PROFESSORES EM PAUTA: REFLETINDO SOBRE O ARTIGO DO CLÁUDIO DE MOURA CASTRO

MOURA CASTRORecentemente, o Articulista Cláudio de Moura Castro publicou na Revista Veja um artigo intitulado “Professor ganha mal?”. Foram inúmeras as contestações por parte de vários professores e simpatizantes, acusando-o de depor contra a classe, classificando-o com adjetivos depreciativos e, inclusive acusando a Veja de “vendida” e conclamando a todos a boicotarem a assinatura e compra da Revista.
Perdoem-me os nobres colegas professores e os simpatizantes, mas li e reli o artigo várias vezes e, salvo alguns detalhes, sinceramente, por mais que me doa, sou obrigado a concordar com ele. Vejamos algumas “burrices” por ele citadas.
Primeiro – A questão da aposentadoria. Infelizmente, é um fato o que ele disse, não só os professores, mas todos os profissionais brasileiros estão aposentando muito cedo e a previdência não vai aguentar. Não sou que estou dizendo, são os especialistas no assunto. O sistema tem que ser mudado, a expectativa de vida aumentou e o sistema continua o mesmo. Se não for tomada uma providência, a previdência vai quebrar!
Segundo – Os 45 dias de férias dos professores e o recesso natalino: por que os professores tem direito a 45 dias e os demais trabalhadores somente 30? Por que o recesso natalino além das férias de julho? “Em geral, o recesso é gozado entre dezembro e janeiro, porque julho é o mês de férias coletivas da categoria. O importante mesmo é que sejam garantidos os trinta dias de descanso, que não podem de maneira alguma coincidir com o período de férias”. (Fonte: Federação dos Professores dos Estado de São Paulo). Não seria bem mais produtivo, claro resguardando os Dias Santos e feriados de dezembro e janeiro, aproveitar o período para investir em autodesenvolvimento, planejamento escolar e outras melhorias de processo?
Terceiro – Licenças-Prêmio: é uma máxima da meritocracia moderna que não se deve premiar um empregado pelo seu tempo de casa, mas sim pelo nível do seu desempenho. O tempo de casa premia indiscriminadamente o bom e o mal empregado. Tempo de casa não é sinal de bom desempenho. Tem muito professor acomodado por aí, esperando a aposentadoria e ganhando tranquilamente seus quinquênios acumulados.
Quarto – Licença de 72 meses para Mestrados e Doutorados:será que é realmente necessário? Não é possível, com um pouco de esforço e boa vontade, conciliar as duas atividades? Quantos Mestrandos e Doutorandos estão por aí conciliando família, trabalho e atividade acadêmica (inclusive eu) e estão chegando ao final da batalha? Quantos já não conseguiram, sem maiores traumas?
Quinto: Mestres e Doutores ganham maiores salários. Será que ter um diploma na mão é certeza de melhor desempenho? Já vi muito professor por aí “comprar um diploma” para poder aumentar o salário, como também já vi muitos mestres e doutores que não estão nem aí com relação a uma educação de qualidade. Até quando vamos continuar premiando-os pelos diplomas comprados se o comodismo na sala de aula permanece?
É importante lembrar que no início e no final do terceiro parágrafo Moura Castro afirma: “no geral, os salários desapontam” “Gastamos muito e pagamos pouco”, portanto seu discurso não destoa tanto assim do que a classe reclama.
Com relação ao boicote à Revista Veja em função destas e outras reportagens, entendo que precisamos de parar com esta ideia de “queimar em praça pública os ‘livros proibidos'”, prática muito comum na idade média. Nenhuma forma de comunicação é totalmente isenta de parcialidades. De uma forma ou de outra, qualquer uma defende uma ideologia, quer seja de forma sutil ou declarada, quer seja de direita ou de esquerda. Quer seja a Veja, a Época, a Carta Capital, a Exame, a Rede Globo ou a Bandeirantes ou qualquer outra forma midiática, todas “vendem o seu peixe” ideológico. O que precisamos de fato, como cidadãos de um País democrático, é saber ouvir as vozes dissonantes, aguçar nosso senso crítico e saber, com clareza, distinguir o joio do trigo.
Que a educação no nosso País tem muito a ser melhorada e um fato, que os nosso professores precisam ser valorizados e muito mais valorizados, também! Isto é indiscutível. Não vejo que o Moura Castro maifestou-se contrariamente a estes aspectos.

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