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DICAS DE LEITURA DA SEMANA

Dica de leitura da semana: “O Amadurecimento Moral do INFERNO”. Precisamos ler mais, pessoal! Vamos lá!

DICAS DE LEITURA

A 4ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada em 2016 identificou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro! É um dado assustador! Com o objetivo de estimular a boa leitura, contribuindo para reverter esta situação, a partir de então, estaremos divulgando semanalmente uma “Dica de Leitura” no nosso Blog. Curtam, divulguem, compartilhem e façam bom proveito! Segue a primeira.

OS MENDIGOS E A CARIDADE: MUHAMMAD YUNUS

Confesso que fiquei bastante incomodado com a fala de Muhammad Yunus, sobre a questão de dar esmola ayunus quem nos pede, extraído do livro “O banqueiro dos Pobres” – Editora Ática, 2000. É como dizia Padre Vieira, religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus que viveu no Brasil no século XVII: “O bom sermão não é aquele em que as pessoas saem felizes com o pregador, mas aquele onde as pessoas saem infelizes consigo mesmos” . Retransmito a fala do Yunus na íntegra abaixo.  Com todo o respeito, espero que vocês se sintam “infelizes”…

“…somos atacados por todos os lados por mendigos profissionais. Nossa primeira reação é dar-lhes uma esmola. Por que não? Por alguns tostões podemos aplacar nossa consciência. Quando somos abordados por um leproso com os dedos e as mãos devoradas pela doença, ficamos tão chocados que imediatamente levamos a mãos ao bolso e entregamos ao infeliz uma nota que para nós não é nada, mas representa uma fortuna para quem a recebe. Isso é útil? Não, e na maioria das vezes é até danoso.

Aquele que dá fica com a impressão de ter feito alguma coisa, mas não fez absolutamente nada.

Dar dinheiro dispensa-nos tranquilamente de encaramos o verdadeiro problema. Oferecendo uma soma irrisória, ficamos com a consciência limpa. Mas, na verdade, limitamo-nos a nos livrar provisoriamente do problema. Mas por quanto tempo?

A caridade não é uma solução, nem a longo nem no curto prazo. O mendigo passará para o outro carro seguinte e recomeçará e acabará por voltar a ver seu “benfeitor”, de quem agora precisa para viver. Se queremos sinceramente resolver o problema, precisamos nos envolver e dar início a um processo. Se o doador abrisse a porta do carro para perguntar ao mendigo qual é o seu problema, como se chama, que idade tem, se solicitou assistência médica, qual é a sua formação, então poderia talvez prestar-lhe um serviço. Mas entregar-lhe uma nota é implicitamente convidá-lo a sumir de vista para nos deixar em paz.  

Não condeno o dever moral da ajuda, nem o impulso que nos leva a ajudar os necessitados, condeno apenas a forma de que se reveste sua ajuda.

Do ponto de vista do beneficiário, a caridade pode ter efeitos desastrosos. Em muitos casos, ela desmotiva o mendigo a sair de sua situação. Quanto ao doente, ele nem sequer tenta se tratar, pois a cura significaria a perda dessa fonte de dinheiro. Há até mesmo casos, alardeados pela imprensa, de bandos de mendigos que punham recém-nascidos em potes para eles nascerem deformados; assim os mendigos profissionais poderiam transformá-los em instrumentos destinados a amolecer o coração dos passantes.

Em todos estes casos, a mendicância priva o homem de sua dignidade, dispensando-o de prover suas necessidades. Ela o incita à passividade. Não é suficiente ficar sentado e estender a mão para ganhar a vida?

Quando vejo uma criança mendigando, resisto ao impulso natural de dar. Preciso admitir que às vezes me acontece de dar a esmola, sobretudo quando a miséria é tão terrível – um doente, uma mãe cujo filho está à beira da morte – que não posso evitar levar a mão ao meu bolso e dar alguma coisa. Mas sempre que é possível, reprimo este impulso”. Muhammad Yunus – O Banqueiro dos Pobres – 2000

Parece que ele e Aristóteles andaram conversando sobre o assunto…

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MINISTRO DO MEIO AMBIENTE SARNEY FILHO VISITA MARIANA E FALA SOBRE A TRAGÉDIA DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BENTO RODRIGUES

SARNEY FILHOVale a pena refletir sobre as palavras do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, falando sobre a catástrofe do rompimento da Barragem de Bento Rodrigues. Infelizmente, as palavras do Ministro parecem reforçar o que a mídia vem exaustivamente divulgando sobre a ineficácia das medidas tomadas pela Samarco diante do desastre. É realmente uma grande lástima!
“Sobrevoei mais de 100 quilômetros ao longo do Rio Doce, passando pelo encontro do Carmo com o Piranga, pelo Gualaxo do Norte e, para minha tristeza, vi que a tragédia é continuada, ainda não se esgotou. A cor da água – aquela vermelhidão que carrega o DNA do derramamento da barragem, continua lá. A situação ainda é muito feia”…
BARRAGEM“Sobre a retomada das atividades da empresa, o primeiro aspecto que temos que deixar bastante claro é que essa tragédia ainda não se encerrou. Precisamos, antes de mais nada, ter certeza de que não há mais lama sendo derramada no leito dos rios. Hoje ainda não tenho essa convicção”…
“Sinceramente, não vou me comprometer com nada que possa facilitar a retomada dos trabalhos por parte da empresa. Não vou participar deste ato de assinatura (da declaração de conformidade que autorizou, em âmbito municipal, a retomada da operação da Samarco). Minha presença aqui não é para isto”. (Fonte: Revista Ecológico Nº 90 – Maio/Junho de 2016)

CURSO: ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA – O DESAFIO DO MILÊNIO

CSR - JUN16

A TRAGÉDIA EM MARIANA: DISCURSO DO PREFEITO DUARTE JÚNIOR NA COP 21 EM PARIS

DUARTE JÚNIORBelíssima a fala do Prefeito de Mariana Duarte Júnior na COP 21 em Paris. Como ele disse, “Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
Somos todos responsáveis…”

Aproveitando o espírito natalino, que esta tragédia sirva de reflexão e lição para uma mudança radical em termos de sustentabilidade, espiritualidade e consciência global.
Vejam na íntegra descrição do discurso:

“Com muita dor estou aqui hoje na França, na COP21, representando a primeira capital do estado de Minas Gerais. Cidade com uma história e arquitetura digna de ser respeitada e reconhecida como patrimônio da humanidade, algo que injustamente ainda não foi feito pela Unesco.
Uma história que produziu riquezas não só para Mariana, mas para toda humanidade. De 1800 a 1850, metade do ouro que era destinado para a Europa saiu de Mariana, e hoje, o nosso minério de ferro cobre o mundo. Com todo respeito e temor a Deus neste momento tenho consciência que sou a voz do pai da Emanuele, que foi literalmente arrancada dos braços dele por uma onda de lama.
No meu coração grita a voz dessa criança, que teve seu passado, presente e futuro engolidos por essa lama que seria apenas de rejeitos de minério de ferro, mas se tornou em uma lama carregada de dor, tristeza e incerteza. Essa lama apagou a comunidade de Bento Rodrigues do mapa, mas não de nossos corações.
Que essa lama desperte em todos nós o desejo de limpar nossos corações e almas de toda ganância, de todo egoísmo, amor ao dinheiro, que não nos deixa ver o futuro. Escolho essa criança para simbolizar todas as vítimas, pois na morte de uma criança morre todo um futuro. Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
A lama que tem invadido a humanidade não é apenas a lama da Mineradora Samarco, é a lama do consumismo desenfreado e desequilibrado. Somos todos responsáveis pela exploração em grande escala do minério de ferro, do petróleo, das madeiras encontradas cada vez em menor número na Floresta Amazônica do meu amado país, o Brasil.
Observei, nesse contexto, com muita tristeza, os atentados que aconteceram aqui França. Não podemos aceitar a mesma intolerância irracional retroalimentada silenciosamente pelos radicais, que se expressam através de terroristas suicidas e suas ações bárbaras chocando nações, vítimas de seus atentados e mobilizando o mundo contra os seus atos. Posto aqui, sem hesitar e sem medo de errar, que o planeta também comunga desse sentimento de reprovação e indignação. Só que, no caso do planeta, esse sentimento de repulsa se dá contra toda a humanidade, que vem atentando de forma suicida contra o planeta. Sim, hoje todos nós temos um pouco de terrorista, que cometemos ou nos omitimos, e permitimos que se cometam atentados suicidas no mundo. E essa intolerância radical da humanidade é alimentada, grande parte das vezes, por mais lucros.
Como fala o próprio Deus através do nosso amado Apóstolo Paulo na carta aos Romanos: “A criação geme com dores de parto”. Não podemos ignorar todo o meio ambiente olhando somente para o conforto de nossos ambientes particulares. Nós marianenses sabemos melhor que ninguém como é importante e bom ser rico em recursos naturais! Somos gratos a Deus pelos recursos naturais e reconhecemos a importância da mineração.
Sabemos dos benefícios na economia e na qualidade de vida. Não sou contra a mineração e nem contra empresas mineradoras. Sou contra o desequilíbrio, sou contra a má distribuição dos lucros, sou contra viver o presente matando o futuro, sou contra a ganância. Nada sem equilíbrio permanece em pé.
Precisamos urgentemente de equilibrarmos com o meio ambiente. Tornamo-nos literalmente pesados para natureza e ela não está suportando mais. Temos que pensar e agir como pessoas movidas por sabedoria e não por instinto. Hoje sou a voz das vitimas, voz de uma cidade dependente da mineração, voz de uma cidade que acordou em favor do meio ambiente.
Aprendi que às vezes quando tudo dá errado, acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo. Com essa visão, quero em meio a toda essa lama que matou pessoas, peixes, tartarugas marinhas, aves, plantas e rios; em meio a toda essa morte quero enxergar vida, ver uma nova forma de fazer barragens, uma forma de se reciclar o rejeito, uma forma de diversificar a economia, uma nova forma de se viver o presente sem esquecer o futuro.
Nossa intenção agora é buscar parceiros que queiram ir para a primeira cidade das Minas Gerais, buscar parceiros que amam o meio ambiente, empresas que queiram ajudar a cidade a ser um exemplo para o mundo em desenvolvimento sustentável!
Como uma águia que vê lá na frente e que olha por cima das nuvens, vejo um belo horizonte, olho e vejo um novo Bento, vejo uma nova Paracatu, vejo uma nova Mariana com amor e respeito pelo meio ambiente! Vejo um planeta bem melhor! É nosso dever defender e preservar o meio ambiente, criado e entregue por Deus para desfrute e uso comum de todos os seres vivos!
Quero agradecer a Deus por ter nos dado força nos momentos mais difíceis, a cada pessoa que nos ajudou de alguma forma e também ao povo marianense pelo exemplo de garra e hombridade! Deus abençoe a todos!”

SAMARCO EM XEQUE: A ÉTICA, A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O ROMPIMENTO DAS BARRAGENS

BARRAGEMA notícia do rompimento das barragens da Samarco tomou conta, de forma trágica e alarmante, nos últimos dias, do noticiário nacional. A catástrofe atingiu proporções incomensuráveis, deixando um rastro de destruição e terror por todos os locais onde a lama proveniente do rompimento passa, contaminando rios e matas e atravessando dois Estados, até chegar ao mar. Os impactos profundos não se restringiram apenas aos aspectos ambientais, mas também aos econômicos, políticos e sociais. O povoado de Bento Rodrigues, o mais próximo das barragens e traumaticamente o mais impactado, sumiu do mapa. A população foi surpreendida com um dilúvio de lama sem ter tempo para escapar. Várias pessoas morreram enlameadas e os remanescentes, em desespero, perderam tudo que tinham e ficaram sem lugar para morar. No meio disto tudo, a empresa agoniza, sendo energicamente atacada por todos os lados. Alguns já dizem que dificilmente ela irá sobreviver e voltar a operar, tamanho o desafio que terá de enfrentar.
No meio deste turbilhão, uma das questões que chama a atenção nisto tudo é o fato de a Samarco durante longos anos ter sido considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no País. Em 2015 foi eleita pela quinta vez – sendo o terceiro ano consecutivo – a melhor mineradora do Brasil pelo anuário “Melhores e Maiores” da Revista Exame. Suas crenças e valores foram proclamadas em destaque. Vale a pena abrir aqui um espaço para transcrever na íntegra o que consta em seu site, falando em termos de Missão, Visão e Valores Organizacionais. Tomei a iniciativa de incluir alguns negritos para dar mais ênfase aso aspectos fundamentais.

A Samarco acredita e pratica a mineração responsável, por meio de seus pilares de gestão: Excelência, para fazer sempre mais e melhor; Crescimento, visando gerar e compartilhar valor com solidez e competência; e Conformidade, para nos manter sempre em sintonia com as diretrizes, normas e leis. Temos em nosso DNA a participação no desenvolvimento das comunidades vizinhas, a construção de relação de confiança com nossos parceiros, e, acima de tudo, o respeito à vida. Esses conceitos sintetizam os objetivos traçados em nossa Missão, Visão e Valores organizacionais, garantindo que o desenvolvimento da Samarco se reflita também nas regiões onde atuamos e com os públicos com os quais nos relacionamos.

Missão:
Produzir e fornecer pelotas de minério de ferro, aplicando tecnologia de forma intensiva para otimizar o uso de recursos naturais e gerando desenvolvimento econômico e social, com respeito ao meio ambiente.
Visão 2022:
Dobrar o valor da empresa e ser reconhecida por empregados, clientes e sociedade como a melhor do setor.
Valores:
Respeito às pessoas
Prezamos pela vida acima de quaisquer resultados e bens materiais. Respeitamos o direito à individualidade, sem discriminação de qualquer natureza, e honramos, com nossa responsabilidade, o bem-estar das pessoas e da sociedade, assim como o cuidado com o meio ambiente, por meio da utilização correta dos recursos necessários às nossas atividades.
Acreditamos em nosso papel influenciador e contributivo para o desenvolvimento social e econômico do País, visando ao futuro das próximas gerações.
Integridade
Atuamos com seriedade no cumprimento às leis e respeito aos princípios morais, primando pela dignidade e ética nas relações. Adotamos uma postura honesta e transparente com todas as partes envolvidas em nosso negócio.
Mobilização para resultados
Gostamos de superar os objetivos e metas estabelecidos e temos perseverança em fazer melhor a cada dia, com criatividade, cooperação e simplicidade, buscando constantemente o conhecimento e a geração de ideias inovadoras, para o atingimento de resultados diferenciados e duradouros.

Uau! Não são necessário maiores comentários sobre a magnitude e a profundidade do descrito em termos de valorização e respeito aos seus empregados, às pessoas, às comunidades, à legislação, à vida e ao meio-ambiente, além da propagada “Competência e Excelência, para fazer sempre mais e melhor”.

Mediante tudo isto, fica no ar uma pergunta que não quer se calar: se isto tudo dito acima é verdade, o que aconteceu com a Samarco?

As teorias em termos de gestão de responsabilidade social afirmam que as empresas podem ser enquadradadas em quatro grandes grupos:

High-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto e divulgam o que fazem.

Low-Profile: são empresas que estão profundamente preocupadas com o aspecto socioambiental, investem pesadamente neste aspecto, mas não divulgam o que fazem.

No-Profile: são empresas que não estão preocupadas com o aspecto socioambiental, não investem neste aspecto, mas também não divulgam que fazem.

False-Profile ou Green-Washing: são empresas que somente aparentam estar preocupadas com o aspecto socioambiental, mas verdadeiramente não investem e não estão preocupadas com este aspecto, no entanto divulgam em altos brados que acreditam e fazem. No fundo estão realmente preocupadas com o lucro obsessivo e imediato. Travestem-se de “verde” para manter as aparências e maximizar cada vez mais os lucros de acionistas insanos e insensatos.

A questão que a Samarco tem a responder neste momento é em qual destes grupos ela verdadeiramente se enquadra. Apesar da tragédia e da colossal falha em vias de ser comprovada, se ela conseguir transformar seu belo discurso em ações efetivas, rápidas e práticas e provar que é de fato uma “high-profile”, poderá sobreviver e sair deste furacão mais fortalecida e preparada. A seu favor, alguns empregados e membros das comunidades envolvidas, preocupados com o futuro ainda pior caso a empresa seja destivada, já estão se movimentando em sua defesa, de forma espontânea e bem embasada.

Vejamos e aprendamos com o desenrolar dos fatos.

Que Deus dê esperança e conforto a todas as vítimas da tragédia e ilumine o caminho dos líderes e das autoridades responsáveis para encontrar o melhor caminho para mitigar os efeitos de tamanha calamidade.