UM GRANDE BRASILEIRO EM LISBOA

DIÁRIO DE LISBOA VIIIHoje é sábado, a noite vem chegando e trazendo consigo os fantasmas da solidão. Acostumei-me com uma costela quentinha do meu lado e agora sozinho fico meio desorientado.
Mas vamos às escritas ver se consigo deixar os fantasmas de lado.
Esta semana vi uma grande figura estampada na parede da sala do coordenador do curso de mestrado, que me deixou bastante animado. Fez-me sentir que nem só de criminalidade, futebol, carnaval e mulher pelada o Brasil é lembrado. Trata-se de Paulo Freire, um dos maiores educadores que já passaram pelas terras brasileiras. Para aqueles que nunca ouviram falar, vale a pena se inteirar e para aqueles que já o conhecem, vale a pena relembrar.
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921 e faleceu em São Paulo em 1997. Foi preso e exilado pela ditadura por causa das suas atividades políticas e viveu no exterior de 1964 a 1979. Nesse período escreveu sua obra prima Pedagogia do Oprimido, sucesso mundial, traduzido para várias línguas. Retornou ao Brasil após a abertura e desenvolveu belíssimos trabalhos.
Paulo Freire delineou uma Pedagogia da Libertação, intimamente relacionada com a visão marxista do Terceiro Mundo e das consideradas classes oprimidas, na tentativa de elucidá-las e conscientizá-las politicamente. As suas maiores contribuições foram no campo da educação popular para a alfabetização e a conscientização política de jovens e adultos operários, chegando a influenciar em movimentos como os das Comunidades Eclesiais de Base (CEB).
Um dos seus maiores feitos está relacionado à educação de adultos, quando ensinou 300 cortadores de cana, totalmente analfabetos, a ler e a escrever em 45 dias. Uau! Vale a pena recordar alguns de seus pensamentos.
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.
“Se a educação sozinha não pode tranformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.
“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade”.
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”
E por ai vai…Nos últimos tempos venho bebendo fortemente nessa fonte profícua. Pelo visto, os portugueses também. E vamos curtir a noite de sábado. Que São Paulo Freire nos ilumine e proteja na nossa jornada…

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