A VALE E A POLÊMICA DA REATIVAÇÃO DA MINAS DEL REY EM MARIANA

Recentemente recebi um e-mail proveniente de um jovem universitário, estudante de direito, com um abaixo-assinado conclamando a população marianense  a se manifestar contra a possível reabertura pela Vale, de uma mina de minério de ferro nas redondezas de Mariana, no local onde funcionava a antiga Minas Del Rey. Numa atitude ufanista, alega o jovem que a abertura da nova mina representaria uma agressão à cidade de Mariana, em função da poluição aérea, sonora e visual, além de outros problemas que não conseguiu elencar. De certa maneira, entendo a preocupação do futuro rábula, mas existem algumas questões que merecem ser consideradas, com o risco de, caso contrário, perdermos o bonde do progresso.

É um fato indiscutível que a atividade minerária gera impactos econômicos, sociais e ambientais no meio onde está inserida. A questão fundamental é, aprendendo com os erros do passado, ter consciência e certeza de como estes impactos vão ser trabalhados de forma a mitigar seus efeitos e trazer ganhos significativos e concretos para a comunidade. Sendo assim, creio que seria muito mais acertado e produtivo, ao invés de ficarmos ranhetando contra a chegada irrefutável do progresso, assumir uma postura mais assertiva  e, unindo as forças das diversas lideranças, garantir os inúmeros ganhos que a chegada de uma nova frente de trabalho, com certeza, pode trazer para a cidade. Mecanismos legais para amenizar os impactos, sem nenhuma dúvida, existem; é só fazer pressão para que sejam utilizados de maneira eficaz. Aos fundamentalistas menos avisados, antes de sair se manifestando como defensores da terra e do povo, sugiro primeiro procurar entender o que é o EIA/RIMA (Estudo de Impactos Ambientais/Relatório de Impactos no Meio-Ambiente) e como funcionam os órgãos fiscalizadores municipais, estaduais e federais e então pressioná-los para funcionar de fato. Privar a população de novas oportunidades de emprego e à municipalidade do recolhimento de novos e polpudos impostos com protestos infundados, com certeza não é uma atitude recomendável.

Conheci Mariana bem antes da chegada das mineradoras na região e posso falar com muita propriedade dos efeitos positivos que elas trouxeram, mesmo descontados os problemas acarretados. Quem tiver dúvidas, é só verificar o enorme valor em royalties repassados à administração pública ou olhar para as fotos da cidade na década de 70 e as fotos de agora ou ainda ver a quantidade enorme de famílias que são sustentadas pelos salários ganhos pelo inúmeros trabalhadores empregados nestas empresas. Grande parte dos cidadãos e de seus fihos que constituíram família, construíram suas casas e desfilam com seus carrões pela cidade, têm sua fonte de renda dentro destas mesmas empresas, que às vezes injustamente são vilipendiadas.

É de extrema importância entender que desenvolvimento sustentável prevê o investimento consciente, não só no aumento do poderio econômico mas, indiscutivelmente,  também em responsabilidade social e ambiental, com o risco, caso contrário, de pagar muito caro por este esquecimento. É o famoso princípio do “Triple Botton Line”, tão acertadamente divulgado pelo estudiosos John Elkington, a maior autoridade mundial em responsabilidade corporativa sustentável dos últimos tempos. Uma comunidade, qualquer que seja ela, não pode, de maneira retrógrada se fechar em si mesma, renegando este desenvolvimento e privando seus cidadãos dos benefícios provenientes do progresso. Aos representantes do capital, especificamente a Vale, no caso em questão, compete garantir esta sustentabilidade, mostrando para a população o verdadeiro sentido de sua missão, estampada na mídia de maneira eloqüente e bem estruturada:

“Transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável”… Faça-se e cumpra-se! Assim VALE a pena!…

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