O USO DO WHATSAPP PARA QUESTÕES POLÍTICO-PARTIDÁRIAS

“Quem vigia a própria boca conserva a vida, quem solta a língua caminha para a ruína” (Provérbios, 13,3)

Nos últimos tempos tenho me defrontado de forma recorrente com problemas devido à utilização indevida do Whatsapp para defesa de questões de caráter ideológico e político-partidárias, gerando desconforto, bate-boca, acusações pessoais e, algumas vezes, exclusão do grupo do qual os indivíduos fazem parte. Por causa disto, já tive a infeliz oportunidade de ver profissionais se agredindo verbalmente, irmãos se desentendendo e amizades se rompendo, deixando como rastro um contexto extremamente desagradável.

É louvável que as pessoas tenham suas convicções ligadas à alguma ideologia ou partido político e que queiram defender suas ideias fazendo uso do Whatsapp, principalmente em um país democrático como o nosso. Com certeza, desta forma estamos contribuindo para um maior nível de esclarecimento da população. O problema é a forma e o ambiente onde é feita esta defesa. Vejamos, então algumas observações importantes que, creio eu, sejam importantes para evitar conflitos mal resolvidos.

Primeiro é importante definir e entender com clareza   o que significa caráter ideológico e político-partidário. O termo ideologia vem da junção das palavras gregas “idea” mais “logos”, e quer dizer, literalmente, “doutrina das ideias”. Sendo assim, ideologia é um conjunto de ideias que pretende explicar a realidade e as transformações sociais e tem a função de orientar a ação social de indivíduos e de grupos com um caráter descritivo e também normativo. Daí surgem os diversos tipos de ideologia tais como ideologia de gênero, ideologia capitalista; ideologia comunista-socialista, ideologia liberal, ideologia estatizante, ideologia religiosa e ideologia partidária, entre outras.

Por sua vez, denominam-se temas de caráter político-partidários os temas que trazem no seu bojo ideologias de partidos políticos. Como no Brasil temos diversos partidos políticos, existem inúmeros militantes desses diversos partidos, cada qual querendo defender com unhas e dentes a sua ideologia e se julgando o dono da verdade, tentando convencer os demais que o seu partido é o ideal.

Em segundo lugar é de extrema importância definir e entender com clareza qual o objetivo do grupo do qual você faz parte. Provavelmente, esteja aqui a raiz do problema: a grande maioria das pessoas não conhece o objetivo do grupo do qual está participando, portanto, se este objetivo não existe, procure logo descobrir ou forçar para que ele passe a existir e divulgue-o para todos os participantes. Se ele existe, mas não existe controle, estabeleça regras e monitore para que este objetivo seja cumprido. Vencida esta etapa, policie aos outros e a si próprio para que estas regras sejam respeitadas. Sendo assim, não é cabível que alguém queira defender um político ou suas ideias, quaisquer que sejam, em grupos com objetivos familiares, de estreitamento de laços de amizade ou de compartilhamento de informações e oportunidades profissionais e comerciais, por exemplo 

Finalmente, se o objetivo do grupo permite a discussão de temas de caráter ideológico, torna-se necessário muito cuidado com a forma de abordagem! É preciso entender que vivemos em um país democrático e que ninguém é dono da verdade absoluta, portanto, por mais que você discorde do ponto de vista do outro, pertence a ele o direito de se manifestar. Radicalismo, ataques pessoais e termos e frases ofensivas e de baixo calão devem ser terminantemente eliminados do espaço virtual. Sobretudo, assim como no mundo real, tais tipos de atitudes não contribuem absolutamente com nada para o crescimento dos membros do grupo, muito pelo contrário, só geram discórdia e destruição.

Não importa se você é contra ou favor da ideologia de gênero, de cor, de raça, de sexo ou de qualquer outro tipo de ideologia, não importa se você é do partido da situação ou da oposição, não importa se você é a favor do isolamento social ou da liberação da economia em tempos de vírus, o que importa realmente é que haja temperança, humildade e respeito mútuo nas manifestações nos grupos onde elas forem cabíveis. Se queremos um mundo melhor, o primeiro passo é consertar a nós mesmos. Não sejamos surdos, comecemos já!

Quem tem ouvidos que ouça!

Contatos: caesarius@caesarius.com.br (31)99345-0515

DICA CULTURAL: FILME “O CORTE”

O CÍRCULO DO ÓDIO

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (
Mateus 5:43,44)

É extremamente preocupante o teor dos conteúdos que circulam na mídia eletrônica, principalmente através do whatsapp, nos tempos atuais. O Corona Vírus transformou o espaço virtual em um verdadeiro campo de batalha. De um lado, radicalmente entrincheirados, estão os pejorativamente denominados de “bolsomínios”, fiéis seguidores das ideias do Presidente Bolsonaro, que defendem com unhas e dentes a liberação da economia e o fim isolamento social. Do outro lado, da mesma forma radicalmente entrincheirados, estão os também pejorativamente chamados de “petralhas”, os fiéis seguidores do Ex-Presidente Lula, que defendem, da mesma forma com unhas e dentes, a manutenção do isolamento social. Mergulhados em um dualismo exacerbado, cada uma das facções se julga a verdadeira dona da razão e partem para um ataque mútuo com uma metralhadora giratória dando tiro para todos os lados. O Vírus parece dar risadas enquanto o circo vai pegando fogo!

A quantidade de mensagens estampadas rotineiramente através de textos, fotos e vídeos com acusações pessoais e de baixo calão são alarmantes. Recentemente, uma nordestina, espumando de ódio, divulgou um vídeo acusando abertamente o Presidente da Câmara Rodrigo Maia de marginal, bandido ordinário, ladrão, safado, mal caráter, insignificante e covarde, expandindo suas acusações para o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e para os Deputados e Senadores. Tudo isto, recheado de xingamentos de baixíssimo nível, que me recuso a repetir aqui para não cair na vala da obscenidade. O pior é que no final do discurso inflamado ela invoca o nome de Deus! Como se não bastasse, pior ainda, um bando de seguidores bate palmas e replica o vídeo espalhando-o pela mídia.   

Evidentemente que não se trata aqui de defender qualquer político ou representante público que esteja traindo seus eleitores ou mesmo de não dar razão à senhora, preocupada com o problema da moléstia, mas sim de apelar ao povo brasileiro para que haja mais ponderação, equilíbrio, maturidade e, sobretudo, amor ao próximo, mesmo que este próximo seja nosso inimigo, como pregam os Evangelhos. Madre Tereza de Calcutá já dizia: “Amar o próximo é fácil, o difícil é amar o distante”.

Não interessa se você é de direita, de esquerda, do centro ou de qualquer outro posicionamento político, nada justifica atitudes que pregam o ódio e a guerra. O momento é de união, não de ataques mútuos, afinal somos um só Brasil! Já basta o vírus para nos aterrorizar!   

Pensando nestes fatos citados e com o objetivo de abrir um espaço para reflexão sobre nossas atitudes perante estes fatos, gostaria de compartilhar aqui um pequeno texto DE autoria desconhecida, que, creio eu, possa ajudar. Espero que a carapuça sirva e que alguns surdos comecem a ouvir! …

“Conta-se que um famoso senhor com poder de decisão, gritou com um diretor da sua empresa porque estava com ódio naquele momento. O diretor, chegando em casa, gritou com sua esposa, acusando-a de que estava gastando demais, porque havia um bom e farto almoço à mesa. Sua esposa gritou com a empregada que quebrou um prato. A empregada chutou o cachorrinho no qual tropeçara. O cachorrinho saiu correndo, e mordeu uma senhora que ia passando pela rua, porque estava atrapalhando sua saída pelo portão. Essa senhora foi à farmácia para tomar vacina e fazer um curativo, e gritou com o farmacêutico, porque a vacina doeu ao ser-lhe aplicada. O farmacêutico, chegando em casa, gritou com sua mãe, porque o jantar não estava do seu agrado.

Sua mãe, tolerante, um manancial de amor e perdão, afagou seus cabelos e beijou-o na testa, dizendo-lhe:

– Filho querido, prometo-lhe que amanhã farei os seus doces favoritos. Você trabalha muito, está cansado e precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis da sua cama por outros bem limpinhos e cheirosos para que você descanse em paz. Amanhã você vai sentir-se melhor.

E abençoou-o, retirando-se e deixando-o sozinho com os seus pensamentos.

Naquele momento, rompeu-se o CÍRCULO DO ÓDIO, porque esbarrou-se com a TOLERÂNCIA, a DOÇURA, o PERDÃO e o AMOR.

Se você está ou se colocaram você em um CÍRCULO DE ÓDIO, lembre-se de que com TOLERÂNCIA, DOÇURA, PERDÃO e AMOR pode-se quebrá-lo”.

Quem tem ouvidos que ouça! …

Contatos: (31) 99345-0515 caesarius@caesarius.com.br

DICA DE FILME: “ELES NÃO USAM BLACK-TIE”

HARMONIA CONJUGAL E ISOLAMENTO SOCIAL

“Quer fazer algo para promover a paz mundial? Vá para casa e ame a sua família”. (Madre Tereza de Calcutá)

Tenho acompanhado pelas redes sociais, através de comentários, textos, vídeos e charges as manifestações de um grande número de pessoas, sobre a dificuldade que estão enfrentando por ter que viver confinados dentro de casa, principalmente os homens, ao lado da esposa e dos filhos. Algumas destas manifestações, inclusive, possuem um caráter machista, sarcástico e pejorativo, como se esta experiência fosse um verdadeiro sacrifício. Estranhamente, por sua vez, algumas esposas estão se queixando que, com a presença dos maridos em casa, o trabalho em vez de diminuir, aumentou! Notícias de que os casos de violência doméstica estão aumentando começam a aparecer na mídia e já estão falando de casamentos sendo dissolvidos por causa do isolamento. Infelizmente, parece que viver juntos de forma estreita e diária está sendo um martírio e causa de separação. Ironicamente, o aconchego do lar, onde deveria ser um porto seguro, parece estar se transformando em um local de expiação de pecados. A convivência familiar permanente e diária e os cuidados com a casa parecem ser um pesado fardo, duro de carregar. Fica uma dúvida no ar: por que é tão difícil viver ao lado das pessoas que amamos? …  

Para aqueles que estão vivendo este contexto, vale a pena refletir. Segundo alguns estudiosos, o termo chinês “weiji”, que significa “crise”, é um ideograma formado pela junção de dois outros: o negativo “perigo” (wei) e o promissor “oportunidade” (ji), portanto, baseado neste princípio, é importante compreender que, apesar do momento conturbado que estamos vivendo, existe uma bela oportunidade para investir no desenvolvimento dos nossos valores familiares. A pior doença não é a que ataca o físico mas é aquela que contagia a alma e nos transforma em pessoas extremistas, pessimistas e amargas que só vivem reclamando que tudo está ruim, começando por dentro de casa. Pessoas assim acabam atraindo para si, para sua família e para o meio onde estão inseridas energias negativas, tornando a situação ainda pior do que já está.

É um fato que todos nós estamos vivendo um momento de perigo e ninguém tem como negar: o Covid19 ronda, de forma assustadora e preocupante, o nosso ambiente e os nossos lares. No entanto, devemos entender por outro lado, que o isolamento pode ser uma excelente oportunidade para o amadurecimento pessoal e familiar. E como explorar de maneira concreta estas oportunidades? Surgem, então no ar, algumas perguntas que não querem se calar:

-Qual foi a última vez que vocês, marido e mulher, olhos nos olhos, coração aberto, sentaram-se para refletir sobre o relacionamento familiar e quais as questões que precisam melhorar?

-Qual foi a última vez que vocês se sentaram com os seus filhos para refletir e orientá-los sobre questões ligadas aos males que, além do vírus, nos atacam, sobre questões ligadas à ética, à sexualidade, ao dinheiro, ao poder e a muitos outros temas tão importantes da atualidade?

-Qual foi a última vez que vocês, todos, de mãos dadas, se uniram para rezar ao Pai Nosso que está nos Céus, abrindo as portas e o coração para que Ele não fique só nos Céus, mas possa também entrar no seu lar?

-Enfim, em vez de ficar atacando o Presidente, o Ministro, o Governador, o Prefeito, o Secretário e o Vereador, em um dualismo extremado que não tem fim, por que vocês, enquanto cristãos, com atitude de humildade, não fazem uma oração sincera pedindo a Deus Pai para que, com seu Espírito Salvador, ilumine nossos governantes para que ajam com sabedoria, encontrando o melhor caminho para superar esta crise e vivermos em um mundo melhor?

Possivelmente, muitos irão dizer que a correria do dia a dia não lhes deixava tempo ou que não leva jeito para estas coisas, embora seja muito estranho dizer que não tem tempo ou não leva jeito para se dedicar ao nosso bem mais precioso que é a nossa família. Pois, bem se o problema era falta de tempo, ele já não existe mais e se o problema e falta de jeito, é só arregaçar as mangas e, com fé e coragem, partir para a ação que, com certeza, as coisas irão melhorar.  

Indubitavelmente, a família é o esteio da sociedade e é nela, na fonte cristalina do lar, que poderemos encontrar força para lutar! Se soubermos aproveitar com sabedoria este momento, certamente bons frutos surgirão do outro lado, após a tempestade passar. Quiçá ouçamos o conselho da grande Tereza de Calcutá: “Quer fazer algo para promover a paz mundial? Vá para casa e ame a sua família”.

DICA DE LEITURA: “O ÓCIO CRIATIVO”

CRISE, UNIDADE E DUALIDADE

“O estado da dualidade é angustiante porque oscilamos entre alternativas opostas, sabemos no entanto, que existe uma Consciência Superior num Plano Unificado e que a felicidade maior consiste em estar em contato com essa Consciência” (Eva Pierrakos)

O Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta prega, insistentemente, a necessidade urgente do isolamento social, como forma preventiva de contenção da propagação do Corona Vírus. Contrariamente, na contra mão da história, o Presidente da República Jair Bolsonaro, seu chefe, sai às ruas abraçando o povo e questionando abertamente, em pronunciamentos oficiais, esta estratégia utilizada.

Um renomado profissional da área da saúde, convicto com seus dados, divulga um vídeo demonstrando os desastres a serem causados caso as medidas preventivas não sejam implantadas. Um grande e bem sucedido empresário, sentindo os impactos econômicos na carne, em um discurso inflamado, divulga outro vídeo apresentando as consequências catastróficas na economia, com ocorrências de mortes e fatalidades, caso o isolamento prossiga da forma como foi implantado.

Um grupo de amigos defende radicalmente e de forma inquestionável todas atitudes e medidas do Presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele é o grande salvador da pátria, livrando-nos dos comunistas dos infernos e dos “petralhas”. De outro lado, outro grupo defende da mesma forma radical e inquestionável, o Ex-Presidente Lula e seus partidários, afirmando, que na verdade é ele o grande salvador da pátria e que os “bolsomínios” são lacaios fascistas que vão destruir nosso País, com um breve retorno ao regime militar.

A forte impressão que fica é que estamos perdendo a essência, o foco no inimigo maior e nos digladiando na arena das feras coronovirais, enquanto elas contaminam ambos os lados, assistindo de camarote o enorme desastre que está sendo gerado.

Eva Pierrakos, escritora e grande mentora espiritual austríaca (1915-1979), em seu livro o “Caminho da Transformação”, em um dos capítulos, faz uma abordagem muito interessante sobre Unidade e a Dualidade e o enorme erro gerado quando os seres humanos abraçam de forma extremada e irredutível o posicionamento dualista que pode levar à auto destruição e à calamidade.

O Dualismo é uma concepção filosófica ou teológica do mundo baseada na presença de dois princípios ou duas substâncias ou duas realidades opostas, irredutíveis entre si e incapazes de uma síntese final ou de recíproca subordinação. De um lado existem os lobos e do outro as ovelhas não existe meio termo, como se não existissem pastores e todos homens fossem meros animais irracionais.

Essa concepção segue a mesma linha do Maniqueísmo, que se originou na Pérsia e foi amplamente difundido no Império Romano (século III d.C. e IV d.C.), cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), em localizar a matéria e a carne no reino das sombras (“sic”!), e em afirmar que ao homem se impunha o dever de ajudar à vitória do Bem por meio de práticas ascéticas, especialmente evitando a procriação e os alimentos de origem animal (“sic”!).

Segundo Pierrakos, no plano dualista, todas as questões terminam ou em vida ou em morte. Afirma que enquanto o ser humano seguir pensando e agindo como se o seu lado fosse o radicalmente verdadeiro e o do outro, de forma radicalmente oposta, o falso, maior será a destruição.

A solução, como afirma a escritora, é partir para o Plano Unificado, onde é imprescindível entender que não se trata necessariamente de uma questão de ou… ou, mas e… e, na mesma linha da filosofia Yin/Yang do Taoísmo, onde os pensamentos são opostos, mas ao mesmo tempo complementares.

Ninguém é dono da verdade da absoluta, a não ser Deus e, por mais que queiramos, ainda estamos longe, mas muito longe desta Verdade! É preciso que, essencialmente, haja uma mudança comportamental, quebra de paradigmas de forma a entender que, por mais que discordemos de um outro nosso irmão, em algum aspecto, por menor que seja, ele pode estar com a razão, admitir que, por mais difícil que seja, podem existir aspectos certos e errados em ambos os lados e que às vezes só não percebidos por que a fogueira das vaidades não permite enxergar.

Quem tem ouvidos que ouça! …