Archive for the ‘ REFLEXÃO ’ Category

MENSAGEM DE PAZ

Em meio a um mundo dilacerado por guerras, com tantos Assads, Trumps, Putins, Kim Jongs, Maduros e outros mais soltos por aí, o Papa Francisco dá o seu recado. Pena que poucos conseguem ouvir… Um final de semana de muita paz para todos nós!

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Então é Natal! Imagine!…

natalEntão é Natal! Imagine!…

Imagine que o Estado Islâmico se converteu à essência do Espírito Cristão e se transformou em uma organização mundial na luta pela paz e pela fraternidade…

Imagine que  a guerra civil na Síria acabou e Alepo, como num passe de mágica, foi totalmente reconstruída e as famílias, com suas crianças, puderam voltar em paz para suas casas para celebrar o Natal…

Imagine que a paz tomou conta dos povos do Oriente Médio e cristãos, judeus e mulçumanos se abraçaram, formando uma corrente de respeito, harmonia e tranquilidade…

Imagine que as fábricas de armas  do mundo inteiro fecharam e se transformaram em fábricas de produção de alimentos, roupas e moradias de baixo custo e centros de saúde para atender as populações carentes…

Imagine que não existe mais discriminação por questões de cor, raça, sexo, religião, aparência, condição social ou qualquer outra que possa existir…

Imagine que todos os corruptos do Brasil e do mundo inteiro se converteram e se transformaram em um exemplo de respeito humano, lisura e integridade…

Imagine que nossos Senadores, Deputados e Vereadores aprovaram um Projeto de Lei reduzindo drasticamente seus salários, seus benefícios e suas verbas indenizatórias, assumindo um espírito de doação e dedicação verdadeira à coisa pública…

Imagine que o nosso salário mínimo tornou-se capaz de atender as nossas necessidades vitais básicas e das nossas famílias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, conforme reza o Artigo VII da nossa Constituição Brasileira…

Imagine que os índices de criminalidade no nosso País caíram a um nível muito pequeno e que a população voltou a poder andar tranquilamente pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite, sentar em frente às suas casas ou nas praças com os amigos e vizinhos para conversar após o horário de trabalho, sem medo de ser assaltada…

Imagine que eu, você e todo mundo vamos, como seres humanos que somos, reconhecer nossos próprios erros e lutar conscientemente pela busca da perfeição e do amor ao próximo…

Então é Natal! Imagine, imagine, imagine e faça a sua parte!…

“Como seres humanos, a nossa grandeza não está em sermos capazes de refazer o mundo, mas em sermos capazes de refazer a nós mesmos”… (Gandhi)

OS MENDIGOS E A CARIDADE: MUHAMMAD YUNUS

Confesso que fiquei bastante incomodado com a fala de Muhammad Yunus, sobre a questão de dar esmola ayunus quem nos pede, extraído do livro “O banqueiro dos Pobres” – Editora Ática, 2000. É como dizia Padre Vieira, religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus que viveu no Brasil no século XVII: “O bom sermão não é aquele em que as pessoas saem felizes com o pregador, mas aquele onde as pessoas saem infelizes consigo mesmos” . Retransmito a fala do Yunus na íntegra abaixo.  Com todo o respeito, espero que vocês se sintam “infelizes”…

“…somos atacados por todos os lados por mendigos profissionais. Nossa primeira reação é dar-lhes uma esmola. Por que não? Por alguns tostões podemos aplacar nossa consciência. Quando somos abordados por um leproso com os dedos e as mãos devoradas pela doença, ficamos tão chocados que imediatamente levamos a mãos ao bolso e entregamos ao infeliz uma nota que para nós não é nada, mas representa uma fortuna para quem a recebe. Isso é útil? Não, e na maioria das vezes é até danoso.

Aquele que dá fica com a impressão de ter feito alguma coisa, mas não fez absolutamente nada.

Dar dinheiro dispensa-nos tranquilamente de encaramos o verdadeiro problema. Oferecendo uma soma irrisória, ficamos com a consciência limpa. Mas, na verdade, limitamo-nos a nos livrar provisoriamente do problema. Mas por quanto tempo?

A caridade não é uma solução, nem a longo nem no curto prazo. O mendigo passará para o outro carro seguinte e recomeçará e acabará por voltar a ver seu “benfeitor”, de quem agora precisa para viver. Se queremos sinceramente resolver o problema, precisamos nos envolver e dar início a um processo. Se o doador abrisse a porta do carro para perguntar ao mendigo qual é o seu problema, como se chama, que idade tem, se solicitou assistência médica, qual é a sua formação, então poderia talvez prestar-lhe um serviço. Mas entregar-lhe uma nota é implicitamente convidá-lo a sumir de vista para nos deixar em paz.  

Não condeno o dever moral da ajuda, nem o impulso que nos leva a ajudar os necessitados, condeno apenas a forma de que se reveste sua ajuda.

Do ponto de vista do beneficiário, a caridade pode ter efeitos desastrosos. Em muitos casos, ela desmotiva o mendigo a sair de sua situação. Quanto ao doente, ele nem sequer tenta se tratar, pois a cura significaria a perda dessa fonte de dinheiro. Há até mesmo casos, alardeados pela imprensa, de bandos de mendigos que punham recém-nascidos em potes para eles nascerem deformados; assim os mendigos profissionais poderiam transformá-los em instrumentos destinados a amolecer o coração dos passantes.

Em todos estes casos, a mendicância priva o homem de sua dignidade, dispensando-o de prover suas necessidades. Ela o incita à passividade. Não é suficiente ficar sentado e estender a mão para ganhar a vida?

Quando vejo uma criança mendigando, resisto ao impulso natural de dar. Preciso admitir que às vezes me acontece de dar a esmola, sobretudo quando a miséria é tão terrível – um doente, uma mãe cujo filho está à beira da morte – que não posso evitar levar a mão ao meu bolso e dar alguma coisa. Mas sempre que é possível, reprimo este impulso”. Muhammad Yunus – O Banqueiro dos Pobres – 2000

Parece que ele e Aristóteles andaram conversando sobre o assunto…

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A TRISTE E INCRÍVEL HISTÓRIA DO SAPO BARBUDO QUE VIROU PRÍNCIPE E SUA TRÁGICA DERROCADA

SAPOHá muito tempo atrás, em uma terra distante, tórrida e torrada pelo calor do sol escaldante, vivia à beira de uma lagoa que raramente tinha água, um jovem sapo, sonhador e cheio de ideias.
Ficava observando seus companheiros esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados e sonhava com uma vida melhor, mais digna e respeitosa para todos da sua comunidade. Já na sua tenra idade, conseguia enxergar que existiam sapos e príncipes e ficava pensando o que ele deveria fazer para um dia ser príncipe como alguns poucos que existiam por lá.
Um dia sua mãe resolveu partir daquelas terras em busca de uma vida melhor levando-o e a seus irmãos para “navegar em outros mares”. Com lágrimas nos olhos, partiram deixando os companheiros e a terra amada para trás. A viagem foi dura, cansativa e distante, mas enfim conseguiram chegar.
Chegando à terra prometida, o sonho de uma vida melhor não chegou tão facilmente como esperavam. Lá também, da mesma forma, existiam muitos sapos esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados, só que com mais príncipes, sentados em seus tronos dourados.
O tempo foi passando e ele crescendo e se desenvolvendo. Para conseguir o seu sustento e o sustento dos seus familiares, muito cedo teve que começar a batalhar. A vida ali não era igual à vida que ele tinha no lugar que anteriormente morava, onde a lagoa e a terra, apesar das dificuldades, supriam suas necessidades. Neste novo mundo, ele tinha que andar muito e se juntar a vários outros companheiros em uma fábrica para trabalhar e conseguir se sustentar. Os dias foram passando e ele começou a perceber que a vida ali era tão dura quanto a vida que tinha por lá. Percebeu também que, depois do trabalho, alguns companheiros se juntavam em um lugar fora da fábrica para discutir seus problemas e tentar solucioná-los. Curioso como era, ele um dia resolveu juntar-se a eles para ver como aquilo funcionava, quem sabe achava um caminho para sua vida melhorar.
No primeiro dia, manteve-se em um canto, só observando, meio desconfiado. No entanto, gostou muito do que viu e ouviu e decidiu que iria voltar. Nestas alturas ele já era grande e uma barba espessa tomava conta da sua cara. Pouco a pouco foi se entrosando com os novos companheiros e foi aprendendo a se manifestar. Naquele lugar tinha o canal que estava precisando para suas insatisfações desabafar. Com o tempo, aprendeu a colocar suas ideias em ordem e com uma eloquência incrível a expressá-las, reivindicando de forma entusiasmada uma vida mais digna para ele e para seus e seus companheiros de batalha. O tempo foi passando e seu discurso tornou-se contagiante, carismático; aprendeu a subir nos palanques e a falar em altos brados para a multidão que, em êxtase, o exaltava!
Ele foi crescendo, crescendo e cada dia mais sapos apareciam para vê-lo falar e juntos seus direitos reivindicar! Ele então criou um movimento estrondoso que fez muitos príncipes tremerem nas bases. Assustados com a repercussão do movimento criado, mandaram prendê-lo, mas algum tempo depois foi solto e, para desespero dos príncipes, foi aí que cresceu ainda mais! E o sapo barbudo foi crescendo tanto que de sapo foi se transformando em príncipe e com os príncipes começou a legislar, levando vários de seus companheiros para ajudá-lo. No princípio somente sentavam-se com os príncipes para negociar, mas depois foram se deixando contaminar. Alguns companheiros, fiéis aos princípios originais e assustados com o desenrolar dos fatos, discordaram e, no meio do conflito, começaram ase se debandar.
E o sapo barbudo foi se tornando cada vez maior, mais brilhante até chegar ao trono máximo do principado. Sua barba já não era tão grande e ele já se confundia perfeitamente com os demais príncipes do reinado. Ficou famoso e sua fama extrapolou os limites do reino, tornando-se um líder carismático. Vários companheiros que continuaram fieis a ele, foram também alçados ao patamar do trono, ao seu lado.
Infelizmente, nesta altura dos acontecimentos, um triste e chocante fenômeno já estava tomando conta do cenário. O dinheiro, a vaidade e a paixão pelo poder começaram a deixar o sapo-príncipe a seus companheiros obnubilados, esquecendo os princípios nobres do passado. Propinas e conluios tornaram-se comuns e passaram a fazer parte da estratégia deles para governar. No meio desta trama, alguns companheiros foram flagrados cometendo crimes inafiançáveis. Vários foram presos e perderem os seus cargos. O sapo-príncipe, de forma inacreditável, conseguiu escapar e seu principado continuar, mas sua imagem foi ficando cada vez mais contaminada.
Passaram-se os anos e o sapo-príncipe teve seus dias de principado expirados. Era o momento, aproveitando a oportunidade, de partir para uma aposentadoria e curtir os louros do passado, mas a vaidade e a fome de poder, como um visgo, não o deixaram. Arrumou, como que do nada, uma companheira de partido e forçou sua entrada para ocupar o lugar que tinha deixado. Criou una criatura e colocou-a no trono mas, no fundo, o que ele queria mesmo era continuar a governar. Os desencontros foram aumentando e a coisa foi tornando-se cada vez mais complicada e daí para frente, sua carreira foi caindo em derrocada. A companheira sentada no trono transformou-se em um verdadeiro desastre! Faltava-lhe tudo: competência, carisma e experiência para ocupar o trono máximo do principado. O sapo-príncipe tentou ajudá-la, mas era impossível, ele não tinha mais nenhuma credibilidade e nem força para transformá-la. Os podres do passado foram despontando e a fedentina começou a se espalhar por todos os lados. Um turbilhão de dinheiro desviado e surrupiado, formando como um furacão foi destruindo todo o reinado. Criador e criatura caíram em um abismo profundo provocando descontentamento e perdas de valores incalculáveis. Um certo dia, um juiz intimorato enviou alguns homens de negro e distintivo no peito para buscá-lo em sua casa. A criatura, do alto de seu trono, revoltou-se e quis ajudá-lo, tentando levá-lo para o seu lado, mas já não tinha força para tal fato. A incompetência e a corrupção tinham contaminado todo o seu principado. O poder foi caindo-lhe entre os dedos de forma irrecuperável. Num último momento, os príncipes poderosos se reuniram e arrancam-na a fórceps do trono, colocando fim ao seu reinado. Em meio a gritos de golpe, criador e criatura desceram a rampa e ainda não se sabe que rumo irão tomar.
O final da história ainda está para se contar. Só se sabe que a crença anfíbia em um mito salvador da pátria evaporou-se e perdeu-se pelo espaço. Um monte de sapos tristes ficou pelos caminhos esperando desesperançados que um dia um sapo-príncipe apareça de novo para salvá-los…

OS HOMENS DE DISTINTIVO E UNIFORME PRETO E O ALIENISTA: UMA LIÇÃO PARA PENSAR

JAPOCANos últimos tempos tem sido recorrente na mídia, por diversas vezes, a imagem de um descendente de japonês usando óculos escuros, uniforme preto, colete e distintivo da Polícia Federal, acompanhado por um grupo de companheiros de farda, levando um figurão detido para alguns dos porões da entidade. A meu ver, a cena, na maioria das vezes, é resultado de uma decisão judicial extremada e da espetacularização da ocorrência, que poderia perfeitamente ser dispensada. A mais recente vítima deste espetáculo, como todos sabem, foi um Ex-Presidente da República que, possivelmente, levado por questões de paixão pelo poder e de vaidade exarcebada, acabou se contaminando e expondo de forma lamentável a si e a seus familiares.
Absolutamente não advogo a defesa do bando de corruptos que assolam o Brasil, dilapidando de forma vergonhosa o patrimônio do nosso País e, muito menos, acho que eles devem ser inocentados. Concordo que a lei tem que ser cumprida, independentemente da classe social, religião, partido político ou status, mas entendo que não é necessário tomar as proporções radicais, alarmantes e perigosas que vem tomando nos noticiários.
O contexto que estamos vivendo lembra-me o Alienista, uma obra consagrada do grande Machado de Assis. Nela, o escritor narra a estória de um famoso psiquiatra que vai morar em uma cidadezinha do interior e começa a clinicar. Chegando lá, abre um consultório e um manicômio para enclausurar seus pacientes em busca de um tratamento adequado. No início do seu trabalho, após iniciar algumas consultas, determina o enclausuramento de alguns cidadãos realmente tresloucados. O problema é que, com o passar do tempo, influenciado por questões políticas e/ou não cientificamente justificadas, começa a determinar o enclausuramento dos figurões do lugar. O tempo foi passando e, no final, a grande maioria da população estava toda enclausurada. Assustado com o resultado inusitado do seu trabalho, após uma profunda reflexão, chega à conclusão que, na verdade, o louco o era ele e resolve determinar a soltura de todos e a si mesmo encalusurar.
Creio que o Alienista tem uma bela lição a nos ensinar. Daqui há pouco, pode ser que apareça na mídia a imagem do japonês de óculos escuros sendo o mais novo trancafiado. Precisamos tomar cuidado! Começo a não saber se devo ter mais medo do ladrão ou do homem de preto batendo à minha porta, querendo me levar…

O COLISEU, O PÃO E O CIRCO E A VOLTA À BARBÁRIE

DSC03496Recentemente, durante minhas andanças pela Europa, tive oportunidade de visitar Roma e o Coliseu. Sem sombra de dúvida, é uma obra realmente grandiosa e fascinante! Sua construção foi iniciada pelo imperador Vespasiano entre 70 e 90 d.C e tinha capacidade para 50.000 pessoas. Servia de palco para lutas e massacres, numa verdadeira carnificina entre feras e seres humanos trucidados. A galera, empoleirada pelas arquibancadas, aplaudindo o espetáculo, vibrava a cada homem ou animal que era sangrentamente na arena estraçalhado.COLISEU
Na verdade, o Coliseu foi construído no intuito de engabelar o povo, era a política do pão e circo que imperava. O povo se acotovelava pelas periferias de Roma, vivendo em habitações sem o mínimo conforto e espaço e nenhum saneamento básico. Eram explorados e escravizados e ainda tinham de contribuir com pesados impostos para manter o luxo de uma elite assoberbada. A política do pão e circo servia para distrair e enganar, mantendo a multidão alienada. No dia a dia, os problemas não só persistiam, mas se agravavam.
Mais de dois mil anos se passaram e parece que a política do pão e circo continua a vigorar. Estádios colossais são construídos e reconstruídos MINEIRÃO com o dinheiro do povo, alguns são iniciados e nem mesmo são acabados. Muitas das vezes, antes, durante e depois dos espetáculos, nas arquibancadas e nas arenas, os contendores se engalfinham em brigas violentas, tirando a vida de seus semelhantes, distribuindo porretadas e cacetadas. Enquanto alguns poucos enchem os bolsos, alheios a esta bagunça gerada, muitos perdem a vida nesta loucura desvairada.BRIGA NO ESTÁDIO

Em outras arenas, ARENA UFCtendo no meio um ringue, dois trogloditas trocam violentas porradas, enquanto uma multidão aplaude efusiva cada golpe traumatizante e certeiro que um no outro é desfechado. Não importa quantos fêmures com fratura exposta ao vivo e a cores são quebrados, o importante é que tudo seja festejado. Quem arrebenta literalmente com o outro, é aclamado como um grande líder, vira milionário, passa a dar entrevistas e aparece em todos os noticiários. Tudo isso é divulgado ao vivo e a cores e uma multidão eufórica assiste a tudo alucinada.UFC
Enquanto isto acontece, continua faltando moradia, saneamento, escolas, segurança e hospitais, sem contar os impostos “impostos” e pesados que o povo é obrigado a pagar. Surge sempre um novo espetáculo, entra festa e sai festa e tudo continua como está. Mais arenas, mais ringues e mais palcos continuam sendo montados. O pão e o circo não podem parar…
Os imperadores se foram, Roma antiga virou pedra sobre pedra e o Coliseu ruiu, deixando uma triste e trágica lembrança das loucuras absurdas cometidas pelo homem no passado. Ás vezes fico a me perguntar quando chegará o tempo em que os absurdos que vivemos também ficarão como tristes e trágicas lembranças do passado?

NOBREZA

NOBREZA - 28-10-14