ÉTICA E VALORES ORGANIZACIONAIS

 

ÉTICAHá algum tempo atrás atuei como professor de uma disciplina denominada Estratégia Executiva em um curso de Pós-Graduação de uma faculdade da região metropolitana de Belo Horizonte. Durante uma das aulas, minha proposta foi estudar o conceito de Missão e Valores Organizacionais e estabelecer uma visão crítica em cima dos enunciados de algumas organizações, tendo em vista os aspectos éticos, relacionados à coerência entre o discurso e a prática. Stephen Covey, com o seu pensamento “suas atitudes me falam tão alto que não me deixam ouvir o que você está falando”, foi uma de nossas fontes de inspiração,

 

Durante o estudo, como forma de dinâmica, solicitei aos alunos que se reunissem em grupo e elaborassem a Missão de uma empresa pertencente a um dos componentes. A empresa era uma Academia de Ginástica localizada na região metroploitana. Motivados pelo entendimento do conceito e pela reflexão sobre o assunto, arregaçaram as mangas e partiram para o trabalho.

 

Depois de algumas horas de discussão, o trabalho foi concluído e se dispuseram a apresentar o resultado para minha avaliação e da turma. O resultado, em um primeiro momento, foi glorioso; um belíssimo enunciado foi apresentado nos seguintes termos: “Promover a melhoria da qualidade de vida dos nossos clientes através do investimento permanente na elevação da performance física, trabalhando em um clima ético e transparente”.Este resultado, apresentado em letras garrafais em telão através do projetor data-show, causou um efeito fantástico; os alunos sentiram-se felizes e realizados com o trabalho.

 

O problema surgiu, quando comecei a questioná-los com um teste simulado, conforme descrevo a seguir. Disse a eles que eu era um alto representante de uma grande organização e que tinha uma proposta milionária a ser negociada com a empresa deles. Tratava-se de um contrato de um ano de duração, envolvendo o valor de R$1.200.000,00 para desenvolver um trabalho de melhoria da performance física dos funcionários da organização, trabalho este perfeitamente compatível com a capacidade do negócio deles.

 

Era uma proposta fantástica tratando-se de uma pequena empresa e, imediatamente, sem nenhuma forma de vacilo, aceitaram-na.

 

Dando sequência ao teste simulado, eu manifestei junto a eles um “porém”: eles teriam que me emitir uma nota fiscal no valor de R$1.200.000,00 pelo trabalho e me repassar em espécie, após receberem o pagamento, o valor de R$200.000,00, sem nenhum comprovante ou recibo de entrega do dinheiro. Portanto, no final da transação, eles ficariam com R$1.000.000,00 e eu com os R$200.000,00, como forma de “compensação extra” pelo meu trabalho. Garanti que eles não teriam nenhum problema com a transação, visto que este procedimento já era bastante comum no nosso meio. O sigilo era absoluto e poderiam ficar tranquilos com relação à possibilidade de vazamentos.

 

Voltando ao papel de professor, pedi que eles refletissem novamente sobre a aceitação da proposta, tendo em vista a Missão que tinham traçado, com o foco nos aspectos da ética e da transparência. Por um bom tempo discutiram acaloradamente entre si, olhando várias vezes indecisos para mim e para a Missão no telão e depois, finalmente, se manifestaram:

 

-Professor, nós vamos rever a nossa Missão, retirar o trecho referente à ética e transparência e aceitar a sua proposta… 

 

O “Case” citado, embora simulado, traz em pauta uma discussão importantíssima a ser tratada, principalmente tendo em vista o contexto atual. Até que ponto os enunciados belíssimos de Missão e Valores estampados em sites, cartazes e outdoors das empresas correspondem realmente o que é colocado em prática? Se estes enunciados são de fato verdadeiros, por que são tão comuns nestas mesmas empresas os problemas relacionados à criação de empresas fantasmas, propinas, desvios de verbas, fisiologismos e favoritismos, entre outros divulgados pela mídia e estatisticamente comprovados?

 

A Lei Anti-Corrupção 12.846/2013 que já está em vigor a partir de 29/01/14 visa responsabilizar e punir rigorosamente as empresas, e não só seus dirigentes, que se envolverem em questões como as citadas acima, inclusive com multas pesadíssimas e hipótese de fechamento.

 

Sua empresa possui um sistema de Compliance bem estruturado? Está preparada para enfrentar este novo contexto? Vale a pena refletir sobre a questão e tomar as providências necessárias, antes que seja tarde. Fale conosco, caso queira se aprofundar sobre o assunto.

 

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