A COPA DO MUNDO E AS MANIFESTAÇÕES POPULARES

COPASuponha que alguém apanhou seu dinheiro (e muito dinheiro) sem te pedir licença e resolva dar uma grande festa na casa dele com este dinheiro. Para a animar a festa, ele emprega artistas famosos pagando salários milionários, inimagináveis pelo trabalhador comum. Você está precisando muito deste dinheiro e, lógico, não concorda com a forma que ele será aplicado. Além de não ter tido opção de escolher se dava ou não o dinheiro, você tem uma série de necessidades urgentes a serem atendidas com ele. No entanto, indiferentemente às suas necessidades e aflições, este alguém divulga a festa de forma estrondosa na mídia e, descaradamente, convida você, outros prejudicados com o confisco do dinheiro e mais um monte de gente de fora para participar da festa. Sentindo-se lesado e sacaneado, você protesta, convoca pela internet outros prejudicados, faz manifestações nas ruas, bloqueia o trânsito, grita, usa faixas e alto-falantes com frases de efeito, incomoda os vizinhos e um monte de gente que não tem nada a ver com isto, mas os preparativos para a festa continuam, como se nada estivesse acontecendo. Passados alguns dias, iludido pelas propagandas ufanistas divulgadas pelos responsáveis pelo evento, você (é você mesmo), resignado e obnubilado, esquece de tudo, levanta de madrugada e se encaminha para alguns poucos guichês espalhados pela cidade,  enfrentando filas quilométricas para comprar ingressos caros para ir à grande festa promovida pelo dito cujo. No dia da grande festa, você, todo alegre, sorridente e entusiasmado, veste um uniforme de gala e, com uma bandeira na mão, vai para o evento!…

Sou brasileiro, amo meu País, não tenho nada essencialmente contra o futebol e os campeonatos mundiais, sou radicalmente contra manifestações violentas e depredações e acho mesmo que devemos receber bem quem vem de fora para nos visitar nestas ocasiões. No entanto, penso que o povo brasileiro precisa exercer de fato a sua cidadania e ser mais consciente e maduro na sua forma de protestar. Não adianta xingar o ladrão e depois curtir a festa feita por ele com o fruto do roubo, como se nada estivesse acontecendo. Quem tem ouvidos que ouça…

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