O “AIPODE” E O CASO DOS BEBÊS AFOGADOS

Estava fazendo minha tradicional caminhada à tarde pelas margens da Represa Santa Lúcia, quando eles apareceram subitamente, como que do nada! Eram dois moleques morenos, usando bermudas “bunda frouxa” , de pernas compridas e cabelos amarelados. Tentei correr, mas me deram uma rasteira e estatelei pelo chão descontrolado. Só ouvi um um deles berrar no meu ouvido:

-O QUÊ C’OCÊ TEM AÍ, PORRA? O QUÊ C’OCÊ TEM! FALA LOGO, PORRA!

Em seguida, pude ouvir o outro gritar:

-É só o aipode!

Da mesma maneira que chegaram, sumiram, e eu fiquei ali, estirado no chão, meio zonzo, catando meus óculos quebrados. Levaram meu pequeno aparelho eletrônico MP3 e me deixaram de lembrança uma baita sensação de impotência e de insegurança, como se tivesse sido atropelado! Neste instante, tranquilamente um caminhante passou pelo meu lado, como se nada tivesse acontecido! Nem quis perder seu tempo procurando saber como eu estava! Do outro lado da barragem, dois policiais, como o caminhante, tranquilamente  conversavam, cumprindo em paz seus turnos de trabalho!

Ainda no chão, passei a mão pelo rosto e pelo corpo, para ver se tinha algum corte ou algo quebrado. Felizmente nada! Levantei-me e retornei meio transtornado para casa!…Dos males, o menor, eu estava inteir e não tinham me levado mais nada!

No outro dia, comentando o fato com um colega de caminhada, ouvi secamente seu comentário:

-Estes tipos de pessoas têm que ser executadas! Só assim se resolve o problema, o resto é balela, conversa fiada!

E aí, será que é assim mesmo? Este é o melhor caminho? Fico me perguntando desolado!

Vem me à lembrança a estória dos dois cumpadres mineiros pescando na beira de um “corgo”, dando umas baforadas nos seus cigarros de palha e trocando uns papos. De repente, um deles observa que, no meio do “corgo”, na correnteza, desciam alguns bebês quase afogados! Imediatamente, ele joga o cigarro de palha para o lado e pula dentro d’água e começa a tirar os bebês quase afogados. Tira um, tira dois, tira vários e continuam descendo os bebês quase afogados! O outro cumpadre na margem obeserva, dando uma última baforada. Irado, o companheiro exausto e molhado reclama, meio irado:

-Pô cumpade, cê num vai me ajudá a tirá os bebês afogados?

O outro cumpadre responde:

 -Óia cumpade, cê continua aí salvando os minino que eu vou mais para riba para ver quem tá jugando eles n’água?…

Executar, construir mais cadeias, aumentar o número de policiais, diminuir a maioridade…Retirar bebês afogados da água…

Quem está jogando os bebês na água? Quem tem ouvidos que ouça…Vale a pena pensar!…

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