das verdades absolutas ditas pelos professores em sala de aula. Vale lembrar aqui um dos seus preciosos ensinamentos: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Depois de passar por esta “via crucis”, no final do grande ciclo (ou “circo”) vem o ENEM, com a adoção de um sistema de avaliação somativo, aterrorizante, eliminatório e excludente, onde sempre os filhos das elites são os melhores classificados e aprovados com as melhores notas e os demais, pertencentes às classes oprimidas, são descartados. As estatísticas demonstram claramente este fato.

pierre-bourdieuPierre Bourdieu, (1930-2002), um famoso estudioso francês da da área de educação, a este fenômeno denominava de “Teoria da Reprodução”, onde, através da educação, o sistema reproduz o sistema de castas. É o que ele chamava de violência simbólica. Aos privilegiados, as melhores escolas, os melhores cursos, as melhores profissões, os melhores salários e, consequentemente, as melhores condições sociais, aos demais, as piores escolas, os piores cursos, quando conseguem frequentar, as piores profissões, quando encontram trabalho, o subemprego e a marginalidade. E assim o ciclo se reproduz indefinidamente.

Os resultados negativos do ENEM nada mais são do que a formalização de um certificado da falência do sistema de ensino-aprendizagem institucionalizado. Os pobres alunos expostos à humilhação pública são muito mais vítimas do que culpados. O controle do processo  com um sistema de avaliação ao final da linha só serve de mero instrumento para a constatação óbvia de uma série de derrotas cultivadas ao longo da vida estudantil dos reprovados, condenados à vala dos derrotados. Recordando Bourdieu: Nada é mais adequado que o exame para inspirar o reconhecimento dos vereditos escolares e das hierarquias sociais que eles legitimam”.

Então é Natal! Imagine!…

natalEntão é Natal! Imagine!…

Imagine que o Estado Islâmico se converteu à essência do Espírito Cristão e se transformou em uma organização mundial na luta pela paz e pela fraternidade…

Imagine que  a guerra civil na Síria acabou e Alepo, como num passe de mágica, foi totalmente reconstruída e as famílias, com suas crianças, puderam voltar em paz para suas casas para celebrar o Natal…

Imagine que a paz tomou conta dos povos do Oriente Médio e cristãos, judeus e mulçumanos se abraçaram, formando uma corrente de respeito, harmonia e tranquilidade…

Imagine que as fábricas de armas  do mundo inteiro fecharam e se transformaram em fábricas de produção de alimentos, roupas e moradias de baixo custo e centros de saúde para atender as populações carentes…

Imagine que não existe mais discriminação por questões de cor, raça, sexo, religião, aparência, condição social ou qualquer outra que possa existir…

Imagine que todos os corruptos do Brasil e do mundo inteiro se converteram e se transformaram em um exemplo de respeito humano, lisura e integridade…

Imagine que nossos Senadores, Deputados e Vereadores aprovaram um Projeto de Lei reduzindo drasticamente seus salários, seus benefícios e suas verbas indenizatórias, assumindo um espírito de doação e dedicação verdadeira à coisa pública…

Imagine que o nosso salário mínimo tornou-se capaz de atender as nossas necessidades vitais básicas e das nossas famílias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, conforme reza o Artigo VII da nossa Constituição Brasileira…

Imagine que os índices de criminalidade no nosso País caíram a um nível muito pequeno e que a população voltou a poder andar tranquilamente pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite, sentar em frente às suas casas ou nas praças com os amigos e vizinhos para conversar após o horário de trabalho, sem medo de ser assaltada…

Imagine que eu, você e todo mundo vamos, como seres humanos que somos, reconhecer nossos próprios erros e lutar conscientemente pela busca da perfeição e do amor ao próximo…

Então é Natal! Imagine, imagine, imagine e faça a sua parte!…

“Como seres humanos, a nossa grandeza não está em sermos capazes de refazer o mundo, mas em sermos capazes de refazer a nós mesmos”… (Gandhi)

PROFESSORES EM PAUTA: REFLETINDO SOBRE O ARTIGO DO CLÁUDIO DE MOURA CASTRO

MOURA CASTRORecentemente, o Articulista Cláudio de Moura Castro publicou na Revista Veja um artigo intitulado “Professor ganha mal?”. Foram inúmeras as contestações por parte de vários professores e simpatizantes, acusando-o de depor contra a classe, classificando-o com adjetivos depreciativos e, inclusive acusando a Veja de “vendida” e conclamando a todos a boicotarem a assinatura e compra da Revista.
Perdoem-me os nobres colegas professores e os simpatizantes, mas li e reli o artigo várias vezes e, salvo alguns detalhes, sinceramente, por mais que me doa, sou obrigado a concordar com ele. Vejamos algumas “burrices” por ele citadas.
Primeiro – A questão da aposentadoria. Infelizmente, é um fato o que ele disse, não só os professores, mas todos os profissionais brasileiros estão aposentando muito cedo e a previdência não vai aguentar. Não sou que estou dizendo, são os especialistas no assunto. O sistema tem que ser mudado, a expectativa de vida aumentou e o sistema continua o mesmo. Se não for tomada uma providência, a previdência vai quebrar!
Segundo – Os 45 dias de férias dos professores e o recesso natalino: por que os professores tem direito a 45 dias e os demais trabalhadores somente 30? Por que o recesso natalino além das férias de julho? “Em geral, o recesso é gozado entre dezembro e janeiro, porque julho é o mês de férias coletivas da categoria. O importante mesmo é que sejam garantidos os trinta dias de descanso, que não podem de maneira alguma coincidir com o período de férias”. (Fonte: Federação dos Professores dos Estado de São Paulo). Não seria bem mais produtivo, claro resguardando os Dias Santos e feriados de dezembro e janeiro, aproveitar o período para investir em autodesenvolvimento, planejamento escolar e outras melhorias de processo?
Terceiro – Licenças-Prêmio: é uma máxima da meritocracia moderna que não se deve premiar um empregado pelo seu tempo de casa, mas sim pelo nível do seu desempenho. O tempo de casa premia indiscriminadamente o bom e o mal empregado. Tempo de casa não é sinal de bom desempenho. Tem muito professor acomodado por aí, esperando a aposentadoria e ganhando tranquilamente seus quinquênios acumulados.
Quarto – Licença de 72 meses para Mestrados e Doutorados:será que é realmente necessário? Não é possível, com um pouco de esforço e boa vontade, conciliar as duas atividades? Quantos Mestrandos e Doutorandos estão por aí conciliando família, trabalho e atividade acadêmica (inclusive eu) e estão chegando ao final da batalha? Quantos já não conseguiram, sem maiores traumas?
Quinto: Mestres e Doutores ganham maiores salários. Será que ter um diploma na mão é certeza de melhor desempenho? Já vi muito professor por aí “comprar um diploma” para poder aumentar o salário, como também já vi muitos mestres e doutores que não estão nem aí com relação a uma educação de qualidade. Até quando vamos continuar premiando-os pelos diplomas comprados se o comodismo na sala de aula permanece?
É importante lembrar que no início e no final do terceiro parágrafo Moura Castro afirma: “no geral, os salários desapontam” “Gastamos muito e pagamos pouco”, portanto seu discurso não destoa tanto assim do que a classe reclama.
Com relação ao boicote à Revista Veja em função destas e outras reportagens, entendo que precisamos de parar com esta ideia de “queimar em praça pública os ‘livros proibidos'”, prática muito comum na idade média. Nenhuma forma de comunicação é totalmente isenta de parcialidades. De uma forma ou de outra, qualquer uma defende uma ideologia, quer seja de forma sutil ou declarada, quer seja de direita ou de esquerda. Quer seja a Veja, a Época, a Carta Capital, a Exame, a Rede Globo ou a Bandeirantes ou qualquer outra forma midiática, todas “vendem o seu peixe” ideológico. O que precisamos de fato, como cidadãos de um País democrático, é saber ouvir as vozes dissonantes, aguçar nosso senso crítico e saber, com clareza, distinguir o joio do trigo.
Que a educação no nosso País tem muito a ser melhorada e um fato, que os nosso professores precisam ser valorizados e muito mais valorizados, também! Isto é indiscutível. Não vejo que o Moura Castro maifestou-se contrariamente a estes aspectos.

PROFESSOR, PROFISSÃO DESVALORIZADA

OPERAÇÃO PROFESSORRecentemente recebi um Edital do Processo Seletivo para Professores 2016 de uma instituição governamental. Lendo o edital, descobri que para uma carga horária de 20hs semanais, portanto 80hs mensais, um Professor Especialista, portanto graduado e pós-graduado, irá receber um salário-base de R$865,65. Como o Estado é “bomzinho”, concede uma gratificação e Incentivo à Docência no valor de R$177,13 e uma Gratificação de Desempenho de Professor de Nível Superior no valor de R$335,79. Com isto o Professor, ao final do mês, depois de trabalhar 05 dias por semana, de 18hs às 22hs, de segunda a sexta-feira, fora os trabalhos adicionais em casa, recebe um total de R$1.398,57 por mês. Pois bem, fiz uns cálculos multiplicando este valor por 12 para ver o ganho anual e cheguei ao montante de R$16.782,80, o que representa em dólares o equivalente a US$4.184,20. Surpreso e indignado com este valor, liguei para a área responsável pelo Processo Seletivo questionando e um dos representantes da instituição, meio constrangido, reconhecendo o absurdo, confirmou o resultado.
Em busca de parâmetros para melhor avaliar, fiz uma pesquisa identificando os 10 países do mundo onde os professores são mais bem pagos e encontrei os seguintes resultados:
1-Luxemburgo: US$ 101 mil
2-Suíça: US$ 65 mil
3-Alemanha: US$ 60 mil
4-Holanda: US$ 55 mil
5-Espanha: US$ 49 mil
6-Irlanda: US$ 49 mil
7-Coreia do Sul: US$ 48 mil
8-Canadá: US$ 48 mil
9-Dinamarca: US$ 47 mil
10-Áustria: US$ 46 mil
(Fonte:http://lista10.org/diversos/os-10-paises-onde-professores-sao-mais-bem-pagos/)
É fácil de observar que o último país da lista, a Áustria paga o equivalente a quase 11 vezes mais que o valor divulgado! Minha indignação aumentou, que triste realidade!
Aprofundando minha pesquisa, fui buscar mais informações, comparando com os salários dos políticos brasileiros e cheguei aos novos resultados:
1-Senador e Deputado Federal: R$33.763,00/mês – US$101.011,22/ano
(Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/salarios-de-politicos-em-2015.html
2-Deputado Estadual MG: R$ 17.165,33 – US$51.354,76/ano
(Fonte:http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/02/com-salario-de-r-17-mil-deputados-de-mg-aprovam-auxilio-moradia.html)
3-Vereador BH: R$13.629,46 – US$40.776,25/ano
(Fonte: http://www.cmbh.mg.gov.br/portal-da-transparencia/pessoal/estruturaremuneratoria/vereador)
Os valores citados são básicos, sem considerar os benefícios e os (gordos) adicionais que são pagos.
Da mesma forma, podemos observar que um Vereador, o menos remunerado da lista, às vezes sem nem concluir o ensino médio e sem nenhuma carga horária de trabalho efetivamente registrada, ganha o equivalente a quase 10 vezes mais que o professor do Edital divulgado! Novamente, me deparo com esta outra triste realidade!
Creio firmemente que a solução para o progresso começa, passa e termina com a educação, mas uma educação de qualidade, onde o elemento mais importante, o professor seja realmente reconhecido e valorizado. Afinal, todos os outros profissionais saem dos bancos escolares. Dizem que no Japão o único profissional que não precisa se curvar para o imperador é o professor, pois segundo os japoneses em uma terra onde não há professores não pode haver imperador. No Brasil, pelo que parece, os professores acabam tendo que viver permanentemente curvados, subjugados por uma sobrevivência apertada.
Infelizmente os fatos e os dados, como visto acima, demonstram que estamos muito longe de alcançar um patamar onde a educação e os professores sejam realmente valorizados. É triste observar que a tão sonhada Pátria Educadora fica somente nos discursos e muito distante da prática!

O ENEM, O SISU E A TEORIA DA REPRODUÇÃO DE PIERRE BOURDIER

EDUCAÇÃOO Sistema de Ensino Brasileiro tem uma cultura predominantemente focada em preparar o jovem, desde a infância até a conclusão do ensino médio, de forma exaustiva, maquiavélica e discriminatória, para ser aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM e, na sequência, batalhar por uma vaga em uma Universidade através do Sistema de Seleção Unificado – SISU. Do antigo vestibular para o sistema atual, sinceramente não consigo ver grandes evoluções. Em vez de terem que se deslocar para se submeterem ao terrorismo do Exame em terras distantes, nossos jovens passaram a ter o “privilégio” de sofrer mais próximo do local de origem. Neste Sistema, o ensino é utilizado como uma mera ferramenta para aprovação no Exame no final da linha e para a manutenção do status quo da pirâmide e não como um instrumento de formação do ser humano como agente de transformação social. O conhecimento é difundido cada vez mais através de uma série de macetes, fórmulas decoradas, decorebas e “tirocetes” (tirocínio + macetes) onde os maiores e melhores são sempre aqueles nascidos em berço de ouro e que tiram as notas mais altas. Alguns poucos, verdadeiros heróis pertencentes às classes menos privilegiadas conseguem quebrar o ciclo e evoluir socialmente. Desta forma, ganham cada vez mais o capitalismo dos cursinhos preparatórios e o sistema discriminatório de manutenção das castas sociais.

Os resultados do ENEM 2015 demonstraram que os alunos que obtiveram as melhores classificações e foram para as melhores universidades foram justamente os alunos pertencentes às classes mais altas e que frequentaram as melhores escolas particulares e os melhores cursinhos preparatórios, evidentemente inaccessíveis aos demais jovens. Em contrapartida, estes demais jovens que obtiveram as piores classificações foram justamente aqueles pertencentes às classes pobres, que frequentaram as escolas públicas e não tiveram condição de pagar os cursinhos preparatórios.

Pierre Bourdier (1930-2002), um famoso estudioso francês da área de educação, desenvolveu uma teoria chamada Teoria da Reprodução, onde afirma que os sistemas tradicionais de ensino nada mais fazem que reproduzir os sistemas de castas sociais, ou seja, normalmente os jovens que são provenientes de famílias com maior poder aquisitivo, são os que frequentam as melhores faculdades e, consequentemente, conseguem se formar nas profissões mais rentáveis. Pelo contrário, aqueles que são provenientes de famílias de menor poder aquisitivo, são os que frequentam as piores faculdades (quando frequentam) e acabam se formando em profissões menos rentáveis (quando se formam). E assim o sistema se reproduz indefinidamente.

Se tivéssemos de fato um ensino básico de qualidade para todos, conforme rezam as novas metas do milênio, com certeza nossos jovens não precisariam passar por este martírio e as oportunidades seriam equalitárias.Creio que a nossa chamada “Pátria Educadora” para o ser de fato e de direito precisaria de rever de forma drástica a estrutura de ensino vigente, com menos discriminação e menos desigualdades, através de mudanças basilares onde as oportunidades sejam iguais para todos independentemente das origens ou classes sociais. Infelizmente parece que Paulo Freire tinha razão quando afirmava: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”.

DIÁRIO DE LISBOA: THE END

DIÁRIO DE LISBOA XXIIIHoje foi o meu último dia de aula, completando a segunda etapa do meu Curso de Mestrado em Lisboa. Durante o mês de julho de 2015 tenho ainda uma terceira etapa a cumprir em BH. Depois é desenvolver meu trabalho de investigação, elaborar a Dissertação e finalmente preparar-me para defender a Tese de Mestrado.
O tempo voou e o que parecia custoso ficou no passado. Voei com Aristóteles, noticiei a célebre prisão de Sócrates. Pierre Bourdier e Paulo Freire, os grandes educadores, surgiram para me doutrinar. Assisti a apresentação de teses de mestrado e doutorado e as dificuldades e as desventuras dos noviciados. Fui um cliente sem majestade, cometi minhas gafes entre raparigas e aprendi um novo palavreado. Conheci história de paixão e ódio e contei histórias engraçadas. Visitei lugares fascinantes, falei sobre heróis, educação, desigualdade e inclusão e ainda sobre o Charlie, o atentado e a liberdade de expressão. Comentei sobre vidas ceifadas, globalização e novas profissões. Jantei com bons companheiros portugueses, criei um neologismo e comparei Lisboa com BH. Por último, falei sobre resiliência e estresse e, finalmente, o Diário de Lisboa está a terminar. Uma nova jornada vai começar: Paris, Veneza e Roma estão a me aguardar. Que as gloriosas conquistas do grande Júlio César me inspirem para continuar.

LISBOA – BH: COMPARANDO O IDH

DIÁRIO DE LISBOA XXOntem, estivemos estudando Educação e Desenvolvimento Humano em sala de aula.
Desenvolvimento humano, segundo o Professor Zoran, é a valorização dos recursos naturais e humanos, assim como do capital físico e social que resulta na satisfação das necessidades humanas e na melhoria da qualidade de vida.
A ONU, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD desenvolveu o conceito de Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que classifica os países do mundo, tendo como base três pilares fundamentais: saúde (longevidade), educação e renda. O índice varia de “0” a “1”, sendo “0” o pior estado e “1” o melhor.
Dentro desse conceito, o Brasil, segundo Relatório divulgado em 2012, está em septuagésimo lugar, entre os 187 países divulgados, com 0,744 pontos e Portugal com 0,822. Belo Horizonte com 0,810 e Lisboa com 0,931.
Em conversas com os lisboetas, eles manifestam bastante insatisfação com os problemas que têm, mesmo com um IDH de 0,931! Venho dizendo a eles que são felizes e não sabem! É só fazer uma rápida comparação que dá perceber o quanto eles estão melhor que nós mineiros. Lisboa tem 537.743 habitantes, possui 04 linhas de metrô, com 55 estações, 43,2 quilômetros de extensão. Belo Horizonte tem 2.479.175 habitantes e possui 01 linha, com 19 estações, 28,2 quilômetros de extensão. A taxa de mortalidade infantil de Lisboa é de 4,3 por 1.000 habitantes, a de Belo Horizonte 9,7. Lisboa tem um registro 0,48 homicídios por 100 habitantes, Belo Horizonte 31,4 registrados em 2012.
Ando pelas ruas de Lisboa e raramente vejo um morador de rua ou mendigo pedindo esmola. Favelas não existem, e olha que eles estão em crise! Em contrapartida, Belo Horizonte…
O site Transparência Internacional divulga uma lista classificando os 175 países do mundo em termos de corrupção, sendo o número 1 o menos corrupto e o número 175 o mais corrupto. Nesta lista, em 2013, o Brasil ocupa o septuagésimo segundo lugar, Portugal o trigésimo terceiro. Será que tem alguma relação?…
Bom, acho melhor parar por aqui. O lado bom da coisa é que o brasileiro não desiste nunca! Vamos em frente, quem sabe um dia os impostos que pagamos vão melhorar o nosso IDH…

ENEM E INCLUSÃO SOCIAL

DIÁRIO DE LISBOA XIDepois de um longo tempo distante dos bancos escolares, confesso que esta vida de estudante me deixa meio enfastiado. Mochila nas costas, caminhada, sala de aula, almoço, sala de aula, caminhada de novo, lanche, estudo e cama. Lembra-me a música do Chico Buarque: “todo dia ele faz tudo sempre igual”… Já estou contando as horas que faltam para fechar mais este ciclo. Mas, plagiando novamente Fernando Pessoa, tudo vale a pena se a gente se engrena…
Hoje tivemos aula de uma disciplina que se chama Inclusão Social e Educativa. Por coincidência, trouxe comigo do Brasil um recorte de jornal com o resultado do ENEM Brasil 2013. A matéria traz o ranking das dez melhores escolas classificadas em termos de pontuação e, como não poderia deixar de ser, todas elas são particulares, evidentemente frequentadas por alunos oriundos de famílias de alto pode aquisitivo. Primeiro lugar: Colégio Objetivo Integrado (São Paulo), segundo lugar: Colégio Bernoulli (Belo Horizonte), terceiro lugar: Colégio e Curso Ponto de Ensino (Rio de Janeiro) e assim por diante, todas as escolas situadas em capitais, exceto uma de Ipatinga, o Colégio Elite Vale do Aço (o próprio nome já diz tudo!). Nem precisa dizer que as escolas públicas ficaram em último lugar e os alunos, coitados, Deus sabe onde vão parar!
Recentemente, a Presidente Dilma Roussef, em seu discurso de posse, disse que o novo lema do seu governo será “Brasil, Pátria Educadora”. Uau, que belíssimo lema! Será que teremos realmente mudanças radicais na educação que vão de fato transformar a nossa realidade?
Enquanto isso, vamos em frente que os livros me esperam para uma nova jornada.

AS MANIFESTAÇÕES POPULARES E AS LIÇÕES PARA AS ORGANIZAÇÕES

MANIFESTAÇÃOO povo brasileiro está indo às ruas nas diversas regiões do País em um manifesto claro de repúdio contra a precariedade da saúde pública e da educação, a corrupção, a elevada taxa de impostos e a incompetência dos governantes em tomar atitudes efetivas que resolvam os inúmeros problemas sociais. O preço das passagens de ônibus, pelo que parece, foi apenas o estopim para a eclosão do movimento. Num misto de atitudes truculentas e de apoio, as forças policiais lutam para manter sobre controle as manifestações das massas. Algumas ações pontuais para atender aos manifestantes já estão sendo tomadas pelos governantes e existem indícios que no final algo será mudado.

Assim nas ruas como nas organizações; o movimento pode servir de lições para o mundo do trabalho. Manifestações de massa não ocorrem em um rompante por um simples acaso. Os indícios de insatisfação vão surgindo de maneira gradativa e só os maus gestores, codinomeados  “chefes” e não líderes, não percebem ou fingem não perceber o fato, deixando que a situação se agrave. As pequenas insatisfações como problemas relacionados a pagamentos de salários e adicionais, benefícios, alimentação, transporte, moradia, condições de trabalho e relacionamento com a chefia, entre outros vão se acumulando até que um dia a explosão se manifesta de maneira traumática no calor das massas. E os estragos, muitas das vezes, podem ser irrecuperáveis.

Trabalhar de maneira participativa e ouvir os empregados é uma forma eficaz de evitar manifestações traumáticas de massa e, além de tudo, obter excelentes resultados. Estudos recentes desenvolvidos junto a organizações de sucesso demonstram que aquelas que apresentam maior rentabilidade são justamente as que ouvem e investem de maneira estratégica nos seus empregados. Em contrapartida, as empresas onde o ser humano é escravizado de maneira velada ou declarada estão perdendo seu espaço. As notícias calamitosas nos jornais e os termômetros das Bolsas de Valores estão aí para comprovar.

O movimento das ruas apresenta algumas lições básicas que necessariamente precisam ser aprendidas e colocadas em prática por organizações que pretendem trabalhar com sustentabilidade:

1-As organizações independentemente de serem públicas ou privadas, na sua essência, existem para atender às necessidades sociais. Se esta missão não for cumprida, mais cedo ou mais tarde vão pagar muito caro pelo ato falho;

2-Os conflitos traumáticos não são fenômenos isolados; nascem de pequenas insatisfações não resolvidas que se acumulam no dia a dia até explodirem em manifestações de massa;

3-Atuar preventivamente é uma necessidade imperiosa na arte de gerenciar. Os maus gestores são aqueles que esperam “a bomba explodir” para tardiamente agir de maneira não estratégica e atrasada;

4-Lideranças participativas e capacitadas formam a mais eficaz estratégia para estabelecer um ambiente produtivo de trabalho. Empregados satisfeitos abraçam a causa da organização e não se amotinam em movimentos de massa.

Vale a pena refletir sobre o assunto! Será que a sua empresa vem colocando estas premissas estratégicas em prática?

 

ANACRONISMO ACADÊMICO

images[7]Nota zero para a UNIBAN e seus alunos trogloditas no lance da minissaia da estudante do Curso de Turismo Geyse Arruda. Fica no ar uma pergunta que não quer se calar: que tipo de educação estão recebendo estes jovens? A situação fica ainda pior quando o Conselho da Faculdade resolve expulsar a menina! Será que também vão premiar os delinquentes que desrespeitaram e assediaram publicamente a garota?   

É extremamente preocupante o nível da educação que é repassada para  jovens como estes que estão sendo preparados para serem os profissionais do futuro. Será que os valores fundamentais como ética e respeito sumiram dos bancos das faculdades?