UM TRIBUTO ÀS MARIAS MALAGUETAS

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Sempre fui um admirador de Ouro Preto e da cultura dominante nas repúblicas de estudantes desta cidade. Na década de 70, quando concluí o Curso de Técnico de Mineração na Escola Técnica Federal de Ouro Preto, meu sonho era fazer engenharia e morar em uma destas repúblicas. Os anos se passaram, me direcionei para outros caminhos e não pude realizar o meu sonho. No entanto, nos últimos anos, fui agraciado com a oportunidade de curtir um pouco este clima através da minha filha que se formou em Engenharia Geológica e morou em uma delas, com um detalhe, formada exclusivamente por meninas, e que belas meninas, as Marias Malaguetas!

malagueta-10-anosNo dia 12/11/16 a República Maria Malagueta, completou seus dez anos de existência e teve seu aniversário comemorado em alto estilo. Ex-moradoras e moradoras se reuniram, com a presença de familiares e amigos, entre eles eu, minha esposa e minha outra filha, para festejar o momento. É realmente gratificante observar o espírito de companheirismo, alegria e descontração que reina entre as meninas; a começar pelos apelidos, os mais engraçados que se possa imaginar, cada um com uma origem mais interessante do que o outro.

Primeiro surgem a Elis – a Sinhá e a Ana Paula – PitPow! A primeira herdou o apelido devido ao forte sotaque interiorano da região de Itabira. Natural de Itambé de Minas, uma cidade encravada no meio de uma região belíssima, cercada de muito verde, montanhas e cachoeiras, ela foi uma das protagonistas de toda a história. Sou caipira, pirapora, com muito orgulho e por que não! Santa Sinhá!

A segunda, a PitPow! foi assim alcunhada devido a estopim curto e à forma explosiva de resolver as coisas. Coitado de quem discordasse dela! Maldade! Nem tanto! Ambas, apoiadas pela minha filha Alice, que estranhamente não colou com nenhum apelido, apesar de várias tentativas, entre elas a de Vovozona, por que adorava vestir um “pijama do vovô” e tomar xarope de limão e alho para gripe, foram as fundadoras da República e hoje funcionam como uma espécie de conselheiras, irmãs mais velhas das moradoras atuais.

O tempo foi passando e a “família Malagueta” foi, ano a ano, aumentando devagar. As três fundadoras, logo em seguida atraíram  a Emanuelle – Manu. Como o povo brasileiro tem mania de abreviar os nomes das pessoas, este apelido não carece de maiores explicações.

Em seguida foi chegando um quarteto de primeira: a Rosane, irmã da PitPow!, apelidada de Bozena, a Larissa, apelidada de Vitrola , Aylime, prima-irmã da Sinhá, apelidada de “Olho Junto” e a Gabriela, apelidada de Lady.

A Bozena herdou o apelido de uma personagem interpretada pela Alessandra Maestrini no seriado “Toma lá, dá cá”. A menina tinha mania de contar longas histórias de sua terra natal, Guiricema;  não importava o momento ou o lugar onde estivesse, e ai de quem não se dispusesse a ouvi-la…

A Larissa, segundo diziam a más línguas, parece que tinha engolido uma Vitrola! Adorava cantar, nem precisava ligar o rádio ou o aparelho de som; o show era ao vivo e a cores. Daí o apelido.

A “Olho Junto”recebeu o apelido, segundo dizem, por causa da maneira crítica de analisar as coisas, com o seu jeito astuto, sorrateiro, incomodando as colegas. Como uma forma de vingança, arrumaram este apelido para a menina. Vale considerar que “olho junto” é uma expressão popular utilizada para caracterizar pessoas maldosas, de mau caráter, relacionando-os com os animais predadores, que possuem os olhos juntos e destroem suas vítimas. Aiaiaiaiai! Dá para sentir o quanto são picantes estas malaguetas! Pergunto-me como ela aguentou ficar por lá!…

A Lady foi assim chamada fazendo uma menção à Lady Gaga, só que com uma corruptela depreciativa referente ao nome Gaga, relacionada a sua saúde intestinal. Os motivos, por questões de “segredos de estado”, não podem ser aqui relatados. O fato é que o apelido dá margem para uma boa sessão de risadas durante as reuniões festivas da moçada.

Por esta época chegou por lá o Ubiratan – Bira, namorado da Manu. O menino, natural de Goiás, estava sem mãe, sem pai e sem teto, perdido em Ouro Preto e as caridosas meninas, depois dos rogos da Manu e muitas reuniões, resolveram acolhê-lo. O “bendito é o fruto” se deu bem entre as mulheres, quebrando o galho delas com os pequenos arranjos domiciliares e, sem preconceito nem pudor, passou a fazer parte do time com maestria, colocando ordem na casa.

Algum tempo depois chegou a Sara, apelidada de “Seu Creysson”. Seu Creysson é um personagem hilário criado pelo “Casseta e Planeta”, cuja principal característica é um sotaque mineirês forte e o modo “errádio” de falar. A pobre menina cometeu alguns pequenos deslizes vocabulares logo na chegada à República e as colegas, sem dó nem piedade, com toda a ardência, não deixaram por menos; sapecaram o apelido.

Enfim, por último, chegou uma última dupla de peso: a Fernanda – Sócya e a Gabriela – Pedynte. A primeira, a Sócya, herdou o apelido por que vivia deixando as luzes acesas, segundo diziam, para aumentar o faturamento da Cemig. Imaginem! Até uma sócia da Cemig foi parar na Malagueta! A outra, a Pedynte, por que, segundo os comentários picantes das meninas, quase quebrava os pais de tanto pedir as coisas. Os velhos não tinham folga! Santa maldade!

Dez anos se passaram e foi formado o time, e que time de peso! É só observar a foto para sentir a dimensão do peso! Certamente, a garra, a alegria, o companheirismo e a “picância” destas meninas vão ainda inspirar muitas outras Marias Malaguetas por várias gerações futuras. Quem sabe, como acontece sempre nas Repúblicas ouropretanas, no futuro alguma pimentinha, herdeira das atuais Marias Malaguetas ainda passem por lá?…

Que Deus abençoe!

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