INÊS DE CASTRO: UMA HISTÓRIA DE PAIXÃO E ÓDIO

DIÁRIO DE LISBOA VIIHoje a temperatura média por aqui girou em torno de 10° Celsius. Meu pavilhão auricular não foi tão castigado pelo ventinho frio durante minha tradicional e diuturna caminhada.
Mas vamos esquecer o clima e falar um pouco de história, aspecto pujante por aqui. Lisboa transpira história e histórias de reis e rainhas que às vezes nos fascinam ou nos deixam assustados!
Outro dia, lá pelas altas horas noturnas na solidão do meu quarto, assisti um filme sobre a vida e morte de Inês de Castro. Inês de Castro, lá pelos idos do ano de 1340, foi a aia, dama de companhia naquela época, de D. Constança, esposa do Infante D. Pedro, filho do Rei D. Afonso IV. O Infante logo se apaixonou pela moça e mal a esposa faleceu, vítima de um parto, ele juntou-se a ela. O Rei D. Afonso, insatisfeito com a união dos dois e pressionado pela corte e pelos filhos do primeiro casamento do Infante, temerosos em ter que dividir o trono com os irmãos bastardos, resolveu dar um jeito de sumir com ela do pedaço. Aproveitando de uma saída do Infante para uma excursão de caça, junto com mais três súditos providenciou a execução da pobre mulher. O Infante, quando soube chorou amargamente e revoltou-se contra o pai mas, pela interseção da rainha mãe, acabou se conformando, pelo menos por algum tempo, sabe-se lá se por conveniência ou por medo do pai.
Logo após a morte do pai, dois anos depois, assume o trono e parte para a vingança, uma terrível vingança! Mandou prender os dois assassinos e arrancar o coração de cada um deles na sua frente. O coração de um infeliz foi arrancado pelo peito e o outro pelas costas. Depois, segurando os dois corações quentes e ensanguentados nas mãos, aos berros grita que a amada estava vingada. Tudo isto enquanto banqueteava, rodeado por altos representantes clericais. A cena é terrível, mas segundo narra a história, pura verdade!
Conta ainda a história que D. Pedro mandou construir dois esplêndidos túmulos para ambos no mosteiro de Alcobaça, onde após a morte se juntou à amada. Quando os túmulos, no século XVIII, foram colocados frente a frente apareceu a lenda que assim estavam para que D. Pedro e D. Inês pudessem olhar-se nos olhos quando despertassem no dia do juízo final.
Depois de arrancar o coração dos outros e segurá-los ainda quentes e ensanguentados, só Deus sabe lá em quais quintos esse Rei foi parar!…
Credo! Vamos deixar essa história diabólica de lado e voltar à realidade. Amanhã tem mais estudos para continuar. Que venham histórias mais belas para eu narrar!

    • Fatima Maia Dias
    • 10 janeiro, 2015

    A punição nestes termos é uma necessidade abominável. Suponho que Deus de infinita justiça, há de analisar os pecados dos reis(não são poucos!). Deus é bom e perfeito há também de usar da sublime benevolência.

    • Júlio César Vasconcelos
    • 10 janeiro, 2015

    Prezada Fátima, creio que Deus perdoa a todos, o problema é quando a pessoa que comete o pecado não quer ser perdoado e ainda usa Seu Divino Nome para cometê-lo. Veja o atentado de Paris…
    Mais uma vez, obrigado pelo comentário. Um abraço.

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