FALANDO DE BANHEIRAS E MENINAS

DIÁRIO DE LISBOA VIHoje de manhã a temperatura chegou a 1° Celsius por aqui. Um ventinho frio congelava os lóbulos das minhas orelhas, heroicamente coladas nas laterais da minha cabeça, cumprindo fielmente suas funções de pavilhões auriculares, registrando os ruídos dos carros. Mas, plagiando Fernando Pessoa, tudo vale a pena se a causa não é pequena e vamos novamente na caminhada até a Universidade.
Hoje gostaria de compartilhar dois casos engraçados.
Estou estudando uma disciplina que se chama Inclusão Social e Educativa. A professora contou que o governo português implantou um programa para construção de prédios de apartamentos para alojar os moradores de rua, na região próxima do aeroporto de Lisboa. Concluída a obra, os novos moradores começaram a ocupar os espaços habitacionais. Por aqui, é muito comum a instalação de banheiras com duchas nos banheiros, diferentemente dos nossos tradicionais chuveiros. Passado algum tempo, representantes governamentais foram fazer uma inspeção nos prédios para ver como os novos inquilinos estavam se arrumando. Surpresa! Eles, diante da necessidade de sobrevivência e numa explosão de criatividade, encheram as banheiras de terra e fizeram delas belíssimos canteiros de verduras dentro dos próprios banheiros! Uau! !!! Ah se um dos meus genros descobre esta ideia…
Vamos ao segundo caso. Durante o intervalo das aulas, passeando pelos corredores da Universidade, vi um grupo de meninas conversando. Passei próximo a elas e, explorando formalmente minha rotineira cordialidade, em alto e bom tom, declamei:
-Boa tarde, meninas!
Insisti no cumprimento, mas mesmo assim nenhuma delas respondeu e, para meu espanto, ainda por cima olharam para mim com ares de revolta estampados nas faces. Não entendi bulhufas, pensei que elas eram umas grandes mal educadas. Fiquei meio sem graça e sai de fininho sem falar mais nada. Mais tarde, fui lembrar-me que a professora em sala de aula tinha explicado que o termo “meninas” por aqui tem um sentido pejorativo, é o mesmo que prostituta para nós de lá. Que fiasco! Já entendi que vou ter que dar um jeito de aprender rapidinho estas diferenças idiomáticas ou vou acabar apanhando por aqui…
Que São Fernando Pessoa, protetor dos poetas me proteja e vamos em frente na nossa caminhada!

    • Fatima Maia Dias
    • 9 janeiro, 2015

    adorando saborear as suas façanhas. Bem assim, apesar de falarmos a mesma língua, os lusitanos Dão um sentido totalmente contrário ao que damos aqui no Brasil.

    • Júlio César Vasconcelos
    • 9 janeiro, 2015

    Prezada Fátima, boa tarde!!!! Muito obrigado pelo seu feedback! Seus comentário me dão grande motivação para continuar explorando meus dons de escritor ainda meio “guardados no armário”. Grande abraço!

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