CAIXEIRO-VIAJANTE DO CONHECIMENTO

CAIXEIRO-VIAJANTENos últimos tempos, tenho rodado Minas Gerais de norte a sul atuando como professor e construindo conhecimentos pelos cursos de pós-graduação, em diversas faculdades espalhadas pelo Estado. Na região norte estive em Montes Claros e Três Marias, no Triângulo Mineiro em Uberaba, Uberlândia e Patos de Minas, no Vale do Aço, em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Governador Valadares, na região sul em Passos e Pouso Alegre, na sudeste em Conselheiro Lafaiete, Itabira e Mariana e na região metropolitana de Belo Horizonte, na própria capital, em Contagem e em Betim. Fora do Estado de Minas Gerais, estive em Alagoinhas na Bahia, em Rio Branco, capital do Acre e em Parauapebas, no sul do Estado do Pará, relembrando os longos anos que vivi neste Estado.
Como um Caixeiro-Viajante da moda antiga, levo na minha “mala” embutida no laptop, de tudo um pouco: de estratégias de gestão de pessoas, negócios, qualidade, ética e responsabilidade social no trabalho a estratégias de Consultoria, Coach e auto-conhecimento, de técnicas de oratória, apresentação em público e atendimento ao cliente à desenvolvimento de lideranças e equipes e relacionamento interpessoal no trabalho.
Em cada lugar onde paro, curto a hospitalidade e a cultura e abro a minha “mala” oferecendo aos clientes um produto de acordo com a sua necessidade. Esta fascinante experiência trouxe-me um estreito contato com mais de 2.000 alunos, trabalhando inúmeras disciplinas e temas variados. Foram, de fato, momentos mágicos e de grande PAULO FREIREaprendizado. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, Mestre Paulo Freire tem sido meu grande guia nesta caminhada. Cora Coralina, a grande poetiza, vem com ele corroborar: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. CORA CORALINASeguindo esta linha, as salas de aula transformam-se para mim em um grande laboratório de construção do aprendizado. O resultado tem me trazido experiências fantásticas e alguns fatos marcantes e enriquecedores merecem destaque.
Certa ocasião, durante minhas andanças, ao começar a aula, percebi que os cerca de 30 alunos, entre eles psicólogos, pedagogos, administradores, engenheiros, advogados, enfermeiros e nutricionistas, aparentavam sinais de cansaço. Era uma sexta-feira à noite, depois de uma semana inteira de trabalho. Resolvi então desenvolver uma simulação, cujo tema era administração de conflitos no trabalho. Neste tipo de dinâmica, cria-se uma situação conflituosa e cada aluno assume voluntariamente um papel a ser trabalhado. Para isto, criamos então uma empresa dentro da sala, nomeamos um dono da empresa, um Diretor de Produção, um Diretor do Sindicato e os demais alunos foram designados como empregados. A situação na empresa criada era ruim havia muito tempo e o clima estava muito exaltado. Durante o desenvolvimento da simulação, os empregados, não suportando mais a situação, se revoltaram contra o Diretor de Produção, um líder que tinha assumido um estilo excessivamente autoritário e resolveram parar a empresa. Improvisaram vários cartazes e saíram exaltados pelos corredores da faculdade gritando Greve! Greve! Os sindicalistas e ativistas enrustidos saíram do armário e fizeram uma farra! O A “bagunça” foi tal que o pessoal das outras salas e da coordenação vieram assustados ver o que estava acontecendo, imaginando algum problema inesperado. Confesso que, em meio à gritaria, tive dificuldade para explicar. No final, o Diretor de Produção acabou perdendo o cargo;foi demitido pelo dono da empresa inconformado com tamanha incompetência para controlar aquela bagunça inusitada! O difícil foi restabelecer a ordem na sala, tamanha a agitação dos atores exaltados! Chegamos ao final da aula e o cansaço desapareceu, nem vimos quanto tempo tinha passado! A vida imita a arte; durante as reflexões, foram enormes os aprendizados.
Em outra ocasião similar, desenvolvemos um Júri Simulado, onde o propósito era julgar a atitude de um supervisor em horário de trabalho envolvido com um problema de saque de carga de um caminhão em uma rodovia movimentada. Demitir ou não demitir o vacilão envolvido no caso, eis a questão polemizada. Arrumamos a sala em forma de júri e cada aluno assumiu um papel voluntário: juiz, réu, advogados e auxiliares de defesa e acusação, testemunhas de defesa e acusação, jornalistas e jurados. Iniciada o júri, o clima ficou inflamado. Em certo momento, os advogados de defesa e de acusação, exaltados com a polêmica, confundiram o real com o simulado e começaram a levar o debate para o campo pessoal, mal direcionado. Tive que fazer uma breve intervenção para a coisa não se complicar. Mas no final, encerrado o júri, ficou tudo bem; o entrevero acabou servindo para motivo de boas gargalhadas. Novamente, durante as reflexões, foi fácil de perceber o enorme aprendizado.
Entre viagens e viagens, cidades e cidades, a cada final de semana, sempre me deparo com novas experiências gratificantes e inusitadas. É sempre um belo e novo aprendizado! Caixeiro-Viajante do conhecimento e da aprendizagem!

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