FLAGRANTES DA VIDA REAL: ÉTICA NA PRÁTICA

ÉTICA IIAs notícias sobre a corrupção no País tomam conta dos noticiários. A Presidente da República deposta do cargo, acusada de mentir de forma deslavada e cometer crime de responsabilidade por maquiar as contas públicas através de operações fiscais irregulares sai gritando pelo País que o impeachment é golpe, com todos os benefícios do cargo e às custas das burras do Estado.
O Ex-Presidente Lula, seu criador e antecessor, é acusado de corrupção, recebimento de vantagens indevidas e enriquecimento ilícito, envolvendo a ele e seus familiares.
O Vice-Presidente da República Michel Temer, que a substituiu, é citado por vários executivos acusados de corrupção e em processo de delação premiada na Operação Lava Jato, como receptador de propina e de desvios de dinheiro na Petrobras, além disto, responde no Tribunal Superior Eleitoral a ações que podem cassar seu mandato.
O Presidente do Senado Renan Calheiros é investigado por corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato.
O Senador Aécio Neves, Presidente do PSDB e ex-candidato e Presidência da República é acusado pelo Ex-Senador Delcídio do Amaral, de receber propinas de Furnas e da Eletrobrás. Por sua vez, Delcídio do Amaral foi deposto e preso acusado de tráfico de influência e tentativa de obstrução da Operação Lava Jato.
O Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha é deposto do cargo por falta de decoro parlamentar, manter contas secretas na Suiça e por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás. O Presidente em exercício Waldir Maranhão, que o substituiu, é acusado de ter embolsado uma quantia volumosa em dinheiro em um emprego fantasma, como professor na Universidade Federal do Maranhão.
O Governador de Minas Gerais Fernando Pimentel é acusado de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Enfim, se fôssemos citar todos os figurões envolvidos em escândalos de corrupção no País precisaríamos de uma coleção de páginas. Diante de tanta falta de vergonha na cara, fico me perguntado, qual a origem disto tudo.
A resposta parece que veio de forma fria e trágica. Outro dia, caminhando pela Avenida Prudente de Morais, uma das mais movimentadas de BH, parei e comecei a observar as pessoas e os fatos que se desenrolavam ao meu redor.
Em uma rua lateral divisei uma fila de carros estacionados exatamente debaixo de uma placa de estacionamento proibido. Pela Avenida, surgiu em disparada um motorista dirigindo e falando ao celular. Seu colega que veio atrás avançou em disparada o sinal vermelho do semáforo. Um menino montado em uma bicicleta pegava carona agarrado na traseira de um ônibus superlotado que seguia em alta velocidade. Na calçada passou por mim um morador de rua empurrando um carrinho de supermercado roubado, cheio de badulaques. Em um canto, um vendedor de CD’s piratas vendia tranquilamente seu produto para alguns cidadãos e logo à frente enxerguei um cômodo com uma plaqueta na porta anunciando o resultado do jogo do bicho. Um cidadão que passou por mim deu um último trago em seu cigarro e jogou a bituca acesa no chão. Um homem em trajes imundos lançou uma cusparada na base da parede de um prédio ao seu lado. Um jovem saiu da lanchonete e jogou o papel que envolvia a bala que acabara de comprar sobre a tampa do bueiro ao lado da calçada. Como um jogo dos mil erros, a cena estava montada. Possivelmente, um bom observador ainda iria descobrir inúmeros outros fatos.
O pior de tudo é pensar que a cena se desenrolou em um curto espaço de tempo e que se repete indefinidamente ali e em várias outras localidades, dentro da mais perfeita normalidade.
Teriam estes fatos observados por mim alguma relação com os escândalos citados acima?
A degradação de uma sociedade ocorre quando seus cidadãos obnubilados começam a achar que o normal é a anormalidade.
Se queremos mudar de fato este nosso País, urge que comecemos por nós mesmos. É com dizia Platão há cerca de 300 anos antes de Cristo: “Tente mover o mundo, o primeiro passo será mover a si mesmo”.

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