EVOLUÇÃO MORAL NAS EMPRESAS

KOHLBERGLawrence Kohlberg (Nova York, 1927-1987), um famoso americano estudioso do comportamento humano, classificou o desenvolvimento moral dos seres humanos em seis grandes estágios, variando em uma escala de valores de “1” a “6”, sendo o primeiro estágio o menos evoluído e o sexto o mais evoluído. Sua teoria pode ser perfeitamente observada na rotina do dia a dia das empresas.
Segundo Kohlberg, no primeiro estágio estão as pessoas que pautam suas ações especificamente com foco na punição. O critério para agir ou não de determinada maneira se baseia na possibilidade de ser ou não punido e, se punido, no nível dessa punição.
No segundo estágio, impera o hedonismo. A preocupação fundamental é com os ganhos pessoais, mesmo que, para conseguir esse ganho, seja necessário participar de atos ilícitos.
No terceiro estágio estão os chamados “bons-garotos”. Nesse estágio as pessoas justificam seus atos ilícitos ou eticamente questionáveis, em função do contexto. Têm consciência das consequências de suas atitudes, mas entendem que, diante do contexto, é a melhor opção.
O quarto estágio é o estágio do chamado da lei e da ordem. Nesse estágio a pessoa se move com base na obediência à autoridade e à ordem social. O correto é cumprir seu dever na sociedade e preservar a ordem. Há uma obrigação e um dever em manter leis e regras.
No quinto estágio, o bem estar social é a máxima que rege o comportamento das pessoas. As leis são consideradas como contratos sociais em vez de um mandamento rígido. Aquelas que não promovem o bem-estar geral devem ser modificadas quando necessário para adequar-se ao bem máximo para o maior número de pessoas.
O sexto e último estágio é o da Consciência Universal. Os princípios em questão são os da igualdade dos seres humanos e o respeito profundo por sua dignidade como indivíduos, considerados como fins e não enquanto meios. Existe uma capacidade profunda de colocar-se no lugar do outro.16 O ponto de vista é da fraternidade universal, transcendendo grupos e sociedades particulares e se baseia numa ética válida para todos, da qual derivam arranjos e instituições concretas. É a ética dos grandes idealistas, heróis e mártires. Segundo Kohlberg, um número muito reduzido de pessoas se enquadra nesse estágio e, normalmente, têm vida curta. “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”…
ÉTICAVejamos um exemplo hipotético de como esses princípios se aplicam na prática. Vamos trabalhar um caso que, infelizmente, tem se tornado muito comum dentro das empresas. Suponhamos que você seja assediado para receber propina no ambiente de trabalho. Se aceitar ou não aceitar simplesmente se pautando no fato de ser ou não punido ou no nível da punição que poderá receber, você poderá ser enquadrado no primeiro estágio. A pergunta a ser respondida aqui é “qual o risco que eu corro de ser punido e, se eu for punido, qual a intensidade da pena?”…
Se você tiver como critério de julgamento o quanto você irá ganhar com esse ato ilícito, poderá ser classificado no segundo nível. O critério aqui é responder à pergunta: “O quanto eu vou ganhar se eu aceitar a propina?”, não importando o nível da punição ou que com isso você esteja prejudicando os outros. Na verdade aqui “uma mão lava a outra”, ganham os dois, corrupto e corruptor.
Suponhamos que você esteja passando por um momento de dificuldade financeira e o fato de estar vivendo esse momento difícil justifique sua atitude de aceitar a propina. É o comportamento típico do terceiro estágio. “Normalmente eu não aceitaria propina, mas como eu estou passando por um momento muito difícil”…
No quarto estágio, você não aceitaria de maneira nenhuma, simplesmente por que isso é contra a lei: “Eu não aceito propina por que a lei não permite que eu faça isso”.
De forma diferente, você pensaria se estivesse enquadrado no quinto estágio. Nesse estágio o pensamento é: “eu não aceito propina de forma alguma, pois muito além da lei, meus valores não permitem que eu aceite. Se existem leis injustas, eu me movimento, busco adeptos do meu pensamento e luto veementemente contra elas”.
Finalmente, chegamos ao sexto e último estágio. Propina aqui não passa de forma alguma, nem em pensamento, pela sua forma de viver, agir e pensar. “Eu acredito profundamente na força da espiritualidade, da paz e do amor entre os homens e, incondicionalmente, vivo por isso e para isso. Se necessário for, dou minha vida por essa causa”.
Afinal, em qual nível de desenvolvimento moral você se enquadra? Em qual nível você acha que se enquadra a maioria do nosso povo brasileiro? Vale a pena refletir…
Se você quiser se aprofundar no assunto, faça contato conosco.

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