ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O CASO SAMARCO

BARRAGEMDurante 05 anos consecutivos, de 2011 a 2015 a Samarco Mineração S/A foi eleita a melhor mineradora do Brasil pelo anuário Melhores e Maiores da Revista Exame.
Em 2014 foi classificada pelo Guia Você S/A entre as 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil e conquistou o Prêmio Findes/SENAI de Meio Ambiente, Selo Ouro. No mesmo ano ainda conquistou o Prêmio Green Mine concedido pela Revista In The Mine.
Em 2013 conquistou o Prêmio Época Empresa Verde promovido pela Revista Época e em 2012 o Prêmio Empresa do Ano na Categoria Mineração de Grande Porte pela Revista Brasil Mineral. Em 2011 foi considerada a melhor mineradora e a segunda maior mineradora do Brasil pela Revista Exame.
Estes e outros inúmeros prêmios fizeram parte do rol de conquistas alcançadas pela mineradora durante os últimos anos. Todas estas premiações a credenciavam como benchmark em termos de gestão econômica, social e ambiental.
Na íntegra, a Samarco traz estampado em seu site oficial que sua Missão é produzir e fornecer pelotas de minério de ferro, aplicando tecnologia de forma intensiva para otimizar o uso de recursos naturais e gerando desenvolvimento econômico e social, com respeito ao meio ambiente. Afirma que acredita e pratica a mineração responsável, por meio de seus pilares de gestão: excelência, para fazer sempre mais e melhor; crescimento, visando gerar e compartilhar valor com solidez e competência e conformidade, para se manter sempre em sintonia com as diretrizes, normas e leis e que tem em seu DNA a participação no desenvolvimento das comunidades vizinhas, a construção de relação de confiança com os parceiros, e, acima de tudo, o respeito à vida. Como valores está estampado o respeito às pessoas, a integridade e a mobilização para resultados.
Com isto tudo, nunca era de se esperar que uma empresa com estas credenciais fosse responsável pelo maior desastre ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeito. Na tarde do dia 05 de novembro de 2015, a Barragem de Fundão, construída para receber seus rejeitos operacionais, com um montante estimado em torno de 45 milhões de toneladas, rompeu-se provocando a morte de 19 pessoas, destruindo em sua totalidade Bento Rodrigues, município cerca de 2,5 quilômetros abaixo da barragem pertencente à Mariana. Em seu caminho de destruição, a lama chegou ao Rio Doce indo em direção ao mar, atingindo de forma traumática 230 municípios dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais com suas populações abastecidas com a água do rio, levando alguns ao estado de calamidade pública.
“Não foi acidente, não foi fatalidade. O que houve foi um erro na operação e negligência no monitoramento”, afirmou na época Carlos Eduardo Pinto, Promotor de Justiça do Meio Ambiente.
O desastre foi tão grande que virou notícia mundial, tomando conta da mídia internacional. Líderes ambientalistas do mundo inteiro se manifestaram, acusando de forma veemente a irresponsabilidade e o descaso da Samarco com o meio ambiente e com a sociedade.
Ambientalistas consideraram que o efeito dos rejeitos no mar continuará por pelo menos mais 100 anos. A Consultoria Norte-Americana Bowker Associates – consultoria de gestão de riscos relativos à construção pesada, avaliou o investimento necessário para reposição das perdas ocasionadas pelo desastre em US$ 5,2 bilhões.
Em 20/01/2016, o Diretor-Presidente Ricardo Vescovi e o Diretor de Operações Kleber Terra pediram licença temporária (ou foram afastados?) de seus cargos para se dedicar às suas defesas, frente a um turbilhão de acusações e até pedidos de prisão.
Até a presente data, após cerca de 05 meses da ocorrência do desastre, a Samarco continua com suas operações suspensas por determinação judicial. O final desta trágica e triste história ainda está por se desenrolar.
Apesar das fortes evidências de que houve realmente um acidente, portanto evitável, a empresa afirma que não tinha conhecimento do risco iminente do rompimento da barragem. O fato é que ficam algumas perguntas no ar.
Se a empresa não tinha conhecimento, por que o seu corpo técnico considerado de elevadíssima performance e as consultorias de renome que prestavam serviço para ela, não identificaram o risco? Será que estes atores foram tão incompetentes a ponto de não conseguir identificar este risco?
Se ela tinha conhecimento, por que não tomou as devidas providências para evitar a catástrofe? Será que a busca maquiavélica do capital pelo lucro desenfreado falou mais alto que o respeito ao ser humano e à natureza, contrariando frontalmente sua Missão, Visão e Valores Organizacionais? .
Independentemente destes questionamentos, de qualquer forma, agora não adianta ficar chorando o mar de lama derramada. O que se esperava da empresa é que tomasse de forma rápida, objetiva, consistente e sustentável medidas mitigadoras e compensatórias robustas para minimizar os estragos catastróficos causados. O problema é que, infelizmente, pelo que vem sendo apresentado de forma exaustiva pela mídia, isto não está acontecendo, o que é realmente uma enorme lástima, pois seria uma grande oportunidade para se redimir perante seus stakeholders do seu enorme erro cometido e voltar à ativa!
Que esta catastrófica ocorrência sirva de lição para as gerações atuais e futuras sobre a necessidade imediata e imperiosa de cuidar bem da “nossa casa” ou todos estaremos fadados à autodestruição. Que a natureza e o respeito ao ser humano nunca sejam colocados em segundo plano frente ao capitalismo selvagem e a busca maquiavélica pelo lucro descontrolado.

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