A TRISTE E INCRÍVEL HISTÓRIA DO SAPO BARBUDO QUE VIROU PRÍNCIPE E SUA TRÁGICA DERROCADA

SAPOHá muito tempo atrás, em uma terra distante, tórrida e torrada pelo calor do sol escaldante, vivia à beira de uma lagoa que raramente tinha água, um jovem sapo, sonhador e cheio de ideias.
Ficava observando seus companheiros esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados e sonhava com uma vida melhor, mais digna e respeitosa para todos da sua comunidade. Já na sua tenra idade, conseguia enxergar que existiam sapos e príncipes e ficava pensando o que ele deveria fazer para um dia ser príncipe como alguns poucos que existiam por lá.
Um dia sua mãe resolveu partir daquelas terras em busca de uma vida melhor levando-o e a seus irmãos para “navegar em outros mares”. Com lágrimas nos olhos, partiram deixando os companheiros e a terra amada para trás. A viagem foi dura, cansativa e distante, mas enfim conseguiram chegar.
Chegando à terra prometida, o sonho de uma vida melhor não chegou tão facilmente como esperavam. Lá também, da mesma forma, existiam muitos sapos esquálidos, sedentos, famintos e esfarrapados, só que com mais príncipes, sentados em seus tronos dourados.
O tempo foi passando e ele crescendo e se desenvolvendo. Para conseguir o seu sustento e o sustento dos seus familiares, muito cedo teve que começar a batalhar. A vida ali não era igual à vida que ele tinha no lugar que anteriormente morava, onde a lagoa e a terra, apesar das dificuldades, supriam suas necessidades. Neste novo mundo, ele tinha que andar muito e se juntar a vários outros companheiros em uma fábrica para trabalhar e conseguir se sustentar. Os dias foram passando e ele começou a perceber que a vida ali era tão dura quanto a vida que tinha por lá. Percebeu também que, depois do trabalho, alguns companheiros se juntavam em um lugar fora da fábrica para discutir seus problemas e tentar solucioná-los. Curioso como era, ele um dia resolveu juntar-se a eles para ver como aquilo funcionava, quem sabe achava um caminho para sua vida melhorar.
No primeiro dia, manteve-se em um canto, só observando, meio desconfiado. No entanto, gostou muito do que viu e ouviu e decidiu que iria voltar. Nestas alturas ele já era grande e uma barba espessa tomava conta da sua cara. Pouco a pouco foi se entrosando com os novos companheiros e foi aprendendo a se manifestar. Naquele lugar tinha o canal que estava precisando para suas insatisfações desabafar. Com o tempo, aprendeu a colocar suas ideias em ordem e com uma eloquência incrível a expressá-las, reivindicando de forma entusiasmada uma vida mais digna para ele e para seus e seus companheiros de batalha. O tempo foi passando e seu discurso tornou-se contagiante, carismático; aprendeu a subir nos palanques e a falar em altos brados para a multidão que, em êxtase, o exaltava!
Ele foi crescendo, crescendo e cada dia mais sapos apareciam para vê-lo falar e juntos seus direitos reivindicar! Ele então criou um movimento estrondoso que fez muitos príncipes tremerem nas bases. Assustados com a repercussão do movimento criado, mandaram prendê-lo, mas algum tempo depois foi solto e, para desespero dos príncipes, foi aí que cresceu ainda mais! E o sapo barbudo foi crescendo tanto que de sapo foi se transformando em príncipe e com os príncipes começou a legislar, levando vários de seus companheiros para ajudá-lo. No princípio somente sentavam-se com os príncipes para negociar, mas depois foram se deixando contaminar. Alguns companheiros, fiéis aos princípios originais e assustados com o desenrolar dos fatos, discordaram e, no meio do conflito, começaram ase se debandar.
E o sapo barbudo foi se tornando cada vez maior, mais brilhante até chegar ao trono máximo do principado. Sua barba já não era tão grande e ele já se confundia perfeitamente com os demais príncipes do reinado. Ficou famoso e sua fama extrapolou os limites do reino, tornando-se um líder carismático. Vários companheiros que continuaram fieis a ele, foram também alçados ao patamar do trono, ao seu lado.
Infelizmente, nesta altura dos acontecimentos, um triste e chocante fenômeno já estava tomando conta do cenário. O dinheiro, a vaidade e a paixão pelo poder começaram a deixar o sapo-príncipe a seus companheiros obnubilados, esquecendo os princípios nobres do passado. Propinas e conluios tornaram-se comuns e passaram a fazer parte da estratégia deles para governar. No meio desta trama, alguns companheiros foram flagrados cometendo crimes inafiançáveis. Vários foram presos e perderem os seus cargos. O sapo-príncipe, de forma inacreditável, conseguiu escapar e seu principado continuar, mas sua imagem foi ficando cada vez mais contaminada.
Passaram-se os anos e o sapo-príncipe teve seus dias de principado expirados. Era o momento, aproveitando a oportunidade, de partir para uma aposentadoria e curtir os louros do passado, mas a vaidade e a fome de poder, como um visgo, não o deixaram. Arrumou, como que do nada, uma companheira de partido e forçou sua entrada para ocupar o lugar que tinha deixado. Criou una criatura e colocou-a no trono mas, no fundo, o que ele queria mesmo era continuar a governar. Os desencontros foram aumentando e a coisa foi tornando-se cada vez mais complicada e daí para frente, sua carreira foi caindo em derrocada. A companheira sentada no trono transformou-se em um verdadeiro desastre! Faltava-lhe tudo: competência, carisma e experiência para ocupar o trono máximo do principado. O sapo-príncipe tentou ajudá-la, mas era impossível, ele não tinha mais nenhuma credibilidade e nem força para transformá-la. Os podres do passado foram despontando e a fedentina começou a se espalhar por todos os lados. Um turbilhão de dinheiro desviado e surrupiado, formando como um furacão foi destruindo todo o reinado. Criador e criatura caíram em um abismo profundo provocando descontentamento e perdas de valores incalculáveis. Um certo dia, um juiz intimorato enviou alguns homens de negro e distintivo no peito para buscá-lo em sua casa. A criatura, do alto de seu trono, revoltou-se e quis ajudá-lo, tentando levá-lo para o seu lado, mas já não tinha força para tal fato. A incompetência e a corrupção tinham contaminado todo o seu principado. O poder foi caindo-lhe entre os dedos de forma irrecuperável. Num último momento, os príncipes poderosos se reuniram e arrancam-na a fórceps do trono, colocando fim ao seu reinado. Em meio a gritos de golpe, criador e criatura desceram a rampa e ainda não se sabe que rumo irão tomar.
O final da história ainda está para se contar. Só se sabe que a crença anfíbia em um mito salvador da pátria evaporou-se e perdeu-se pelo espaço. Um monte de sapos tristes ficou pelos caminhos esperando desesperançados que um dia um sapo-príncipe apareça de novo para salvá-los…

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