A QUESTÃO DA MAIORIDADE NO IMPÉRIO: UMA HISTÓRIA SURREAL QUE NUNCA SE ACABA

D PEDRO II CRIANÇAImaginem a seguinte história: uma criancinha de 05 anos de idade é abandonada pelos pais, um rei e uma rainha, nas mãos de súditos ambiciosos, em um reino de proporções continentais, e os pais partem definitivamente, sem perspectiva de retorno, para um país distante, do outro lado do mundo. A criancinha chora copiosamente e pede para não ser abandonada, mas os pais, inescrupulosamente, ignoram o seu choro e seguem viagem, sem nem olhar para trás. Em uma carta direcionada ao povo antes da partida, o pai, ironicamente, ainda o chama de “amado e estimado filho”. Imaginem se não o fosse…
Logo após a partida dos pais, movidos por interesses políticos e maquiavélicos, os nomeados tutores da criança, aproveitando do seu “sangue azul” , a declaram, aos seis anos de idade sem nem saber direito as primeiras letras, Imperador do país. Mais tarde, quando atinge 14 anos, ainda no início da puberdade, decretam a sua maioridade e a criança assume o trono. Vestem-no com D PEDRO IIindumentárias de ouro, colocam uma coroa de tamanho desproporcional em sua cabeça e fazem-no acreditar ser uma espécie de deus; todos passam a beijar-lhe as mãos e idolatrá-lo. Na verdade, não era o deus que julgava ser, mas uma espécie de fantoche nas mãos de velhas raposas ambiciosas e fascinadas pelo poder.
O tempo foi passando e, cerca de quarenta e oito anos depois da sagração do menino como imperador, ele é deposto pelo mesmo povo que o colocou precocemente no trono. Logo depois, é sumariamente deportado, junto com a família, para o mesmo país onde seus pais, já agora falecidos, tinham partido. Desta vez, a família imperial não deixou nenhum herdeiro do trono para trás. Um general decrépito, a princípio favorável à monarquia, é induzido a assumir o poder e um novo ciclo se inicia no país. Alguns anos depois, o Imperador deposto vem a falecer, solitariamente, distante da terra natal que tanto amava. Antes de morrer, pediu que colocassem um pouco desta terra dentro do seu travesseiro no seu leito de morte.D PEDRO II - MORTE
Pois bem, esta história surreal não foi inventada, como alguns leitores já começam a perceber; ela realmente aconteceu, evidentemente com algumas pitadas de emoção do autor que vos fala. O Rei, pai da criança: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, o nosso D. Pedro I, primeiro Imperador do Brasil. A Rainha, mãe da criança: Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, a primeira imperatriz do Brasil. A criança, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, o nosso famoso D. Pedro II. O ano em que foi abandonado pelos pais, 1830. Os tutores, José Bonifácio de Andrada e Silva, Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho, a Condessa de Barral, suposta amante do pai da criança, Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, o Marquês de Itanhanhem. O General que assumiu o poder logo após a partida do Imperador para o exílio, Marechal Deodoro da Fonseca, o ano 1889. O país, Brasil!PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
Mais de cem anos se passaram! Desde que o Marechal assumiu o poder, saindo da monarquia e inaugurando a república, muitas águas já rolaram. Outros generais assumiram o comando, vários democratas também, alguns até com ares de salvadores da pátria, todos com promessas fascinantes que nunca se realizaram. O povo continua esperando o país do futuro que nunca chega pelas terras de cá. Às vezes fico me perguntando até quando vamos continuar “meninos”, com uma maior-idade forjada, sem assumir de fato nossa maioridade tão almejada…

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