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DICAS DE LEITURA

A 4ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada em 2016 identificou que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro! É um dado assustador! Com o objetivo de estimular a boa leitura, contribuindo para reverter esta situação, a partir de então, estaremos divulgando semanalmente uma “Dica de Leitura” no nosso Blog. Curtam, divulguem, compartilhem e façam bom proveito! Segue a primeira.

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MINISTRO DO MEIO AMBIENTE SARNEY FILHO VISITA MARIANA E FALA SOBRE A TRAGÉDIA DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BENTO RODRIGUES

SARNEY FILHOVale a pena refletir sobre as palavras do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, falando sobre a catástrofe do rompimento da Barragem de Bento Rodrigues. Infelizmente, as palavras do Ministro parecem reforçar o que a mídia vem exaustivamente divulgando sobre a ineficácia das medidas tomadas pela Samarco diante do desastre. É realmente uma grande lástima!
“Sobrevoei mais de 100 quilômetros ao longo do Rio Doce, passando pelo encontro do Carmo com o Piranga, pelo Gualaxo do Norte e, para minha tristeza, vi que a tragédia é continuada, ainda não se esgotou. A cor da água – aquela vermelhidão que carrega o DNA do derramamento da barragem, continua lá. A situação ainda é muito feia”…
BARRAGEM“Sobre a retomada das atividades da empresa, o primeiro aspecto que temos que deixar bastante claro é que essa tragédia ainda não se encerrou. Precisamos, antes de mais nada, ter certeza de que não há mais lama sendo derramada no leito dos rios. Hoje ainda não tenho essa convicção”…
“Sinceramente, não vou me comprometer com nada que possa facilitar a retomada dos trabalhos por parte da empresa. Não vou participar deste ato de assinatura (da declaração de conformidade que autorizou, em âmbito municipal, a retomada da operação da Samarco). Minha presença aqui não é para isto”. (Fonte: Revista Ecológico Nº 90 – Maio/Junho de 2016)

A TRAGÉDIA EM MARIANA: DISCURSO DO PREFEITO DUARTE JÚNIOR NA COP 21 EM PARIS

DUARTE JÚNIORBelíssima a fala do Prefeito de Mariana Duarte Júnior na COP 21 em Paris. Como ele disse, “Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
Somos todos responsáveis…”

Aproveitando o espírito natalino, que esta tragédia sirva de reflexão e lição para uma mudança radical em termos de sustentabilidade, espiritualidade e consciência global.
Vejam na íntegra descrição do discurso:

“Com muita dor estou aqui hoje na França, na COP21, representando a primeira capital do estado de Minas Gerais. Cidade com uma história e arquitetura digna de ser respeitada e reconhecida como patrimônio da humanidade, algo que injustamente ainda não foi feito pela Unesco.
Uma história que produziu riquezas não só para Mariana, mas para toda humanidade. De 1800 a 1850, metade do ouro que era destinado para a Europa saiu de Mariana, e hoje, o nosso minério de ferro cobre o mundo. Com todo respeito e temor a Deus neste momento tenho consciência que sou a voz do pai da Emanuele, que foi literalmente arrancada dos braços dele por uma onda de lama.
No meu coração grita a voz dessa criança, que teve seu passado, presente e futuro engolidos por essa lama que seria apenas de rejeitos de minério de ferro, mas se tornou em uma lama carregada de dor, tristeza e incerteza. Essa lama apagou a comunidade de Bento Rodrigues do mapa, mas não de nossos corações.
Que essa lama desperte em todos nós o desejo de limpar nossos corações e almas de toda ganância, de todo egoísmo, amor ao dinheiro, que não nos deixa ver o futuro. Escolho essa criança para simbolizar todas as vítimas, pois na morte de uma criança morre todo um futuro. Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
A lama que tem invadido a humanidade não é apenas a lama da Mineradora Samarco, é a lama do consumismo desenfreado e desequilibrado. Somos todos responsáveis pela exploração em grande escala do minério de ferro, do petróleo, das madeiras encontradas cada vez em menor número na Floresta Amazônica do meu amado país, o Brasil.
Observei, nesse contexto, com muita tristeza, os atentados que aconteceram aqui França. Não podemos aceitar a mesma intolerância irracional retroalimentada silenciosamente pelos radicais, que se expressam através de terroristas suicidas e suas ações bárbaras chocando nações, vítimas de seus atentados e mobilizando o mundo contra os seus atos. Posto aqui, sem hesitar e sem medo de errar, que o planeta também comunga desse sentimento de reprovação e indignação. Só que, no caso do planeta, esse sentimento de repulsa se dá contra toda a humanidade, que vem atentando de forma suicida contra o planeta. Sim, hoje todos nós temos um pouco de terrorista, que cometemos ou nos omitimos, e permitimos que se cometam atentados suicidas no mundo. E essa intolerância radical da humanidade é alimentada, grande parte das vezes, por mais lucros.
Como fala o próprio Deus através do nosso amado Apóstolo Paulo na carta aos Romanos: “A criação geme com dores de parto”. Não podemos ignorar todo o meio ambiente olhando somente para o conforto de nossos ambientes particulares. Nós marianenses sabemos melhor que ninguém como é importante e bom ser rico em recursos naturais! Somos gratos a Deus pelos recursos naturais e reconhecemos a importância da mineração.
Sabemos dos benefícios na economia e na qualidade de vida. Não sou contra a mineração e nem contra empresas mineradoras. Sou contra o desequilíbrio, sou contra a má distribuição dos lucros, sou contra viver o presente matando o futuro, sou contra a ganância. Nada sem equilíbrio permanece em pé.
Precisamos urgentemente de equilibrarmos com o meio ambiente. Tornamo-nos literalmente pesados para natureza e ela não está suportando mais. Temos que pensar e agir como pessoas movidas por sabedoria e não por instinto. Hoje sou a voz das vitimas, voz de uma cidade dependente da mineração, voz de uma cidade que acordou em favor do meio ambiente.
Aprendi que às vezes quando tudo dá errado, acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo. Com essa visão, quero em meio a toda essa lama que matou pessoas, peixes, tartarugas marinhas, aves, plantas e rios; em meio a toda essa morte quero enxergar vida, ver uma nova forma de fazer barragens, uma forma de se reciclar o rejeito, uma forma de diversificar a economia, uma nova forma de se viver o presente sem esquecer o futuro.
Nossa intenção agora é buscar parceiros que queiram ir para a primeira cidade das Minas Gerais, buscar parceiros que amam o meio ambiente, empresas que queiram ajudar a cidade a ser um exemplo para o mundo em desenvolvimento sustentável!
Como uma águia que vê lá na frente e que olha por cima das nuvens, vejo um belo horizonte, olho e vejo um novo Bento, vejo uma nova Paracatu, vejo uma nova Mariana com amor e respeito pelo meio ambiente! Vejo um planeta bem melhor! É nosso dever defender e preservar o meio ambiente, criado e entregue por Deus para desfrute e uso comum de todos os seres vivos!
Quero agradecer a Deus por ter nos dado força nos momentos mais difíceis, a cada pessoa que nos ajudou de alguma forma e também ao povo marianense pelo exemplo de garra e hombridade! Deus abençoe a todos!”

ANÁLISE DE RISCO QUANTITATIVA NA MINERAÇÃO

bentoO Artigo abaixo é de autoria de Ricardo Coelho, Engenheiro Eletricista e um grande amigo de longas jornadas. O Ricardo faz uma abordagem com maestria sobre o histórico do rompimento de barragens nos últimos anos e os riscos envolvidos com este rompimento. Uma análise de altíssimo nível que merece ser lida e compartilhada.

“O último acidente com rompimento de barragem de rejeito ocorrido em Mariana nos faz refletir bastante sobre suas consequências para as famílias das vitimas, para o meio ambiente, economia da região, enfim um desastre catastrófico que obviamente nos faz realizar todos os tipos de perguntas, suposições e julgamentos.
O objetivo desse texto não é de falar sobre as possíveis causas, responsabilidades ou fazer qualquer tipo de pré-julgamento sobre o acidente, mas sim chamar a atenção do porque normalmente não realizamos e atualizamos nossas análises de riscos baseadas em quantitativos a partir de dados estatísticos durante as fases de projeto, manutenção e operação em nossas minerações.
Em 2014 tivemos um acidente com rompimento de uma barragem de rejeitos de minério em Itabirito da empresa Herculano com três fatalidades e agora o acidente da Samarco em Mariana de proporções catastróficas. Não teríamos dados estatísticos sobre acidentes com barragens de rejeitos no mundo?
Um trabalho realizado por alguns especialistas canadenses há pouco mais de um mês, escrito de 26 a 28 de outubro de 2015, portanto antes do acidente da Samarco, chamado: “Tailings facility failures in 2014 and an update on failure statistics” link ao lado (http://www.infomine.com/library/publications/docs/Caldwell2015.pdf) apresenta números muito interessantes sobre acidentes com barragens de rejeitos em todo o mundo.
O estudo afirma que derrames catastróficos de rejeitos estão ocorrendo com frequência crescente em todo o mundo e que metade das falhas graves e muito graves em barragens, 33 das 67 dos últimos 70 anos ocorreu exatamente nos últimos 20 anos. O cálculo da taxa de falhas é muito simples, considerando 67 falhas em 70 anos e cerca de 3.500 barragens no mundo atualmente, temos: 67 / (3500 x 70) = 2.7 x 10-4. Realizando o mesmo cálculo para os acidentes muito graves nos últimos 20 anos, temos: 33 / (3500 x 20) = 4.7 x 10-4.
TABELA RISCOS BARRAGEM I
Tabela retirada da página 6 do trabalho “Tailings facility failures in 2014 and an update on failure statistics”
Portanto temos um bom histórico atualizado de acidentes graves e muito graves ocorridos com barragens de rejeito em todo o mundo para utilizarmos em análises de riscos quantitativas e não apenas qualitativas como normalmente utilizamos nas empresas. A partir da probabilidade de falha poderíamos utilizar a matriz de tolerabilidade de risco para avaliar se os riscos seriam aceitáveis ou não. Considerando as 1996 vítimas dos acidentes com barragens de rejeito em 92 anos de histórico desde 1917 para o número de barragens atuais, teríamos uma taxa de fatalidade/ano de 1996 / (92 * 3500) = 6,2 * 10-3 e considerando apenas os últimos 47 anos teríamos uma taxa de fatalidade/ano = 1996 / (47 * 3500) = 1,21 * 10-2.
Nos estudos de análise de riscos de instalações ou de atividades perigosas, a probabilidade de ocorrência do evento é normalmente expressa em termos do número de eventos por ano (F) que podem causar danos aos seres humanos, e as consequências são Risco = Probabilidade do evento x Consequência frequentemente medidas em “número de óbitos” (N). Assim, risco pode ser equacionado como: R = F x N.
Segundo o Instituto Americano de Engenharia Química, o risco industrial pode ser “medido” em termos de probabilidades e magnitude dos seguintes danos: Lesões humanas, Perdas econômicas e Danos ao meio ambiente.
Definindo o Risco Social como ”a relação entre a frequência e o número de pessoas que poderão sofrer lesões a partir da materialização de um perigo específico”, podemos relacionar a chance de acidentes de “grandes proporções” causarem vítimas fatais, porém, existe muita dificuldade em determinar as proporções de um acidente e definir esses padrões.
A aviação e a indústria química, por exemplo, adotam o gráfico de tolerabilidade de risco onde é possível relacionar os riscos social (Rs) e individual (Ri). Uma relação aceita entre os especialistas é: “Se o risco social
para mais de 10 óbitos é X, o risco individual máximo será da ordem de 10 vezes X”. Ri = 10 x Rs+10 óbitos.
Olhando para o acidente ocorrido em Mariana e considerando o critério de tolerabilidade de risco de fatalidade no gráfico abaixo, a Vila de Bento Rodrigues estando a menos de 3 km a jusante das barragens de rejeito, com população estimada em 600 pessoas e considerando a taxa de fatalidade/ano de 1,21 x 10-2 por barragens de rejeito, caímos em uma região do gráfico de risco intolerável, ou seja, um risco inaceitável a partir do potencial de fatalidade e da probabilidade atual de fatalidades/ano por barragens de rejeito no mundo.
Análise de Risco Quantitativa na Mineração
Matriz de Tolerabilidade de Risco – Fatalidades
É claro que após a ocorrência de um acidente dessas proporções pode parecer fácil e oportunista a identificação e classificação desse risco, mas a verdade é que uma boa análise de risco quantitativa teria uma chance maior de melhorar a classificação dos riscos e alertar para melhores medidas de mitigação em função dos resultados, visto que com uma análise muito simplista utilizando apenas a taxa de mortes na “indústria” de rejeitos foi possível encontrar valores muito acima dos limites geralmente aceitos “seguros” para as indústrias perigosas.
O estudo mostra também que algumas barragens já nascem com um Fator de Segurança (FoS) = 1,3 ao invés de um FoS = 1,5 e com o envelhecimento da barragem, possíveis combinações de riscos naturais ou de origem humana associada às más condições globais (investigações geotécnicas, concepção, construção, operação e manutenção) aumentam de forma exponencial a probabilidade de um acidente e que essa observação é particularmente importante durante os ciclos de baixa de algumas commodities.
Os autores do trabalho reiteram que o objetivo de “Falha Zero” em barragens de rejeito é impossível de se alcançar e que no longo prazo essas instalações descerão em uma espiral com aumentos significativos da probabilidade de falha e quando falharem, obviamente seus rejeitos seguirão para os rios a jusante, lagos e oceanos, como vem ocorrendo até hoje.
Em suas previsões formuladas nesse estudo de 2015, eles consideram que ocorrerão 11 falhas muito graves em barragens de rejeito em todo mundo custando por volta de US$ 6 bilhões entre 2010 e 2019, com um custo médio de US$ 543 milhões por acidente.
A partir dessa previsão podemos também avaliar o risco financeiro de se ter um acidente com derramamento de lama a partir de um acidente com barragem de rejeitos utilizando a probabilidade da ocorrência de um acidente muito grave citado no trabalho, o custo médio indicado por acidente e o gráfico do estudo realizado pela Riskope publicado em 2008 logo após o acidente da BP com derramamento de óleo no Golfo do México. Link ao lado (http://www.riskope.com/2010/06/08/bp-crisis-rational-analysis-what-bp-did-not-perform/).
Partindo do principio, portanto, que a Taxa de Falhas para acidentes muito graves em barragens de rejeito é de 4.7 x 10-4 e aplicando a função densidade de probabilidade, considerando uma distribuição exponencial, temos que a probabilidade de ocorrência do acidente em um ano seria de 0,00047 (4.7 x 10-4) ou 0,047% de probabilidade.
Análise de Risco Quantitativa na Mineração.jpg II
Matriz de Tolerabilidade de Risco Riskope – Financeiro
Observamos no gráfico que para a probabilidade de falha muito grave em uma barragem com derramamento de rejeito associado ao custo conservador adotado de US$ 543 milhões/acidente, o risco se encontra no limiar da aceitabilidade.
Importante destacar que para cada cenário de posicionamento de uma barragem de rejeitos, seu entorno ambiental e social definido na etapa de concepção do projeto, em caso de um acidente de grandes proporções, o impacto financeiro seja ele derivado de todos os custos das ações corretivas necessárias, acrescentando o estrago na imagem e ações da empresa no mercado financeiro, esse valor pode chegar facilmente na casa dos bilhões de dólares.
Portanto, considerando atualmente os dados estatísticos históricos e somente utilizando as probabilidades de um acidente muito grave em barragens de rejeito associado à probabilidade das fatalidades decorrentes desse tipo de acidente e as perdas financeiras prováveis, projetos e instalações de mineração que tem em sua concepção a utilização de barragens de rejeito está correndo sérios riscos. Lembrando que nessa análise não foi avaliada a tolerância ao risco do ponto de vista ambiental e econômico, apenas com relação às fatalidades e as perdas financeiras.
Acredito sinceramente e espero que acidentes como esse último devam realmente mobilizar o mundo da mineração pela busca de alternativas para extração e processamento de minérios de forma a não necessitar de barragens de rejeito. Relembrando uma máxima da aviação: Se você acha caro fazer segurança, experimente um acidente!

Ricardo, 05 de dezembro de 2015.

SUSTENTABILIDADE: OS 3P’S E 1S

3 P'S 1SMuito se tem falado sobre sustentabilidade nos últimos tempos. O Papa Franscisco escreveu uma Encíclica, a Laudato Si (Louvado Seja), exclusivamente para tratar do assunto. O Consultor britânico John Ellkington, considerado o decano da sustentabilidade, criou o conceito do Triple Bottom Line ou dos 3P’s, embasado em três grandes pilares: econômico (Profit), social (People) e ambiental (Planet). Elkington afirma que não se pode falar em sustentabilidade se faltar um destes três pilares: a falta de estabilidade econômica e do retorno financeiro gera o fracasso, a falta de investimento no social e no desenvolvimento e valorização das pessoas gera a miséria e a falta de preocupação com o meio ambiente e com o planeta gera a degradação ambiental e catátrofes.
O Consultor foi extremamente feliz com a criação deste conceito, mas a realidade tem nos demonstrado de forma dura e severa que somente os 3 P’s não bastam, é necessário acrescentar ao conceito mais 1S, o S de “Spirituality”, espiritualidade.
Segundo Guimarães Penna, a espiritualidade pode ser definida como uma propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, à procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio. Eu vou mais além, espiritualidade para mim é a crença profunda em um ser superior e a relação que estabelecemos com este ser, traduzindo-se esta relação de forma visceral em uma vocação amorística, humanitária, holística, que traz sentido para a vida e nos arranca do vazio existencial que toma conta do nosso ser.
O econômico, o social e o ambiental não se sutentam se não houver espiritualidade; a vida não faz sentido. Alguns exemplos dramáticos podem ser citados. A Suiça, considerado um dos países mais desenvolvidos do mundo, possui um elevado índice de suicídios, 11,2 por 100 mil habitantes, segundo o site swissinfo.ch. Um estudo da London School of Economics publicado no jornal online PLOS ONE revelou que o uso de antidepressivos em 29 países europeus subiu em média 20% por ano, entre os anos de 1995 e 2009. Estudos de especialistas da University of Warwick, na Grã-Bretanha e nos Estadoos Unidos revelaram que países mais “felizes” têm maiores taxas de suicídio. São países onde a população tem um padrão de vida muito elevado, são economicamente estáveis, o capital privado e o estado investem fortemente no social, a pobreza praticamente foi erradicada e são referência em termos de conservação e preservação ambiental, mas falta-lhes o principal, a espiritualidade.
Os 3 P’s, Profit, People, Planet sem o 1S, Spirituality por si só não geram a sustentabilidade. O investimento no social por si só torna-se um ato vazio se não houver uma profunda preocupação com o investimento na essência do ser humano. A ex-primeira ministra norueguesa Gro Brundtland definiu desenvolvimento sustentável como a capacidade de suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem suas próprias necessidades. Belíssimo o conceito trazido por ela, mas eu pergunto, sem espiritualidade haverá gerações futuras?…

O PAPA SUBVERSIVO

PAPA FRANCISCO“Por que a Igreja católica não ordena mulheres para o execício do sacerdócio?”
“Eu também sou um pecador”.
“Não é nada ecológico, nem religiosamente correto nos reproduzirmos como coelhos”.
“Que mal há em admitirmos o fim natural de uma união matrimonial que não deu certo, nem acrescenta mais?”
“O capitalismo atual que destrói tanto a natureza quanto a vida humana, aumentando o abismo entre os ricos e os pobres é uma sutil ditadura”.
“Se Deus nos deu a vida, esse jardim do Éden, que é a terra, este planeta maravilhoso, nós também temos o dever de preservá-lo”.
“Uma advertência para toda a Igreja. Para que se volte à radicalidade do Evangelho. Este não é o tempo de uma Igreja que busque na comodidade dos salões a sua própria vantagem, uma Igreja que renuncie ao Espírito em nome do poder ou da conveniência política”.
“O episcopado não é uma honorificência, é um serviço. Jesus quis que fosse assim. Não deve haver lugar na Igreja para a mentalidade mundana que diz assim: ‘Este homem fez a carreira eclesiástica e tornou-se bispo’. Não, não, na Igreja não deve haver lugar para esta mentalidade, o episcopado é um serviço, não uma distinção para vangloriar-se. É triste quando se vê um homem que procura este cargo e faz tantas coisas para lá chegar. Quando ali chega, não serve, pavoneia-se, vive apenas para a sua vaidade”.
“Os escândalos na Igreja acontecem porque não há uma relação viva com Deus e com sua Palavra. Assim, os sacerdotes corruptos, em vez de dar o pão da vida, dão um pasto envenenado ao santo Povo de Deus.”
“A corrupção é a gangrena do povo”.
“É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta”.
“Vamos dizer sem medo: queremos uma mudança. Este sistema capitalista já não se aguenta. Os trabalhadores, as comunidades e os povos não aguentam. Nem a terra aguenta!”

Estas palavras que mais parecem originárias de um católico qualquer revoltado com os rumos que a Igreja Católica vem tomando nos últimos tempos ou de um ativista extremado, na verdade foram provenientes da boca do Papa Francisco, como afirma uma reportagem da Revista Ecológico em sua última edição de 31/07/15. A Revista insinua que o Papa é subversivo, numa alusão positiva sobre seu discurso e sobre as ações que ele vem tomando à frente da Igreja Católica. A reportagem traz, de maneira bastante elucidativa, uma síntese da Encíclica “Laudato Si” (Louvado Seja) divulgada pelo Papa no mês passado.

Subversivas ou não, o fato é que o Papa Francisco vem incomodando um monte de gente com suas atitudes e afirmações, inclusive alguns reverendíssimos representantes dentro do próprio clero. Quiçá suas santas palavras ecoem pelos ares e sejam ouvidas por todos nós, servindo de semente para o surgimento de uma nova era com mais integridade, paz, justiça, solidariedade e consciência ecológica. Que Deus ilumine seu caminho!

Para queles que se interessarem a conhecer a Encíclica “Ludato Si” em sua íntegra é só acessar o link http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html.
É uma boa sugestão de leitura em vez de ficar se “emburrecendo” vendo a novela das oito…

O CATADOR DE CLIPS

CLIPSQuando ando pelas ruas, tenho um pequeno vício: não consigo ver um clip reluzente, brilhando ao sol, jogado pelo chão, sem apanhá-lo. A logística reversa passa pela minha mente como num flash. Fico pensando o quanto trabalho foi despendido até aquela criatura chegar ali. O minério retirado da terra, o beneficiamento para torná-lo mais puro, as operações siderúrgicas para transformá-lo em aço e em arame dobrado, o acondicionamento em uma pequena caixinha junto a diversos outros similares, o transporte, a estocagem em algum ponto comercial, a venda e finalmente o fracasso, a queda, o abandono no chão frio de uma calçada! E ele ali,tão útil e tão abandonado! Quanto trabalho humano jogado fora! Não resisto, abaixo-me, admiro a sua beleza e levo-o comigo. Mais tarde, faço-o tornar-se útil prendendo com ele um monte de folhas úteis do meu escritório. E não me custou nada!
Se esse singelo ato vale para refletir sobre o que ainda nem foi utilizado, muito mais para o que já foi utilizado. As nossas ruas, avenidas e calçadas não são latas de lixo e merecem ser preservadas. Os porcalhões irresponsáveis que emporcalham nossas cidades jogando de tudo por onde passam, deveriam ser severamente punidos e alertados. A natureza agradece e as futuras gerações também!