AS CINCO FASES DE UMA CRISE

 “Situações difíceis, mostram o quão maduros estamos. A crise não altera caráter, ela revela! “(Rodolfo Abrantes)

Por mais que algumas pessoas estranhem ou que gostaríamos que não existissem, as crises existiram, existem e sempre vão existir. Algumas simples, de fácil solução, que envolvem poucas variáveis, outras mais complexas, de difícil solução, que envolvem várias variáveis e outras ainda extremamente complexas, de dificílima solução que envolvem aspectos econômicos, educacionais, culturais, sociais, psicológicos, físicos, ambientais e muitos outros mais, como a crise do Corona Vírus que estamos vivenciando de forma traumática nos últimos meses.

Vários estudiosos se dedicaram ao estudo da gestão de crises, entre eles os norte-americanos Thimoty Coombs e Ian Mitroff. Com base nestes e outros estudos, de uma forma geral, podemos afirmar que as crises, quaisquer que sejam, geralmente passam por cinco fases distintas. A identificação destas fases pode ajudar e muito a encontrar soluções de superação. Então, vejamos.

A primeira fase é a da indiferença ou negação. Nesta fase, os envolvidos ainda não estão conscientes do problema que enfrentam ou, se estão, fazem de conta que que ele não existe. Seria realmente a Covid19 uma simples gripezinha, como foi afirmado no princípio? …

Em caso de crises de caráter simples, esta postura não traz maiores consequências; o perigo é quando o problema possui um caráter complexo ou extremamente complexo. Quando os envolvidos, principalmente os que tem poder decisório, descobrem tardiamente a complexidade envolvida, as consequências são altamente desastrosas. Se as medidas necessárias no combate ao Covd19 tivessem sido tomadas preventivamente e a tempo, o desastre poderia ter sido muito menor.

A segunda fase é a do agravamento da crise e do surgimento do pânico. As pessoas começam a se desesperar e, infelizmente, na tentativa de recuperar o tempo perdido, tomam medidas extremadas, radicais que às vezes acabam complicando ainda mais a situação, gerando desgastes desnecessários. Felizmente estas medidas tem curta duração, visto que sua própria ineficácia e/ou a ilegalidade fazem com que elas, naturalmente, sejam extintas. É o que aconteceu em algumas cidades, com a paralização precipitada e total de todas as suas atividades (lockdown) e fechamento de acessos.

A terceira fase é a do realismo. É quando “a poeira começa a abaixar” e as pessoas se dão conta da gravidade da situação e dos efeitos maléficos da negação, da ignorância, do pânico e das medidas contraproducentes tomadas. Nesta fase, os envolvidos começam a tomar atitudes preventivas no combate à crise e os responsáveis pelo poder começam pensar de forma mais estruturada, implantando ações planejadas e monitorando diariamente sua evolução. Evidentemente que, se a implantação e o monitoramento das medidas implantadas não forem eficazes, os problemas podem se tornar ainda mais agravantes, havendo um retrocesso à fase anterior, na maioria das vezes retornando com maior gravidade.

A quarta fase pode englobar dois comportamentos distintos, dependendo da maturidade dos envolvidos: a solidariedade ou, com o agravamento da crise, o egoísmo exacerbado. A solidariedade desponta de forma espontânea e intensa em comunidades com alto nível de maturidade e tem um efeito altamente positivo na solução do problema. Surge um sentimento de todos ajudarem para serem ajudados. Os mais fortes ajudam os mais fracos, os grandes ajudam os pequenos e os que possuem mais recursos compartilham com aqueles que possuem menos recursos ou são desprovidos deles. Em contrapartida, em comunidades com baixo nível de maturidade, surgem os ataques mútuos, as agressões verbais e físicas e, em condições extremas, a morte provocada por alguns contendores mais extremados, preocupados única e exclusivamente com a própria sobrevivência, enquanto o problema em si só vai se agravando.

A quinta e última fase contempla a superação da crise e a volta à normalidade, como está acontecendo com a Nova Zelândia, ou a um novo modelo de gestão e convivência. Em caso dos impactos gerados serem de caráter profundo, poderão ocorrer mudanças drásticas, com fortes transformações na vida dos envolvidos e nada mais será como antes.

O tempo de duração destas fases depende fortemente do nível de competência dos envolvidos, principalmente dos ocupantes de cargos de direção, responsáveis pelas medidas implantadas.

É importante considerar que, dependendo do número e/ou do nível de maturidade dos envolvidos, estas fases podem ocorrer simultaneamente de forma diferenciada nas diversas camadas ou regiões impactadas pela crise, ou seja, enquanto os povos mais maduros e com dirigentes mais bem preparados podem superá-la com mais rapidez e menos impactos negativos, os menos maduros e com dirigentes menos preparados podem sofrer mais tempo e, às vezes com grandes perdas, inclusive fatais, e traumáticos retrocessos.

Enfim, identificar o tamanho, a complexidade ou a fase da crise que estamos enfrentando é muito importante, mas o mais importante de tudo realmente é a nossa atitude perante esta crise, principalmente dos donos do poder. E aí surgem algumas perguntas que não querem se calar:

Como você está reagindo diante desta crise? Você tem uma postura solidária com todos os envolvidos ou está unicamente preocupado com o “próprio umbigo”, enclausurado em sua residência? Você consegue agir com empatia, colocando-se no lugar dos outros, principalmente dos ocupantes de cargos públicos, ou prefere uma atitude reativa e agressiva, acusando a tudo e a todos pelo problema existente?

Como dizia Platão, “tente move o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”.

Quem tem ouvidos que ouça…

Contatos: caesarius@caesarius.com.br (31)99345-0515   

Artigo divulgado no Jornal “O Espeto”, Edição nº 567 de10/06/20

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