GESTÃO DE PESSOAS OU GESTÃO COM PESSOAS?


foto_julio1Muito se tem discutido nos últimos tempos sobre a melhor terminologia a ser utilizada quando se trata de gerir pessoas no ambiente de trabalho. O termo recursos humanos anda meio desgastado, afinal algumas almas iluminadas descobriram que pessoas não podem ser encaradas como recursos, pessoas não são recursos, recursos são materiais. Surgiu então o termo gestão de pessoas, com uma estampa mais moderna e atualizada. No entanto, apesar da estampa, já anda sendo questionado. Afinal, gestão de pessoas ou gestão com pessoas, qual a expressão mais adequada?

O que parece ser uma discussão meramente teórica, em sua essência, numa análise mais aprofundada, traz um diferencial significativo, que encobre uma cultura e uma filosofia na maneira de administrar.

Vejamos então, na prática, qual o impacto destes dois conceitos nas organizações. Para isto, em primeira instância, vamos recorrer aos gramáticos e ver como eles podem nos ajudar. Estes doutos no assunto nos ensinam que a expressão gestão de pessoas recebe o nome de sintagma nominal e é composto por dois termos; um nome – “gestão” – e um adjunto adnominal – “de pessoas” – e dizem que adjunto adnominal é a palavra que acompanha um ou mais nomes conferindo-lhes um atributo, um valor restritivo. Portanto o termo “de pessoas” na expressão “gestão de pessoas” tem uma função meramente restritiva, para diferenciar a gestão de pessoas de outros tipos de gestão, que poderia ser gestão de dinheiro, de máquinas, de equipamentos ou até mesmo, por que não, gestão de animais! Esta linha de raciocínio, baseado nos nossos mestres gramaticais, nos leva a concluir que a expressão coloca o ser humano em uma situação passiva, no mesmo nível de objetos brutos ou de seres irracionais! Esta lógica deixa certos profissionais comprometidos com a questão humana nas organizações, de cabelo em pé, preocupados. Afinal gente não pode ser colocada em um mesmo nível de objetos ou animais. Então, como resolver esta questão?

Surge então a expressão “gestão com pessoas” como uma alternativa adequada para resolver a problemática. Voltando novamente aos nossos gramáticos, o adjunto adnominal composto pelo termo “com pessoas”, em contrapartida ao termo “de pessoas”, traz em seu escopo uma significação bem mais apropriada. Gestão com Pessoas significa trabalhar junto com as pessoas e não utilizar-se passivamente delas como meros objetos para se obter resultados. Traduz-se em um conceito aprofundado de companhia, de participação e de envolvimento, afinal pessoas não são figuras passivas, irracionais ou inanimadas, que friamente podem ser administradas. Mais do que nunca as organizações precisam ouvir seus profissionais!

O grande desafio, deixando as teorias gramaticais e os modismos de lado, é como tornar este conceito uma realidade na prática. Como fazer com que os dirigentes ouçam de fato seus parceiros de trabalho? Como transformar empregados em verdadeiros colaboradores no ambiente de trabalho? Tenho visto verdadeiros absurdos nas organizações a este respeito na prática. Infelizmente, numa postura anacrônica, alguns chefetes enclausurados no seu “aquário”, sentados em tronos acolchoados atrás de mesas e montes de papéis, isolados ainda despacham aos berros ordens para seus “sub-ordenados” (!?). Desconhecem que subordinado é um termo ultrapassado e que as organizações precisam de fato são de insubordinados, ou seja, de pessoas que questionam e discutem de maneira sensata as ordens, o status-quo em busca de melhores resultados.

Gestão com pessoas veio para ficar, trabalhar em equipe dá certo! As organizações que se lançaram nesta corrida, ouvindo e envolvendo de maneira sistêmica seus empregados estão se tornando cada vez mais competitivas e longevas no mercado. Minha experiência como Gerente de Desenvolvimento Humano em organizações onde esta prática é uma realidade, demonstra que esta filosofia traz resultados eficazes. O sucesso destas organizações falam por si só e comprovam que elas estão preparadas para enfrentar os desafios do novo milênio com maestria, produtividade e competitividade.

Júlio César Vasconcelos