A TRAGÉDIA EM MARIANA: DISCURSO DO PREFEITO DUARTE JÚNIOR NA COP 21 EM PARIS

DUARTE JÚNIORBelíssima a fala do Prefeito de Mariana Duarte Júnior na COP 21 em Paris. Como ele disse, “Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
Somos todos responsáveis…”

Aproveitando o espírito natalino, que esta tragédia sirva de reflexão e lição para uma mudança radical em termos de sustentabilidade, espiritualidade e consciência global.
Vejam na íntegra descrição do discurso:

“Com muita dor estou aqui hoje na França, na COP21, representando a primeira capital do estado de Minas Gerais. Cidade com uma história e arquitetura digna de ser respeitada e reconhecida como patrimônio da humanidade, algo que injustamente ainda não foi feito pela Unesco.
Uma história que produziu riquezas não só para Mariana, mas para toda humanidade. De 1800 a 1850, metade do ouro que era destinado para a Europa saiu de Mariana, e hoje, o nosso minério de ferro cobre o mundo. Com todo respeito e temor a Deus neste momento tenho consciência que sou a voz do pai da Emanuele, que foi literalmente arrancada dos braços dele por uma onda de lama.
No meu coração grita a voz dessa criança, que teve seu passado, presente e futuro engolidos por essa lama que seria apenas de rejeitos de minério de ferro, mas se tornou em uma lama carregada de dor, tristeza e incerteza. Essa lama apagou a comunidade de Bento Rodrigues do mapa, mas não de nossos corações.
Que essa lama desperte em todos nós o desejo de limpar nossos corações e almas de toda ganância, de todo egoísmo, amor ao dinheiro, que não nos deixa ver o futuro. Escolho essa criança para simbolizar todas as vítimas, pois na morte de uma criança morre todo um futuro. Não podemos mais ver nosso planeta morrer sufocado pelo aquecimento global, sendo corroído pelo câncer do desmatamento, gemendo pelos coágulos das barragens e aceitar passivamente um planeta doente.
A lama que tem invadido a humanidade não é apenas a lama da Mineradora Samarco, é a lama do consumismo desenfreado e desequilibrado. Somos todos responsáveis pela exploração em grande escala do minério de ferro, do petróleo, das madeiras encontradas cada vez em menor número na Floresta Amazônica do meu amado país, o Brasil.
Observei, nesse contexto, com muita tristeza, os atentados que aconteceram aqui França. Não podemos aceitar a mesma intolerância irracional retroalimentada silenciosamente pelos radicais, que se expressam através de terroristas suicidas e suas ações bárbaras chocando nações, vítimas de seus atentados e mobilizando o mundo contra os seus atos. Posto aqui, sem hesitar e sem medo de errar, que o planeta também comunga desse sentimento de reprovação e indignação. Só que, no caso do planeta, esse sentimento de repulsa se dá contra toda a humanidade, que vem atentando de forma suicida contra o planeta. Sim, hoje todos nós temos um pouco de terrorista, que cometemos ou nos omitimos, e permitimos que se cometam atentados suicidas no mundo. E essa intolerância radical da humanidade é alimentada, grande parte das vezes, por mais lucros.
Como fala o próprio Deus através do nosso amado Apóstolo Paulo na carta aos Romanos: “A criação geme com dores de parto”. Não podemos ignorar todo o meio ambiente olhando somente para o conforto de nossos ambientes particulares. Nós marianenses sabemos melhor que ninguém como é importante e bom ser rico em recursos naturais! Somos gratos a Deus pelos recursos naturais e reconhecemos a importância da mineração.
Sabemos dos benefícios na economia e na qualidade de vida. Não sou contra a mineração e nem contra empresas mineradoras. Sou contra o desequilíbrio, sou contra a má distribuição dos lucros, sou contra viver o presente matando o futuro, sou contra a ganância. Nada sem equilíbrio permanece em pé.
Precisamos urgentemente de equilibrarmos com o meio ambiente. Tornamo-nos literalmente pesados para natureza e ela não está suportando mais. Temos que pensar e agir como pessoas movidas por sabedoria e não por instinto. Hoje sou a voz das vitimas, voz de uma cidade dependente da mineração, voz de uma cidade que acordou em favor do meio ambiente.
Aprendi que às vezes quando tudo dá errado, acontecem coisas maravilhosas que jamais aconteceriam se tudo tivesse dado certo. Com essa visão, quero em meio a toda essa lama que matou pessoas, peixes, tartarugas marinhas, aves, plantas e rios; em meio a toda essa morte quero enxergar vida, ver uma nova forma de fazer barragens, uma forma de se reciclar o rejeito, uma forma de diversificar a economia, uma nova forma de se viver o presente sem esquecer o futuro.
Nossa intenção agora é buscar parceiros que queiram ir para a primeira cidade das Minas Gerais, buscar parceiros que amam o meio ambiente, empresas que queiram ajudar a cidade a ser um exemplo para o mundo em desenvolvimento sustentável!
Como uma águia que vê lá na frente e que olha por cima das nuvens, vejo um belo horizonte, olho e vejo um novo Bento, vejo uma nova Paracatu, vejo uma nova Mariana com amor e respeito pelo meio ambiente! Vejo um planeta bem melhor! É nosso dever defender e preservar o meio ambiente, criado e entregue por Deus para desfrute e uso comum de todos os seres vivos!
Quero agradecer a Deus por ter nos dado força nos momentos mais difíceis, a cada pessoa que nos ajudou de alguma forma e também ao povo marianense pelo exemplo de garra e hombridade! Deus abençoe a todos!”

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