POMBAL: HERÓI OU VILÃO

DIÁRIO DE LISBOA XA segunda-feira chegou preguiçosa e fria. A vida começa a se repetir: todos os dias da semana a mesma caminhada, o mesmo fluxo apressado de pessoas saindo debaixo do chão como formigas saindo do formigueiro nos diversos pontos do metrô ao longo das calçadas, os mesmos aviões passando barulhentos e baixinho em direção ao aeroporto sobre a minha cabeça e lá vou eu, seguindo em frente, tocando a boiada, como dizia Almir Sater com sua viola enluarada…
E por falar em bois e boiadas, um tocador que me chamou bastante a atenção por aqui é a figura de Sebastião José de Carvalho e Melo, o famoso Marquês de Pombal. Toda vez que toco no seu nome, me vem à lembrança os tempos de menino de grupo, onde aprendi que ele era o tirano que mandou cortar a cabeça do Tiradentes e esquartejar seu corpo, distribuindo os pedaços pelas estradas de Minas Gerais. Mas essa não é a história que contam por aqui. Um monumento enorme foi dedicado a ele em uma das principais praças da cidade, fazendo honra a sua figura e as reformas por ele implantadas.
O cara era formado em Direito e História pela Universidade de Coimbra e foi o braço direito do Rei D. José I, lá pelos idos de 1755, ocasião em que ocorreu um terrível terremoto em Lisboa, destruindo totalmente a cidade. Ele foi o responsável pela reconstrução de Lisboa, com feições mais modernas e racionais tirando-lhe o aspecto medieval. Além disso, foi responsável por importantes mudanças na administração, nas finanças e no sistema militar com o fim de modernizar Portugal e suas colônias, com importantes reflexos para o Brasil. Expulsou os Jesuítas das terras portuguesas e de suas colônias e no ano de 1763 transferiu a capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, tornando-se assim mais próxima dos centros mineradores e mais dinâmicos da economia colonial.
Com a morte de D. José I em 1777, em função dos abusos de poder que cometera, cai em desgraça diante da Rainha D. Maria I e dos membros da corte, sendo processado pelos seus desafetos, julgado e condenado a se afastar de Lisboa, vindo a morrer exilado em Pombal no ano de 1782.
Poder e fracasso, heróis e vilões, juízes e mártires, assim caminha a humanidade e, como dizia o poeta, “porque se chamava homem, também se chamavam sonhos e sonhos não envelhecem, em meio a tantos gases lacrimogênios,ficam calmos, calmos, calmos…”, e lá se vai mais um dia, na minha jornada…

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