FALANDO SOBRE DESIGUALDADES SOCIAIS

DIÁRIO DE LISBOA XIIParece que os deuses ouviram meus lamentos de ontem e algo de novo surgiu para quebrar minha rotina estudantil. O Professor ficou doente e não pode dar aula, então fomos participar de um Seminário (Colóquio como chamam por aqui) no Instituto Universitário de Lisboa. O tema era Desigualdade Social em Debate. Altíssimo nível! Passei o dia refletindo sobre o assunto, sorvendo na fonte o pensamento de grandes mestres das ciências sociais.
Os tópicos abordados versaram de uma maneira geral sobre classes sociais e desigualdades, concentração de renda e políticas públicas e sociais. As abordagens deixaram claro que Portugal está passando por um momento de crise e o questionamento sobre a influência da União Europeia sobre a soberania do País parece ser um tema em destaque, com algumas alas inclusive defendendo a sua desvinculação do bloco. Segundo os comentários dos debatedores, inclusive bastante enfáticos, o País vem pagando um preço muito elevado por isto e Lisboa, principalmente, sofre fortes impactos com o agravamento das desigualdades sociais. Embora tenham utilizado fortes argumentos com relação a este fato, sinceramente não é o que tenho observado por aqui, pelo menos com a tamanha intensidade que vejo pelas nossas grandes cidades. Durante o momento de debate aberto ao público, tive oportunidade de assim me manifestar, ponderando que, na verdade os problemas deles realmente existem, mas os nossos são muito mais graves. No Brasil é muito mais marcante a presença das fortes desigualdades (BH, na minha opinião, em destaque): elevado número de favelas em condições precárias convivendo lado a lado com grandes prédios e condomínios de classe alta, elevação do número de moradores de rua, mendigos e drogados no centro da cidade, aumento de criminalidade, entre outros graves problemas sociais.
A conclusão é que a adoção de políticas distributivas de caráter meramente fiscalizadoras, tributaristas e assistencialistas como as que estamos a adotar, nunca vão resolver nossos graves problemas de desigualdade, pelo contrário, tendem a perpetuá-los.
Mas enfim, que Deus ilumine nosso governantes, esperemos o novo dia e que o futuro traga bons ventos soprando para nossos lados…

  1. Um dos exemplos mais bacanas que vi nos últimos meses foi a situação de São José dos Campos: praticamente não existe favela, a cidade é toda arborizada e muito bem cuidada (a “favela” que vi foi só um quarteirão com casas amontoadas; o restante da cidade é tudo organizadinho)

    Esse feito foi realizado através de um programa de desfavelização da cidade em que o prefeito anterior, Eduardo Cury/PSDB, mudou completamente SJC. Pelo que entendi, em sua administração foram construídas moradias de boa qualidade e as pessoas que moravam em favelas foram removidas da área de risco e colocadas nessas novas moradias. Realmente muito bacana! Solução tem: falta é vontade de quem tem o poder para fazer acontecer.

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