CATOLICISMO E PRÁXIS CRISTÃ

CRUZO Brasil é o primeiro país do mundo em número de católicos. O Vatican Information Service divulgou em julho de 2013 um total de 164.780.000 que se dizem ligados à Cúria Romana. É um número muito interessante para se analisar. Se este contingente de pessoas colocasse realmente em prática os ensinamentos cristãos, o Brasil seria um enorme santuário. O problema é que a realidade é bem diferente: a corrupção toma conta da vida pública e privada, assaltos, crimes e assassinatos pipocam pelas grandes metrópoles ceifando vidas inocentes de forma covarde, bandos de sem teto e sem terra invadem terrenos vazios e marquises dos calçadões das cidades, crianças e adultos morrem de forma precoce por falta de atendimento médico adequado e nesse rol se juntam inúmeras outras desgraças. Enquanto isto, as igrejas se superlotam durante as missas dominicais. Afinal, me pergunto, o que estará acontecendo? Depois de algumas reflexões sobre o assunto, cheguei à conclusão que existe outra realidade, subjacente à que é divulgada.
Na verdade, existem 05 tipos de católicos. No primeiro tipo se enquadram os chamados falsos católicos. Dizem-se católicos, mas não mantem nenhum vínculo com a instituição na qual foram batizados e não colocam em pratica nenhum dos preceitos ensinados, muitas das vezes até praticam o contrário. Aqui estão incluídos não só grande parte dos cidadãos comuns, mas também os ladrões, os assaltantes, os estupradores, os pedófilos, os corruptos e muitos outros espalhados por todos os lados.
No segundo tipo, estão os católicos de fachada. Eventualmente frequentam as celebrações promovidas pela igreja em momentos de gala, sentam-se nos primeiros bancos que são para eles reservados, saem nas fotos nas colunas sociais ao lado dos padres, bispos e cardeais e usam e abusam do momento para se projetar de forma farisaica para a sociedade. Muitas das vezes se travestem de socialmente responsáveis e defensores da classe oprimida, mas no fundo estão querendo mesmo é se locupletar. Neste rol, entre outros, estão grande parte dos políticos, administradores públicos, empresários e, infelizmente, até falsos profetas escondidos atrás das batas.
O terceiro tipo engloba os católicos tradicionalistas, talvez aqui esteja incluída a maior quantidade. Frequentam as missas todos os domingos e dias santos de guarda, confessam, comungam, praticam o dízimo como manda o mandamento, cumprem religiosamente todos os preceitos católicos e obedecem cegamente o que os padres falam, mas não conseguem estabelecer de fato uma relação com a religião e a vida prática. Muitas das vezes acabam de sair da missa e já não se lembram do teor da leitura evangélica ainda a pouco anunciada. Xingam de forma desrespeitosa o Presidente, o Prefeito, o vizinho, até o próprio padre ou qualquer outro que caiam na sua língua afiada. As chamadas beatas e os papa-hóstias são bons representantes desta classe.
No quarto tipo vamos encontrar os católicos pragmáticos. Não são de frequentar assiduamente os rituais católicos e nem sabem os mandamentos de cor e salteado, mas estabelecem uma relação muito estreita entre os ensinamentos cristãos e sua prática. Os Evangelhos são sua fonte de inspiração tanto para a vida pessoal como para o trabalho. Algumas vezes mantem uma visão crítica com relação a posturas da igreja e de seus representantes e manifestam sua insatisfação com relação ao fato. Abraçam com amor trabalhos voluntários e ligados a causas sociais. Neste grupo estão vários líderes humanitários, profissionais liberais, mães amorosas e donas de casa e cidadãos simples que fazem de sua vida um exemplo de oração.
Finalmente, no último tipo temos os católicos catequizados. São aqueles que cumprem fielmente todos os rituais e preceitos da religião e lutam de maneira heroica e coerente para os colocarem em prática em todas as circunstâncias. Estão fortemente engajados nos movimentos e pastorais eclesiásticos e, além disto, estão também comprometidos com grandes causas políticas e sociais. Estes formam a base de sustentação da igreja católica e são os chamados bem-aventurados pois, como dizia o Cristo, “ouvem minhas palavras e as colocam em prática” (Lc 11). Talvez aqui, infelizmente, entre os católicos, tenhamos a menor quantidade.
Para aqueles que se enquadram nos grupo dos falsos católicos, dos católicos de fachada e dos tradicionalistas, muito cuidado, por que o Cristo, a dois mil anos atrás já tinha dado seu recado: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mt 23). Aos pragmáticos, que um dia possam se tornar catequizados e aos catequizados, que Deus ilumine seus caminhos para que continuem sempre sendo o fermento na massa. A todos, estejamos atentos, por que quanto ao dia e a hora, ninguém sabe…
Afinal, em qual destes grupos você se enquadra? Vale a pena refletir sobre o assunto.

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