ACIDENTES ÁEREOS X ACIDENTES RODOVIÁRIOS

ACIDENTE AIR BUSChama a tenção o desenrolar dos fatos decorrentes do desastre aéreo ocorrido recentermente com o Air Bus da companhia áerea Air France. Inquestionável e incomensurável a dor profunda por que passam todos os parentes próximos das vítimas da tragédia. Perder um ente querido em condições tão trágicas e ainda sem perspectivas de poder se despedir dos corpos que se encontram dasaparecidos em alto mar é realmente doloroso.  

O fato em destaque é a fala de um advogado, parente de uma das vítimas, questionando sobre a indenização proposta a ser paga pela Air France, algo em torno de cem mil Euros. O referido causídico protestou veementemente, alegando absurda esta quantia e prometendo entrar com uma ação na justiça contra a companhia aérea, reivindicando um valor sabe lá Deus quantas vezes maior.

Vem a pergunta que não quer se calar? Por que os parentes das vítimas deACIDENTE DE ÔNIBUS acidentes rodoviários envolvendo ônibus nas rodovias da morte, caso típico da BR 381, não são tratados pela mídia com igual relevância e indenizados com igual valor? Será que a vida destes pobres coitados não é tão importante quanto a dos “sangues-azuis” que viajam de avião? Será que não seria o momento de fazer com que os órgãos governamentais que nos impoem extorsivos impostos rodoviários sem o devido retorno paguem com o mesmo destaque na mídia o valor ao nível dos patamares exigidos pelas vítimas dos desastres aéreos?

MINC E A GUERRA MINISTERIAL: UMA QUESTÃO DE ESTRATÉGICA GOVERNAMENTAL

MINCA julgar pela fala do Ministro do Meio-Ambiente Carlos Minc, a esplanada do ministérios está em guerra. Em entrevista à CBN, ele disse que estavam com as machadinhas esquartejando a área ambiental e ele estava levando facadas , com seus agressores arrancando picanha de suas costas! Pelo que parece, os atacantes seriam os Ministros dos Transportes Alfredo Nascimento e da Agricultura Reinolds Stephanes e os representantes do Congresso Nacional, aliás a briga com o Stefanes já não é de hoje… 

O Stephanes quer por que quer abrir uma estrada no meio da floresta amazônica sem cumprir as condicionantes ambientais e o Nascimento, na mesma linha, quer plantar cana-de-açúcar no pantanal, comprometendo a questão do desmatamento florestal.

O Minc conseguiu uma audiência numa reunião isolada com o Presidente Lula e disse que saiu fortalecido! Afirmou que o Presidente prometeu apoiá-lo: “Minc, você tem razão, vou te fortalecer, vou conversar com os Ministros e os representantes  do Congresso”! 

Para mim, a polêmica foi criada por uma questão básica de falta de estratégia governamental. O que se aplica na gestão de empresas, aplica-se na gestão do estado. O que transparece é que a estratégia de liderança do Presidente Lula está muito falha!  Ou ele não anda se comunicando bem com seus Ministros ou eles não estão afinados com a sua estratégia, por que se estivessem o Minc não estaria, como disse, levando machadadas e correndo o risco de virar picanha! Agora vai o Lula conversar isoladamente com os demais!

Vem a pergunta que não quer se calar: não seria o caso de, como líder, o Presidente convocar seus “meninos” para uma reunião ministerial com e lavar a “roupa suja” antes que alguém vire churrasco! O Minc é que se cuide! Sinto cheiro de carne assada pelo ar!…

PETROBRÁS x CPI

CPIEm 2008 a Petrobrás investiu mais de 500 milhões de reais em projetos voltados para divulgação da sua imagem e em projetos de responsabilidade social, envolvendo as mais variadas ONG’s, entidades esportivas, incluso o clube do Flamengo, empresas ligadas ao cinema, à literatura, artes cênicas e outras mais. Como pode se observar, o cardápio é farto.

Em tese, a empresa está no caminho certo. Investir em divulgação de imagem corporativa e em responsabilidade social é importante, faz bem e dá retorno. O que merece ser analisado pela sua alta direção e por auditores legais devidamente credenciados é se houve licitude e se as verbas foram  disponibilizadas para quem realmente precisa e, além disso, se foram realmente utilizadas para os fins propostos.  Nada contra o esporte, mas tenho fortes dúvidas se repassar verbas milhonárias para o Clube de Regatas do Flamengo é estratégico para a estatal, mas este é outro caso. 

Enfim, o que mais irrita é a polêmica criada pelos digníssimos representantes do povo com a CPI no Planalto. A questão é claramente de politicagem! Por que eles não acionam o fisco e/ou outro órgão credenciado para auditar severamente a estatal, como seria feito com qualquer empresa nestas condições? Na verdade os politiqueiros do Congresso não querem mais nada a não ser desviar o foco da atenção da população de suas maracutaias com problemas de mensalões, filhos bastardos, passagens aéreas, excesso de diretores, recebimento de verbas ilegais e outros mais. Só para lembrar, o Sarney andou recebendo, indevidamente por um longo período, a quantia de R$3.800,00 de verba para aluguel; ele tem uma casa em Brasília e mora em residência oficial do senado! Pediu desculpas!!!…Passa esta e volta rápido para a CPI…

CURSO DE FORMAÇÃO DE ANALISTAS DE RH

Segue abaixo material de divulgação do Curso de Formação de Analistas de RH que estou promovendo em parceria com a Consultar, uma Consultoria de Recursos Humanos de BH.

O Curso é voltado para profissionais e estudantes que têm alguma relação direta ou indireta com a área de Recursos Humanos e têm interesse em se aprofundar no assunto. Investir no auto-desenvolvimento de maneira permanente é a chave do sucesso profissional! Portanto, convido-os a participar!

ANALISTAS DE RH

O RH E A ÉTICA NO SENADO

ÉTICA NO SENADOA mídia informa que o ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zogby teria aberto três empresas em nome de uma ex-babá Maria Izabel Gomes, de 83 anos! Essas empresas teriam faturado nos últimos anos cerca de R$ 3 milhões em contratos assinados com o Senado.  Uau!!!

Esta não é a primeira vez que Zoghbi é envolvido em denúncias de irregularidades na Casa. Há um mês, ele pediu demissão do cargo de diretor depois da divulgação de que havia cedido aos filhos um apartamento funcional do Senado, que lhe foi destinado para morar desde 1999, o que é proibido pelas regras da Casa. Zoghbi também é acusado de ter viajado ao exterior com passagens aéreas vindas da cota de deputados federais.

A confusão entre o público e o privado é um mal que assola as instâncias parlamentares nos mais variados âmbitos, mal que também contamina algumas organizações com a confusão entre o pessoal e o profissional. É o Motorista da empresa que transforma-se em Motorista da mulher do Diretor, transportando-a para fazer compras pessoais, para salões de beleza e levando seus bichanos para tosar e alisar os pelos nos pet-shops da vida. É a participação em  Congressos que vira farra no final de semana, com direito a wisky importado e acompanhantes. São empresas de fachada próprias ou de apadrinhados que “prestam” serviços, locupletando-se ilicitamente através dos bens alheios, e outros casos similares. O cardápio é farto!

O profissional de Recursos Humanos é o responsável pela criação das políticas que regem a concessão dos benefícos de uma organização e deve ser necessariamente o guardião da ética e do profissionalismo na utilização destes benefícos. Infelizmente, pelo que parece, o ilustre Diretor de RH andou deturpando este princípio, dilapidando o patrimônio público e denegrindo a imagem da classe! É uma grande pena!..

AS TETAS DO SENADO

SENADOMuito interessante a polêmica criada a respeito das cerca de 180 diretorias do Senado e o trabalho da FGV. Num só estalo a instituição propõe a redução para 07 diretorias, o Senado estuda manter 10 ou 15.

Surge uma pergunta que não quer se calar: como estes ilustres senhores e os rersponsáveis pela adminsitração da Casa conseguiram trabalhar por tanto tempo sem perceber este absurdo em termos de gestão organizacional?! Tinha até Diretor de Garagem!!! Certamente se fosse uma empresa já tinha quebrado!

O problema maior é que o trabalho da FGV corre seríssimos riscos de ir para a lata do lixo! O corporativismo e a politicagem dificilmente vão permitir que haja um enxugamento de cargos e de figurantes ineptos apadrinhados pelos digníssimos representantes do povo…Vale lembrar que o Sarney, o Calheiros e o Collor andam por lá…

Por falar nisto, nos últimos dias o Diretor de Recursos Humanos foi desempossado, mas esta é outra estória…

A PETROBRÁS E O ESCORREGÃO DO GABRIELLI

GABRIELLIIndependentemente da celeuma que se criou com a instauração da CPI da Petrobrás, o que me chamou a atenção foi uma fala do Presidente da Petrobrás a respeito da mudança do regime de competência para regime de  caixa como base de cálculo para incidência do fisco na estatal.

O Presidente da estatal afirmou que esta era uma decisão operacional, portanto não era necessário uma consulta ao Conselho de Administração, composto entre outros figurões, pela super-poderosa Ministra Dilma Russef e pelo também super-poderoso Ministro Mantega. 

Acho que o Ministro não foi bem assessorado nesta questão! Se fosse meramente operacional, não estaria dando o bode que está dando! O impacto da mudança está mexendo com um monte de gente! Até o Governador Aécio Neves já ameaçou se juntar aos Governadores do Rio e São Paulo para entrar na Justiça!

Na verdade tudo passa por uma questão de nível de delegação e análise de risco na tomada de decisão. Se o Ministro tivesse feito uma melhor análise, certamente teria consultado as instâncias superiores antes de tomar uma decisão de tamanha importância e não estaria passando o sufoco que está passando agora! 

Daqui para frente haja espaço na mídia para aguentar os carniceiros do Congresso achincalhando a Petrobrás, denegrindo a gestão da empresa e contaminado o mercado de ações!…

PALESTRAS MOTIVACIONAIS E MAGIA BARATA

MÁGIOCRecentemente tive oportunidade de participar de uma palestra em Belo Horizonte sobre desenvolvimento de equipes, promovida por uma entidade renomada da capital. O auditório, muito bem estruturado estava repleto de universitários, professores, gerentes, consultores e micro-empresários, entre outros. Confesso que o que vi me deixou preocupado, para não dizer enfastiado. Subiu ao palco uma figura que conseguiu transformar um tema sério e de suma importância em um verdadeiro show de futilidades. Com ares de showman, estampa esguia e alongada, emoldurado por um terno bem vincado, com um microfone de astronauta em frente à boca, iniciou esfuziante sua auto-apresentação, repleta de auto-elogios e vazia de conteúdo e significado. E um show circence, estilo “caldeirão-domingão” começou a ser apresentado!

O figurão, como um pastor evangélico alucinado, começou a descer para a platéia e subir ao palco, circulando freneticamente pelos corredores e vomitando sobre a galera, em alto e bom tom, frases de efeito e de nenhum resultado prático. Os recursos midiáticos, com tecnologia de ponta, eram fantásticos: enquanto ele falava, de tempos em tempos apertava o botão de um controle remoto e o power-point no lap-top emitia imagens coloridas e impactantes através de um projetor multimídia em três telões estrategicamente bem colocados. Seu timbre de voz aumentava e diminuía circunstancialmente potencializado pelo eco produzido por enormes caixas de som bem distribuídas pelo salão.

Os efeitos de magia barata abriram seu espaço! Com um estalar de dedos, arrancou fogo da orelha de um participante embasbacado, adivinhou naipes de cartas de baralho num truque velho e desgastado e, para a infelicidade de alguns pobres “voluntários”, levou-os ao palco submetendo-os a situações ridículas para o exercício de sua curandeiragem. Depois, com uma lupa enorme na frente da cara saiu feito detetive idiotizado procurando não sei o quê entre a platéia meio que hipnotizada e outras babaquices mais que nem valem a pena de serem citadas. A todo instante pedia uma salva de palmas e sorria largamente, mantendo seu ego sempre inflado! No final, agradeceu a platéia e apresentou no telão seu e-mail, telefone, blog, site, enfim todos os contatos para continuar vendendo sua magia barata! Isto tudo em nome de conceitos clássicos, mal enxertados e comentados, como teoria da motivação, liderança, assertividade, empowerment, feed-back, energização de equipes e outras pérolas mais.   

Fico pensando onde vamos parar! O que tenho observado, infelizmente, é que este tipo de profissional vem se alastrando como praga pelo mercado. Temos que estar atentos, muitos oportunistas vem ocupando de maneira tragicômica este espaço e cobrando verdadeiras fortunas para vender suas veleidades! São ex-jogadores de futebol que mal conseguem se expressar, ex-professores, treinadores dos mais variados esportes e até generais, que acham que gerir pessoas é a mesma coisa de que comandar os recrutas na caserna. Neste rol entram também médicos (que viram mágicos), piadistas, camelôs, baleiros, pipoqueiros, formando um cardápio extenso é variado! Seus locais preferidos são os congressos, as feiras, os seminários e os eventos internos promovidos pelas empresas, despejando as pílulas mágicas que vão resolver todos os problemas motivacionais! Aproveitam para distribuir o maior número possível de cartões de visita para continuar vendendo seu cambalacho! Recolhem os contatos e dias depois entopem regularmente e insistentemente a caixa de entrada do e-mail dos pobres coitados através de um marketing abusivo tomando o tempo e a paciência de quem está ocupado! O negócio é empurrar de toda maneira sua magia barata!

Como se não bastasse a enxurrada de livros de auto-ajuda, com soluções imediatistas e mágicas, cheios de segredos despejados de maneira mercenária na mão dos menos avisados, agora surge mais esta onda no mercado.

Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional são ciências e não podem de maneira inconseqüente ser banalizados. Gerir pessoas é coisa séria! Não podemos permitir que falsos profetas, de maneira ridícula, contaminem e ridicularizem um tema de tão elevada importância!

 

Julio César Vasconcelos

Maio de 2009

O CUSTO DE UMA DEMISSÃO

DEMISSÃO 

É necessário criar condições que evitem a saída das pessoas da empresa. Esta saída traz como conseqüência um vazamento do seu ativo. A decantada estabilidade no emprego não deveria ser meta dos sindicatos, mas sim dos empresários”.

(Vicente Falconi)

 

Durante os meus mais de 30 anos experiência profissional já tive oportunidade de ver todos os tipos de absurdos em termos de desrespeito ao ser humano e prejuízos para a empresa quando se trata de demitir um empregado. Chefes (o título é bastante apropriado para aqueles que ainda estão no tempo do “guarda o que você sabe e faça o que eu mando”) mal preparados e insensíveis à complexidade do ser humano em toda a sua problemática profissional, social e vivencial tomam decisões intempestivas e inconseqüentes por causa de problemas localizados, sem maior relevância e sumariamente dão o veredicto demissionário ao empregado, condenando-o a fazer parte do já inflacionado rol dos desempregados. Na maioria das vezes a causa foi uma palavra ou resposta impensada dada pelo empregado em um daqueles dias em que não estava muito bem com a “patroa” em casa. O que não se observa é que na maioria das vezes este mesmo empregado possui longos anos de trabalho dedicado à empresa e um grande potencial que pode muito bem ser aproveitado. Para enxergar isto, basta um pouco mais de paciência, menos subjetividade e encarar a explosão momentânea como um fato isolado. Sem esta observância, perde a empresa e perde o empregado. O problema ainda é mais agravante quando o demissionário tem estabilidade, ou seja, a lei não permite que ele seja demitido como é o caso de representantes sindicais, representantes de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, representantes de Cooperativas e outros mais. Já vi representante de cooperativa sendo demitido numa atitude precipitada do chefe e depois ter que ser reintegrado à mesma função, gerando uma situação constrangedora  e indesejada.

O drama enfrentado por um empregado injustamente colocado na rua é incalculável! É seu ganha-pão, o sustento da família que lhe escapa pelas mãos. O trauma do dia seguinte cai-lhe como uma paulada na cabeça espalhando efeitos reflexivos pelas entranhas, pelas pernas e pelo corpo inteiro. As conseqüências podem ser dramáticas: insônia, perda de auto-estima, alcoolismo, desespero e algumas vezes, em condições extremas, o suicídio.

O ônus pago pela empresa também é muito elevado. Aviso-prévio, férias, décimo-terceiro salário, fundo de garantia, multa etc. formam o rol de obrigações que ela se vê obrigada a assumir numa única bordoada onerando de maneira significativa sua folha de pagamento. Como se isto não bastasse, vem ainda o baque maior, com o prejuízo causado pela perda de anos e anos de investimento no empregado que se vai levando todo o conhecimento acumulado, sem contar que a necessidade de reposição do quadro a obriga a começar tudo de novo! E a história se repete novamente.

   Absolutamente não quero aqui fazer apologia da estabilidade no emprego. A Organização Internacional do Trabalho – OIT, entidade que o Brasil é signatário, através da Convenção 158 tentou garantir esta estabilidade, no entanto na prática ela nunca emplacou e entendo que não deva ser formalizada de maneira extremada. Entendo que a empresa tem pleno direito de manter nos seus quadros quem melhor lhe aprouver, coerentemente com sua filosofia, princípios e valores. Entendo também que não é justo manter eternamente no mesmo cargo um empregado que não se adapta à função ou simplesmente fica improdutivamente marcando cartão esperando o momento de se aposentar. No entanto não acho justo condenar o empregado e à empresa pagar um ônus pesado por causa de atitudes precipitadas e destemperadas que só vem a engordar ainda mais o nível de desemprego no nosso País e contribuir para gerar maiores dificuldades internas para a empresa.

Demitir um empregado não é como trocar um equipamento, onde simplesmente retira-se um e coloca-se outro no lugar. O processo de recrutamento, seleção, admissão, integração e desenvolvimento leva tempo e custa dinheiro. Tudo isto não pode simplesmente ser menosprezado mediante uma atitude impensada. Além do mais, gente pensa, tem sentimentos sofre e muita das vezes carrega consigo a responsabilidade do sustento de outros semelhantes. Como já dissemos, o preço pago pelo empregado e empregador é muito elevado.

Mas afinal, surge uma pergunta que não quer se calar: O que fazer? Qual é a solução?

Trabalhei em uma empresa por longos anos onde implantamos um sistema denominado Proposta de Rescisão de Contrato de Trabalho – PRCT. O princípio básico é simples, mas eficaz: nenhum empregado pode ser demitido sem antes ser feita uma análise detalhada de todo seu perfil e histórico psico-sócio-econômico e profissional. Os chefes intempestivos e o setor de pessoal que aguardem. Surgido o conflito, supostamente considerado irremediável, antes de qualquer iniciativa precipitada, em sigilo, o superior dá início ao processo partindo para uma análise detalhada do caso. O Departamento de Recursos Humanos lhe dá toda a assessoria necessária.

Primeira pergunta a ser respondida: o empregado possui estabilidade? Se sim, é melhor repensar ou então abrir logo um inquérito administrativo se for o caso de falta grave. Se não é estável, passa-se para a segunda etapa; o Sistema de Avaliação de Desempenho é um valioso aliado. Como o empregado foi avaliado nas últimas avaliações? Como foi seu desempenho nos últimos anos? Apresentou evolução? Foi bem avaliado? Se sim, por que está sendo desligado??? Se não foi bem avaliado, onde está o ponto falho? Já foi tomada alguma iniciativa concreta neste sentido? É possível recuperá-lo? Em seguida vem a análise dos aspectos sociais: É casado? Tem filhos? Tem algum tipo de doença que carece de tratamento especial? Possui pessoas doentes na família? Está individado? Tem onde morar? Possui situação financeira estabilizada? Enfim, qual o tamanho do impacto social que vai ser gerado? Esgotadas todas as questões e outras que se fizerem necessárias, o superior estará bem assessorado para tomar a decisão que julgar mais adequada, qualquer que seja ela. Bom para ele, bom para a empresa, bom para o empregado, bom para a sociedade! E não me venham com essa que não têm tempo para toda esta empreitada, pensar antes é muito melhor que cometer uma grande burrada!

Demissão é coisa séria, e muito séria. O ser humano é o patrimônio mais valioso que a empresa possui, não é justo e eficaz tratá-lo como uma máquina, como algo descartável. Compreender isto e colocar em prática é sinal de maturidade organizacional e o primeiro caminho para o sucesso empresarial. Se sua empresa ainda não se despertou para este fato, acorde, seu patrimônio mais valioso pode estar sendo jogado pelo ralo!

 

 

Júlio César Vasconcelos – Dezembro de 2007

MEU DEBUT NO MUNDO TRABALHO

MUNDO DO TRABALHO “A adversidade é um trampolim para a maturidade”.

(C.C. Colton)

 

 

 Eu mal tinha acabado de completar dezoito anos, a situação financeira da minha família era precária, meu pai tinha um monte de dívidas para pagar. Eu tinha urgentemente que dar um jeito de trabalhar. Uma vontade enorme de deixar de ser menino e tornar-me homem imperava, barbicha e bigode ralos espalhavam-se pela minha cara.

Era a década de 70, eu, Técnico de Mineração, diploma fresquinho na mão, na época um verdadeiro troféu, quase que uma sagração! De repente apareceu um emprego, uma oportunidade de trabalho! Meu coração disparava, a respiração ofegava, era tudo que eu precisava!Nunca tinha entrado em uma fábrica, a escola não ensinava. Fui encaminhado ao Chefe de Pessoal e depois para o exame médico admissional. Em seguida deram-me um uniforme, um par de botas com biqueira de aço, um capacete, um crachá, o famoso cartão de ponto e disseram-me para, no mesmo dia, apanhar um ônibus às onze da noite em frente à praça central da cidade. O “busão” me conduziria para o meu “debut” que teria início à meia-noite daquele mesmo dia, na minha primeira jornada de trabalho!

Voltei para casa com a bagagem que tinham me doado e aguardei ansiosamente a noite que se aproximava. E ela chegou, fria e nublada. Vesti o uniforme, calcei a bota, coloquei o capacete na cabeça, prendi o crachá no peito e, todo orgulhoso, com mais de uma hora de antecedência, saí pela rua com aquela fantasia estranha, rumo ao meu primeiro dia de trabalho! Era junho, o frio cortante penetrava pela jaqueta “far-west” surrada vestida sobre a camisa de uniforme e provocava-me pequenos arrepios, difíceis de controlar.

Depois de uma longa espera, vagarosamente um ônibus estranho e sujo, contornou a esquina e parou na minha frente. A porta se abriu e eu, meio inseguro, entrei, sem saber direito se esse era mesmo o ônibus que eu tinha que pegar.

-Quem é você? Disparou o motorista, de maneira brusca, logo de cara.

Limpei bem a garganta e tentando fazer a voz soar grossa, meio temeroso, respondi:

-Sou o novo Técnico de Mineração que foi contratado!  

-Simboooora motóóóóra! Olha a hooooora! gritou de dentro do ônibus, lá atrás, a peãozada!

Levei um susto danado!

-Não é este o seu ônibus, este é de peão. O seu é o outro que já vem atrás. Pode descer! retornou o motorista, meio agoniado.

Sem entender muito bem, desci do ônibus e retornei ao meu posto de espera, na beira da calçada. Mal tinha acabado de me posicionar, o motorista arrancou bruscamente o ônibus e desapareceu ao longo da rua mal iluminada.

Fiquei por ali, apreensivo, por mais alguns instantes, aguardando, meio com medo daquela peãozada.

Outro ônibus apareceu e estacionou ao meu lado. Este sim era um ônibus limpo e novo, “rodoviário”, com bancos altos e estofados. O motorista abriu a porta e eu novamente entrei, ainda meio assustado.

-Quem é você? Perguntou-me novamente o motorista.

Afiei a garganta novamente e respondi rápido:

-Sou o novo Técnico de Mineração que foi contratado!

-Pode entrar! respondeu secamente o motorista.

Antes que eu pudesse me localizar, arrancou bruscamente o ônibus e quase cai para o lado!

Pouco a pouco minhas pupilas foram se dilatando e a visão se acostumando à escuridão interna daquele veículo fantasma. Uma meia dúzia de pessoas, aqui e acolá, dormia escornada no meio de um monte de poltronas, todas desocupadas! Sentei-me rapidamente na primeira vazia que consegui identificar. Os pensamentos surgiam aos borbotões, o medo e a ansiedade me dominavam! No meio daquela escuridão, na minha cabeça pensamentos mil tentavam adivinhar onde eu iria parar!

Em pouco tempo as luzes da cidade ficaram para trás e o ônibus ganhou a estrada. Era uma estrada cheia de curvas e esburacada. Entre pensamentos e balanços, o sono começou a me dominar e, apesar de tentar resistir, comecei a dormitar.

De repente acordei assustado! Uma figura forte e fardada, com um trabuco enfiado na cintura e um cacetete enorme amarrado  apareceu como um fantasma ao meu lado:

-Quem é você? Cadê seu crachá? disparou a pergunta de forma apressada, acordando-me com um balançado.

Não sabia direito se estava tendo um pesadelo ou se já tinha acordado. Na dúvida, lembrei-me do crachá. Rapidamente tirei-o do peito e apresentei-o ao “soldado”. Deu uma olhada, devolveu-o a mim, virou as costas e sumiu pelo corredor do ônibus, retornando ao seu posto de trabalho. Pela janela do ônibus, na escuridão pude vê-lo entrando em um barraco feio e mal cuidado. Deduzi que aquilo deveria ser a portaria, estava chegando na empresa para início da minha jornada.

O ônibus arrancou e seguiu em frente, parando por diversos pontos despejando os poucos “gatos pingados”. Comecei a entrar em pânico, minha situação não era boa, eu não sabia onde eu tinha que parar. Levantei-me, aproximei-me do motorista e perguntei a ele se poderia me ajudar.

-É o último ponto, pode aguardar! respondeu-me de imediato.

Sentei-me novamente e, ansiosamente, pus-me a esperar. Depois de algum tempo, o ônibus parou de frente a um galpão e a um prédio, ambos enormes, com vários andares. Só tinha eu dentro do ônibus, meus companheiros de viagem já tinham apeado. O motorista abriu a porta e disse-me que tinha chegado. Meio hesitante, desci, tentando me situar

Uma fila enorme de empregados serpenteava pelo pátio da fábrica. Raciocinei que era por ali que eu devia entrar. Meio inseguro, postei-me atrás do último personagem. Pouco a pouco, mais ônibus chegavam e um monte de outros personagens, atrás de mim se perfilavam. Um a um, no início da fila, aproximavam-se de um estranho relógio, inseriam o cartão de ponto em uma cavidade, apertavam uma alavanca que fazia um barulho metálico, retiravam o cartão, colocavam-no em um pequeno suporte e desapareciam misteriosamente para dentro da fábrica.

Fiquei observando atentamente como eles faziam aquele ritual para ver se aprendia até chegar a minha hora. Quando dei por mim, minha hora já tinha chegado! Deparei-me assustado em frente àquele equipamento estranho, extraplanetário. Olhei para o meu cartão, olhei para o relógio e nada! Deu um branco, não sabia o que fazer! A peãozada de traz começou uma gritaiada:

-Olha o horal! Sorta a franga! Desagaaaarra!

Entrei em pânico, não conseguia raciocinar!

Subitamente um camarada que nunca tinha visto apareceu ao meu lado. Pegou o cartão da minha mão, inseriu-o na cavidade, apertou a alavanca de barulho metálico, devolveu-o a mim e, como os demais, desapareceu misteriosamente para dentro da fábrica.

Em poucos instantes fiquei sozinho no meio do pátio. A fila e o monte de gente tinham, como em um passe de mágica, se evaporados, cada um para o seu lado.

Tentei resgatar algumas informações que o Chefe de Pessoal tinha me passado, mas era muito difícil, estava assustado com aquele ambiente inusitado, meu raciocínio estava embolado. Procurei por alguém que pudesse me informar como chegar ao meu local de trabalho. Um indivíduo uniformizado apareceu, apontou para cima e disse-me que era para lá que eu deveria me direcionar. Olhei para cima, lá no alto uma sala bem bonita, com visão panorâmica para a fábrica, parecia me aguardar. Comecei então a subir um monte de escadas e plataformas, numa verdadeira escalada. Depois da exaustiva empreitada, ofegante, uma última escadinha de marinheiro me conduziu ao pico do meu himalaia. A parede envidraçada separava-me dos personagens dentro da sala, o suor escorria-me pela cara. O barulho dos equipamentos funcionando deixava-me surdo e meio desorientado. Um pozinho fino de minério deixava minha pele suada, toda encebada. Bati no vidro de uma das janelas em forma de báscula. Bati uma, bati duas, bati três, bati quatro e nada! Quem estava lá dentro parecia não escutar. Depois de algum tempo, um indivíduo lá de dentro veio meio “enchouriçado”. Abriu a báscula na minha cara e com a mão em concha próxima ao ouvido, esticou o pescoço para tentar ouvir o que eu falava. Gritei, para ver se ele conseguia me escutar:

-Sou o novo Técnico e quero entrar. Hoje é meu primeiro dia de trabalho!

-Ô babaca, a entrada é lá por baixo! Aqui não tem jeito de entrar! respondeu-me irado.

Fechou bruscamente a báscula e voltou apressado para o interior da sala.

Eu era um babaca! Na minha tenra idade, senti vontade de chorar! Olhei para baixo, a escadinha de marinheiro, as plataformas e as demais escadas, friamente me aguardavam! Desci transtornado!

Suado e cansado, depois de descer todas as escadas, cheguei novamente ao pátio e procurei me reorientar. Um sujeito forte e barbudo mostrou-me uma portinha estreita, situada na base do primeiro andar. Era uma porta pesada e de aço. Caminhei até ela, abri, entrei, passei por um estreito corredor e novamente comecei a subir um monte de escadas! E eram muitas escadas!

Ofegante, finalmente cheguei à bem-aventurada sala! Era uma sala enorme, envidraçada, bem iluminada, com um monte de luzes, botões, painéis e alarmes piscando em um jogo de cores e luzes diversificado! Um pequeno grupo de pessoas trabalhava, alguns atendiam telefone, outros conversavam.

Subitamente todos pararam e olharam para mim. Senti-me um ET, uma figura rara. Meio constrangido, tentei balbuciar algumas palavras. Antes que terminasse, apontaram para mim e explodiram todos em uma uníssona e cortante gargalhada! O babaca da vidraça tinha conseguido chegar na sala!

Fiquei ali parado, por alguns instantes que mais pareceram uma eternidade. Era o começo de uma longa história que eu não tinha nenhuma idéia de como iria terminar.

 

Foi minha primeira vez, meu primeiro dia como operário!

Bem-vindo ao mundo de trabalho!…

 

 

BH, março de 2007